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Capítulo 8 de 74
O Testamento Do Grande Ancestral
Os Grandes Iniciados – Volume Único (nao contém Zoroastro e Buda)
Dizem os livros sagrados do Oriente que Rama, por sua força, seu gênio e sua bondade, tornara-se senhor da Índia e rei espiritual da Terra. Sacerdotes, reis e povos diante dele se inclinavam como diante de um benfeitor celeste. Sob o signo do carneiro, seus emissários divulgaram ao longe a lei ariana, que proclamava a igualdade entre os vencedores e vencidos, a abolição dos sacrifícios humanos e da escravidão, o respeito pela mulher no lar, o culto dos antepassados e a instituição do fogo sagrado, símbolo visível do Deus inominado. Rama envelhecera. Sua barba estava branca, mas o vigor ainda não abandonara seu corpo e em sua fronte repousava a majestade dos pontífices da verdade. Os reis e os embaixadores de outros povos lhe ofereceram o poder supremo. Ele pediu um ano para refletir, e de novo teve um sonho. Durante o sono, fala com ele o mesmo Gênio que sempre o inspirou. Ele se reviu nas florestas de sua juventude. Voltara a ser jovem e trazia a túnica de linho dos druidas. A Lua brilhava. Era a noite-santa, a Noite-Mãe, na qual os povos esperam o renascimento do Sol e do ano. Rama caminhava sob os carvalhos, atento, como outrora, às vozes evocadoras da floresta. Então, veio até ele uma bela mulher, ostentando uma magnífica coroa. Sua cabeleira ruiva tinha a cor do ouro, a cútis a brancura da neve, e os olhos o brilho profundo do azul celeste após a tempestade. Disse-lhe ela: “Eu era a Druidisa selvagem; por ti me transformei na Esposa resplandecente. Agora me chamo Sita. Sou a mulher glorificada por ti, sou a raça branca, sou tua esposa. Oh! meu senhor e meu rei! Não foi por mim que transpuseste os rios, encantaste os povos e derrubaste os reis? Eis a recompensa. Toma esta coroa de minha mão, coloca-a sobre tua cabeça e reina comigo sobre o mundo!”. A mulher estava ajoelhada numa atitude humilde e submissa, oferecendo a coroa da Terra, cujas pedras preciosas lançavam milhares de fagulhas; e a embriaguez do amor sorria em seus olhos. A alma do
grande Rama, do pastor dos povos, se enterneceu. Mas, de pé sobre o cume das florestas, apareceu-lhe Deva Nahusha, seu Gênio, que lhe diz: “Se colocardes essa coroa em tua cabeça, a Inteligência divina te deixará, e tu não mais me verás. Se apertares esta mulher em teus braços, ela morrerá por tua felicidade. Se, porém, renunciares a possuíla ela viverá feliz e livre sobre a Terra e teu espírito invisível sobre ela reinará. Escolhe: ou atendê-la ou seguir-me”. Sita, sempre de joelhos, olhava seu mestre com olhos perdidos de amor, e, suplicante, aguardava a resposta. Rama conservou-se em silêncio um instante. Seu olhar, mergulhado nos olhos de Sita, avaliava o abismo que separa a posse completa do adeus eterno. E sentindo que o amor supremo é uma suprema renúncia, pousou sua mão libertadora sobre a fronte da mulher branca, abençoou-a e lhe disse: “Adeus! Sê livre e não me esqueças!”. A mulher logo desapareceu como um fantasma lunar. A jovem Aurora ergueu sua varinha mágica sobre a velha floresta. O rei voltara a ser velho. Um orvalho de lágrimas banhava sua barba branca e do fundo dos bosques uma voz triste chamava: “Rama! Rama!” Então, Deva Nahusha, o Gênio resplandecente de luz, exclamou: “A mim!” E o Espírito divino levou Rama para uma montanha ao norte do Himalaia. Após este sonho, que lhe indicava o fim de sua missão, Rama reuniu os reis e os mensageiros dos povos e lhes disse: “Não quero o poder supremo que me ofereceis. Guardai vossas coroas e observai minha lei. Minha tarefa terminou. Com meus irmãos iniciados, retirome para uma montanha do Airyana-Vaéia. De lá velarei sobre vós. Vigiai o fogo divino! Se ele chegar a se extinguir, reaparecerei entre vós corno juiz e terrível vingador!” Afinal, retirou-se com os seus para o monte Albori, entre Balk e Bamyas, num retiro conhecido somente pelos iniciados. Lá, ele transmitiu aos discípulos tudo o que sabia dos segredos da Terra e do grande Ser. Estes levaram para longe, do Egito à Ocitânía, o fogo sagrado, símbolo da unidade divina das coisas, e os chifres do carneiro,
emblema da religião ariana. Esses chifres tornaram-se as insígnias da iniciação e, em seguida, do poder sacerdotal e real (1). De longe, Rama continuava a velar sobre seus povos e sobre a sua querida raça branca. Nos últimos anos de sua vida, dedicou-se a estabelecer o calendário dos árias. É a ele que devemos os signos do zodíaco. E este foi o testamento do patriarca dos iniciados. Estranho livro, escrito à luz das estrelas, com hieróglifos celestes, no firmamento sem fundo e sem limites, pelo Ancião de nossa raça. Fixando os doze signos do zodíaco, Rama lhes atribuiu um triplo sentido. O primeiro se referia às influências do Sol sobre doze meses do ano; o segundo relatava, de certa maneira, sua própria história; o terceiro mostrava os meios ocultos, dos quais ele se servira para atingir seu fim. Eis por que esses signos, lidos na ordem inversa, tornaram-se mais tarde os emblemas secretos da iniciação graduada (2). Ordenou aos discípulos mais íntimos que ocultassem sua morte e que continuassem sua obra, perpetuando a fraternidade. Durante séculos, os povos acreditaram que Rama, sustentando a tiara de cornos de carneiro, continuava vivo em sua montanha santa. Nos tempos védicos, o Grande Ancestral tornou-se Yima, o juiz dos mortos, o Hermes psicopompa dos hindus.
(1). Encontram-se chifres de carneiro na cabeça de muitos personagens dos monumentos egípcios. Esse ornato dos reis e dos grandes sacerdotes é o signo da iniciação sacerdotal e real. Os dois cornos da tiara papal provêm daí.
(2). Eis como os signos do zodíaco representam a história de Ram, segundo Fabre d'Olivet, o pensador de gênio que soube interpretar os . O Carneiro, símbolos do passado conforme a tradição esotérica: - 1 que foge com a cabeça voltada para trás, indica a situação de Ram abandonando sua Touro furioso pátria, com o olhar fixado no país que ele deixa. - 2. O se opõe à sua marcha, mas a metade de seu. corpo mergulhada no lodo o impede de executar seu desígnio; cai de joelhos. São os celtas designados por seu próprio símbolo, que, apesar de todos os esforços, acabam sendo submetidos. - 3. Os Gêmeos exprimem a aliança de Ram com os turanianos. - 4. O Câncer, suas
meditações e introversões. - 5. O Leão, os combates contra seus inimigos. - 6. A Virgem alada, a vitória. - 7. A Balança, a igualdade entre os vencedores e os vencidos. - 8. O Escorpião a revolta e a traição. - 9. O Sagitário, a Capricórnio. - 11. O Aquário Peixes, vingança. - 10. O e - 12. Os têm relação com a parte moral de sua história. Pode-se considerar essa explicação do zodíaco tão ousada quanto estranha. No entanto, jamais algum astrônomo ou mitólogo explicou, mesmo que longinquamente, a origem ou o sentido desses sinais misteriosos da carta celeste, adotados e venerados pelos povos, desde a origem de nosso ciclo ariano. A hipótese de Fabre d'Olivet teve pelo menos o mérito de abrir ao espírito novas e imensas perspectivas. Já disse que estes signos, lidos na ordem inversa, marcaram mais tarde, no Oriente e na Grécia, os diversos degraus que era preciso subir para alcançar a iniciação suprema. Lembremos a Virgem alada somente os mais célebres desses emblemas: significa Leão, Gêmeos, castidade que dá a vitória; o a força moral; os a união entre um homem e um espírito divino que juntos formam dois lutadores invencíveis; o Touro subjugado, o domínio sobre a natureza; O Carneiro, o asterismo do Fogo ou do Espírito universal que confere a iniciação suprema pelo conhecimento da Verdade.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.