[user_registration_my_account]
Capítulo 26 de 87
O Povo Cigano
Tempo e Espaço da Entrega da Verdade
É interessante considerar o povo chamado "habiru" ou "apiru" nos documentos antigos existentes em todo o Oriente Médio, em quase todos os países desde a Mesopotâmia e Anatólia até o Egito. Este termo é equivalente ao bíblico "hebreus" e era usado exatamente do mesmo modo que "cigano" na sociedade moderna (implicando os mesmos prejuízos. "Habiru" era uma definição genérica para vagabundos sem cidadania nem classe social: a Bíblia diz "Abrão o hebreu" porque Abrão era apátrida. Também os filhos de Israel eram apátridas, não tendo nenhuma relação com cidades e tribos reconhecidas, portanto descritos pelos egípcios como "apiru". Num princípio eram considerados gente de origem hurrita, ou seja, do país onde habitava Avraham antes de suas viagens em Canaã e Egito. Antigos documentos afirmam que os habiru estavam dispersos por toda a Ásia ocidental por séculos. É significativo o fato de que este termo desaparece em coincidência com a aparição do novo nome "Israel" que o recoloca. Os habirus adquirem uma identidade nacional e um estado reconhecido. Os israelitas não se chamavam a si mesmos "hebreus", mas era um termo com o qual os outros os identificavam, no mesmo modo que os rom não se chamam a si mesmos "ciganos", mas os demais lhes chamam assim. O fato do Povo Cigano não ter, até os dias atuais, uma linguagem escrita, fica quase impossível definir sua verdadeira origem. Portanto, tudo o que se disser a respeito de sua origem está largamente baseado em conjecturas, similaridades ou suposições. A hipótese mais aceita é que o Povo Cigano teve seu berço na civilização da Índia antiga, num tempo que também se supõe, como muito antigo, talvez dois ou três milênios antes de Cristo. Compara-se o sânscrito, que era escrito e falado na Índia (um dos mais antigos idiomas do mundo), com o idioma falado pelos ciganos e encontraram um sem-número de palavras com o mesmo significado. Outros pontos também colaboram para que esta hipótese seja reforçada, como a tez morena comum aos hindus e ciganos, o gosto por roupas vistosas e coloridas, e princípios religiosos como a crença na reencarnação e na existência de um Deus Pai e Absoluto. E com respeito à suas crenças, tanto para os hindus como para os ciganos, a religiosidade é muito forte e norteia muito de seu comportamento, impondo normas e fundamentos importantes, que devem ser respeitados e obedecidos. Depois de vagarem pelas Terras do Oriente, os ciganos invadiram o Ocidente e espalharam-se por todo o mundo. Essa invasão foi uma das únicas na história da humanidade que foi feita sem guerras, dor ou derramamento de sangue. No primeiro milênio d.C., deixaram o país e se dividiram em dois ramos: o Pechen que atingiu a Europa através da Grécia; e o Beni que chegou até a Síria, o Egito e a Palestina. Existem vários clãs ciganos. A família é a base da organização social dos ciganos, não havendo hierarquia rígida no interior dos grupos. O comando normalmente é exercido pelo homem mais capaz, uma vez que os ciganos respeitam acima de tudo a inteligência. Este homem é o Kaku e representa a tribo na Krisromani, uma espécie de tribunal cigano formado pelos membros mais respeitados de cada comunidade, com a função de punir quem transgride a rígida ética cigana. A figura feminina tem sua importância e é comum haver lideranças femininas
como as phury-day (matriarca) e as bibi (tias-conselheiras), lembrando que nenhum cigano deixa de consultar as avós, mães e tias para resolver problemas importantes por meio da leitura da sorte. O líder de cada grupo cigano, chama-se Barô/Gagú e é quem preside a Kris Romanis (Conselho de Sentença ou grande tribunal do povo rom) com suas próprias leis e códigos de ética e justiça, onde são resolvidas todas as contendas e esclarecidas todas as dúvidas entre os ciganos liderados pelos mais velhos. O mestre de cura (ou xamã cigano) é um Kakú (homem ou mulher) que possui dons de grande paranormalidade. Eles usam ervas, chás e toques curativos. Os ciganos geralmente se reúnem em tribos para festejar os ritos de passagem: o Nascimento, a Morte, o Casamento e os Aniversários; e acreditam na Reencarnação (mas não incorporam nenhum espírito ou entidade). Estão sempre reunidos nos campos, nas praias, nas feiras e nas praças. O misticismo e a religiosidade fazem parte de todos os hábitos da vida cigana. A maior parte deles acredita em um único deus (Dou-la ou Bel) em eterna luta contra o demônio (Deng). Normalmente, assimilam as religiões do lugar onde se encontram, mas jamais deixam de lado o culto aos antepassados, o temor dos maus-olhados, a crença na reencarnação e na força do destino (baji), contra a qual não adianta lutar. O mais importante para o Povo Cigano é interagir com a Mãe Natureza respeitando seus ciclos naturais e sua força geradora e provedora. Não se sabe quando nem onde foi, mas houve uma vida de Osvaldo Polidoro no seio do povo cigano, e ele contava sobre a grande moralidade e seriedade neste povo. Nesta sua vida, mais uma vez Grande Mãe Maria foi sua mãe.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.