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Capítulo 35 de 47

Livro Segundo

Nicodemos – A Imortalidade e o Renascimento · D. José Amigó y Pellicer

A HUMANIDADE TERRESTRE

A Humanidade Terrestre Primitiva

Reina a harmonia dos elementos sobre a superfície da Terra. Do caos, das trevas, da confusão, brotou a luz; do movimento inconsciente, da inércia, surgiu à liberdade. A liberdade é a luz da harmonia. Sem a liberdade, a harmonia é um organismo morto, um quadro sem animação. um fato que se consuma na solidão e no vazio do sentimento; é Deus que se contempla em sua obra, na obra da criação dos mundos, sem outro ser inteligente que admita e goze na inefável sabedoria do entendimento eterno. A liberdade é o homem e o homem já assentou sua planta no continente terrestre, sobre os animais e outros seres engendrados pela atividade das substâncias e pela poderosa fecundidade das sementes. É o primeiro dia da liberdade e do homem. Adivinha qual seria o estado do miserável que, tendo nascido e vivido na opressão de um cárcere, ganhasse um dia à liberdade e a luz? O sol, o oxigênio, o espaço, o movimento, os horizontes dilatados lhe produziriam vertigens e cairia desfalecido, escravo das novas condições e do novo modo de ser de sua existência. Assim aconteceu ao homem do primeiro dia.

Respirou o oxigênio da alma, a doce, a santa liberdade e caiu aniquilado, porque a sua consciência e o seu entendimento nasciam para a vida e se afogavam na própria atmosfera em que depois haveriam de respirar o vigor e a saúde. Imagino-o habitando primeiramente as regiões circumpolares de ambos os hemisférios, as únicas que naqueles tempos reuniam condições de vida para os organismos humanos. Se me fora consentido surpreendê-lo nos misteriosos recônditos de seu berço, vê-lo-ia sem dúvida dormitando, colada ao solo a face ignóbil, oculto na espessura da selva como que fugindo da luz, ou recostado ao tronco de solitária árvore, os olhos semicerrados, esperando indolentemente o réptil aventureiro que venha aplacar a voracidade de sua fome. Quando a necessidade é extrema, arrasta-se ou se move preguiçosamente até alcançar a planta ou a fruta próxima que mitiga a violência de seu estômago e volta a deixar-se cair e a dormitar.

Uma vez por dia logra vencer a preguiça: dirigese a passo lento ao arroio ou ao rio mais próximo e, submergindo-se nas águas, aplaca os ardores da sede. E seu leito a macia folhagem ou a relva densa do bosque. Ao despontar o sol da manhã, a seu modo maldiz o hóspede importuno que dissipa as trevas e devolve á natureza a algazarra e a alegria interrompidas. Seus semelhantes só lhe merecem um olhar indiferente e os cadáveres humanos um olhar estúpido, porque não consegue ainda explicarem-se os mais simples termos do problema da vida e do mistério da morte. Não suspeita que o destino do homem há de ser a felicidade individual no seio da felicidade dos demais e ama os lugares ocultos e solitários, onde olhares alheios não interrompem seus hábitos de preguiça e de silêncio. Em certas épocas do ano sente-se aguilhoado pela carne e só então sai de seu relaxamento ordinário desperta nele uma atividade desusada em seu estado habitual e abandona os lugares preferidos para ir a busca da mulher.

Amortecida a luxúria, regressa à solidão e a seus hábitos, esquecendo a companheira dos gozos sensuais até voltarem a agitá-lo os ardentes desejos do prazer. Talvez o progresso de sua inteligência e sentimento receba algum impulso unicamente na época das provocações brutais da carne; só ai consegue emancipar-se um tanto da soporífera indolência. Não fala: começa a articular alguns sons e isso quando a dor verruma o corpo ou os movimentos da concupiscência ativam o fogo de suas entranhas. Palavras não, apenas rugidos de ira ou arquejos de luxúria põem sua língua em movimento; mas esses arquejos e rugidos não deixam de ser ensaios da ciência da linguagem São, digamos assim, os arautos da inteligência, da consciência e do sentimento humano que terão, no decorrer dos séculos, a sua mais esplendorosa manifestação na palavra. Seus pensamentos nascem e morrem na solidão sem se referirem nem se associarem.

Quando intenta associar as idéias e comparar os conceitos de sua mente para deduzir aroma conseqüência, o pensamento fatiga-lhe a alma, como o movimento fatiga o seu organismo corporal. Sem embargo, nessas fatigantes alternativas se iniciava o raciocínio e se estabeleciam a base e o ponto de partida de todas as futuras investigações e de toda a ulterior sabedoria dos homens. Nascia o sentimento, porém confundido com a sensação. No queixume da dor ou no alarido da raiva, o ouvido do sábio teria adivinhado o egoísmo inconsciente, primeira evolução do sentimento. A sensação grosseira tem sua concepção nas entranhas; o egoísmo sobre o qual o entendimento irradia a sua luz provém da alma e dela derivam as sucessivas harmonias do coração. O dever e o amor têm sua raiz no egoísmo. A atividade da visão corporal guardava no homem primitivo perfeita analogia com o alcance da visão de seu espírito.

Todas as suas faculdades, tanto as que se referiam à realização dos maravilhosos fenômenos da vida sobre a Terra como as que tinham por objete o aperfeiçoamento e elevação do espírito pelas misteriosas vias do universo moral, amanheciam em seu organismo e em sua alma em estado embrionário, como germes que as continham em potencial e se haviam de desenvolver progressiva e perpetuamente na eternidade das idades. Estreitos, muito estreitos eram os horizontes terrestres que os olhos humanos descobriam ao redor; estreitas, muito estreitas as distâncias que os olhos da alma humana podiam medir dentro do círculo de suas atividades naturais. O homem presumia que os seus horizontes terrestres abarcavam o que poderia ocultar-se além do horizonte. Tampouco havia posto por um instante a sua alma nas harmonias da vida. Giravam-lhe sobre a cabeça os luminares noturnos do firmamento, mas os seus olhos ainda não se haviam aberto à contemplação e grandiosidade do espetáculo. Eram o sol durante o dia e a lua durante as horas da noite únicos astros de que tinha conhecimento.

Porque a virtude dos olhos de seu corpo estava em relação com a virtude de seu olhar espiritual; nem seu espírito podia aspirar a elevar-se, depois da presente fase de sua existência, àqueles mundos que flutuam mais felizes no firmamento da Terra, nem os olhos de seu corpo alimentar-se na formosura daqueles astros que fulguram no espaço para infundir no coração do homem a esperança de outras vidas mais risonhas. Seu espírito estava destinado a renascer dez vezes sobre a Terra e seu olhar se arrastava pelos solos que haviam de ser dez vezes o berço do renascimento de seu espírito. (1) (1) Nicodemos fala em sentido figurado, empregando o numero determinado “dez” pelo indeterminado "várias". Pobre inteligência nascente! Pobre vontade incipiente! Pobre espírito! Acaba de individualizar-se, de sacudir o jugo de desprender-se do solo; o solo ainda exerce sobre ele poderosíssima influência, como se pretendesse fazê-lo outra vez seu vassalo. Mais independentes parecem os animais terrestres. As aves elevam mais seu vôo nos ares que seu espírito as aspirações humanas.

Por isso quando julga, julga-se em tudo o mais igual aos animais terrestres e sempre inferior às aves, que tanto têm recesso na Terra, como invadem a seu capricho as tênues ondas do espaço. Nem a alegria nem a dor lhe arrancam lágrimas dos olhos; no máximo, umedecem levemente suas pálpebras. Ainda não brotou de seu coração o manancial do sentimento, que salta pelos olhos em cristalinas torrentes. Um rugido ou um desagradável grito são as manifestações ordinárias de seus sofrimentos ou de suas grosseiras alegrias. Seu corpo tem mais semelhança com os de alguns animais que com os atuais organismos humanos; do mesmo modo que o organismo das criaturas racionais de hoje tem mais analogia com o corpo do homem primitivo, que com o da criatura racional do futuro, quando esta alcançar o grau de perfeição orgânica possível sobre a Terra. Em suma: o homem primitivo do planeta, moral e organicamente considerado, era a semente rudimentar, no primeiro período de sua individualização, eternamente progressiva e perfectível, da humanidade terrestre. E o sol continuava girando em torno da morada do homem e fecundando-a.

II

A Segunda Geração. O Homem-Menino

Nenhum sonho é eterno na criação. A eternidade não é a inércia: é movimento e vida; depuração e progresso para o corpo e para a alma, para a matéria e para a substancia espiritual. A Natureza, o universo, vive e se move na sabedoria infinita, de que procede; a sabedoria imprime a todas as obras a lei da inteligência e do progresso. Os sonhos não são caracteres; são parênteses da vida. Ao sonho segue sempre o despertar. O homem já sacudiu o pesado sonho de sua estupidez primitiva, da inércia do espírito na primeira jornada de sua emancipação. Ainda aparece sonolento, impotente para resistir ao domínio da carne, que lhe oprime despoticamente a alma. Todavia, em seu rosto, em seu olhar vê-se delinear, embora vagamente, a inteligência, filha da concepção de Deus; e a inteligência logo reprimirá a carne até submetê-la â sua direção e fazê-la servir ao aperfeiçoamento do espírito. Humilde é o palácio do rei da mansão terrestre: vive nas cavernas do monte como o urso, ou em guaridas próximas as margens do mar e dos rios.

O rei da criação terrestre, nessa época, não brilhava pela suntuosidade de suas moradias, nem pela riqueza das vestes, pela ostentação aparatosa do seu poder, como haveriam de brilhar mais tarde os reis alçados sobre os povos pelos erros e imperfeições humanas. As vestes que cobrem o corpo dos homens da segunda geração outras não são que as cortadas pelas mãos da Providência em seu inefável amor às pequeninas criaturas que não sabem discernir entre as obras que têm em mãos. Credes, porventura, que o homem discerne já as obras de sua destra e de sua mão esquerda? Visse discernimento há de ser o resultado da prática do mal e da consideração de suas perturbadoras conseqüências. Passará esta segunda geração e passará também a terceira, que será de iniqüidade e opróbrio; só então, no berço da quarta geração, amanhecerá o verdadeiro discernimento na consciência dos homens. Nem ainda na quarta geração alcançará a consciência humana toda a sua robustez e plenitude.

Como seria isso possível, se a plenitude da consciência é o limite da perfeição humana? Passarão todas as gerações da Terra e a própria terra; essas gerações terão tomado posse de outros mundos, de outras ilhas nos esplendorosos arquipélagos da bem-aventurança; ainda a consciência do homem não terá saído da infância, nem chegará jamais à perfeição absoluta, - sua constante aspiração. A consciência humana começa desde a individualização do homem. Tem princípio, porém nunca chegaria a seu termo. Nasce para viver e progredir eternamente. A consciência, na soma infinita de suas perfeições, é a consciência universal, - Deus, presidindo o estabelecimento da luz dos seres que vivem na obscuridade e presidindo a conjunção de todas as harmonias naturais, tanto as que se referem à ordem moral como as que concernem à mecânica dos corpos e à vida. A consciência do homem não é mais que ação da inteligência sobre o sentimento: a sua progressiva perfectibilidade se estriba na ilustração do sentimento pela elevação das faculdades mentais do espírito.

A consciência é sentimento; sem seu calor e luz a consciência continuaria perpetuamente na obscuridade. Desde o princípio apareceram no homem as sementes da razão e do sentimento, sementes individualizadas, porém nada mais que sementes. Por isso a estupidez caracterizou o homem em seu nascimento e por isso a consciência dormia o sono de sua primeira formação. Era necessário que ação providencial, pelo espetáculo das maravilhas da natureza, fecundasse primeiro a semente da razão e que depois dessa se refletisse sobre a semente do sentimento, fecundando-a por sua vez para que aparecesse a consciência como germe susceptível de incessantes desenvolvimentos na via da perfeição c da felicidade dos espíritos. A ciência do bem é a ciência do espírito.

A sabedoria consiste no claro conhecimento das verdades morais relativas ao grau de elevação da criatura racional e na firme vontade de professá-las: é o discernimento luminoso do justo e do injusto, do verdadeiro e do falso, acompanhado do desejo eficaz de praticar a verdade e a justiça, sempre na medida, pois seria cruel exigir mais da capacidade ou aptidão espiritual, A ciência que direta ou indiretamente não se refere às verdades morais e versa somente sobre interesses mundanos ligados aos prazeres ela carne, aos gozos materiais da vida da Terra, esta é a ciência do sensualismo e do orgulho, sem reflexo proveitoso sobre o sentimento, sem virtualidade para estimular e dirigir a consciência. Não é a sabedoria da alma que eleva as aspirações a Deus e à virtude; é a enfatuação da sabedoria, que nos submete à matéria, ao egoísmo, às sensações e falazes gozos dos maus apetites.

Por isso se vêm entre a multidão dos homens, tidos no mundo por sábios, tantos ele sentimento mau e consciência tenebrosa e, entre as maiorias ignorantes, alguns cujo sentimento e consciência brilham com toda a pureza e santidade da perfeição terrestre. E que uns empregam a atividade de seu entendimento na ciência dos gozos materiais relativa exclusivamente à vida sensorial, ao passo que os outros, considerando a vida sensorial um acidente passageiro, dirigem toda a sua energia racial à vida verdadeiramente essencial e livre, a vida do sentimento e da vontade, que é a vida permanente do espírito. A ciência de uns é a vacuidade do entendimento extraviado; a dos outros, flor de suavíssimo aroma, cujo fruto será o cumprimento do dever. No homem da segunda idade começam a deitar raízes as sementes da razão e do sentimento: essas primeiras raízes são a curiosidade e o temor. O homem é um menino medroso e ávido de novidades nas primeiras épocas da infância inofensiva. A curiosidade aviva seus desejos e estimula a sua vontade: vai ao encalço da novidade como o menino corre atrás dos brinquedos.

Para ele tudo é novo, porque em tudo põe sua fugidia atenção pela primeira vez. O vôo das aves, a corrida dos animais, os suspiros da brisa no arvoredo, o sussurro da cascata, as rochas, as árvores, as águas, os ventos, o sol, as estrelas que durante a noite salpicam o firmamento, tudo, tudo excita a curiosidade e provoca a prazenteira admiração do homem menino. Quer dizer: a razão vai tomando da Natureza. gradativamente, os elementos convenientes a seus futuros vôos. Vede o homem do segundo dia, vede-o despertando de sua primitiva estupidez, de seu anterior aturdimento. É a hora em que o brilhante disco do sol se levanta a certa altura no Oriente sobre o cimo de um monte próximo. O homem abre os sonolentos olhos, cerrados pelas trevas noturnas, e os olhos de sua inteligência, cerrados por um eterno torpor, e exclama para sua alma, para o mais secreto de seu espírito: Ó! quão resplandecente deve ser o leito onde o sol se deita! E impelido pela curiosidade, logra vencer a natural repugnância pelo movimento.

Passo a passo, com extrema lentidão, sobe até o cume do monte onde viu levantar-se o luminar diurno e onde supõe estabelecida a base do firmamento, como também o último confim da Terra, em que a morada do homem c o diáfano campo das maravilhas celestes se confundem. Ali o surpreendem as sombras da noite, embevecido na contemplação da paisagem. Não pôde descobrir no mais elevado do monte o leito de fogo do soí, nem tocar com a mão o horizonte; antes, bem suspeitou que o ponto do qual o astro do dia começava a enviar seus feixes de luminosos raios estava além, nos mais longínquos confins da paisagem; e compreendeu que a extensão da Terra é muito superior ao horizonte reduzido dentro de cujo circulo crera estar encerrado.

Já pressupõe haver a seu redor, a distâncias em que sua incipiente imaginação se abisma, outros montes, outros bosques, planuras, rios, aves, animais e ainda talvez outros homens, além dos montes, bosques, planuras, rios, aves, animais e homens que constituem o paraíso de sua criação, a cuja existência julgara estar até então reduzida à existência universal. Na manhã seguinte, depois de haver presenciado o nascimento do sol na longínqua cordilheira, regressou do monte à sua morada. Ali referiu a seu modo à mulher e aos filhos, que formavam a sua habitual companhia, os maravilhosos descobrimentos que surpreendera na atrevida ascensão ao monte. A maior grandeza da criação avivou em seu espírito a idéia de alguns seres potentes ao impulso dos quais a Terra abria suas entranhas para amamentar o homem e os animais, ou gemiam os elementos e se despenhava o fogo das nuvens para destruir o que o gênio do bem edificava. Que idéia concebeu então o homem relativamente a esses poderes superiores cujas mãos derramavam chuvas benfazejas ou despediam o destruidor relâmpago?

Idéia!...Não sei se a chamaria idéia: uma confusão, mescla de admiração, gratidão e temor, foi o que se produziu em seu débil entendimento. Ouviu a voz do trovão e ocultou-se no mais profundo da caverna em que morava, porque lhe pareceu ter ouvido a tradição do gigante das nuvens: viu as árvores arrancadas pela raiz ao sopro do furacão e ocultou-se também horrorizado, porque julgou que aquilo era o furioso ofego do gigante dos ares: e entreviu o gigante das águas nos bramidos do oceano e o gigante das cavernas nas trepidações subterrâneas e na erupção vulcânica do monte. Contudo, viu reaparecer o sol depois ela tormenta e caiu de joelhos, com o coração repleto de esperança, apontando com o dedo, à mulher e aos filhos também prostrados, o astro salvador. Submergia-se o sol no oceano e seu coração era presa de triste obscuridade, como se houvera partido para não voltar o objeto de suas esperanças, de sua veneração e amor.

Então, lentamente, ensombrado o rosto pela melancolia e pelo temor, encaminhava-se à sua morada, onde o surpreendia o sono reparador lutando com a doce lembrança do astro de seus desejos. A sua alegria renascia com o renascer do sol, que o encontrava todas as manhãs desperto e à sua espera. Saltava de gozo como quem recobrava risonha esperança, chamava a mulher, chamava os filhos, e juntos se entregavam aos transportes da felicidade. Os seus deuses eram o gigante das nuvens, o gigante dos ares, o gigante das águas c o gigante das cavernas; porém sobre todos esses deuses estava em seu coração o deus da fecundidade e da luz, ante o qual caia de joelhos em agradecimento e amor. Nessas alternativas de curiosidade, de esperança e temores chegou ao declinar da tarde do segundo dia, robustecido o corpo e germinando em sua alma as sementes da razão e do sentimento. Mais um século de desenvolvimento orgânico e espiritual: feneceu a segunda época da humanidade terrestre e apontam no Oriente os albores do terceiro dia.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.