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Capítulo 10 de 87
Nascimento Do Indivíduo — parte 1 de 5
Tempo e Espaço da Entrega da Verdade
O diagrama 1, mostra que a personalidade é a imagem refletida do Espírito, e a mente é o espelho ou foco. Assim como em um lago as imagens das árvores se invertem parecendo que a folhagem está no mais profundo das águas, assim também o aspecto mais elevado do espírito (o Espírito Divino) encontra sua contraparte no mais inferior dos três corpos (o Corpo Denso). O seguinte espírito mais elevado (o Espírito de Vida) reflete-se no corpo imediato (o Corpo Vital). O terceiro espírito (o Espírito Humano) e seu reflexo, o terceiro corpo (o de Desejos) aparecem mais próximos ao espelho refletor, a mente, correspondendo esta à superfície do lago, o meio refletor em nossa analogia. O espírito desceu dos mundos superiores durante a involução e, por ação recíproca, no mesmo período os corpos se elevaram. O encontro destas duas correntes no foco, ou mente, marca o momento em que nasce o indivíduo, o ser humano, o Ego, quando o Espírito toma posse dos seus veículos. Contudo, não imaginemos que, ao alcançar esse ponto, o homem se tornou consciente, pensante, tal como é hoje, no estado atual de sua evolução. Para alcançá-lo teve de percorrer um longo e penoso caminho. Os órgãos estavam ainda em estado rudimentar, não havia cérebro para empregar como instrumento de expressão e, por isso, a consciência era a menor que se possa imaginar. Numa palavra, o homem daquele tempo estava longe de ser tão inteligente como os animais atuais. O primeiro passo para melhorar foi a construção do cérebro, destinado a ser o instrumento da mente no Mundo Físico. Isto se realizou separando a humanidade em sexos.
Influência de Marte
Na parte do Período Terrestre que precedeu à separação dos sexos, durante as três revoluções e meia entre a diferenciação de Marte e o começo da Época Lemúrica, Marte seguia uma órbita distinta da que agora percorre. Sua aura (essa parte dos veículos sutis que se estende para fora do planeta denso), compenetrou o corpo do planeta central polarizando-lhe o ferro internamente. Antes disso, como o ferro é essencial para a produção do sangue vermelho e quente, todas as criaturas eram de sangue frio, melhor dito, a parte fluídica dos seus corpos não era mais quente que a atmosfera que as rodeava. Quando a Terra foi arrojada do Sol Central, modificaram-se as órbitas dos planetas, pelo que diminuiu a influência de Marte sobre o ferro. O Espírito Planetário de Marte retirou o resto desta influência e, embora os corpos de desejos da Terra e de Marte ainda se compenetrassem, cessou o poder dinâmico de Marte sobre o ferro, um metal marciano, então utilizável em nosso planeta. Em realidade, o ferro é a base de toda existência separada. Sem o ferro, não seria possível o sangue vermelho, produtor do calor. O Ego não teria governo algum no corpo. Quando se desenvolveu o sangue vermelho, na última parte da Época Lemúrica, o corpo tornou-se ereto. O Ego pôde então penetrar no seu corpo e governá-lo. Porém, o fim e o objetivo da evolução não é somente entrar no corpo. Isso é um meio e o fim é a melhor expressão do Ego no Mundo Físico através de seu instrumento. Para conseguir isso, teve de construir órgãos dos sentidos, a laringe e, sobretudo, o cérebro, que depois aperfeiçoou. Durante a primeira parte da Época Hiperbórea, enquanto a Terra estava ainda unida ao Sol, o homem recebia das forças solares o sustento de que necessitava. Inconscientemente, para fins de propagação, o excesso era irradiado. Quando o Ego entrou na posse dos seus veículos, foi necessário empregar parte dessa força na construção do cérebro e da laringe, originariamente partes do órgão criador. A laringe formou-se enquanto o corpo denso tinha a forma de saco dilatado, já descrita, forma ainda mantida no embrião humano. Conforme o corpo denso se verticalizou, parte do órgão criador permaneceu com a parte superior do corpo denso, convertendo-se em laringe. Desta forma, a dual força criadora que, no objetivo de criar outro ser, trabalhara anteriormente em uma só direção, dividiu-se. Uma parte dirigiu-se para cima, para construção do cérebro e da laringe, o meio para o Ego pensar e comunicar pensamentos aos demais seres. Resultados desta modificação: só uma parte da força essencial para a criação de outro ser era eficaz em cada indivíduo. Por isso, cada ser individual teve de procurar a cooperação de outro que possuísse a parte da força procriadora que lhe faltava. A entidade evolucionante obteve, assim, a consciência cerebral do mundo externo, à custa da metade do seu poder criador. Antes disso, ao empregar, em si, as duas partes desse poder para exteriorizar outro ser, o indivíduo era criador somente no mundo físico. Depois da modificação, adquiriu o poder de criar e de expressar pensamentos e a capacidade de criar nos três mundos.
As Raças e seus Guias
Antes de considerar em detalhes a evolução dos lêmures, será conveniente dar uma vista geral às Raças e seu Guias. Algumas obras sobre Ocultismo trouxeram a público os ensinamentos da Sabedoria Oriental. Não obstante, contêm certos erros, devidos à má interpretação dos que tiveram a felicidade de recebê-los e transmiti-los. Todos os livros não escritos diretamente pelos Irmãos Maiores estão sujeitos a tais erros. Todavia, considerando a extrema complexidade do assunto, é de admirar que os erros cometidos tenham sido tão poucos. Por isso, o autor não tem a menor intenção de criticar, reconhecendo que mais numerosos e mais graves erros podem ter sido incorporados nesta obra, devidos à errônea concepção do ensino recebido. A parte da evolução humana a ser realizada durante a jornada atual da onda de vida na Terra estende-se por sete
grandes estados ou Épocas. Esses estados de evolução não podem ser chamados propriamente raças. Até próximo do final da Época Lemúrica, nada apareceu a que se possa propriamente aplicar esse nome. Desde aquele tempo, sucederam-se diferentes raças através das Épocas Atlante e Ária, e prolongar-se-ão ligeiramente na grande Sexta Época. O número total de raças em nosso esquema evolutivo, passadas, presentes e futuras, é de dezesseis: uma, ao final da Época Lemúrica; sete durante a Época Atlante; mais sete em nossa atual Época Ária, e outra mais, ao começar a Sexta Época. Depois disso nada mais haverá que possamos denominar propriamente de raça. As raças não existiram nos períodos que precederam o Período Terrestre, nem existirão nos períodos subsequentes. Unicamente aqui, no nadir da existência material, podem existir diferenças tão grandes entre os homens e produzir distinções de raças. Além das Hierarquias Criadoras que deram ao homem seus veículos durante a Involução e ajudaramno a dar os primeiros passos na Evolução, a humanidade teve também como Guias imediatos, seres muito mais desenvolvidos. Para realizar essa obra de amor, esses Guias vieram dos planetas situados entre a Terra e o Sol: Vênus e Mercúrio. Os seres que habitam Vênus e Mercúrio não estão tão avançados como os que têm por atual campo de evolução o Sol, mas estão muito mais desenvolvidos do que a nossa humanidade. Portanto, permaneceram algum tempo mais na massa central do que os habitantes da Terra. Em certa altura do seu desenvolvimento, havendo necessidade de campos de evolução separados, foram arrojados esses dois planetas: Vênus, primeiro, depois, Mercúrio. Cada um ficou à distância necessária para assegurar a intensidade vibratória conveniente à sua evolução. Os habitantes de Mercúrio, mas próximos do Sol, são os mais avançados. Alguns habitantes destes planetas foram enviados à Terra para auxiliar a nascente humanidade. Os ocultistas conhecem-nos pelos nomes de "Senhores de Vênus" e de "Senhores de Mercúrio". Os Senhores de Vênus foram os guias da massa do nosso povo. Eram seres inferiores da evolução de Vênus. Ao aparecerem entre os homens foram conhecidos como "Mensageiros dos Deuses". Para o bem da humanidade, prestaram-se a guiá-la e a conduzi-la, passo a passo. Não houve rebelião alguma contra sua autoridade porque o homem ainda não tinha desenvolvido vontade independente. A fim de elevá-lo ao grau em que pudesse manifestar vontade e razão, guiaram-no até poder dirigir-se a si próprio. Reconhecendo que esses mensageiros conversavam com os Deuses, foram reverenciados profundamente e suas ordens obedecidas sem discussão. Quando a humanidade, sob a direção destes Seres, chegou a certo grau de progresso, os humanos mais avançados foram colocados sob a direção dos Senhores de Mercúrio. Iniciaram-nos nas verdades mais elevadas a fim de convertê-los em guias ou chefes do povo. Estes iniciados, guiados à dignidade de reis, foram os fundadores das dinastias dos Legisladores Divinos. Certamente, eram reis "pela graça de Deus", isto é, pela graça dos Senhores de Vênus e de Mercúrio que, para a infantil humanidade, eram como deuses. Guiaram e instruíram os reis para benefício do povo, não para se engrandecer e arrogarem-se direitos a expensas deste. Nesse tempo, um Regente tinha o dever sagrado de educar e ajudar o seu povo, pacificar e promover a equidade e o bem-estar. Tinha a luz de Deus, que lhe dava sabedoria e guiava o seu julgamento. Enquanto reinaram esses Reis tudo prosperou, viveu-se, certamente, uma Idade de Ouro. Seguindo em detalhe a evolução do homem, veremos que a fase ou período presente de desenvolvimento não será uma idade de ouro, senão talvez no sentido material, mas é uma fase necessária para conduzir o homem ao ponto de guiar-se a si mesmo. O domínio próprio é o fim e objetivo de toda disciplina. Nenhum homem sem governo pode subsistir seguro e salvo se não aprendeu a dominar-se. No atual grau de desenvolvimento esta tarefa é a mais difícil que se lhe pode proporcionar. É muito fácil dar ordens a outros ou dominá-los, difícil é impor obediência a si próprio.
Influência de Mercúrio
O propósito dos Senhores de Mercúrio, em todo esse tempo, assim como o objetivo dos Hierofantes dos Mistérios, desde esse tempo, e o de todas as escolas de ocultismo, em nossos dias, era e é ensinar ao candidato a arte de dominar-se. O homem estará qualificado para governar os outros na proporção,
unicamente na proporção, em que seja capaz de domínio próprio. Se os nossos atuais legisladores ou dirigentes das massas pudessem dominar-se a si próprios, teríamos novamente o Milênio, ou Idade de Ouro. Em idades antiquíssimas, os Senhores de Vênus agiram sobre as massas. Atualmente, os Senhores de Mercúrio estão trabalhando sobre o Indivíduo, capacitando-o para o domínio próprio (incidentalmente, não propriamente), para o domínio dos demais. Esse trabalho na sua parte é somente o princípio da crescente influência mercuriana que se processará nas restantes três Revoluções e meia do Período Terrestre. Nas primeiras três e meia Revoluções, Marte polarizou o ferro, o que evitou a formação do sangue vermelho e impediu a entrada do Ego no corpo até adquirir conveniente grau de desenvolvimento. Nas últimas três Revoluções e meia, Mercúrio agirá para libertar o Ego dos veículos densos, por meio da Iniciação. É interessante notar que, assim como Marte polarizou o ferro, também Mercúrio polarizou o metal do mesmo nome. A ação deste metal demonstra muito bem essa tendência de retirar o espírito do corpo. Um exemplo é essa terrível enfermidade, a sífilis, em que o Ego fica demasiadamente aprisionado ao corpo. Mercúrio, em doses convenientes, destrói esse estado, faz perder a aderência do corpo ao Espírito, e permite ao Ego a relativa liberdade que goza nas pessoas normais. Em contrapartida, uma dose exagerada de mercúrio pode causar a paralisia, por libertar o homem do corpo denso imprópria e exageradamente. Os Senhores de Mercúrio ensinaram o homem a sair e a voltar ao corpo à vontade, e a funcionar nos veículos superiores independentemente do corpo denso. Assim, este último converteu-se numa casa confortável e alegre em vez de uma prisão obscura; num útil instrumento em vez de um cárcere. A Ciência Oculta fala do Período Terrestre como de Marte-Mercúrio. Realmente, pode-se dizer, temos estado em Marte e vamos para Mercúrio, conforme diz uma das obras ocultistas mencionadas anteriormente. Entretanto, diga-se também, nunca habitamos o planeta Marte, nem estamos vivendo na Terra para, futuramente, ir viver no planeta Mercúrio, como outra das obras mencionadas indica, na intenção de corrigir um erro da primeira. Na Época atual, Mercúrio está emergindo do período de repouso planetário. Exerce muito pouca influência no homem, mas, conforme for passando o tempo, sua influência será mais preponderante na nossa evolução. As raças futuras obterão muito maior ajuda dos mercurianos, e os povos das Épocas e Revoluções posteriores obterão ainda mais.
A Raça Lemúrica
Encontramo-nos agora em condições de compreender as informações seguintes, referentes às entidades humanas que viveram na última parte da Época Lemúrica. A atmosfera da Lemúria era ainda muito densa, parecida à névoa ígnea do Período Lunar, porém mais densa. A crosta terrestre começava a adquirir dureza e solidez em algumas partes, mas noutras estava ainda em fusão. Entre essas ilhas de crosta dura havia um mar de água em ebulição, erupções ardentes lutavam contra a formação da crosta que progredia e, rodeando, os aprisionava. O homem vivia sobre as partes mais duras e relativamente resfriadas, entre bosques gigantescos e animais de enorme tamanho. As formas dos animais e dos homens eram muito plásticas. Já se formava o esqueleto, mas havia no homem um grande poder de modelar a carne do seu corpo e dos animais. Ao nascer, podia ouvir e tinha sensibilidade tátil, mas a percepção da luz só veio mais tarde. Atualmente, há casos análogos em animais; os filhotes de cães e gatos recebem o sentido da visão algum tempo depois de nascer. Os lemurianos não tinham olhos. Eram dois pontos, duas manchas pequenas, sensíveis à luz solar que difusa e vagamente atravessava a atmosfera de fogo da antiga Lemúria. Desde então, a construção dos olhos progrediu, mas, até o final da Época Atlante, não havia o sentido da vista, como hoje o conhecemos. Enquanto o Sol era interno e a Terra era parte do grande globo luminoso, então o homem não precisava de nenhuma iluminação externa, ele era luminoso. Quando a Terra obscura foi separada do Sol, tornou-se necessário poder perceber a luz e o homem a percebia quando os raios incidiam sobre ele. A Natureza construiu os olhos para receberam a luz, em resposta à função já existente, segundo princípio invariável, demonstrado habilmente pelo professor Huxley. A ameba não tem estômago e, entretanto, digere. É toda estômago. A necessidade de digerir o alimento formou o estômago no transcurso do
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.