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Capítulo 39 de 74
A Morte De Orfeu
Os Grandes Iniciados – Volume Único (nao contém Zoroastro e Buda)
As florestas de carvalhos rugiam chicoteadas pela tempestade, nos flancos do monte Kaukaión. Os raios ribombavam em golpes redobrados sobre as rochas nuas e faziam tremer em suas bases o templo de Júpiter. Os sacerdotes de Zeus estavam reunidos numa cripta abobadada do santuário. Em seus assentos de bronze, formavam semicírculo. Orfeu conservava-se de pé no meio deles, como um acusado. Estava mais pálido do que de costume, mas uma chama profunda emanava de seus olhos calmos. O mais velho dos sacerdotes elevou a voz grave como a de um juiz: – Orfeu, tu, que dizem ser filho de Apolo, a quem nomeamos pontífice e rei, entregando o cetro místico dos filhos de Deus, reinas sobre a Trácia por meio da arte sacerdotal e real. Reergueste neste país os templos de Júpiter e de Apolo, e fizeste reluzir na noite os mistérios, o sol divino de Dionísio. Mas, por acaso sabes o que nos ameaça? Tu, que conheces os segredos terríveis; tu, que mais de uma vez nos predisseste o futuro e que, de longe, falaste a teus discípulos, aparecendo-lhes em sonho, tu ignoras o que se passa ao redor de ti. Em tua ausência, as Bacantes selvagens, as sacerdotisas malditas reuniramse no vale de Hécate. Conduzidas por Aglaonice, a mágica de Tessália, persuadiram os chefes das margens do Ebro a restabelecerem o culto da sombria Hécate e ameaçam destruir os templos dos Deuses masculinos e todos os altares do Altíssimo. Excitados por suas bocas ardentes, guiados por suas tochas incendiárias, mil guerreiros trácios estão acampados ao pé daquela montanha, e amanhã assaltarão o templo, instigados pelo sopro das mulheres vestidas com peles de panteras, ávidas do sangue dos machos. Aglaonice, a grande sacerdotisa da Hécate tenebrosa, os conduz; é a mais terrível das mágicas, implacável e obstinada como uma Fúria. Deves conhecê-la! O que dizes? Falou Orfeu:
- Eu já sabia de tudo, e tudo devia acontecer. - Então, por que nada fizeste para nos defender? Aglaonice jurou degolar-nos sobre nossos altares, diante do Céu vivo, que adoramos. Mas, o que acontecerá com este templo, seus tesouros, tua ciência e o próprio Zeus, se tu o abandonas? Orfeu replicou com doçura: - Não estou convosco? O ancião respondeu: – Vieste, mas muito tarde. Aglaonice conduz as Bacantes e as Bacantes conduzem os trácios. Tu os repelirás com o raio de Júpiter e com as flechas de Apolo? Por que não convocaste neste recinto os chefes trácios, fiéis a Zeus, para esmagarem a revolta? – Não com armas, mas com a palavra é que se defendem os Deuses. Não são os chefes que devem ser abatidos, mas as Bacantes. Eu irei. Sozinho. Ficai tranqüilos. Nenhum profano transporá este recinto. Amanhã terminará o reinado das sacerdotisas sangüinárias. E sabei-o bem, vós que tremeis diante da horda de Hécate, os Deuses celestes e solares vencerão. A ti, ancião, que duvidavas de mim, deixo-te o cetro do pontífice e a coroa de hierofante. O velho, apavorado, perguntou: - O que vais fazer? - Vou reunir-me aos Deuses... A vós todos, adeus! Orfeu saiu, deixando os sacerdotes mudos em seus assentos. No templo, encontrou o discípulo de Delfos e, tomando-lhe a mão com energia, falou: - Vou ao campo dos trácios. Segue-me. Eles marchavam sob os carvalhos. A tempestade estava longe. Entre as ramagens espessas, brilhavam as estrelas. Orfeu falava: - Chegou para mim a hora suprema. Outros me compreenderam, mas tu, tu me amaste! Eros é o mais antigo dos Deuses, dizem os iniciados; ele tem a chave de todos os seres. Também eu te fiz penetrar no fundo dos Mistérios. . . Os Deuses falaram contigo, tu os viste!... Agora, longe dos homens, sozinho consigo mesmo, na hora de sua
morte, Orfeu deve deixar ao discípulo amado a palavra de seu destino, a imortal herança, a pura chama de sua alma. O discípulo de Delfos disse: – Mestre, eu te escuto e te obedeço! - Continuemos a caminhar por esta vereda que desce. O tempo urge. Quero surpreender meus inimigos. Enquanto me segues, escuta e grava minhas palavras em tua memória, mas conserva-as como um segredo. – Elas se imprimem com letras de fogo em meu coração. Os séculos jamais as apagarão. – Sabes, agora, que a alma é filha do céu. Contemplaste tua origem e teu fim e começas a te recordares. Quando ela desce na carne, continua, embora, fracamente, a receber o influxo do alto. E é através de nossas mães que esse sopro poderoso chega até nós. O leite de seu seio nutre nosso corpo. Mas é de sua alma que se nutre nosso ser angustiado pela sufocante prisão do corpo. Minha mãe era sacerdotisa de Apolo, minhas primeiras lembranças são as de um bosque sagrado, de um templo solene, de uma mulher carregando-me em seus braços, envolvendo-me com a suave cabeleira como uma cálida roupa. Os objetos terrestres, as fisionomias humanas me invadiram com um terror medonho. Mas logo minha mãe me apertava nos braços e eu encontrava seu olhar, que me inundava de uma divina lembrança do Céu. Porém, esse raio de luz morreu no cinzento sombrio da Terra. Um dia, minha mãe desapareceu. Morrera. Privado de seu olhar, de suas carícias, fiquei assustado com minha solidão. Tendo visto correr o sangue de um sacrifício, fui acometido de horror pelo templo e desci para os vales tenebrosos. “As Bacantes abalaram minha juventude. Desde então, Aglaonice reinava sobre aquelas mulheres voluptuosas e ferozes. Homens e mulheres, todo o mundo a temia. Essa Tessaliana exercia sobre todos os que dela se aproximavam uma atração fatal. Por meio das artes da infernal Hécate, ela atraía as jovens para o seu vale mal-assombrado e as instruía em seu culto. Todavia, ela vira Eurídice e ficara apaixonada por essa virgem com um desejo perverso, um amor desenfreado,
maléfico. Ela queria arrebatar a jovem para o culto das Bacantes, dominá-la, entragá aos gênios infernais, depois de ter fenecido sua juventude. Ela já a tinha envolvido com suas promessas sedutoras, com seus sortilégios noturnos. “Eu mesmo, atraído por um pressentimento desconhecido para o vale de Hécate, caminhava um dia entre os arbustos de uma campina cheia de plantas venenosas. Mas, de todos os lados reinava o horror dos bosques sombrios freqüentados pelas Bacantes. Perfumes exalavam ali por baforadas, como o quente hálito do desejo. Foi então que vi Eurídice. Ela caminhava lentamente, sem me ver, na direção de um antro, como que fascinada por um alvo invisível, Às vezes, um riso ligeiro saía do bosque das Bacantes, às vezes, um suspiro estranho. Eurídice detinha-se trêmula, indecisa, e depois recomeçava sua caminhada, como que atraída por um poder mágico. Seus cachos de ouro tremulavam sobre as espáduas alvas, seus olhos de narciso nadavam na embriaguez, enquanto ela caminhava para a boca do inferno. Mas eu tinha visto o céu adormecido em seu olhar. Eurídice! − − gritei, tomando-lhe a mão. − Aonde vais? − Como que despertada de um sonho, ela soltou um grito de horror e de libertação, depois caiu sobre meu peito. Foi neste momento que o divino Eros nos dominou e, por um olhar, Eurídice-Orfeu foram esposos para sempre. “Então, Eurídice, que me tinha enlaçado em seu desespero, mostrou-me a gruta com um gesto de pavor. Dela me aproximei e ali vi uma mulher sentada. Era Aglaonice. Junto dela, uma pequena estátua de Hécate em cera, pintada de vermelho, branco e preto, segurando um chicote. Ela murmurava palavras encantadas, fazendo girar a rodinha mágica, e seus olhos, fixos no vazio, pareciam devorar a presa. Eu quebrei a rodinha, esmigalhei a estátua de Hécate a meus pés e, ferindo a mágica com o olhar, gritei: – Por Júpiter, proíbo-te de pensares em Eurídice, sob pena de morte! Pois fica sabendo, os filhos de Apolo não têm medo de ti. “Aglaonice, aturdida, retorceu-se como uma serpente ante meu gesto, e desapareceu em sua caverna lançando-me um olhar de ódio mortal.
“Levei Eurídice para as proximidades de meu templo. As virgens do Ebro, coroadas de jacinto, cantaram ao redor de nós: Himeneu! Himeneu! E conheci a felicidade. “A Lua só mudara três vezes quando uma Bacante, compelida pela Tessaliana, apresentou a Eurídice uma taça de vinho que lhe daria, dizia ela, a ciência dos filtros e das ervas mágicas. Eurídice, curiosa, bebeu-a e caiu fulminada. A taça continha um veneno mortal! “Quando vi a pira consumir Eurídice; quando vi o túmulo tragar suas cinzas; quando a última lembrança de sua forma viva desapareceu, gritei: “Onde está sua alma?” Parti desesperado. Errei por toda a Grécia. Supliquei sua evocação aos sacerdotes da Samotrácia. Busquei-a nas entranhas da terra, no cabo Tênaro. Mas foi tudo em vão. Finalmente, cheguei ao antro de Trofônio. Lá, alguns sacerdotes conduzem os visitantes temerários por uma fenda, até os lagos de fogo que borbulham no interior da Terra, e os fazem ver o que lá se passa. No caminho, sempre andando, entra-se em êxtase, e a segunda visão se apresenta. Mal se respira, a voz sai estrangulada e só se pode falar por meio de sinais. Uns recuam no meio do caminho, outros persistem e morrem sufocados; a maioria dos que saem vivos ficam loucos. Depois de ter visto o que nenhuma boca deve repetir, regressei à gruta e caí numa profunda letargia. Durante aquele sono de morte, apareceu-me Eurídice. Ela flutuava em um nimbo, pálida como um raio de luz lunar, e me disse: “Por mim enfrentaste o inferno e me procuraste entre os mortos. Eis-me aqui, atendo a teu apelo. Eu não habito o seio da Terra, mas a região de Erebo, o cone de sombra entre a Terra e a Lua. Eu turbilhono neste limbo chorando como tu. Se queres me libertar, salva a Grécia, dando-lhe a luz. Então eu, reencontrando minhas asas, subirei para os astros, e tu me verás na luz dos Deuses. Até lá, é preciso que eu fique vagando na esfera confusa e dolorosa. . .” Três vezes quis abraçá-la; três vezes ela dissipou-se em meus braços, como sombra. Ouvi apenas uma espécie de som de uma corda que se dilacera. Depois, uma voz fraca como um sopro, triste como um beijo de adeus, murmurou: Orfeu!... “Aquela voz me despertou. Este nome pronunciado por uma alma transformara meu ser. Senti passar por mim o estremecimento sagrado
de um imenso desejo e o poder de um amor sobre-humano. Eurídice, viva, proporcionou-me a embriaguez da felicidade. Eurídice, morta, me fez encontrar a Verdade. Foi por amor que me cobri com este hábito de linho, devotando-me à grande iniciação e à vida ascética; foi por amor que penetrei na magia e busquei a ciência divina; foi por amor que atravessei as cavernas da Samotrácia, os poços das Pirâmides e as tumbas do Egito. Eu rebusquei a morte para ali encontrar a vida. E, para além da vida, vi os limbos, as almas, as esferas transparentes, o Éter dos Deuses. A terra me abriu seus abismos, o céu, seus templos reluzentes. Os sacerdotes de Ísis e de Osíris revelaram-me seus segredos. Eles só possuíam aqueles Deuses; eu tinha Eros! Por ele falei, cantei, venci. Por ele soletrei o verbo de Hermes e o verbo de Zoroastro; por ele pronunciei o verbo de Júpiter e o de Apolo! “Mas chegou a hora de confirmar pela morte a minha missão. É preciso que eu desça ainda uma vez aos infernos, para subir de novo aos céus. Escuta, filho querido de minha palavra: levarás minha doutrina ao templo de Delfos e minha lei ao tribunal dos Anfictiões. Dionísio é o sol dos iniciados; Apolo será a luz da Grécia; os Anfictiões, os guardiões da justiça.” O hierofante e seu discípulo tinham alcançado o fundo do vale. Diante deles, uma clareira, grandes maciços de bosques sombrios, tendas e homens deitados por terra. Ao fundo da floresta, fogueiras agonizantes, tochas vacilantes. Orfeu caminhava tranqüilamente em meio aos trácios, adormecidos e fatigados após uma orgia noturna. Uma sentinela, que velava ainda, perguntou-lhe o nome. E Orfeu respondeu: - Eu sou um mensageiro de Júpiter. Chama os teus chefes. “Um sacerdote do templo!. . .” Este grito da sentinela ecoou como um sinal de alarme em todo o acampamento. Armam-se, chamam-se, as espadas brilham, os chefes acorrem espantados e cercam o pontífice. – Quem és tu? O que vens fazer aqui? – Eu sou um enviado do templo. Vós todos, reis, chefes, guerreiros da Trácia, renunciai à luta contra os filhos da luz e reconhecei a divindade de Júpiter e de Apolo. Os Deuses do alto vos
falam por minha boca. Venho como amigo, se me escutardes; como juiz, se recusardes a me ouvir. – Fala! – disseram os chefes. De pé, sob um grande olmo, Orfeu falou. Falou dos benefícios dos Deuses, da magia da luz celeste, da vida pura que ele levava lá no alto, com seus irmãos iniciados, sob o olhar do grande Urano e que ele queria transmitir a todos os homens. Prometeu apaziguar as discórdias, curar as doenças, ensinar a semear as sementes que produzem os mais belos frutos da terra, e as mais preciosas ainda, aquelas que produzem os frutos divinos da vida: a alegria, o amor, a beleza. Enquanto ele falava, sua voz grave e doce vibrava como as cordas de uma lira e penetrava cada vez mais no coração dos trácios comovidos. Do fundo dos bosques, as Bacantes, curiosas, carregando suas tochas, tinham vindo também, atraídas pelo som de uma voz humana. Vestidas apenas com peles de panteras, elas vieram exibir seus seios morenos e seus flancos soberbos. Ao clarão dos archotes noturnos, seus olhos brilhavam de luxúria e de crueldade. Mas, pouco a pouco, a voz de Orfeu as serenou e elas se agruparam em torno dele, sentando-se a seus pés como feras domadas. Umas, tomadas de remorso, baixavam o olhar sombrio; outras escutavam encantadas. E os trácios comovidos, murmuravam entre si: “É um Deus quem fala, é o próprio Apolo quem fascina as bacantes!” No entanto, do fundo dos bosques, Aglaonice espreitava. A grande sacerdotisa de Hécate, vendo os trácios imóveis e as Bacantes arrastadas por uma magia mais forte do que a sua, anteviu a vitória do céu sobre o inferno e seu poder maldito desmoronar-se nas trevas de onde saíra, ante a palavra do divino sedutor. Ela rugiu e, atirando-se diante de Orfeu com um esforço violento, disse: – Um Deus, dizeis vós? E eu vos digo que é Orfeu, um homem como vós, um mágico que vos engana, um tirano que se apropria de uma coroa. Um Deus, dizeis vós? O filho de Apolo? Ele? O sacerdote? O pontífice orgulhoso? Atacai-o! Se ele é Deus, que se defenda... e se eu minto, que me despedacem!
Aglaonice estava acompanhada por alguns chefes excitados por seus malefícios e inflamados por seu ódio. Eles arrojaram-se sobre o hierofante. Orfeu soltou um grito e caiu ferido por suas espadas. Estendeu a mão para seu discípulo e disse: - Eu morro, mas os Deuses estão vivos! Depois expirou. Inclinada sobre seu cadáver, a mágica de Tessália, cujo semblante se assemelhava agora ao de Tisifona, espreitava com alegria selvagem o último sopro do profeta e se apressava em arrancar um oráculo de sua vítima. Mas, qual não foi o espanto da tessaliana ao ver aquela cabeça cadavérica se reanimar ao clarão flutuante da tocha, um pálido rubor espalhar-se na fisionomia do morto, seus olhos se reabrirem, muito grandes, e um olhar profundo, doce e terrível se fixar nela... enquanto que uma voz estranha – a voz de Orfeu – escapava ainda uma vez daqueles lábios trêmulos para pronunciar distintamente estas quatro sílabas melodiosas e vingadoras: – Eurídice! Diante daquele olhar e daquela voz, a sacerdotisa apavorada recuou, gritando: – “Ele não está morto! Eles vão me perseguir para sempre! Orfeu. . . Eurídice!” Bradando assim, Aglaonice desapareceu como que chicoteada por cem Fúrias. As Bacantes, desvairadas, e os trácios, compreendendo o horror de seu crime, desapareceram na noite, com gritos de angústia. O discípulo ficou só junto ao corpo do mestre. E quando um raio sinistro de Hécate veio iluminar o linho ensangüentado e a face pálida do grande iniciador, pareceu-lhe que o vale, as montanhas e as florestas profundas gemiam como uma grande lira. O corpo de Orfeu foi queimado pelos sacerdotes, e suas cinzas transportadas para um longínquo santuário de Apolo, onde foram veneradas como as de um Deus. Nenhum dos rebeldes ousou subir ao templo de Kaukaión. A tradição de Orfeu, sua ciência e seus mistérios ali se perpetuaram e se difundiram por todos os templos de Júpiter e Apolo. Os poetas gregos diziam que Apolo ficara enciumado de Orfeu, porque este era invocado mais freqüentemente do que ele. A verdade é
que enquanto os poetas cantavam Apolo, os grandes iniciados invocavam a alma de Orfeu, salvador e adivinho. Mais tarde, os trácios, convertidos à religião de Orfeu, contavam que ele descera aos infernos para lá procurar a alma da esposa, e que as Bacantes, ciumentas de seu amor eterno, o haviam feito em pedaços, mas que sua cabeça, lançada no Erebo e levada por suas ondas tempestuosas, chamava ainda: Eurídice! Assim os trácios cantaram como um profeta aquele que eles haviam matado como um criminoso e que os havia convertido por meio de sua morte. Assim o verbo órfico se infiltrou misteriosamente nas veias da Hélade, pelas vias secretas dos santuários e da iniciação. Os deuses responderam à sua voz, como no templo um coro de iniciados se afina aos sons de uma lira invisível – e a alma de Orfeu tornou-se a alma da Grécia.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.