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Capítulo 60 de 87

Chilam Balam E Os Maias

Tempo e Espaço da Entrega da Verdade

Chilam Balam é o livro sagrado dos maias, de Iucatã, também transcrito por missionários espanhóis. Seu conteúdo, muito diversificado, envolve textos de caráter religioso, histórico, médico, astrológico, astronômico e literário. Balam é nome de família, mas significa jaguar (onça) ou feiticeiro (bruxo). Chilam em si significa “o que é boca” e era o título dado à classe sacerdotal, intérprete dos livros e da vontade dos deuses. Chilam Balam adquiriu fama de profeta, ao anunciar o advento de uma nova religião. Viveu de fato pouco da conquista espanhola (CHILAM BALAM, 1980). Os livros maias de Chilam Balam, designados pelos nomes de localidades iucatecas como Chumayel, Mani e Tizimin, são geralmente coleções de textos díspares nos quais as tradições espanholas e maias coalesceram. Os maias iucateques atribuíam estes livros a um autor lendário chamado Chilam Balam, sendo um chilam o sacerdote que fornecia oráculos. Alguns dos textos consistem mesmo de oráculos sobre a chegada dos espanhóis ao Iucatã e mencionam um chilam Balam como seu primeiro autor. A tradição estendeu esta autoria de forma a abranger todos os textos díspares encontrados num determinado manuscrito. Os textos tratam, sobretudo, de história (tanto pré-hispânica como colonial), calendários, astrologia e ervas medicinais. Escritos em língua maia iucateca (em escrita europeia), os manuscritos são oriundos dos séculos XVII e XIX, embora muitos dos textos que acabaram por ser incluídos nestes livros datem do tempo da conquista espanhola. Assume-se que nos livros mais antigos, o elemento profético fosse mais proeminente, Enquanto que os textos médicos são bastante factuais, os textos históricos e astrológicos são realmente esotéricos. Em várias passagens destes textos surgem pequenos fragmentos de informação importantes sobre a antiga mitologia. Além do seu valor intrínseco, os textos históricos (ou crônicas) são particularmente importantes, pois estão construídos com base no calendário maia (ainda que com algumas adaptações ao sistema de calendário europeu) e contêm antigas previsões para períodos tun e baktun. A tentativa de reconstrução da história iucateca pós-clássica a partir destes dados provou ser uma tarefa árdua. Devido à sua natureza muitas vezes alusiva e metafórica e ao iucateque arcaico em que estão escritos, os textos de Chilam Balam constituem um desafio formidável para os tradutores. A qualidade das traduções existentes varia muito, sendo as de Barrera Vásquez e Rendón, Reifler Bricker e Miram, e de Roys incluídas entre as melhores.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.