Voltar ao livro Tempo e Espaço da Entrega da Verdade

Capítulo 45 de 87

Elias, E A Luta Pelo Deus Único

Tempo e Espaço da Entrega da Verdade

Em 931 a.C., após o desencarne de Salomão (em 931 aC), o reino hebreu dividiu-se em duas partes, Reino de Israel (10 tribos, ao norte, capital Samaria) e Reino de Judá (2 tribos, ao sul, capital Jerusalém). Por motivos comerciais, os sírios bíblicos (arameus) vinham se infiltrando na região de Samaria. O rei Onri, de Israel, fez uma sólida aliança com os fenícios, temendo invasões. Tal aliança foi selada pelo casamento da filha do rei de Tiro, a voluntariosa Jezabel, com o herdeiro de Onri, seu filho Acab. Tal foi a contribuição de Jezabel para os negócios do reino durante o reinado de 19 anos de seu marido, que seu nome ainda hoje é lembrado como sinônimo de mulher imoral. O pai de Jezabel era sacerdote de Astarté, a deusa fenícia, e ela criou-se nesta atmosfera ritualística, devotada adoradora de Baal. Exerceu uma notável ascendência sobre o marido, influenciando-o em política e tendo palavra decisiva em religião: o culto de Baal difunde-se e quem segue o verdadeiro Deus é perseguido, sendo os sacerdotes mortos. Um desrespeito tão chocante pelos costumes israelitas não podia passar sem defesa, e ambos, Acabe e Jezabel, viram-se diante de Elias, o tisbita. Elias é o homem que está, por Deus, presente para dar fim a essa situação. É profeta de estilo de vida ascético, eremita. A iconografia tradicional retrata-o coberto de peles, ou com uma capa branca sobre uma túnica escura. Seu nome significa “Meu Deus é Iavé”. Sua tarefa: restaurar a tradição, pôr termo ao sincretismo, iconoclasta por essência. Seu carisma é claro e potente: segundo Ricciotti – em História de Israel, “Aquilo que ele, o profeta, diz em vista de sua missão, é Deus quem o diz; este substitui Aquele e ambos, Quem envia e quem foi enviado, na prática são a mesma coisa. Mesmo enquanto indivíduo, o profeta vive em relação muito íntima com Deus, chegando quase a despir-se da sua personalidade: Deus e a sua missão o conquistaram a tal ponto que ele realiza ações consideradas indecorosas e inconvenientes pela maioria dos homens”. Seus feitos podem ser lidos na Bíblia, nos livros I e II de Reis, no Velho Testamento. Testemunham gloriosamente o uso nobre e santo dos dons mediúnicos que, produzindo sinais e prodígios, atestam à humanidade da época (e até hoje) a onipotência de Deus. Quando o número de judeus diminuíra demais (pela perseguição e dispersão), Elias anuncia, como punição divina, uma grande seca e, quando ela tem início, ele instala-se ao lado de uma torrente, aonde corvos levam-lhe pão e carne como alimento. Ao secar também tal torrente, o profeta dirige-se a Sarepta, abrigandose na casa de uma viúva, fazendo ali o prodígio de não faltarem mais óleo e farinha naquele lar, ressuscitando também o filho dela. Jezabel também encontrou o fim profetizado por Elias: Recostada numa janela, repreendia Jeú, grande comandante das hostes de Israel, e foi empurrada para as ruas por eunucos, pisoteada pelos cavalos daquele chefe, tendo sua carne sido comida pelos cães. A vida de Elias aproxima-se do fim. Perto de Jericó, caminha às margens do Jordão em companhia de Eliseu. Bate nas águas com seu manto e elas separam-se, a fim de que ele passe com o pé enxuto. Enquanto conversam, “um carro de fogo e cavalos de fogo os separam, e Elias sobe aos céus num turbilhão“. Não houve túmulo: sua saída da carne sem deixar corpo deixa esta marca indelével mais uma vez na nossa história.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.