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Capítulo 15 de 47

VII — parte 6 de 8

Nicodemos – A Imortalidade e o Renascimento · D. José Amigó y Pellicer

Pretendem alguns, com certas aparências de razão, que ao calor das doutrinas espiritistas tomam corpos fanatismos, mais contrários ao bom sentido filosófico de que a santidade da moral, multidão de perigosas superstições, a cuja generalização estão no dever de oporem-se os verdadeiros amantes do progresso. Exatamente por sermos amantes do progresso é que combatemos superstições e abusos: que o digam o fanatismo católico e o mercantilismo ultramontano, cuja perniciosa influência procuramos francamente minar e destruir. Guerra ao fanatismo! Guerra à superstição! E é a legenda que tomamos por divisa de nossa propaganda, e não o desmentiremos, seja quando se trate da escola espiritista, seja da seita ultramontana. Sim, guerra à superstição! Seja qual for sua procedência, seu colorido, seu caráter: seu hálito imundo torna putrefato tudo aquilo que toca e é preciso destruí-lo a todo o transe. É certo, todavia, que do Espiritismo nasçam crenças supersticiosas, dignas de reprovação?

Esta questão é para nós de transcendental importância, de primordial interesse; porque a superstição não pode possuir outra paternidade senão a do erro, e nós não defendemos o Espiritismo senão por considerá-lo a verdade filosófico-religiosa de nossos tempos e o mais eficaz demolidor dos fanatismos que nos legou a opressão da Idade Média. Depois do que deixamos dito estudando o Espiritismo em todos os seus aspectos; depois de haver demonstrado que como religiões é o Evangelho e a caridade e como Filosofia a investigação dos homens, poderíamos bem nos excusar de entrar em novas considerações, relativas, mais do que à bondade dos princípios, a sua mais ou menos acertada tradução na prática.

Não obstante, ainda que neste terreno tenhamos que. seguir nossos detratores, uma vez que já estamos intimamente persuadidos de que os vícios que deploram nada têm que ver com Espiritismo prático, já que se nos oferece ocasião oportuna também de condenar ante a opinião pública certas corruptelas, produtos da ignorância ou jesuiticamente urdidas que se pretendem fazer passar por obras do Espiritismo, com o objetivo de atrair o ódio das pessoas sensatas, urge dizer a verdade, porém toda a verdade, neste assunto vital, sem considerações nem contemplações que redundem em prejuízo da idéia; estabelecer um cordão sanitário, um antemuro que defenda nossas doutrinas de tanta imputação caluniosa como propalam nossos naturais adversários.

A escola espiritista não pode, não deve consentir, sem um protesto formal, que continuem por mais tempo a ignorância e a malícia usurpando o nome do Espiritismo para sancionar aberrações, idiotices, fanatismos, fraudes, espetáculos grotescos, que apenas podem provocar o desprezo e o sarcasmo que o verdadeiro Espiritismo, o cristianismo filosófico, condena e condenará sempre com a inflexibilidade de sua moral e a majestade de seus luminosos ensinamentos. Há certos pseudo-espíritas, que, julgando virtude a ignorância e julgando que o céu é patrimônio dos néscios, olham com aversão os livros e revistas com os quais poderiam ilustrar-se e se compadecem sinceramente dos que se dedicam à leitura e ao estudo. (1) (1) Não falamos figuradamente. Toda a sua ciência consiste em duas dezenas de versículos da Bíblia, nem sempre expostos com fidelidade e oportunidade convenientes. Se fosse real a intervenção que dão aos espíritos através de seus atos individuais, estariam agindo antes coma autômatos do que como criaturas dotadas de liberdade: o que pensam, falam e fazem, o fazem, dizem e pensam por inspiração dos espíritos.

Qualificam como imundas, grande quantidade de iguarias e bebidas, o porco, o coelho, a lebre, algumas espécies de moluscos tanto da terra como do mar, principalmente o caracol e a lula e todos os licores e bebidas fermentadas, sem exceção do vinho comum e da cerveja; e procuram não se contaminar com tais alimentos e bebidas, da mesma maneira que não fazem suas refeições entre os gentios, que é como eles denominam os profanos. Reputam de idólatra seja aquele que entra num templo para orar, como ao que tem em sua casa uma imagem qualquer representando algum ilustre benfeitor da humanidade; e ainda alguns levam seu puritanismo até a olhar cola aversão retratos fotográficos. Rechaçam a Medicina como inútil, confiando aos espíritos a cura de todas as enfermidades: sua panacéia universal é a água evangélica ou evangelizada, que preparam por meia da oração, e a aplicam interior e exteriormente. Não há doença nem enfermidade curável que resista à benéfica ação desta água prodigiosa. São geralmente simples, compassivos e benéficos.

Costumam reconhecer um superior entre eles, espécie de pai de santo ou profeta, que pode ser um homem de bem ou um consumado velhaco, instrumento quase sempre, em um nutro caso, de jesuíticas influências. E praticamente impossível dissuadi-los de seu fanatismo e erros, pois subordinam todos os seus juízos à resolução infalível do pai de santo, que é o órgão do pensamento de todos. (1) (1) Não há o menor exagero nesta rápida resenha, escrita e baseada em dados recolhidos por nós mesmos e pessoas cola veracidade nos merece total confiança. Outros há que fazem consistir o Espiritismo na evocação. Como se simplesmente todo o mundo espiritual estivesse submetidos a sua vontade e caprichos, prometem à desconsolada mãe notícias imediatas e autênticas da filha morta, à filha de sua mãe, ao esposo da esposa.

Reúnem e celebram suas sessões com aparato teatral e com certa gravidade misteriosa, os chamamentos dos espíritos da mais alta e elevada hierarquia, que recorda a trípode da sacerdotisa de Apolo e a árvore sagrada dos druidas alternam as contorções dos possuídos com aos quais pedem solução de difíceis problemas ou que revelem o futuro. Tratam os espíritos vulgares como de superior a inferior, como de mestre a discípulo, como de confessor a penitente, obrigando-os a manifestar suas inclinações, pensamentos, vícios, virtudes e propósitos. Não pensam em estudos úteis mas apenas em fenômenos. A sessão mais aproveitada é aquela em que abundaram os possuídos e mais freqüentes tenham sido as convulsões epiléticas. Outros aspiram exercer em sua nova igreja as funções que os sacerdotes católicos exercem na sua. Batizam, casam, enterram, tudo supostamente, com a intervenção de algum médium; e não será estranho, dada sua afeição às práticas sacerdotais, que amanhã introduzam nas suas a confissão auricular.

Não hão de lhes faltar versículos da Bíblia em que apoiar estas ou outras ridículas inovações. O abismo das superstições é por demais escorregadios e uma vez colocados os pés nele, mui dificilmente alguém conseguirá deter-se antes de chegar às suas profundezas. Outros, por último, explorando vantajosamente a ignorância, oferecem-se em espetáculo público disfarçados em médiuns de efeitos físicos, não sendo senão prestidigitadores ou refinados malandros. Seu objetivo é viver às expensas do próximo, e o conseguem fazendo da credulidade ou da curiosidade dos demais o meio de sua sobrevivência. Pouco lhes importa que arranquem sua máscara, contanto que a fraude continue e produza. Uma vez conhecido o jogo e explorado o público, reúnem seus trastes do ofício e se vão com a mesma música a outras paragens. Estes são os fanatismos, estas as aberrações que atribuem ao Espiritismo seus apaixonados detratores.

Porém o Espiritismo rechaça semelhante paternidade e ainda poderia de volvê-la com justiça em muitos casos: porque e quem senão os inimigos de uma idéia hão de procurar ridicularizála e prostituí-la? Alguém desconhece, porventura os maquiavélicos procedimentos do jesuitismo, que se introduz nas lojas para destruir os planos da maçonaria, que se faz revolucionário para desfazer a revolução, que envia seves satélites aos centros espíritas a fim de impeli-los a maiores extravagâncias? Com que título se cognominam espíritas os que se entregam a práticas que o Espiritismo condena? São teóricos? Não, porque nem conhecem a doutrina da escola, nem se dão ao trabalho de estudá-la. São práticos? Tampouco; porque a prática do Espiritismo é moral cristã e esta moral rechaça suas extravagantes corruptelas.

Não basta, para ser espírita, aceitar a existência dos espíritos e a revelação: necessita-se certo bom senso para compreender qual a solidariedade que pode racionalmente admitir-se entre os espíritos e os homens, além de uma dose não pequena de sentimento para gozar ou sofrer com as alegrias e sofrimentos alheios. O Espiritismo é a ciência, é a revelação, é a caridade; porém aquela ciência humilde que busca Deus e a pura fruição do entendimento dentro das harmonias da Natureza, porém aquela revelação majestosa que fecunda a todos os germes de vida e de virtude latentes no seio das gerações humanas, porém aquelas caridades nobres, expansivas, tolerantes, universais, que se estende a todos os mundos, que abraça todas as humanidades. Oh! vós, que lançais vossos anátemas contra o Espiritismo, sem conhecê-lo! Se quereis ser justos, não o busqueis nas extravagantes práticas de mal aconselhados ou iludidos, inspirados na ignorância e na malícia.

Suas Filosofia a encontrarão em Girano de Bergerac, Delormel, Carlos Bonnet, Dupont de Nemours, Ballanche, Lessing, Constam Savy, de la Codre, de Brotonne... na Pluralidade dos Mundos de Flammarion, na Pluralidade das existências, de Pezzani, em O Mundo marcha de Pelletan, em As verdadeiras transformações de Castelar, nas recentes declarações filosófico-religiosas de Victor Hugo. Sua revelação, filha da ação providencial, progressiva como o entendimento humano, a encontrareis nos grandes ensinamentos dessa moral eterna, cujo desenvolvimento histórico começa com respeito a nós nas fraldas do Sinai. E suas práticas, no honroso trabalho, no exercício das virtudes domésticas e sociais, na beneficência, no perdão das ofensas, no amor, na abnegação, no sacrifício voluntário de tantos benfeitores da humanidade que deram sua liberdade e sua vida em prol da felicidade e emancipação de seus irmãos.

Em que baseia o Espiritismo a necessidade de sua aparição no momento histórico atual? Vejamos. Seus fundamentos religiosos, sua moral, suas crenças essenciais, não são de hoje; a adoração, a revelação e a caridade foram em todos os tempos o meio de aperfeiçoamento e de progresso das gerações humanas. Desde o início dos séculos Deus se revelou na onipotência de suas leis, na harmonia de suas obras, no esplendor de sua providência e também desde o principio O homem conquistou sua felicidade progressiva pela adoração e pelo amor. Sob este ponto de vista o Espiritismo é tão antigo quanto o homem, como a Criação, eterna como o supremo Ser, que de toda eternidade criou seres que o glorifiquem e o louvem, Porém hoje o Espiritismo se apresenta como uma irradiação mais luminosa do divino sol da verdade, necessária aos futuros desenvolvimentos do espírito do homem e só nesta nova fase é que temos de considerá-lo e estudá-lo para dele exigir os títulos que legitimem seu advento na nossa época.

Delineada assim a questão no terreno conveniente, devemos lançar ao nosso redor um olhar e examinar com total imparcialidade se as velhas instituições satisfazem ou não as exigências morais de nosso século: se o testamento religioso de nossos antepassados conserva toda aquela virtude que necessita para desvanecer as dúvidas e dirigir os sentimentos ou se, pelo contrário, é um legado ineficaz, mais com o propósito de turvar as consciências do que de tranqüilizá-las. Ai! a árvore, a veneranda árvore de nossas seculares tradições religiosas carece por completo daquela pujança com que em outro tempo resistia às mais violentas investidas do erro ao seu amparo não encontra o viajor da Terra nem deliciosa sombra, porque perdeu o brilho e a frondosidade de sua ramagem, nem saboroso fruto, porque deixou de circular através de seus tecidos a seiva fecunda de seus primeiros crescimentos. E uma árvore degenerada, enferma, cujos ramos vai secando um a um a brisa da ciência, sua inimiga natural.

A ciência é intransigente e sem piedade: derruba tudo aquilo que se atravessa em seu caminho com o fim de dificultar sua marcha, e destrói com vigorosa, com incontrastável força tudo o que o erro e a ignorância vêm edificando através das idades, assim como a luz afugenta as trevas onde quer que estabeleça seu império. Quando chamamos a Juízo as crenças herdadas, estas não resistem ao exame, à crítica filosófica da ciência, e a partir de então a tradição tem na ciência seu mais terrível inimigo. E que aconteceu? O que não podia deixar de acontecer. Os discípulos da ciência aumentam cada dia, ao passo que o número e o cego entusiasmo dos tradicionalistas diminuem ostensivamente. Travam-se grandes batalhas, e em cada uma delas perde a tradição algum de seus baluartes. Aos fanatismos sucede a incredulidade, à fé o ceticismo, ao sentimento religioso o apego aos gozos materiais.

O templo, segundo feliz expressão de um sacerdote, notabilíssimo escritor, arde nas suas quatro paredes e ameaça desmoronar e sepultar em suas ruínas fumegantes o sentido moral. Surgem de todos os lados vozes que alardeiam o perigo iminente; mas as que poderiam e deveriam evitá-lo fazendo prudentes concessões á ciência, se aferram torpemente aos erros em que cimentaram seu poder e com os quais esperam ainda conquistar a soberania do mundo. Não conseguem compreender que o entendimento humano já saiu da infância e busca nas verdades seu alimento espiritual- Acusam a sociedade atual de descrente, sem saber que a acusação recai sobre eles, que são os verdadeiros causadores dos males que lamentam. Pois quem senão eles formam o sentimento religioso e dirigem as consciências. Não foi o ultramontanismo, escola corrupta, da primitiva tradição cristã, a que educou os povos desde os princípios do século XI até meados do século XIX? Quem culpará com justiça pelos perniciosos efeitos de uma educação exclusivamente sua? Porém o mal existe: para negar este fato seria necessário fechar os olhos á evidência.

Há porventura um coração sadio que não sinta mal-estar em meio à atmosfera moral que se respira sobre a Terra? Há algum entendimento sério que não veja no horizonte social indícios de tempestades ameaçadoras? O utilitarismo, a hipocrisia e a mentira são a trindade olímpica do século, as deidades exaltadas no céu das aspirações humanas. A ciência despojou do cetro do universo ao Deus dos ultramontanos; e o resultado imediato foi à negação de Deus e o triunfo dos que proclamavam a inutilidade do sentimento religioso. Ainda são muitos os que aparentam crer, porém pouquíssimos os que realmente crêem: As conveniências sociais influem não pouco em que subsista exteriormente uma fé que os desenganos arrancaram das almas. Ponha-se à prova a religiosidade de todos os que se jactam de sentimentos religiosos e ver-se-á que a maior parte a venderá por um miserável prato de lentilhas.

Seu sensualismo, sua incontida ambição, os ódios que alimentam, os meios de que para enriquecer-se lançam mão, a facilidade com que se entregam á difamação, à calúnia, à perseguição e à vingança, desmentem de uma maneira terminante as crenças de que hipocritamente fazem alarde. E isto que nós ligeiramente apontamos, o insinuam os bispos em suas pastorais, o deploram oradores sagrados em seus sermões e até os escritores ultramontanos, que tanto contribuíram para desmoralizar a sociedade, escrevem sobre o mesmo tema artigos nos periódicos e revistas da seita. Todavia, semelhante estado de coisas não pode continuar sem gravíssimo perigo, o mal-estar que se sente, devido ao relaxamento dos vínculos sociais, aumenta cada dia, e é sintoma de imediata decomposição. Mas, uma vez conhecida à causa da enfermidade, sua cura não é difícil. Torna-se necessário opor ao ateísmo a afirmação de Deus e ao ceticismo crenças racionais, harmonizando, de uma vez para sempre, os dogmas da fé com as legítimas conclusões da ciência.

A ciência não é atéia, mas não pode aceitar deuses caprichosamente imaginados: não é cética, porém rechaça toda crença que não leve a marca da justiça e a sanção das leis naturais. Por isso repele o Deus arbitrário e a fé cega da seita ultramontana. Estas considerações justificam a aparição do Espiritismo na atual momento histórico; porque a Filosofia espiritista é a noção científica de Deus, e o dogma racional da fé. O ultramontanismo nos leva a todos os erros e abominações da Idade Média; e o Espiritismo, aliando-se à ciência, vem reivindicar as verdades cristãs torpemente obscurecidas, apontando os receios universais às maquinações da imoralidade ultramontana. Ai das nações, ai da humanidade, se a seita saísse vencedora no combate que sustenta contra o direito moderno, que é o direito da dignidade humana e da civilização dos povos! Porque o que ela pretende é nada menos do que o império da teocracia nos governos, a tirania das consciências, a posse despótica dos corpos e das almas.

Seu conceito político é a regra de São Bento, de São Francisco, ou a constituição de Santo Inácio, como constituição dos povos; seu conceito social, cada nação constituindo um imenso cenóbio com seu reverendíssimo padre à cabeça; seu código penal, a inquisição e o in pace. Nada de liberdade, nada de igualdade, nada de caridade recíproca; numa palavra, nada daquilo que nos veio pregar Jesus Cristo com sua palavra e seu exemplo. Espiritismo, ao mesmo tempo em que reforça com sua Filosofia religiosa-moral, a Ciência em sua decidida luta com o dogma ultramontano, vem agrupar os núcleos dispersos da sociedade cristã para iniciar com eles a igreja do porvir e o renascimento da fé. Esta é sua missão, que saberá cumprir sem outros auxílios que não sejam o racionalismo e a liberdade e esta é a razão de seu advento em nossa época.

Seus sacerdotes não são outros senão os homens honrados de todas as escolas que suspiram por uma era de paz, de benevolência mútua, de moralidade nos costumes; seus santos, os benfeitores e os luminares da linhagem humana em todos os tempos. e países; seu Deus, a inteligência universal, onipotente e provedora, vida da vida, alma das almas, princípio fundamental do universo. Jesus Cristo disse que as portas do inferno não prova prevalecerão contra a Igreja, e o Espiritismo é o cumprimento da promessa de Cristo. Ele reavivará a fé que os fariseus destruíram com sua hipocrisia e erros. Erguendo uma tocha luminosa o Espiritismo a coloca à vista de todos os entendimentos, a fim ele que os homens vejam com toda a caridade que o Deus de Jesus é o Deus da Filosofia, e sejam por convicção deístas e cristãos. Inoculando nas sociedades a religião do amor, que é a seiva dos ensinamentos evangélicos, o sentimento da tolerância, sem o qual não pode haver progresso nem regeneração possíveis, destruirá o fanatismo tradicional, origem da decadência do sentimento religioso.

Os ídolos cairão de seus altos pedestais, e não haverá outro altar senão aquele que construirão em seu coração as criaturas ao Criador, e o incenso será o da adoração intima das almas. Ao amanhecer do próximo século ter-se-ão assentados, mercê da reconciliação da fé com a Ciência, os alicerces do novo edifício, a grande base do cristianismo filosófico.

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