[user_registration_my_account]
Capítulo 1 de 47
Capítulo 1
Nicodemos – A Imortalidade e o Renascimento · D. José Amigó y Pellicer
www.autoresespiritasclassicos.com
D. José Amigo y Pellícer
Nicodemos
Traduzido do Original Espanhol Nicodemos ou La Inmortalidad y El Renacimiento
Eugène Bodin Barcos sobre o Garona
Conteúdo resumido
Considerações críticas sobre o Cristianismo, em que O Círculo Espírita Cristã buscam classificar os desvios impetrados através dos séculos nos ensinamentos de Jesus de Belém é através da Revelação da Doutrina dos Espíritos que foi Codificada por Allan Kardec, realizam a síntese do que seja o verdadeiro Cristianismo que é representado através do símbolo de Nicodemos (Reencarnação) e as expressões máximas dos ensinamentos de Cristo (Sermão da Montanha).
Sumário
Prefácio
Considerações Críticas sobre O Cristianismo
I - A Igreja Docente II - A Crise Religiosa III - A Onda Cresce IV - A Seiva do Cristianismo V - O Espiritismo VI - A Internacional Negra VII - A Internacional Cristã VIII - Nicodemos
Nicodemos - A Imortalidade e o Renascimento
Primeira Parte: Depois da Morte
I - Assombro Espiritual. - Vanitas Vanitatum II - Uma Consciência Nua. - No Espaço III - A Terra e a Humanidade Terrestre ante o Espírito IV - O Despertar das Almas V - Em torno do meu cadáver - Os afetos da Terra VI - Mundos Regeneradores - Corpo Espiritual - Harmonias de Luz VII - Mundos Venturosos VIII - Porta Coeli - Hei de Nascer de Novo!... IX - Vem... Segue-me! - Os Infernos da dor. X - Um Espírito desafortunado - Mundos Primitivos Peregrinação das Almas XI - Continuação dos Mundos Primitivos. - O Crepúsculo da Idéia Cristã - Adeus, Irmãos Meus, Tristes Irmãos Deus! XII - O Caos das Origens XIII - Regresso a Terra. - A Gênese do Espírito. - A Realidade Espiritual XIV - Remorsos. - Inspirações - Lembranças, Promessas e Ameaças XV - Voz do Céu - A Luta do Espírito - Trevas e Luz - Os Propósitos - A Reencarnação - O Derradeiro Chamado - A Separação - Sobre o Vaticano
Segunda Parte A Gênese da Terra E a Humanidade Terrestre
Livro I - Gênese da Terra
I - Introdução II - O Caos - O Primeiro Dia da Gênese III - O Segundo Dia da Terra IV - A Terceira Época V - A Quarta Época - Matéria, Principio Vivificador; Substância Espiritual VI - O Quinto Dia da Terra. - Gênese Espiritual. A Grande Catástrofe. O Precursor do Homem VII - O Sexto Dia. - O Homem
Livro II - A Humanidade Terrestre
I - A Humanidade Terrestre Primitiva II - A Segunda Geração. O Homem-Menino III - A Terceira Idade do Homem IV - O Quarto Dia do Homem. - A Imigração Adâmica. Seth. Caim V - O Quinto Dia. - A Lenda do Dilúvio. - A Iniciação. O Cristo do Oriente VI - Abraão - Suas Viagens - Sua Política e Seus Planos. - Isaac e Ismael. - Testamento e Morte de Abraão. - Esaú e Jacó. - Sua Educação e Elevação.
Os Filhos de Jacó no Egito VII - Moisés. - Sua Emigração ao Sinai. - A Visão. - Volta Moisés a Cidade VIII - Os Anciãos de Israel em Presença do Faraó - Plano de Moisés para Libertar seu Povo da Servidão IX - A Festa dos Hebreus. - A Matança e o Incêndio. - O Pânico dos Egípcios - Projetos de Vingança X - As Hostes do Faraó. - Surpresa Noturna. - As Margens do Mar Vermelho. - A Buzina de Moisés. - Morte do Rei. - Destruição do Seu Exército XI - Considerações Históricas e Filosóficas XII - Índole e Missão do Povo Hebreu - Chega ao Pé do Sinai - Política de Moisés. - Sobe Moisés ao Monte - A Visão - A Tempestade XIII - Sonho Profético. - As Duas Tábuas - Os Oito Mandamentos XIV - Moisés e o Sacerdote do Sinai Estabelecem as Bases de um Código Político-Religioso para a Educação do Povo. - Lavram o Decálogo em Duas Tábuas de Pedra. - O Povo Prevarica - Fraqueza de Aarão. - Josué Sobe ao
Sinai XV - Ameaças de Moisés. - O Povo se Arrepende. - O Tabernáculo. - O Sacerdócio na Tribo de Levi. - Instituição dos Juizes XVI - Os Doze - Os Mistérios - O Código Hebreu - Morte de Moisés - A Conquista de Canaã - Os Juízes e os Reis XVII - O Sexto Dia do Homem. - A Civilização Romana. - Corrupção Geral. - Necessidade de Renovação nos Sentimentos e Costumes. - Nascimento de Jesus
Prefácio
Jesus Cristo expulsou com a chibata os mercadores do templo; todavia o templo foi novamente invadido, não agora pelos vendedores de pombos, mas sim por aqueles que, intitulando-se herdeiros e continuadores da missão com que veio ao mundo o fundador do cristianismo, fizeram do Evangelho o manancial inesgotável de seu domínio e conquista. Amparando-se numa doutrina que é toda humildade e pobreza, são, porém, altivos e poderosos: invocando a mansidão e abnegação daquele que deu sua vida pela salvação do homem, são perseguidores e egoístas; alardeando serem eles os Cínicos autorizados intérpretes de uma religião puramente espiritual e seus mais fiéis cumpridores, erigiram um culto rico de exterioridades e cerimônias que seduz os sentidos sem, no entanto, melhorar as condições morais dos homens. A culpa, não obstante, não lhes pertence exclusivamente; porque não são os representantes de uma instituição os que a fazem surgir e a sustentam, mas sim os vícios ou as virtudes das gerações humanas em suas respectivas épocas. A humanidade tem sempre as instituições que merece.
Um povo bronco e ignorante não pode ser senão um povo despótica e fanaticamente dirigido ou governado: Para a emancipação, tanto do corpo como do espírito, deve preceder necessariamente a cultura da vontade e do juízo. Se quiser que uma sociedade seja livre em suas manifestações políticas e religiosas torna-se imperioso educá-la dentro da virtude e combater sua ignorância. Não lancemos, pois, em ninguém toda a culpa dos nossos erros e misérias religiosos, dos absurdos aceitos como verdades definitivas, das sofisticações e abusos de que vimos sendo vitimas em nome do Evangelho: culpemos, isto sim, ao atraso moral e intelectual de nossos antepassados, que tornaram possíveis e mesmo fáceis àqueles erros e misérias, assim como aquelas sofisticações e abusos; que por isto não se entenda que devamos declarar livres de toda responsabilidade aqueles que, transformados em mestres e doutores da sociedade humana, astutamente exploram sua ignorância em benefício próprio e, ao mesmo tempo, empregam todos os meios para conservá-la em perpétuo cativeiro.
Os vícios e a ignorância dos homens deram vida às instituições absorventes e depressivas; porém, logo os representantes daquelas instituições fomentaram a ignorância e alimentaram os vícios, para tornar eterno seu domínio sobre os homens. Somente assim, através da imposição e servidão do entendimento, pôde subsistir durante séculos e séculos como cristã, uma instituição cujos procedimentos e máximas constituem a mais cabal antítese dos atos e máximas de Cristo. E este erro subsistirá, muito embora aqueles que o conheceram e interiormente o reprovam, o sancionem exteriormente com a sua hipócrita aquiescência; muito embora a covardia seja a regra de conduta dos que julgam imparcialmente; muito embora se anteponham ao triunfo da verdade a conveniência e o interesse; muito embora a justiça não tenha senão amantes platônicos que a confessam em sua alma e a negam com suas palavras ou com seu vergonhoso silêncio.
Se todos os que conhecem a mentira tivessem o digno valor, a nobre integridade de denunciá-la, seus apóstolos perderiam a imerecida confiança de que gozam entre os ignorantes e fanáticos, e a emancipação das consciências seria outra daquelas conquistas do progresso, indubitavelmente a de mais fecundos e transcendentais resultados. Este livro foi escrito com um protesto contra a fraude religiosa de uns, dos mercadores do templo, e a covardia ou a dissimulação de outros, daqueles que se apercebem da fraude e não obstante não proferem sequer uma palavra para condená-la publicamente, convertendo-se desta maneira em seus encobridores e cúmplices. Dedicamo-lo a todos os homens de juízo íntegro que anseiam pelo estabelecimento da razão como soberana das manifestações do espírito; a todos os corações generosos que buscam na liberdade, na santa liberdade, a dignificação e prósperos destinos dos povos; às consciências honradas que sentem por toda exploração indigna a maior repugnância; aos apóstolos da fraternidade universal, aos inimigos das trevas, aos sedentos de justiça; numa palavra a todos os homens de boa vontade, de sacrifício e abnegação pelo progresso.
Nossa bandeira é o racionalismo cristão. Içamos esta bandeira com a publicação de ROMA E O EVANGELHO, obra que mereceu do público acolhida das mais favoráveis e do clero católico a mais honrosa condenação, e ela continua a tremular com a publicação de NICODEMOS, escrito sob o mesmo ponto de vista e igual critério religioso de ROMA E O EVANGELHO. Somos racionalistas, porque a razão é o atributo da natureza humana pela qual somos feitos à semelhança da inteligência universal; e somos cristãos, porque nos ensinamentos de Jesus temos bebido a fonte perene da salvação das almas e a mais perfeita concordância entre suas máximas e as da razão independente.
O cristianismo não é Pedro no primeiro século da Igreja, nem muito menos Vítor no segundo século, nem Marcelino no terceiro, nem Sirício no quarto, nem Leão no quinto, nem João II no sexto, nem Sabiniano no sétimo, nem Estevão IV no oitavo, nem Nicolau I, nem João VIII, nem Formoso, nem Bonifácio VI, nem Estevão VII, nem Cristóvão I, nem Sérgio, nem João XXII, nem Alexandre VI. O cristianismo é o sermão da montanha, é a humildade, é o perdão, é a justiça, é o sacrifício pelo próximo, é o sublime episódio da cruz, é Jesus Cristo estendendo seus braços cheios de amor a toda a humanidade, redimida pela adoração e fraternidade universal. O cristianismo não é um homem, senão uma idéia; não é a hierarquia, senão a igualdade espiritual, que depõe de suas cátedras aos soberbos e exalta os humildes.
O cristianismo é o Verbo divino revelado, é a moral eterna, é o ideal perfeito da caridade, é a redenção pelos atos e sentimentos, é a lei do progresso, que a humanidade inteira haverá de realizar na conquista da celestial Jerusalém. É dessa maneira que entendemos nós o cristianismo. Encontraremos em nossa frente todos os traficantes religiosos, os que converteram o templo em casa de comércio, os levitas, os fariseus, os açambarcadores das coisas santas, os que ostentam possuir, como deuses, a verdade infalível, e serem eles os únicos depositários da terra. Encontraremos ainda pela frente a igreja oficial com todo o seu imenso poder ainda incontrastável. Combatemos seus erros e seus abusos: seus ministros difamam nossas doutrinas, as doutrinas de nossa escola, caluniando-as e perseguindo-nos até à morte. As condições da luta lhes são as mais favoráveis; não obstante, sem qualquer sombra de dúvida a sua derrota é certa, porque a sua razão consiste na força, mas os tempos do triunfo da justiça já se aproximam.
Como racionalistas, vimos batalhar contra os opressores da razão humana e pela liberdade do pensamento: como cristãos vimos denunciar os vícios de que padece o cristianismo oficial e a sua impotência em saciar a sede dos espíritos e regenerar as sociedades.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.