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Capítulo 60 de 74
Os Mistérios De Elêusis — parte 1 de 2
Os Grandes Iniciados – Volume Único (nao contém Zoroastro e Buda)
Os mistérios de Elêusis foram, na Antigüidade greco-latina, objeto de uma veneração especial. Os próprios autores que ridicularizaram as fábulas mitológicas não ousaram tocar no culto das “grandes deusas”. O seu reinado, menos barulhento do que o dos olímpicos, mostrou-se mais seguro e mais eficaz. Em tempo imemorial, uma colônia grega vinda do Egito havia trazido para a tranqüila baía de Elêusis o culto da grande Ísis, sob o nome de Deméter ou mãe universal. Desde esse tempo Elêusis ficou sendo um centro de iniciação. Deméter e sua filha, Perséfone, presidiam aos pequenos e aos grandes mistérios; daí seu prestígio. Se o povo reverenciava em Ceres a terra-mãe e a deusa da agricultura, os iniciados nela viam a luz celeste, mãe das almas, e a Inteligência divina, mãe dos deuses cosmogônicos. Seu culto era oficiado por sacerdotes pertencentes à mais antiga família sacerdotal da Ática. Diziam-se filhos da Lua, isto é, nascidos para serem mediadores entre a Terra e o Céu, oriundos da esfera onde se encontra a ponte lançada entre as duas regiões, pela qual as almas descem e sobem. Desde a origem sua função havia sido “cantar, neste abismo de misérias, as delícias da celeste morada e ensinar os meios de encontrar-lhe o caminho”. Daí o nome de Eumólpidas ou “cantores das melodias benéficas", doces regeneradoras dos homens. Os sacerdotes de Elêusis ensinaram sempre a grande doutrina esotérica que lhes vinha do Egito. Porém, no decorrer das eras, revestiram-na de todo o encanto de uma mitologia plástica e encantadora. Por uma arte sutil e profunda, esses mágicos souberam servir-se das paixões terrestres para exprimir idéias celestes. Aproveitaram o atrativo dos sentidos, a pompa das cerimônias, as seduções da arte, para induzir a alma a uma vida melhor, e o espírito à compreensão das verdades divinas. Em nenhuma parte dos mistérios aparecem sob forma tão humana, tão viva e colorida.
O mito de Ceres e de sua filha Proserpina formam o coração do culto de Elêusis. (1) Como uma teoria brilhante, toda a iniciação eleusiana gira e desenvolve-se em torno desse círculo luminoso. Ora, em seu sentido íntimo, esse mito é a representação simbólica da história da alma, de sua descida na matéria, de seus sofrimentos nas trevas do esquecimento, depois sua reascensão e volta à vida divina. Em outros termos, é o drama da queda e da redenção sob sua forma helênica. Pode-se afirmar, por outro lado, que, para o ateniense culto e iniciado do tempo de Platão, os mistérios de Elêusis ofereciam o complemento explicativo, a contrapartida das representações trágicas de Atenas. Lá, no teatro de Baco, diante do povo agitado e trovejante, as encantações terríveis de Melpômene evocavam o homem terrestre cego pelas paixões, perseguido pela Nêmesis de seus crimes, abatido por um Destino implacável e muitas vezes incompreensível. Lá ecoavam as lutas de Prometeu, as imprecações das Erínias; lá rugiam o desespero de Édipo e o furor de Orestes. Lá reinavam o sombrio Terror e a Piedade lamentável. Em Elêusis, no recinto de Ceres, tudo se esclarecia. O círculo das coisas estendia-se para os iniciados tornados videntes. A história de Psiquê-Perséfone era para cada alma uma revelação surpreendente. A vida explicava-se como uma expiação ou como uma prova. Aquém e além de seu presente terrestre, o homem descobria as zonas estreladas de um passado, de um futuro divino. Depois da agonia da morte, as esperanças, as liberações, as alegrias elisianas e, através dos pórticos escancarados do grande templo, os cânticos dos bem-aventurados, a luz submergente de um maravilhoso além. Eis o que eram os Mistérios em face da Tragédia: O drama divino da alma completando, explicando o drama terrestre do homem. Os pequenos Mistérios celebravam-se no mês de fevereiro, em Agrae, burgo vizinho de Elêusis. Os aspirantes que tinham se submetido a um exame prévio e dado provas de seu nascimento, de sua educação e honorabilidade, eram recebidos, à entrada do recinto fechado, pelo sacerdote de Elêusis, chamado ou arauto sagrado, hierocérix representando Hermes com a cabeça coberta, como ele, pelo pétaso e
empunhando o caduceu. Era o guia, o mediador, o intérprete dos Mistérios, que conduzia os recém-chegados a um pequeno templo de colunas jônicas, dedicado a Koré, a grande Virgem Perséfone. O gracioso santuário da deusa escondia-se no fundo de um vale tranqüilo, no meio de um bosque sagrado, entre grupos de teixos e de choupos brancos. Então as sacerdotisas de Proserpina, as hierofântidas, saíam do templo; usavam túnicas imaculadas sem mangas, coroadas de narcisos. Elas se colocavam em fila no alto da escadaria e entoavam uma melopéia grave, à moda dórica. Diziam, escandindo suas palavras com grandes gestos: “Aspirantes aos Mistérios, estais no átrio de Proserpina. Tudo o que ides ver surpreender-vos-á. Aprendereis que vossa vida presente é apenas um tecido de sonhos mentirosos e confusos. O sono que vos rodeia numa zona de trevas leva vossos sonhos e vossos dias em seu fluxo, como destroços flutuantes que desaparecem. Mas além estende-se uma região de luz eterna. Que Perséfone vos seja propícia e vos ensine pessoalmente a atravessar o rio das trevas e a penetrar até Deméter celeste”. Depois, a profântida ou profetisa que dirigia o coro descia três degraus da escadaria e proferia esta maldição, com voz solene e olhar assustador: “Infelizes daqueles que vierem para profanar os Mistérios! A deusa perseguirá esses corações perversos durante toda sua vida e, no reino das sombras, não deixará sua presa!” Em seguida, vários dias passavam-se em abluções, em jejuns, em orações e instruções. Na tarde do último dia, os neófitos se reuniam na parte mais secreta do bosque sagrado, para lá assistirem ao rapto de Perséfone. A cena era representada ao ar livre pelas sacerdotisas do templo. O costume remontava a uma época muito distante, e a base dessa representação, a idéia dominante permanecia sempre a mesma, embora a forma variasse muito com o passar dos anos. No tempo de Platão, graças ao desenvolvimento recente da tragédia, a antiga severidade hierática dera lugar a um gosto mais humano, mais apurado e a uma tendência passional. Guiados pelo hierofante, os poetas anônimos de
Elêusis fizeram dessa cena um pequeno drama, que se desenrolava mais ou menos assim:
(Os neófitos chegam aos pares a uma clareira. Ao fundo vêem-se rochedos e urna gruta, rodeados de um bosque de mirta e alguns choupos. À frente, uma campina onde há ninfas deitadas em torno de uma fonte. No fundo da gruta, vê-se Perséfone, sentada num trono. Nua até a cintura como uma Psiquê, seu busto esbelto emerge castamente de um drapeado que lhe envolve os flancos como uma névoa azulada. Ela parece feliz, inconsciente de sua beleza, e borda um longo véu de fios multicores. sua Deméter, mãe, está de pé, junto dela; a cabeça coberta com o e o kalatos, cetro na mão.)
HERMES (O arauto dos Mistérios, aos assistentes) – Deméter nos dá dois presentes excelentes: os frutos, para que não vivamos como animais, e a iniciação, que transmite uma esperança mais doce a quem dela participa até o fim desta vida e por toda a eternidade. Prestai atenção às palavras que ides ouvir e às coisas que ides ver. DEMÉTER (com uma voz grave) – Filha amada dos Deuses, fica nesta gruta até minha volta e borda meu véu. O céu é a tua pátria, o Universo te pertence. Vês os Deuses. Eles atendem a teu apelo. Não escutes a voz de Eros, o astuto de suaves olhares, de pérfidos conselhos. Evita saíres da gruta, e não colhas jamais as flores sedutoras da terra. O seu perfume perturbador e funesto te faria perder a luz do céu e até sua lembrança. Tece o meu véu e vive feliz até minha volta, com as ninfas, tuas companheiras. Então, em meu carro de fogo, puxado por serpentes, eu te levarei aos esplendores do Éter, acima da via-láctea. PERSÉFONE – Sim, mãe augusta e temível, por esta luz que te rodeia e que me é querida, prometo-o. E que os Deuses me castiguem, se eu não mantiver meu juramento. (Deméter sai.) O CORO DAS NINFAS – Perséfone! Virgem casta e noiva do Céu! Tu, que bordas a imagem dos deuses em teu véu, possas jamais conhecer as vãs ilusões e os inúmeros males da terra! A eterna Verdade
te sorri. Teu esposo celeste, Dionísio, te espera no Empíreo. Às vezes ele te aparece sob a forma de um sol distante. Seus raios te acariciam. Ele respira o teu hálito e tu bebes a sua luz... Por antecipação, vós vos possuís!. . Virgem, quem é mais feliz do que tu? PERSÉFONE – Neste véu azul, de pregas intermináveis, bordo com minha agulha de marfim as inúmeras figuras dos seres e de todas as coisas. Acabei a história dos deuses. Bordei o Caos assustador, com cem cabeças e mil braços. Daí devem sair os seres mortais. Quem os fez nascer? O Pai dos Deuses disse-me que foi Eros. Contudo, jamais o vi, ignoro sua forma. Quem pintará para mim sua face? AS NINFAS – Não penses nisto. Por que esta pergunta vã? PERSÉFONE – (levanta-se e repele o véu) – Eros! O mais antigo e no entanto o mais jovem dos deuses, fonte inesgotável das alegrias e das lágrimas – pois foi assim que me falaram de ti – Deus terrível, o único desconhecido, o Único invisível dos Imortais e o único desejável, oh! misterioso Eros! que emoção, que vertigem se apodera de mim ao pronunciar o teu nome! O CORO – Não procures saber mais. As perguntas perigosas arruinaram homens e até mesmo deuses! PERSÉFONE (fixando no vazio os olhos cheios de espanto) – Será uma recordação? Será um pressentimento horrível? O Caos. . . os homens ... o abismo das gerações... o grito dos partos... os clamores furiosos do ódio e da guerra... o abismo da morte! Ouço, vejo tudo isso! E esse abismo me atrai, me chama. É preciso que eu desça lá. Eros para lá me impele com sua tocha incendiária. Ah! e eu vou morrer... Longe de mim este sonho horrível! (Ela cobre o rosto com as mãos e soluça.) O CORO – Virgem divina, isto ainda não passa de um sonho, mas ele poderia corporificar-se, ele poderia tornar-se inelutável realidade, e teu céu desaparecia como um sonho vão, se cedesses a teu desejo culposo. Obedece a esta advertência salutar, retoma tua agulha e tece o teu véu. Esquece o astucioso, o imprudente, o criminoso Eros! PERSÉFONE (Ela tira as mãos do rosto, que mudou de expressão, e sorri através das lágrimas) – Como sois loucas! Como eu era insensata! Lembro-me agora, ouvi dizer nos mistérios olímpicos:
Eros é o mais belo dos deuses. Em seu carro alado, ele preside às evoluções dos Imortais, à mistura das essências básicas. É ele que conduz os homens audaciosos, os heróis, do fundo do Caos para os pináculos do Éter. Ele sabe tudo. Como o Fogo-Princípio, ele atravessa todos os mundos, ele possui as chaves da terra e do céu! Eu quero vê-lo! O CORO – Infeliz! Pára! EROS Tu (sai do bosque sob a forma de um adolescente alado) – me chamas, Perséfone? Eis-me aqui! PERSÉFONE (tornando a sentar-se) – Dizem que és astucioso, mas tua fisionomia é a própria inocência. Dizem que és todo-poderoso, mas pareces uma frágil criança. Dizem que és traidor, mas quanto mais contemplo teus olhos, mais meu coração se alegra, mais confio em ti, belo menino jovial! Dizem que és sábio e hábil. Podes ajudar-me a bordar este véu? EROS – De bom grado. Eis-me junto de ti, a teus pés! Que véu maravilhoso! Ele parece umedecido no azul de teus olhos. Que figuras admiráveis tua mão aí bordou, menos belas, no entanto, do que a divina bordadeira, que jamais se viu a si mesma em um espelho. (Ele sorri maliciosamente). PERSÉFONE – Ver-me a mim mesma! Seria isto possível? (Ela enrubesce). Mas reconheces estas figuras? EROS – Se as conheço! A história dos Deuses! Mas, por que deter-te no Caos? É lá que a luta começa. Não tecerás a guerra dos Titãs, o nascimento dos homens e seus amores? PERSÉFONE – Meu conhecimento pára aqui e minha memória falha. Não me ajudarás a bordar a continuação? EROS (lançando-lhe um olhar inflamado) – Sim, Perséfone, mas com uma condição: primeiro vens comigo colher uma flor na campina; a mais bela de todas! PERSÉFONE – Minha augusta e sábia mãe mo proibiu. (séria) “Não escutes a voz de Eros, disse-me ela. Não colhas flores na campina. Se não, serás a mais miserável dos Imortais!”
EROS – Compreendo. Tua mãe não quer que conheças os segredos da terra e dos infernos. Se respirasses as flores do prado, eles te seriam revelados. PERSÉFONE – Tu os conheces? EROS – Todos. E tu vês, eu sou apenas o mais jovem e o mais ágil. Oh! filha dos Deuses! O abismo possui terrores e emoções que o céu ignora. Mas não compreende o céu quem não atravessou a terra e os infernos! PERSÉFONE – E podes fazer-me compreender tudo isto? EROS – Sim. Olha! (Ele toca o solo com a ponta de seu arco; um grande narciso brota ali.) PERSÉFONE – Oh! que flor admirável! Ela me faz estremecer e surgir em meu coração uma divina recordação. . . Algumas vezes, adormecida no alto de meu astro amado, que um eterno crepúsculo doura, ao despertar eu vi, sobre a púrpura do horizonte, flutuar uma estrela de prata, no seio nacarado do céu verde pálido. Parecia-me então que ela era a tocha do esposo imortal, promessa dos deuses, do divino Dionísio. Mas a estrela descia. . . descia. . . e a tocha extinguia-se ao longe... Esta flor maravilhosa parece aquela estrela. EROS – Eu, que transformo e renovo tudo; eu, que faço do pequeno a imagem do grande, da profundeza o espelho do céu; eu, que misturo o céu e o inferno sobre a terra, que elaboro todas as formas no profundo oceano, eu fiz renascer tua estrela do abismo sob a forma de uma flor, a fim de que possas tocá-la, colhê-la e aspirar-lhe o perfume. O CORO – Cuidado! Esta magia pode ser uma armadilha! PERSÉFONE – Como chamas esta flor? EROS – Os homens chamam-na de Narciso. Eu a chamo Desejo. Vê como ela te olha, como ela se volta para ti. Suas pétalas brancas estremecem como seres vivos, de seu coração de ouro evola um perfume que enche de volúpia toda a atmosfera. Quando aproximares esta flor mágica de tua face, verás, num quadro imenso e maravilhoso, os monstros do abismo, a terra profunda e o coração dos homens. Nada te será ocultado.
PERSÉFONE – Oh! flor maravilhosa, de perfume inebriante, meu coração palpita, meus dedos queimam ao tocar-te. Quero aspirar teu perfume, apertar-te contra meus lábios, pousar-te sobre o meu coração – ainda que eu tenha de morrer por isso!
(A terra abre-se ao lado dela. Da fenda escancarada e negra, vê-se surgir lentamente, até meia altura, , em um carro atrelado por Plutão dois cavalos negros. Ele agarra Perséfone no momento em que ela colhe a flor e a atrai violentamente para si. Ela debate-se inutilmente em seus braços e solta um grito. Logo o carro afunda na terra e desaparece. O ruído de suas rodas perde-se ao longe como um trovão subterrâneo. No bosque, as ninfas dispersam-se gemendo. Eros foge, soltando uma gargalhada.)
A VOZ DE PERSÉFONE (sob a terra) – Minha mãe! Socorro! Minha mãe! HERMES – Oh! aspirantes aos Mistérios, cuja vida está ainda obscurecida pelas fumaças da vida má, esta é vossa história. Guardai-a e meditai sobre estas palavras de Empédocles: “A geração é uma destruição terrível que faz passarem os vivos para os mortos. Outrora vivestes a verdadeira vida, e depois, atraídos por um encantamento, caístes no abismo terrestre, subjugados pelo corpo. Vosso presente é somente um sonho fatal. O passado, o futuro, só eles existem verdadeiramente. Aprendei a recordar-vos, aprendei a prever”.
Durante esta cena, a noite caía. As tochas fúnebres acendiam-se entre os negros ciprestes, nas proximidades do pequeno templo, e os espectadores afastavam-se em silêncio, seguidos pelos cânticos chorosos das hierofântidas, chamando: Perséfone! Perséfone Os pequenos mistérios tinham terminado. Os neófitos tinham-se tornado , ou seja, Voltariam a suas ocupações místicos velados. habituais, mas o grande véu dos mistérios tinha-se desdobrado a seus olhos. Entre eles e o mundo exterior, uma nuvem tinha-se interposto. Ao mesmo tempo, uma visão interior abrira-se em seu espírito, por
meio do qual eles percebiam vagamente um outro mundo, repleto de formas atraentes, que se moviam nos abismos ora esplêndidos, ora tenebrosos. , que se seguiam aos e se Os grandes mistérios pequenos mistérios chamavam também só eram celebrados de cinco em Orgias sagradas, cinco anos, no mês de setembro, em Elêusis. Essas festas, todas simbólicas, duravam nove dias. No oitavo, distribuíam-se aos místicos as insígnias da iniciação: o tirso e uma corbelha, chamada ciste, rodeada de ramos de hera. Esta encerrava os objetos misteriosos, cujo entendimento forneceria o segredo da vida. Mas a corbelha estava cuidadosamente selada. Só era permitido abri-la no fim da iniciação, e diante do hierofante. Depois, entregavam-se a uma alegria exultante, agitavam tochas que eram passadas de um para o outro e soltavam gritos de contentamento. Nesse dia, um cortejo carregava, de Atenas para Elêusis, a estátua de Dionísio coroado de mirta, que se chamava Iaco. Sua vinda a Elêusis anunciava o grande renascimento; pois ele representava o espírito divino que penetra tudo, o regenerador das almas, o mediador entre a terra e o céu. Desta vez, entrava-se no templo pela porta mística, para se passar lá dentro a noite santa ou noite da iniciação. Passava-se primeiro sob um vasto pórtico existente no recinto exterior. Lá, o arauto, com ameaças terríveis e o grito – Eskato Bebeloï (fora daqui profanos!) -, afastava os intrusos que às vezes se insinuavam no recinto juntamente com os místicos. A estes ele fazia jurar, sob pena de morte, nada revelarem do que vissem. E acrescentava: “Estais no átrio subterrâneo de Perséfone Para compreender a vida futura e vossa condição presente, é preciso atravessar o império da morte – a prova dos iniciados. É preciso saber enfrentar as trevas, a fim de gozar da luz”. Em seguida, vestiam a pele de corça, imagem da laceração e do dilaceramento da alma mergulhada na vida corporal. Depois apagavamse as tochas e as lâmpadas e entrava-se no labirinto subterrâneo. No início, os místicos tateavam nas trevas. Logo ouviam-se ruídos, gemidos e vozes terríveis. Relâmpagos acompanhados de
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.