Voltar ao livro Tempo e Espaço da Entrega da Verdade

Capítulo 11 de 87

Nascimento Do Indivíduo — parte 2 de 5

Tempo e Espaço da Entrega da Verdade

tempo, porém, a digestão existiu antes da formação do canal digestivo. De análoga maneira, a percepção da luz produziu os olhos. A luz criou e mantém o olho. Onde não há luz alguma não podem existir olhos. Em experiências com alguns animais que, metidos em cavernas, foram privados de toda luz, os olhos degeneraram a até se atrofiaram por não haver luz alguma para sustentá-los, se bem que os olhos sejam desnecessários em cavernas escuras. Os lemurianos necessitavam de olhos, tinham percepção da luz, e a luz começou a construir os olhos, como resposta àquela exigência. A linguagem era de sons análogos aos da Natureza. O murmúrio do vento nos bosques imensos, que cresciam luxuriantes naquele clima supertropical, o ulular da tempestade, o ruído das cataratas, o rugido dos vulcões, todos esses sons eram para o homem de então, como vozes dos Deuses, de quem sabia ter descendido. Do nascimento do seu corpo nada sabia. Não podia vê-lo, nem ver outras coisas, mas percebia os seus semelhantes. Era uma percepção interna, um tanto semelhante a quando em sonhos percebemos pessoas ou coisas, todavia, com uma diferença importantíssima: estas percepções internas eram claras e racionais. Nada conhecia, portanto, sobre o corpo nem sequer sabia que tinha um corpo, do mesmo modo que não sentimos que temos estômago quando em boa saúde. Só nos lembramos da sua existência quando os abusos provocam dores. Em condições normais, não nos lembramos do estômago e somos completamente inconscientes dos seus processos. O mesmo se dava com os lemurianos: o corpo prestava-lhes excelentes serviços, embora inconscientes da sua existência. Foi a dor, o meio de fazer-lhes sentir o corpo e o mundo externo. Tudo quanto se relacionava com a propagação da raça e com o nascimento era executado sob a direção dos Anjos, por sua vez guiados por Jeová, o Regente da Lua. A função procriadora era exercitada em determinadas épocas do ano, quando as linhas de força de planetas para planeta formavam ângulo apropriado. Como a força criadora não encontrava obstáculo algum, o parto realizava-se sem dor. O homem era inconsciente do nascimento, porque sua inconsciência do Mundo Físico era análoga à nossa, agora, durante o sono. Só mediante o íntimo contato das relações sexuais o espírito sentiu a carne, e o homem "conheceu" sua esposa. A isto se referem várias passagens da Bíblia, por exemplo: "Adão conheceu Eva e ela concebeu Seth"; "Elkanah conheceu Hanah e ela concebeu Samuel"; e a pergunta de Maria: "Como poderia conceber se não conheço homem algum"? Está aqui, também, a chave para o significado da "Árvore do Conhecimento", o fruto, que abriu os olhos de Adão e Eva, a fim de poderem conhecer o Bem e o Mal. Anteriormente, conheciam somente o bem, mas, quando começaram a exercer a função criadora independentemente, sem o conhecimento das influências estelares, como tem sido característica dos seus descendentes, conheceram o sofrimento e o mal. A suposta maldição de Jeová não foi maldição, de maneira alguma. Foi uma clara indicação do efeito que inevitavelmente produziria a força criadora quando empregada na geração de um novo ser, sem tomar em conta as determinantes estelares. O emprego ignorante da força geradora origina a dor, a enfermidade e a tristeza. O lemuriano não conhecia a morte porque, no transcurso de largas idades, quando se inutilizava o corpo, entrava noutro, completamente inconsciente da mudança. Como a consciência não estava enfocada no mundo físico, abandonar seu corpo para tomar outro corpo era para ele como a queda de uma folha seca de árvore, logo substituída por novo broto. A linguagem era algo santo, não como a nossa, uma linguagem morta, um simples arranjo de sons. Cada som emitido pelos lemurianos tinha poder sobre os semelhantes, sobre os animais e sobre a Natureza circundante. O poder da linguagem foi empregado com grande reverência, como algo extremamente santo; sob a direção dos Senhores de Vênus, os mensageiros de Deus, emissários das Hierarquias Criadoras. A educação dos meninos diferia muito da educação das meninas. Os métodos educativos dos lemurianos seriam chocantes para nossa mais refinada sensibilidade. Para não ferir os sentimentos do leitor, falaremos unicamente do menos cruel de todos eles. Cumpre recordar que não estando os corpos dos lemurianos, tão altamente sensibilizados como os corpos humanos dos nossos dias, só mediante práticas duríssimas, por extremamente desumanas que parecessem, se podia compelir sua consciência extremamente obscura e pesada. No transcurso do tempo, a consciência foi se despertando, e essas práticas cruéis abandonadas por desnecessárias, porém, naqueles tempos, foram indispensáveis para despertar as adormecidas forças do espírito à consciência do mundo externo. Tais métodos educativos, que estavam completamente fora de sentido em nossos dias, não chocavam os lemurianos, desprovidos de memória. Não importava quão dolorosas ou aterrorizantes fossem as experiências suportadas. Uma vez passadas, eram esquecidas imediatamente. As terríveis experiências citadas,

imprimindo no cérebro impactos violentos e constantemente repetidos, tinham por objetivo despertar a memória, a necessária memória que emprega as experiências do passado como guia da ação. O lemuriano era um mago de nascimento, reconhecia-se como um descendente dos Deuses, um ser espiritual. Sua linha de desenvolvimento, portanto, não era orientada para obtenção de conhecimentos espirituais, mas sim materiais. Para os mais avançados não era preciso revelar aos homens essa elevada origem, nem educá-los para a realização de coisas mágicas, ou instruí-los, nos Templos de Iniciação, para funcionarem no Mundo do Desejo ou nos reinos superiores. Tais instruções são necessárias ao homem atual porque não tem conhecimento do mundo espiritual, nem pode funcionar nos reinos suprafísicos. O lemuriano possuía esse conhecimento e podia exercer essas faculdades. Contudo ignorava as Leis do Cosmos e os fatos relacionados com o Mundo Físico, coisas e conhecimentos hoje comuns a todos. Nas Escolas Iniciáticas ensinavam-se a arte, as leis da Natureza e os fatos relacionados com o universo físico, fortalecia-se a vontade, despertava-se a imaginação e a memória, de maneira a correlacionar as experiências, e inventar meios de ação, quando as experiências do passado não indicavam o procedimento apropriado. Os Templos de Iniciação dos tempos lemúricos eram, por conseguinte, escolas superiores de desenvolvimento do poder da vontade e da imaginação, com graduados cursos posteriores sobre Arte e Ciência. Embora o lemuriano fosse um mago nato, nunca empregou mal seus poderes, porque sentia-se relacionado com os Deuses. Sob a direção dos mensageiros de Deus, dos quais já falamos, suas forças foram dirigidas à construção de formas nos reinos vegetal e animal. Para o materialista, pode ser mui difícil compreender como poderiam efetuar essa obra sem verem o mundo ambiente. É certo, não podiam ver, tal como compreendemos essa palavra ou como vemos atualmente os objetos exteriores com nossos olhos físicos. Não obstante, assim como as crianças, nos dias de hoje, são clarividentes enquanto permanecem em inocência imaculada, sem pecado, assim também os lemurianos, que eram puros e inocentes, possuíam uma percepção interna que lhes proporcionava uma vaga ideia da forma externa de qualquer objeto, muito iluminada internamente, como qualidade anímica, por uma percepção espiritual nascida da pureza e da inocência. Entretanto, Inocência não é sinônimo de Virtude. A inocência é filha da Ignorância e esta não pode conservar-se num universo que tem como propósito evolutivo a aquisição da Sabedoria. Para chegar a esse fim, é essencial conhecer o bem e o mal, o certo e o errado e também ter a liberdade de agir. Se o homem, possuindo o conhecimento e a liberdade de agir, defende o Bem e o Justo, cultiva a Virtude e a Sabedoria. Se cai na tentação e, em conhecimento, faz o mal, desenvolve o vício. O plano de Deus não pode ser reduzido a nada. Sendo cada ato uma semente para a lei de consequência, colhemos o que semeamos, e a erva das más ações traz em si tristeza e sofrimento. Quando as sementes caírem no coração castigado e forem umedecidas pelas lágrimas do arrependimento, a Virtude florescerá definitivamente. Se no Reino do nosso Pai só o Bem pode perdurar, não é uma verdadeira bênção a certeza de que apesar do mal que façamos, o Bem triunfará por fim? A "Queda" e a consequente dor e sofrimento são um estado temporário, durante o qual vemos as coisas como através de um vidro embaciado. Depois, encontrar-nos-emos frente a frente com Deus, a quem os puros de coração percebem dentro e fora de si.

A Queda Do Homem

Cabalisticamente descrita, é a experiência de um casal que, certamente, representa a humanidade. A chave encontra-se nos versículos da Bíblia em que o Mensageiro dos Deuses, anunciando à mulher "conceberá teus filhos com dor". A solução está também implícita na sentença de morte que foi pronunciada concomitantemente. Antes da Queda, a consciência não estava enfocada no Mundo Físico, o homem estava inconsciente da propagação, do nascimento e da morte. Os Anjos, como se disse, trabalhavam no corpo vital (o meio de propagação), regulavam a função procriadora e juntavam os sexos em certas ocasiões do ano. Empregavam as forças solares e lunares, nos momentos e condições mais propícias para a fecundação. A união dos participantes ao princípio era inconsciente, porém, mais tarde, produziu-se um conhecimento físico momentâneo. A gestação decorria sem incômodo algum e o parto realizava-se sem dor. Estando os pais

submersos em sono profundo, o nascimento e a morte não implicavam solução de continuidade da consciência, isto é, não existiam para os lemurianos. A consciência era dirigida para dentro. Percebiam as coisas físicas de maneira espiritual, como quando as percebemos em sonhos, momentos em que tudo que vemos está dentro de nós. Quando seus olhos foram abertos e a consciência foi dirigida para fora, para os fatos do Mundo Físico, alteraram-se as condições. A propagação foi dirigida não pelos Anjos, mas pelos homens. Ignoravam a operação das forças solares e lunares e abusaram da função sexual, empregando-a para gratificar os sentidos. Daí resultou a dor que passou a acompanhar o processo da gestação e nascimento. A consciência focalizou-se no Mundo Físico, se bem que as coisas não apareceram com nitidez até a última parte da Época Atlante. Só então começou a conhecer a Morte como solução de continuidade que se produzia na consciência, ao passar para os mundos superiores depois de morrer, e quando retrocedia ao Mundo Físico para renascer. Recordemos como se processou a "abertura de seus olhos". Quando os sexos foram separados, o macho converteu-se em expressão da Vontade, uma parte da dual força anímica e a fêmea, por seu lado, expressou a Imaginação. Se a mulher não fosse imaginativa, não poderia construir o novo corpo na matriz, e se os espermatozóides não fossem a ativa concentração da vontade humana, não seria possível realizar a impregnação e começar a germinação, resultante da continuada segmentação do óvulo. Essas forças gêmeas, Vontade e Imaginação, são necessárias à propagação dos corpos. Uma dessas duas forças exalta-se em cada sexo e é essa parte a utilizável para a propagação. Daí, a necessidade do ser que expressa uma só classe de força anímica, unissexual, unir-se a outro que expresse a força anímica complementar. Isto já foi explicado anteriormente. Além disso, a parte da força anímica não utilizada na propagação é utilizável no crescimento interno. Enquanto o homem empregava totalmente a dual força sexual na geração, não podia realizar nada no sentido do próprio crescimento anímico. Depois, a parte não empregada através dos órgãos sexuais foi apropriada pelo espírito para construir o cérebro e a laringe, meios de expressão. O cérebro e a laringe foram construídos durante a última parte da Época Lemúrica e os primeiros dois terços da Época Atlante, até que o homem se converteu em um ser pensante, raciocinador, completamente consciente. O cérebro é o elo entre o espírito e o mundo externo. Nada pode o homem saber acerca do mundo externo a não ser por intermédio do cérebro. Os órgãos dos sentidos são condutores que levam ao cérebro os impactos do exterior, e o cérebro é o instrumento que interpreta e coordena esses impactos. Os Anjos aprenderam a obter conhecimento sem necessidade de cérebro físico. Seu veículo inferior é o corpo vital. Pertencem a uma evolução diferente e nunca estiveram aprisionados em um corpo tão denso e pesado como o nosso. A Sabedoria foi-lhes concedida como uma dádiva, sem necessidade de laborioso pensamento através de um cérebro físico. O homem, ao cair na geração, teve que trabalhar para obter o conhecimento. Por meio de uma parte da força sexual dirigida para dentro, o espírito construiu o cérebro, para ganhar o conhecimento do Mundo Físico. Essa mesma força continua a ser empregada para alimentar e construir o cérebro atual. A força é subvertida de seu próprio curso, considerando que deveria ser empregada para procriação. O homem a retém com propósitos egoístas. Os Anjos não experimentaram divisão alguma dos seus poderes anímicos e podem, portanto, exteriorizar sua dual força anímica sem reservar nada egoisticamente. A força exterioriza com o propósito de criar outro ser é Amor. Os Anjos exteriorizam todo o seu amor, sem egoísmo nem desejo e, em troca, a Sabedoria Cósmica flui neles. O homem exterioriza unicamente parte do seu amor; guarda o restante egoisticamente e emprega-o para construir seus órgãos internos de expressão, para melhorar a si mesmo; de sorte que o seu amor é egoísta e sensual. Com uma parte do poder anímico criador ama egoisticamente a outro ser porque deseja a cooperação na propagação, e com a outra parte pensa (também por razões egoístas), porque deseja conhecimento. Os Anjos amam sem desejo, mas o homem teve de passar pelo egoísmo. Deve desejar e trabalhar para adquirir sabedoria egoisticamente, a fim de poder alcançá-la desinteressadamente em estágio mais elevado. Os Anjos ajudaram-no a propagar-se ainda depois da subversão de parte da força anímica. Ajudaramno também a construir o cérebro físico, mas não tinham conhecimento algum que pudesse ser transmitido por seu intermédio. Não sabendo como usar tal instrumento, não podiam falar diretamente a um ser com cérebro. Tudo o que eles podiam fazer era controlar a expressão física do amor do homem e guiá-lo, através das emoções, de um modo amoroso e inocente, para o salvarem da dor e do sofrimento decorrentes do exercício incorreto das funções sexuais.

Mas, se este regime tivesse permanecido o homem continuaria sendo um autômato guiado por Deus, e nunca se teria convertido numa personalidade, num indivíduo. A conversão em indivíduo deve-se a uma maléfica classe de entidades angélicas, chamada Espíritos Lucíferos.

Os Adamitas

Foste subindo, escalando a consciência individual, aprendendo a olhar para os horizontes e para os espaços estrelados… E um dia, muitíssimos milhares de anos depois, recebeste uma ampola civilizadora, através de emigrantes advindos de outro mundo, bastante sábios de certos conhecimentos, porém moralmente comprometidos perante a Suprema Justiça…" (Evangelho Eterno) "Eva recebe Adão, e seus filhos se revelam mestres, artistas, cientistas, santos e profetas. De permeio, de longe em longe, um Imediato do Cristo Planetário encarna, aqui e acolá, para uma Revelação Maior." (Evangelho Eterno) "Adão quer dizer Advindo, isto é, dos que vieram migrados de um mundo da Constelação da Capela, por não mais merecerem aquele mundo." (Evangelho Eterno) "O éden perdido não era a Terra anterior, como faz entender a corrupção lavrada no Pentateuco, mas o mundo melhor de onde vieram os adamitas. Assim irão ser, para os cabritos, aqueles dois mundos inferiores, já o sabemos, vão hospedá-los para as devidas expiações e progressos posteriores." (O Céu Maravilhoso) E isso então, obriga a considerar Adão a Raça Advinda, os migrados por força de justiça, de mundo melhor que, sobre isso, passava a melhor ainda, devendo desfazer-se dos seus cabritos... E o período migratório começou quatrocentos e tantos mil anos antes da vinda de Jesus, pois nunca se processa um movimento dessa envergadura, repentinamente. As purgações antecederam as migrações, pois ninguém é nem será transferido para outro Planeta, sem purgar as rebeldias que determinaram a migração ou banimento. (...) Vieram, sim, os adamitas, mas no curso de milênios, depois de purgar longamente nas trevas, depois de irem sendo socorridos, tratados e devidamente encaminhados ao Planeta destinatário." (O Céu Maravilhoso)

A raça adâmica ou legião advinda, como era devido acontecer, foi penetrando a terra toda, em toda parte onde alguém houvesse para ser mãe. A reencarnação, a sublime válvula redentora e evolutiva, prestou daí para cá os maiores serviços. A humanidade progrediu, Eva ou a raça primitiva recebeu um surto renovador que nunca mais cessou, ainda mesmo que considerando os grandes fracassos históricos que há defrontado, as calamidades de variada ordem, humanas e telúricas, calamidades que, por vezes, fizeram mudar a feição geográfica dos continentes.(O Mensageiro de Kassapa)

______________________________ Nunca se deve julgar um povo pelos seus elementos fracassados. Nunca se deve julgar uma causa pelos seus passos embrionários. Nunca se deve negar a Verdade, porque tenha ela de apresentar, nos primórdios, apenas o seu exterior.

A Época Atlante

Os cataclismos vulcânicos destruíram a maior parte do continente da Lemúria e, em seu lugar, surgiu o continente Atlante, onde está atualmente o Oceano Atlântico.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.