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Capítulo 7 de 74
O Êxodo E A Conquista
Os Grandes Iniciados – Volume Único (nao contém Zoroastro e Buda)
Naquele sonho, como sob uma luz fulgurante, Ram viu sua missão e o imenso destino de sua raça. Desde então não teve mais dúvidas. Em vez de incentivar a guerra entre as tribos da Europa, ele resolveu conduzir a elite de sua raça ao coração da Ásia. Anunciou aos seus que instituiria o culto do fogo sagrado, o qual proporcionaria a felicidade dos homens; que os sacrifícios humanos seriam para sempre abolidos; que os Ancestrais seriam invocados, não mais por sacerdotisas sangüinárias sobre rochedos selvagens gotejantes de sangue humano, mas em cada lar, pelo esposo ou pela esposa, unidos numa mesma prece e em um hino de adoração, junto do fogo que purifica. Sim, o fogo visível do altar, símbolo e condutor do fogo celeste invisível, uniria a família, o clã, a tribo e todos os povos, como o centro do Deus vivo sobre a Terra. Mas, para colher esta seara, era preciso separar o joio do trigo; era preciso que todos os corajosos se preparassem para deixar a Europa, a fim de conquistar uma terra nova, uma terra virgem. Lá ele estabeleceria sua lei; lá ele fundaria o culto do fogo renovador. Esta proposição foi acolhida com entusiasmo por um povo jovem e ávido de aventuras. Fogueiras mantidas acesas durante vários meses, nas montanhas, foram o sinal da emigração em massa de todos aqueles que queriam seguir o Carneiro. A formidável emigração, conduzida pelo grande pastor dos povos, se movimentou lentamente e se dirigiu para o centro da Ásia. Ao lado do Cáucaso, ela foi se apoderando de várias fortalezas ciclópicas dos negros. Mais tarde, como lembrança dessas vitórias, as colônias brancas esculpiram gigantescas cabeças de carneiro naqueles rochedos. Ram mostrou-se digno da alta missão. Ele aplainava as dificuldades, penetrava nos pensamentos, previa o futuro, curava os doentes, apaziguava os revoltados, exaltava a coragem. Como as forças celestes que denominamos Providência desejavam o domínio da raça boreal, sobre a Terra, por meio do gênio de Ram lançavam raios
luminosos por seu caminho. Essa raça já tivera seus inspirados de segunda ordem para arrancá-la do estado selvagem. Entretanto, Ram, o primeiro que concebeu a lei social como uma expressão da lei divina, foi um inspirado direto e de primeira ordem. Ele fez amizade com os turanianos, velhas tribos cíticas cruzadas de sangue amarelo que ocupavam o alto da Ásia, e os levou consigo para a conquista do Irã, de onde repeliu completamente os negros. Seu sonho era que um povo de raça branca ocupasse o centro da Ásia e se tomasse um foco de luz para todos os outros. Ele ali fundou a cidade de Ver, admirável cidade, disse Zoroastro, Ensinou a lavrar e a semear a terra, foi o pai do trigo e da vinha. Criou castas de acordo com as ocupações e dividiu o povo em sacerdotes, guerreiros, lavradores, artesãos. Originariamente, as castas não foram rivais; o privilégio hereditário, fonte de ódio e de ciúme, introduziu-se somente mais tarde. Proibiu a escravidão tanto quanto o homicídio, afirmando que a sujeição do homem pelo homem era a fonte de todos os males. Quanto ao clã, o primitivo agrupamento da raça branca, ele o conservou inalterado, e lhe permitiu eleger seus chefes e seus juízes. A obra-prima de Ram, o instrumento civilizador por excelência criado por ele, foi a nova função que atribuiu à mulher. Até então, o homem conhecera a mulher somente de duas formas: ou a escrava miserável de sua choça, que ele esmagava e maltratava brutalmente, ou a perturbadora sacerdotisa do carvalho e do rochedo, cujos favores ele buscava, e que o dominava irresistivelmente; mágica fascinante e terrível, cujos oráculos ele temia e diante da qual tremia sua alma supersticiosa. O sacrifício humano era a desforra da mulher contra o homem, quando ela cravava o cutelo no coração de seu feroz tirano. Abolindo este culto indigno e reabilitando a mulher diante do homem, em suas funções divinas de esposa e mãe, Ram a transformou na sacerdotisa do lar, guardiã do fogo sagrado, igual ao esposo, invocando com ele a alma dos antepassados. Como todos os grandes legisladores, Ram não fez nada mais do que desenvolver, organizando-os, os próprios instintos superiores de sua raça. A fim de ornar e embelezar a vida, Ram determinou quatro
grandes festas durante o ano. A primeira foi a da primavera ou das gerações, consagrada ao amor entre os esposos. A festa do verão ou das messes pertencia aos moços e moças, que ofereciam aos pais as colheitas resultantes de seu trabalho. A festa do outono celebrava os pais e as mães, que, em sinal de regozijo, ofereciam frutos às crianças. A mais santa e mais misteriosa das festas era a de Natal ou das grandes sementeiras. Ram a consagrou, ao mesmo tempo, aos recém-nascidos, frutos do amor concebidos na primavera, e às almas dos mortos, aos antepassados. Ponto de conjunção entre o visível e o invisível, esta solenidade religiosa era o adeus às almas desaparecidas, como também a saudação mística àquelas que voltam para se encarnar nas mães e renascer nas crianças. Nessa noite santa, os antigos árias se reuniam nos santuários de Airiana-Vaéia, como outrora o tinham feito em suas florestas. Com fogueiras e cânticos, eles celebravam o reinício do ano terrestre e solar, a germinação da natureza no coração do inverno, o estremecimento da vida no fundo da morte. Cantavam o beijo universal entre o céu e a Terra, e o parto triunfal do novo Sol pela grande Noite- Mãe. Ram, assim, ligava a vida humana ao ciclo das estações, às revoluções astronômicas e, ao mesmo tempo, ressaltava-lhe o sentido divino. Foi por ter fundado tão fecundas instituições que Zoroastro o chama de “chefe dos povos, o muito afortunado monarca”. Por isso, também, o poeta hindu Valmiki, embora situando o antigo herói em uma época muito mais recente e no luxo de uma civilização mais avançada, conserva-lhe os traços de um elevado ideal. Diz Valmiki: “Rama, com olhos de lótus azul, era o senhor do mundo, o senhor de sua alma, o amor dos homens, pai e mãe de seus súditos. Ele soube dar a todos os seres o grilhão do amor” Estabelecida no Irã, às portas do Himalaia, a raça branca ainda não era senhora do mundo. Era preciso que sua vanguarda penetrasse na Índia, principal centro dos negros, os antigos vencedores da raça vermelha e da amarela. O Zend-Avesta descreve essa marcha de Rama para a Índia (1). A epopéia hindu fez dela um de seus temas favoritos. Rama foi o conquistador da terra que cerca o Himalaia, a terra dos
elefantes, dos tigres e das gazelas. Ordenou o primeiro combate e conduziu o primeiro ímpeto daquela luta gigantesca, em que duas raças, inconscientemente, disputavam o cetro do mundo. A tradição poética da Índia enriquecendo as tradições ocultas dos templos, transformou-a na luta da magia branca com a magia negra. Em sua guerra contra os povos e os reis do país dos Djambus, como então era denominado, Ram ou Rama, como o chamaram os orientais, utilizou-se de meios aparentemente miraculosos, porque acima das faculdades comuns da humanidade, os quais os grandes iniciados devem ao conhecimento e à manipulação das forças ocultas da natureza. A tradição representa-o aqui fazendo brotar fontes de água num deserto; lá, encontrando recursos inesperados, numa espécie de maná cuja utilização ele ensinou; algures, extinguindo uma epidemia com uma planta denominada , o hom do gregos, a dos egípcios, da qual extraía um suco amonos perséa salutar. Essa planta tornou-se sagrada entre seus seguidores e substituiu o visgo do carvalho conservado pelos celtas da Europa. Contra seus inimigos, Rama se utilizava de toda espécie de sedução. Os sacerdotes dos negros não reinavam mais a não ser por meio de um culto baixo. Eles tinham o hábito de alimentar, em seus templos, enormes serpentes ou pterodátilos, raros sobreviventes de animais antediluvianos, que amedrontavam a multidão, que era obrigada a adorá-los como se fossem deuses. Essas serpentes se alimentavam com a carne dos prisioneiros. Algumas vezes, Rama, imprevistamente, apareceu nos templos, armado de tochas, enxotando, aterrorizando e subjugando as serpentes e os sacerdotes. Outras vezes ele penetrava no campo inimigo, expondo-se sem defesa àqueles que buscavam sua morte e tornava a partir sem que ninguém ousasse tocá-lo. Quando se interrogava aqueles que o tinham deixado escapar, eles respondiam que tinham se sentido petrificados ao encontrar-lhe o olhar; ou então, que, enquanto Rama falava, uma montanha se erguera entre eles, impossibilitando-os de vê-lo. Enfim, como coroamento de sua obra, a tradição épica da Índia atribui a Rama a conquista de Ceilão, derradeiro refúgio do mago negro Ravana, sobre o qual o mago branco faz chover granizo de fogo, após
limpar uma ponte sobre um braço de mar, com um exército de macacos, muito semelhante a qualquer horda primitiva de bímanos selvagens, encantada e entusiasmada pelo grande sedutor de nações.
Zend-Avesta, (1). É digno de nota o fato de o livro sagrado dos persas, considerando Zoroastro como o inspirado de Ormuz, o profeta da lei de Deus, fazer dele o continuador de um profeta muito mais antigo. Sob o simbolismo dos templos antigos, percebe-se o fio da grande revelação da humanidade, religando entre si os verdadeiros iniciados. Eis uma passagem importante:
Ormuz 1- Zaratustra (Zoroastro) perguntou para Ahura-Mazda ( , o Deus da luz): Ahura-Mazda, tu, santo, sacratíssimo criador de todos os seres corporais e puríssimos; 2 - Qual foi o primeiro homem com o qual falaste, tu que és Ahura-Mazda? 4 - ...Então, Ahura-Mazda respondeu: “Foi com o belo Yima, aquele que estava na direção de um grupo digno de elogios, oh! puro Zaratustra”; 13 - ... E eu lhe disse: “Vela sobre os mundos que me pertencem, torna-os férteis com tua qualidade de protetor”. 17 - ... E eu lhe trouxe as armas da vitória, eu que sou Ahura-Mazda. 18- Uma lança de ouro e uma espada de ouro. 31 - .Então Yima se elevou até as estrelas na direção do sul, seguindo o caminho do sol. 37 - .Ele marchou sobre a terra que ele tomara fértil. E ela tinha ficado um terço maior do que anteriormente. 43 - ... E o brilhante Yima reuniu a assembléia dos homens mais virtuosos da célebre Airyana-Vaéja, criada pura. (Vendidad-Sadé, 2º Fargard - Tradução de Anquetil Duperron)
IV
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.