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Capítulo 72 de 87
O Caminhar Da Restauração, 5 Vidas
Tempo e Espaço da Entrega da Verdade
João Huss (1ª vida) ABALANDO A BESTA
Wycliff (1333-1384), teólogo e reformador inglês, era professor da Universidade de Oxford, e atualmente é considerado um dos grandes sábios de sua época; desenvolveu alguns tratados sobre o dominiun, ou seja, a ideia de que o poder vem de Deus e apenas é legítimo naqueles que se encontram em estado de graça. As suas teses contrariavam os interesses da Igreja Católica, atacou severamente o sistema eclesiástico, a opulência clerical, pregando o confisco dos bens da Igreja na Inglaterra e adoção, no clero, dos votos de pobreza material do cristianismo primitivo. Com isso sofreu inúmeras admoestações por parte do clero. Huss considerava-se teologicamente sintonizado a Wycliff, corroborando suas afirmações, mas associou o reformismo religioso ao anseio de independência nacional da Boemia diante do domínio germânico do Sacro Império. John Wycliff aproveitava habilmente as fraquezas do clero para ridicularizá-las. Apoiou o Parlamento, que recusou o tributo ao Papa, e a Lancastre, que propunha se retirassem os benefícios dos Bispos. Escreveu a obra De Domínio Divino, onde provava que a autoridade é Deus. Entre seus princípios estabelecia que as relações de Deus para com os homens eram diretas: não eram necessários os intermediários, e isso era um golpe contra Roma. Atacou e ironizou os perdões, indulgências, absolvições, peregrinações, cultos de santos, etc., não se deixou apanhar em qualquer armadilha, e por isso Roma, diferentemente do caso de João Huss, teve o desgosto de não o poder levar a fogueira. Desencarnou tranquilamente, depois de um ataque de paralisia. A história de João Huss nos mostra o quão longe do ideal bíblico estava a ortodoxia católica e nos permite entender porque a Reforma Protestante procedeu de maneira cismática. A Igreja, naquela época, estava em crise: dividida pelo Cisma do Ocidente, ameaçada pela ressurreição das antigas heresias e a formulação de novos postulados antidogmáticos. Eis que surge na Boêmia um outro foco, muito mais perigoso que o de Wicliff. É que Huss apresenta-se como reformador religioso e como caudilho nacional, papel muito semelhante, desempenhado um século mais tarde, por Lutero na Alemanha. Huss, tradutor das obras de Wicliff, propagou várias teses antidogmáticas: negou a necessidade de confissão auricular, atacou como idolátrico o culto de imagens, da Virgem Maria e dos Santos, e a infalibilidade papal. Com isso, teve a ira do clero contra a sua pessoa. Defendia que: a igreja era formada pelos predestinados, tendo Cristo como cabeça, e não o papa.Somente Deus pode perdoar os pecados. Nem o papa nem os cardeais poderiam estabelecer doutrina contrária à Escritura, e não deveriam ser obedecidos se dessem ordens erradas. O povo errava ao adorar imagens, acreditar em milagres falsos, e em fazer peregrinações supersticiosas. É erro a venda de indulgências. O papa não podia usar força física contra os seus inimigos. Huss foi sacerdote tcheco, mártir e precursor da Reforma protestante. Ingressou na Universidade de Praga quando tinha uns dezessete anos. A partir de então, toda sua vida transcorreu na capital de seu país, excetuados seus dois anos de exílio e encarceramento em Constança. Em 1400 foi ordenado sacerdote, e no ano seguinte passou a ocupar o cargo de Reitor da Universidade, quando se aproximou da obra do reformador inglês John Wycliffe, passando a considerar-se teologicamente sintonizado com seu ponto de vista. No ano seguinte (1401), tornou-se pregador da Capela de Belém, em Praga, capital da Boêmia, e tinha o apoio do Arcebispo. Ali, pregou com dedicação a Reforma pela qual tantos outros tchecos propugnaram desde os tempos de Carlos IV. Sua eloquência era tanta, que aquela capela em pouco se transformou no centro do movimento reformador. Ladislau e sua esposa Sofia escolheram-no por seu confessor, e deram-lhe seu apoio. Alguns dos membros mais destacados da hierarquia social começaram a encará-lo com receio, mas boa parte do povo e da nobreza parecia segui-lo: o apoio dos reis ainda era suficientemente importante para que os prelados não se atrevessem a tomar medidas contra o pregador entusiasmado. A Igreja, então, ocupava lugar
excepcional na Boêmia; a sua opulência e os privilégios de que gozava produziram o enfraquecimento das regras canônicas e da moral. Praga revoltou-se contra os abusos eclesiásticos. Destarte, as preocupações de uma reforma religiosa juntaram-se às reivindicações nacionais. Até na doutrina religiosa havia hostilidade entre alemães e boêmios. Huss havia parado de pregar. Com o passar do tempo, sua consciência se impôs. Ele subiu ao púlpito e continuou pregando a tão ansiada Reforma. Este foi seu primeiro ato de desobediência. Também se negou a ir a um encontro com o Papa e, em consequência, o Cardeal Colonna excomungou-o em 1411, em nome do Papa. Falou tanto contra as indulgências que o resultado disso foi um grande tumulto popular em Praga, quando Huss, com o apoio do rei Ladislau, foi festejado como herói nacional. Huss, porém, sustentava que o perdão dos pecados só se poderia obter por contrição e penitência sincera, e nunca por dinheiro; que nem o Papa, nem qualquer sacerdote, poderiam levantar a espada em nome da Igreja; que a infalibilidade do Papa era uma blasfêmia. Queriam que Huss se submetesse ao Concílio, cuja autoridade não poderia ser posta em dúvida. O Concílio pedia unicamente que Huss se submetesse a ele, retratando-se das suas doutrinas, mas não queria escutá-lo. Quanto ao seu tratado De Ecclesia; ele nem pôde defender-se, porque vozes exasperadas interrompem-no e abafam a sua. Huss, porém, manteve a doutrina de que apenas o Cristo e não Pedro era o chefe da Igreja, e resistiu às promessas e ameaças que lhe fizeram. Logo percebeu qual a sorte que o aguardava: cheio de pena pelos inimigos, escreve cartas de reconhecimento pela amizade que lhe devotaram, e aos amigos, animando-os, por terem se conservado fiéis à Verdade. O cardeal Zabarella preparou um documento que exigia de Huss a retratação, e Huss respondeu com o Apelo de Jesus Cristo: “Em suas mãos eu deponho a minha causa, pois Ele há de julgar cada um, não com base em testemunhos falsos e Concílios errados, mas na verdadeira justiça”. Encarceraram-no por vários dias para que fraquejasse, mas Huss continuou firme. Desencarnou queimado, aos 46 anos, quem pregou contra a injustiça, a venalidade e a insinceridade, tendo enfrentado a fogueira com grande coragem. Dizem os historiadores que era uma alma sensível, piedosa, pura, honesta, só se deixando dominar pelo que lhe parecia justo e verdadeiro. E, diziam ainda, sua vida anuncia uma era nova, onde se imporão os direitos religiosos da consciência individual. Um ano após o martírio de Jan Huss, um discípulo seu também era imolado na fogueira da Inquisição: Jerônimo de Praga (1416). Jan Huss teria proferido a seguinte frase, antes de morrer cantando: «Hoje vós assais um pato, mas dia virá em que o cisne de luz voará tão alto, que as vossas labaredas não mais alcançarão”. Séculos depois, de fato, Jan Huss volta como Voltaire, Allan Kardec e Osvaldo Polidoro, cumprindo o trabalho de Restauração da Doutrina, repondo as Verdades Divinas no lugar e entregando o prometido Evangelho Eterno que está profetizado no capítulo 14 do Apocalipse.
RESTAURAÇÃO, José de Anchieta (2ª vida)
José de Anchieta nasceu em 1533 nas ilhas Canárias, e lá onde nasceu, aprendeu a ler e a escrever, além de noções básicas do latim. Em 1550 entra para a Companhia fundada por Ignácio de Loyola apenas alguns anos antes, onde ficaria até o fim de sua vida, sempre servindo os princípios da companhia que na época era considerada a "Renovação da Igreja". Apesar de seus estudos terem ajudado esse ingresso, foram as suas habilidades naturais que o ajudaram a desenvolver os trabalhos para os quais era designado. Em 1533, parte Anchieta para o Brasil a serviço da Companhia de Jesus. A sua vinda, muito mais do que missionária, foi devida a um problema de saúde. “O projeto de transpor para a fala do índio a mensagem católica demandava um esforço de penetrar no imaginário do outro, e este foi o empenho do primeiro apóstolo. Na passagem de uma esfera simbólica para outra, Anchieta encontrou óbices por vezes incontornáveis. Como dizer aos tupis, por exemplo, a palavra pecado, se eles careciam até mesmo de sua noção, ao menos no registro que esta assumira ao longo da Idade Média européia? Entrosou os índios nos rituais da igreja, pois estes foram trazidos às missas para que cantassem as músicas que Anchieta compusera na sua língua natal e, desta forma, podiam entender o que cantavam. Compôs também algumas peças de teatro bilíngues, para que portugueses e índios pudessem vê-las,
e estas sempre eram populares entre os últimos. De tal forma eram populares que um autor do começo do século chega a afirmar que "esses autos que inventava eram como literatura para analfabetos” Sua capacidade como linguista não foi pequena. Foi ele quem percebeu que existia uma raiz comum nas línguas que falavam as diferentes tribos indígenas. O propósito destes trabalhos linguísticos era especialmente a catequese. Mesmo o teatro e as músicas tinham como único propósito o louvor: "As cantorias dos índios até mesmo as danças, não eram coisas para divertir, mas para solenizar a morte, os sacrifícios (...) ou então como rito nas festas religiosas" A cidade de São Paulo, futuro berço do EVANGELHO ETERNO PROFETIZADO NO Apocalipse, teve o seu início bem simples e singelo. No começo, a atuação de Anchieta na fundação do colégio foi um tanto pequena. Mais tarde, quando foi nomeado diretor do mesmo, passaria a ter um papel de maior destaque, dando uma forte ajuda ao projeto. O primeiro edifício construído foi o próprio colégio, mas uma cidade já estava planejada e foi sendo construída, pouco a pouco, em volta da primeira construção. O Brasil foi o palco de sua vida e obra. Foi sacerdote, missionário, professor, epistológrafo, historiador, gramático e poeta. É considerado fundador ou iniciador da literatura, teatro e poesia brasileiras, além de ter poetado em língua latina, espanhola, portuguesa e tupi. Exerceu funções de médico, enfermeiro. Escreveu sobre zoologia e botânica do Brasil. No mar, foi piloto. Nos naufrágios, sobrevivente. Seu nome está escrito entre os fundadores das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e outras. Alguns de seus manuscritos se conservam em Roma, no Arquivo da Companhia de Jesus. Essas publicações são o que se salvou de seus manuscritos, quer em português, espanhol, latim ou tupi. De nenhum escritor brasileiro daquela época se salvaram tantas obras em prosa ou verso e em diversas línguas. É admirável que suas obras, hoje impressas, tenham atingido tantos volumes.Ganhou o título de Abaré (em tupi "Aquele que ensina as coisas de Deus"), e o de Apóstolo do Brasil. Por ter sido o primeiro e maior educador religioso europeu a catequizar os índios em sua própria terra natal, também lhe valeu o título de Patrono dos Professores. Por seu trabalho religioso e artístico pioneiro, foi escolhido como Patrono da Cadeira nº 1 da Academia Brasileira de Música (em seus autos, usava enormemente a música, que, infelizmente, não ficou registrada).
RESTAURAÇÃO, Voltaire (3ª vida) RESTAURAR A LIBERDADE DE PENSAMENTO
Voltaire nasceu em Paris, 1694. François Marie Arouet, seu nome verdadeiro, revelou talento literário e sensibilidade poética logo na infância. No colégio Louis-le-Grand, jesuítas ensinaram para Voltaire a dialética, (arte de dialogar progressivamente, para provar ideias). Ele discutia teologia com os professores, que o reconheciam como um "rapaz de talento, mas patife notável". Estudou ali por sete anos, tornando-se amigo de herdeiros das melhores famílias da nobreza. Em 1715 escreve a peça Édipo e o poema Henríada, um épico sobre Henrique IV. Sua fama aumenta, e todas as coisas espirituosas e maliciosas são a eles atribuídas, inclusive algumas anedotas contra o regente que governava, duque de Órleans. As anedotas contavam que o regente conspirava para usurpar o trono... e, em 1717, o regente manda-o para a Bastilha, a prisão parisiense, onde adota o nome de Voltaire. A maioria de suas obras posteriores – o Dicionário Filosófico, Candide, as histórias e muitos dentre os poemas e ensaios – relacionam-se também com a exposição da doutrina de que o mundo é governado por leis naturais e a razão e a experiência concreta são os únicos guias seguros que o homem pode seguir. Voltaire desprezava o fácil otimismo segundo o qual os males de cada um fazem o bem de todos e tudo marcha da melhor maneira no melhor dos mundos possíveis. Via, muito ao contrário, o sofrimento, o ódio, a discórdia e a opressão por toda parte. Somente no seu país utópico do Eldorado, que imaginou existir em alguma parte da América do Sul, havia liberdade e paz. Ali não havia monges, padres, processos ou prisões. Os habitantes conviviam sem malícia nem cobiça, adorando a Deus segundo os ditames da razão e resolvendo os seus problemas por meio da lógica e da ciência. Mas uma vida tão idílica só era possível por estar em terra separada dos “assassinos arregimentados da Europa” por montanhas intransponíveis. Voltaire absorve rapidamente a cultura e a ciência inglesas. Gosta da tolerância religiosa. Nas suas obras históricas, Voltaire não dedicou grande espaço à Judéia e ao cristianismo, relatou com imparcialidade a
gigantesca cultura oriental. O Oriente tinha mais tradição que o Ocidente. Sob nova perspectiva, descobriu-se esse mundo, e os dogmas europeus puderam ser questionados. Conhecido como campeão da liberdade individual, considerava como totalmente bárbaras todas as restrições à liberdade de expressão e de opinião. Mas, se havia uma forma de opressão que Voltaire odiasse acima de todas as outras, era a tirania da religião organizada. Trovejou contra a monstruosa crueldade da igreja em torturar e queimar homens inteligentes que se atreveram a pôr em dúvida os seus dogmas. Com referência a todo o sistema de ortodoxia perseguidora e privilegiada, adotou como lema a frase écrasons l’infame (esmaguemos o infame). Não era menos violento em seus ataques à tirania política, especialmente quando esta resultava em matança de milhares de criaturas para satisfazer as ambições dos déspotas. “É proibido matar”, dizia ele, com sarcasmo, “e, portanto, todos os assassinos são punidos, a não ser que o façam em larga escala e ao som de trombetas” (Dicionário Filosófico, verbete Guerra Desde 1757 a correspondência de Voltaire torna-se o eco de seu século, não cessa de lutar por seus ideais. Voltaire faz parte desse movimento de renovação da cultura e crítica da política absolutista que se chamou Iluminismo, a liberdade no pensar, a Idade das Luzes. Suas ideias foram propagadas na Revolução Francesa pois refletiam os ideais dessa revolução, durante a qual foi muito lembrado. Voltaire não despreza a cultura pagã e a oriental, como fazem outros autores. As religiões instituídas eram estigmatizadas como instrumentos de exploração, que astutos velhacos tinham inventado para poderem pilhar as massas ignorantes. Dizia Voltaire, deísta: “O primeiro teólogo foi o primeiro espertalhão que encontrou o primeiro tolo” (Dicionário Filosófico, verbete Religião). Não satisfeitos em condenar os elementos irracionais da religião, os deístas passaram a denunciar todas as formas de fé organizada, almejando construir uma forma mais simples, dentro destes princípios: 1) Existe um Deus único que criou o Universo e estabeleceu as leis naturais que o regem; 2) Deus não intervém nos negócios do homem, neste mundo; 3) Não se suborna Deus através de simulacros, rituais, etc; 4) O homem é dotado de livre arbítrio, não há predestinação. Para Voltaire, a metafísica é uma quimera. Pode-se escrever mil tratados de sábios e não desvendar o segredo do universo, ou questões como: O que é a matéria? Porque as sementes germinam na terra? Para os Iluministas, a ignorância e o medo criaram os deuses, e a fraqueza os preserva. É um empecilho para a civilização. O materialismo é preferencial à teologia. Essas ideias foram defendidas na Enciclopédia, cujo principal autor é Diderot. Os enciclopedistas chamavam Voltaire de fanático, por acreditar em Deus. Voltaire via Deus na harmonia inteligente entre as coisas.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.