[user_registration_my_account]
Capítulo 71 de 87
A Reforma Protestante
Tempo e Espaço da Entrega da Verdade
NASCE O FILHO DA BESTA: O século XVI foi marcado pelo surgimento de novas religiões cristãs, que acabaram com a hegemonia política e espiritual da Igreja católica e abalaram a autoridade do papa. Esse processo de divisão do
catolicismo denominou-se Reforma, e às novas Igrejas, protestantes. A reação da Igreja católica a essas novas religiões cristãs chamou-se Contra-Reforma. A Reforma protestante foi um movimento religioso de adequação aos novos tempos, ao desenvolvimento capitalista; representou no campo espiritual o que foi o Renascimento no plano cultural: um ajustamento de ideais e valores às transformações sócio-econômicas as Europa (A Besta e o Falso Profeta, do Apocalipse, cap 13). O descontentamento dos humanistas da época levou-os a criticarem a Igreja pelos abusos cometidos. Destacaram-se, além de Wycliff e Huss, Erasmo de Rotterdam e Thomas Morus, que propuseram a depuração das práticas eclesiásticas e a reforma interna, feita pelos próprios membros da Igreja. Erasmo de Rotterdam (1466-1536), uma das vidas de João Evangelista, onde considerado “príncipe dos humanistas”. Desprezou as doutrinas escolásticas e escreveu “Elogio da Loucura”, denunciando algumas atividades da Igreja e a imoralidade do clero. Da revista Veja: “Ainda são recentes na memória dos povos da península italiana os excessos radicais que o repúdio à dissolução de costumes e à corrupção protagonizadas em Roma pelo papa Alexandre VI pode provocar. Há apenas três anos, depois de liderar um movimento puritano e reformista na opulenta Florença, o frei dominicano Jerônimo de Savonarola foi excomungado, torturado, enforcado com correntes e queimado por ordem do papa. Savonarola insurgiu-se contra o clero corrupto em geral e o papa em particular. "A Igreja está atolada, dos pés até a cabeça, na vergonha e no crime. Além dos outros vícios de Alexandre VI, que são conhecidos de todos, afirmo que ele não é cristão, não acredita na existência de Deus", dizia. Pregador carismático, cujos sermões exaltados atraíam milhares de fiéis, quando exércitos franceses invadiram Florença, o dominicano aliou-se ao conquistador. De líder espiritual, tornou-se regente. O poder político deu-lhe a oportunidade para pôr em prática seu radicalismo. Recrutando adolescentes para o que chamava "grupos santos", impôs leis proibindo o uso de trajes pomposos, tabuleiros de xadrez e até retratos femininos em trajes sumários, como se usa agora. Alguns desses "símbolos do pecado" foram queimados em praça pública, nas chamadas fogueiras da vaidade. Savonarola enfrentou o papa, mas não poderia vencê-lo. Tentou formar um concílio com poderes para depor Alexandre VI por depravação notória e não obteve apoio. Terminou executado em praça pública, mas lançou uma semente, que talvez venha a germinar, de uma Igreja mais comprometida com os ideais cristãos de fraternidade e solidariedade. Se a sua advertência insistente – "A igreja deve ser reformada e renovada" – continuar ignorada, certamente outras insurgências virão.” Lemos em Atos dos apóstolos a origem da Igreja Cristã, o derrame do Espírito Santo, a perseguição, judaica e romana, contra o Cristianismo, a coragem dos apóstolos, o apostolado. Esta perseguição teve um fim proveitoso para Igreja: só ficou nela quem era de fato CRISTÃO. Alguns admiradores do cristianismo negavam-se a pertencer à Doutrina do Caminho quando viam o espólio dos bens, as torturas romanas, a perda dos privilégios sociais ou o desencarne. A pureza do Cristianismo era abominável aos olhos profanos dos romanos. Pena que não durou mais do que dois séculos. De perseguido, o cristianismo torna-se a religião oficial do Estado. O astuto imperador romano Constantino, no ano 313 d.C., numa tentativa de unificação do Império e outros motivos políticos, declara o Cristianismo como religião Oficial e abre as portas da igreja a pagãos. Mas a história não deixa enganos. Foi a pior de todas as "conquistas" da Igreja. Ela perdeu a sua identidade de agência do Reino. Todo o império se tornou "Cristão" de uma noite para o dia. Os inconversos também eram batizados e recebidos no rol da igreja, agora chamada de Católica Apostólica Romana, que ganhou muita glória humana, mas muita decadência espiritual. Todo tipo de paganismo, superstições, orgias, idolatrias e mundanismos foram entrando na igreja e encontrando seu espaço, sem restrições e/ou disciplinas. O paganismo supersticioso misturou-se ao "cristianismo oficial". Foi aí que foram introduzidos dentro da Igreja alguns costumes pagãos como segue: Ano 315: reza pelos mortos; ano 320: uso das velas; ano 375: culto aos "Santos"; ano 431: culto à virgem Maria; ano 503: doutrina do purgatório; ano 606: Bonifácio III se declara Papa; ano 783: adoração das imagens e relíquias: ano 850: uso de água benta; ano 993: canonização dos santos; ano 1074: celibato obrigatório; ano 1076: dogma da infalibilidade da igreja; ano 1090: invenção do rosário; ano 184: instituição da "Santa Inquisição"; ano 1190: instituição da venda de indulgências; ano 1215: dogma da confissão: (confessar ao sacerdote os pecados); ano 1229: proibida a leitura da Bíblia; ano 1316: instituição da reza - "Ave Maria"; ano 1415: somente os sacerdotes tomam o vinho e aos fiéis é permitida apenas a hóstia.
Estes foram alguns dos costumes pagãos/idólatras que foram incorporados ao Cristianismo pela igreja. Depois, que a "Santa Inquisição" (1184) matou inúmeros pregadores como John Huss, John Wycliff, Savonarola e muitos outros, por anunciarem o Evangelho conforme a Bíblia, a humanidade, desgostosa com a corrupção moral e espiritual do sacerdócio, clamava por uma reforma Religiosa dentro da Igreja Cristã, que se distanciou do que Cristo deixara exemplificado. No dia 31 de outubro de 1517, ao meio-dia, na véspera da "Festa de Todos os Santos", o monge agostiniano, Martinho Lutero, fixou as 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Winttenberg, na Alemanha, dando assim o início oficial da Reforma Protestante, tentando voltar à pureza da fé bíblica, mas acabando por ser o Falso Profeta anunciado no Apocalipse. As teses de Lutero condenavam, entre outras coisas, a venda de indulgências (bula papal que garantia aos fiéis a entrada no céu). Lutero deu o grito da Reforma, mas outros deram facetas diferentes ao movimento, nos vários países em que se expandiram: Zwinglio (seguidor de Lutero e de Erasmo de Rotterdam) iniciou a Reforma na Suíça, com pregações tão violentas que resultou em guerra civil em 1529. João Calvino publicou ali uma obra em 1536, Instituição da Religião Cristã, e aos poucos conquistou toda Genebra com suas ideias, acabando por controlar a cidade. Foi considerado o teólogo do capitalismo ao estimular o lucro e o trabalho, favorecendo a burguesia. O líder da revolução protestante na Inglaterra foi o próprio rei Henrique VIII, que colocou no movimento características eminentemente políticas, sob o nome de anglicanismo. A reação católica foi conter essa expansão reformista com um movimento que se chamou Contra- Reforma, que incluiu a Reforma Católica: fundam a Companhia de Jesus em 1534, cabendo aos jesuítas a difusão do catolicismo. Em 1545, o papa Paulo III convoca o Concílio de Trento, onde se institui a Inquisição, o Index (lista de livros proibidos, tanto religiosos quanto científicos e culturais) e o Tribunal do Santo Ofício foi reativado, instituições essas que, sob o pretexto de combater hereges, sempre em nome do Cristo, condenou à tortura e ao desencarne milhares de pessoas.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.