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Capítulo 5 de 74
As Raças Humanas E As Origens Da Religião — parte 2 de 2
Os Grandes Iniciados – Volume Único (nao contém Zoroastro e Buda)
da unidade de Deus oculto, absoluto e sem forma, que foi um dos dogmas essenciais dos sacerdotes da raça negra e de sua iniciação secreta. Entre os brancos vencedores ou que permaneceram puros, notase, ao contrário, a tendência ao politeísmo, à mitologia, à personificação da divindade, que provém de seu amor pela natureza e do culto apaixonado pelos ancestrais. A diferença principal entre a maneira de escrever dos semitas e a dos arianos também se explicaria pela mesma causa. Por que todos os povos semíticos escrevem da direita para a esquerda, e por que todos os povos arianos escrevem da esquerda para a direita? A razão que Fabre d'Olivet encontra para isso é tão curiosa quanto original. Ela nos dá uma verdadeira visão desse passado perdido. Todo mundo sabe que nos tempos pré-históricos não havia absolutamente a escrita vulgar. O uso somente se propagou com a escrita fonética ou arte de representar o som das palavras por meio de letras. Entretanto, a escrita hieroglífica ou arte de representar coisas por meio de alguns sinais é tão velha quanto a civilização humana. E, naqueles tempos primitivos, ela sempre foi privilégio do sacerdote, considerada coisa sagrada, função religiosa e, primitivamente, de inspiração divina. Quando, no hemisfério austral, os sacerdotes da raça negra ou sudanesa traçavam sinais misteriosos em peles de animais ou em blocos de pedra, eles tinham o hábito de se voltar para o pólo sul; sua mão se dirigia para o Oriente, fonte da luz. Escreviam, portanto, da direita para a esquerda. Os sacerdotes da raça branca ou nórdica, tendo aprendido com os sacerdotes negros, começaram a escrever como estes. Todavia, quando o sentimento de sua origem foi se desenvolvendo, com a consciência nacional e o orgulho da raça, inventaram seus próprios sinais e, em lugar de se voltarem para o Sul, o país dos negros, puseramse de frente para o Norte, pátria dos Ancestrais, continuando, porém, a escrever em direção do Oriente. Seus caracteres então iam da esquerda para a direita. Daí o sentido das runas célticas, do zen, do sânscrito, do grego, do latim e de todas as escritas das raças arianas. Elas se dirigem para o Sol, fonte da vida terrestre; mas olham o Norte, pátria dos ancestrais e fonte misteriosa das auroras celestes.
A corrente semítica e a ariana, eis os dois rios por onde vieram todas as nossas idéias, mitologias e religiões, artes, ciências e filosofias. Cada uma dessas correntes traz consigo uma concepção oposta da vida, cuja reconciliação e equilíbrio seriam a própria verdade. A corrente semítica contém os princípios absolutos e superiores: a idéia da unidade e da universalidade em nome de um princípio supremo que, na aplicação, conduz à unificação da família humana. A corrente ariana encerra a idéia da evolução ascendente, em todos os reinos terrestres e supraterrestres e, na aplicação, conduz à diversidade infinita dos desenvolvimentos, em nome da riqueza da natureza e das múltiplas aspirações da alma. O gênio semítico desce de Deus para os homens; o gênio ariano sobe do homem para Deus. Um é representado pelo arcanjo justiceiro, que desce sobre a Terra armado do gládio e do raio; o outro, por Prometeu, que empunha o fogo roubado do céu, e percorre o Olimpo com o olhar. Esses dois gênios, nós os trazemos dentro de nós mesmos. Pensamos e agimos alternadamente sob o império de um e de outro. Todavia, eles estão ligados em nossa intelectualidade, e não fundidos. Contradizem-se e se combatem em nossos mais íntimos sentimentos e pensamentos sutis, como na vida social e em nossas instituições. Ocultos sob múltiplas formas, que se poderiam resumir sob os nomes genéricos de espiritualismo e naturalismo, dominam nossas discussões e nossas lutas. Inconciliáveis e invencíveis os dois, quem os unirá? Entretanto, o progresso e a salvação da humanidade dependem de sua conciliação e de sua síntese. Eis por que, neste livro, procuramos voltar à fonte das duas correntes, ao nascimento dos dois gênios. Para além das revoluções históricas, guerras dos cultos e contradições dos textos sagrados, entraremos na própria consciência dos fundadores e dos profetas que deram às religiões seu movimento inicial. Eles tiveram a intuição profunda e a inspiração que vêm de cima, a luz viva que produz a ação fecunda. Sim, neles pré-existia a síntese. O raio divino empalideceu e turvou-se em seus sucessores; mas reaparece e brilha, cada vez que, em qualquer época da história, um profeta, um herói ou
um vidente se volta para sua origem. Pois somente do ponto de partida se percebe o fim; do sol resplandecente, o curso dos planetas. Tal é a revelação da história, contínua, graduada, multiforme como a natureza - mas idêntica em sua origem, una como a verdade, imutável como Deus. Remontando à corrente semítica, por meio de Moisés chegamos ao Egito, cujos templos possuíam, segundo Maneton, uma tradição de trinta mil anos. E pela corrente ariana atingimos a Índia, onde se desenvolveu a primeira grande civilização que resultou de uma conquista da raça branca. A Índia e o Egito foram as duas grandes matrizes das religiões. Possuíram o segredo da grande iniciação. Entraremos em seus santuários. Suas tradições, contudo, nos levam ainda muito mais além, a uma época anterior, na qual os dois gênios opostos sobre os quais falamos nos aparecem unidos numa inocência primária e numa maravilhosa harmonia. É a época ariana primitiva, que, hoje, graças aos admiráveis trabalhos da ciência moderna, à filologia, à mitologia e à etnologia comparada, nos é permitido entrever. Ela se mostra através dos hinos védicos, que nada mais são que seu reflexo, com uma simplicidade patriarcal e uma grandiosa pureza de linhas. Idade viril e grave que não se assemelha a nada menos do que à idade de ouro idealizada pelos poetas. Aí, a dor e a luta absolutamente não estão ausentes; entretanto, existe nos homens uma confiança, uma força, uma serenidade que a humanidade não reencontrou depois. Na Índia, o pensamento se aprofundará, os sentimentos se refinarão. Na Grécia, as paixões e as idéias se cercarão do prestígio da arte e da roupagem mágica da beleza. Mas nenhuma poesia supera alguns dos hinos védicos em elevação moral, em altitude e amplidão intelectual. Neles existe o sentimento do divino na natureza, do invisível que a envolve e da grande unidade que penetra o todo. Como terá nascido tal civilização? Como terá se desenvolvido uma tão alta intelectualidade em meio às guerras das raças e à luta contra a natureza? Aqui se interrompem as investigações e as conjecturas da ciência contemporânea. Entretanto, as tradições
religiosas dos povos, interpretadas em seu sentido esotérico, vão mais longe. E nos permitem adivinhar que a primeira concentração do núcleo ariano no Irã se fez por uma espécie de seleção operada no próprio seio da raça branca, sob a direção de um conquistador legislador, que deu a seu povo uma religião e uma lei conformes ao gênio da raça branca. Com efeito, o livro sagrado dos Persas, o fala do Zend-Avesta, antigo legislador sob o nome de Yima, e Zoroastro, fundando uma nova religião, se refere a esse predecessor como o primeiro homem ao qual se dirigiu Ormuz, o Deus vivo, assim como Jesus Cristo se refere a Moisés. O poeta persa Firdusi denomina este mesmo legislador de Djem, o conquistador dos negros. Na epopéia hindu, no ele aparece sob o nome de Ramayana, Rama, vestido como rei indiano, cercado dos esplendores de uma civilização avançada; mas aí ele conserva suas duas características distintas: conquistador renovador e iniciado. Nas tradições egípcias, a época de Rama é designada pelo reinado de Osiris, o senhor da luz, que precede o reinado de Ísis, a rainha dos mistérios. Enfim, na Grécia o antigo herói semideus era honrado sob o nome de Dionísio, que vem do sânscrito o divino renovador. Deva Nahousha, Orfeu assim também denominou a Inteligência divina e o poeta Nonus cantou a conquista da Índia por Dionísio, conforme as tradições de Elêusis. Como os raios de uma mesma circunferência, todas essas tradições indicam um centro comum. A ele podemos chegar se acompanharmos a direção designada pelos raios. Então, além da Índia dos Vedas, além do Irã de Zoroastro, na aurora crepuscular da raça branca, vê-se surgir das florestas da antiga Cítia o primeiro criador da religião ariana, cingido com sua dupla tiara, de conquistador e de iniciado, empunhando o fogo místico, o fogo sagrado que iluminará todas as raças. Cabe a Fabre d'Olivet a honra de reencontrar este personagem (6). Foi aberta, assim, a vereda luminosa que até ele nos conduz e seguindoa procurarei, por minha vez, evocá-lo.
(1). Esta divisão da humanidade em quatro raças sucessivas e originais era admitida pelos mais antigos sacerdotes do Egito. Elas estão representadas por quatro figuras de tipos e cores diferentes, nas pinturas do túmulo de Seti I, Rot em Tebas. A raça vermelha traz o nome de ; a raça asiática, de cor Amon Halásio amarela, o nome de ; a raça africana, de cor negra, o de ; a raça Tamahu líbio-européia, de cor branca, cabelos loiros, o de . – Lenormant, Histoire dês peuples d’Orient, I.
Aboul-Ghazi (2). Ver os historiadores árabes, assim como , história genealógica dos tártaros e Mohammed-Moshen, historiador dos persas. – William Jones, Asiatic Researches, I. Discruso sobre os Tártaros e os Persas.
Histoire philosophique du genre humain (3). , tomo I.
(4). Todos que já viram uma verdadeira sonâmbula ficaram impressionados com a singular exaltação intelectual que se manifesta durante o sono lúcido. Para aqueles que não testemunharam semelhantes fenômenos e que deles duvidariam, citaremos uma passagem do célebre David Strauss, que não é suspeito de superstição. Ele viu em casa de seu amigo, o doutor Justinus Kerner, a célebre “vidente de Prévost” e assim a descreveu: “Pouco depois, a visionária caiu em um sono magnético. Presenciei assim pela primeira vez o espetáculo desse estado maravilhoso, e, posso dizê-lo, na sua mais pura e mais bela manifestação. Sua fisionomia mostrava uma expressão sofredora, mas elevada e terna, como que inundada por uma irradiação celeste; uma linguagem pura, medida, solene, musical, uma espécie de recitativo; uma abundância de sentimentos que transbordavam e que se poderia comparar a um bando de nuvens, ora luminosas, ora sombrias, deslizando acima da alma, brisas melancólicas e serenas perdendo-se nas cordas de uma ou então a maravilhosa harpa eólia “ (Trad. R. Lindau, Bibliographie générale, art. Kerner).
Comentários (5). Ver a última batalha entre Ariovisto e César nos deste.
Histoire philosophique du genre humain, (6). tomo I.
II
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.