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Capítulo 33 de 87

Na Pérsia

Tempo e Espaço da Entrega da Verdade

ZOROASTRO, O ZEND AVESTA, A BÍBLIA DOS PERSAS;

Há controvérsia quanto à época em que viveu este grande profeta iraniano: segundo Plínio, 1000 anos antes de Moisés; segundo Hermipo, 4000 antes da guerra de Tróia; para Eudóxio, 6000 antes do desencarne de Platão. Não é nada improvável que tenha sido 5000 antes de Cristo, porque Hermipo tinha em mãos documentos que hoje são desaparecidos. Doutrina nascida da revelação de Zoroastro em Sogdiana no reino de Bactriana ou Karezmia (região que corresponde ao leste do Irã, Afeganistão e Turquemenistão) que reformou a proto-religião conhecida como Mazdeísmo (religião dos adoradores de Mazda). A origem étnica e cultural de Zoroastro está ligada ao povo ária, povo que se estabeleceu ao norte da península Industânica e Planalto Persa. Chamava-se Ardjasp, mas seu nome muda para Zaratustra (Esplendor do Sol) depois de ser convertido em apóstolo de Ahura-Mazda (Auréola do Onisciente, Vivente Espírito do Universo), recebendo conhecimentos que remontam à Atlântida através de um patriarca sacerdote do Sol: “Há inúmeros espíritos entre o céu e a terra. O céu é ilimitado, o inferno é graduado em hierarquias. Os caídos conservam a lembrança divina e algum dia encontrarão sua coroa, rogando para que o Senhor do Sol Se manifeste em si mesmos”. Passou anos nos confins de um grande bosque de cedros, até que ouviu a voz de Ormuz e contemplou sua glória. Assim como em relação à vida e à doutrina de Zaratustra, o Avesta constitui nossa única fonte para o conhecimento do seu ambiente religioso. Desse famoso livro sagrado, compilado e lançado por escrito no período dos Sassânidas (224-651 dC), conservou-se apenas cerca de uma quarta parte do seu texto original. Pequena porção desse texto remanescente distingue-se tanto pelo seu conteúdo como pela antiguidade da sua linguagem. São os breves textos métricos, os gathas. Desde tenra idade, mostrava Zoroastro uma sabedoria extraordinária, manifestada em Sua conversação e em Sua maneira de ser. Sua vida foi salva muitas vezes dos inimigos que queriam martirizá-lo, para que não chegasse à maturidade e cumprisse Sua missão divina. Aos quinze anos de idade, Zoroastro realizava valiosas obras religiosas e chegou a ser conhecido por sua grande bondade para com os pobres e animais. Aos 20 anos, deixou o lar e passou sete anos em solidão, em uma caverna numa montanha e depois regressou a seu povo. Com a idade de 30 anos recebeu a Revelação Divina, que se iniciou por uma série de sete visões. De acordo com a posterior tradição persa, isso ocorreu às margens de um rio, enquanto ele se dirigia para a Grande Festa da Primavera. Antes do cumprimento de sua missão, passou longo tempo em jejuns, orações, meditação, até que veio a iluminação sobre sua missão. Para se falar na vocação de Zaratustra, há que se ter conhecimento do Gatha do Touro, levando-se em consideração a crueldade dos ritos brutais do abate sacrificial: O criador da rês aconselhava-se junto a Ahura Mazda (o senhor supremo dos Céus) sobre como poderia socorrer a criatura e suspender o massacre. Ahura Mazda acena para a possibilidade de um sacrifício cruento vicário, e como o melhor promotor da nova prática sacrificial é escolhido Zaratustra. Por meio desta sua vocação, Zaratustra passou a ser o defensor dos sacrifícios incruentos, e, com isso, o protetor dos animais. Em uma segunda visão em sonho, Zaratustra recebeu a revelação religiosa fundamental de duas potências originais e opostas, uma do Espírito Santo e a outra do Espírito Mau, os quais regem a vida. Esta visão será o fundamento decisivo da sua doutrina. Ao homem, ao qual se atribui um livre arbítrio, deve decidir entre o bem e o mal, e o profeta procura adeptos para Ahura Mazda, engajando os seus fiéis no zelo pelas plantas, animais e pelos homens. Escreveu o Zend-Avesta (Palavra da Vida), a Bíblia dos Persas, ditado a ele por Ahura-Mazda, o Senhor dos espíritos, o rei dos reis (...“Aquele que te criou e escolheu...”). O Verbo Solar apareceu-lhe em forma humana e mostra-lhe a criação do mundo, a sua própria origem (ou seja, a manifestação da Palavra viva no Universo), as hierarquias e potestades cósmicas, a necessária luta contra Arimã (inimigo do trabalho construtivo). Instruiu-o no amor pela terra e pelo homem e sua família.

Zoroastro encontrou muita dificuldade em converter as pessoas. Foi perseguido e hostilizado pelos sacerdotes, não tinha apoio dos príncipes, chegou a ser encarcerado, mas continuou firme em sua missão efetuando curas e milagres, ensinando sem parar as suas leis novas e científicas para a guia e instrução do povo. Finalmente consegue que o rei Vishtaspa o siga, iniciando a difusão dos conhecimentos e uma grande reforma, chegando o zoroastrismo a ser a religião oficial da nação persa. Zoroastro fundou uma civilização de caráter essencialmente agrícola, impregnada da ideia prática da vida destinada a educar os homens em uma crença nobre e de moral sublime. Zoroastro designou o esforço e o trabalho como atos santos: "O que vale mais num trabalho é a dedicação do trabalhador," ou ainda "O que lavra a terra com dedicação tem mais mérito religioso do que poderia obter com mil orações sem nada fazer." A Regra de Ouro do Zoroastrianismo é: "Age como gostarias que agissem contigo”. Aos 77 anos de idade, Zoroastro foi martirizado por um homem, enquanto ele se encontrava orando em frente ao fogo sagrado no Templo. Zoroastro foi o primeiro grande cultivador da Revelação, tendo estribado sua Doutrina sobre a diferença entre BEM e MAL e as vantagens do cultivo mediúnico sadio. (Evangelho Eterno) “ Ao longo de todo o Avesta, encontra-se a recomendação ao Dever, à prática do asha (em sânscrito rta) – “Justiça”- ; de modo geral, a ética é o fio condutor da mensagem de Zaratustra. Esta doutrina foi transmitida oralmente e recolhida nos gathas, cânticos do Avesta que foram redigidos na época de Dario I, sendo que o próprio Zoroastro codificou a religião: A fé em um Deus único, Ahura Mazda, dá forças na luta contra o princípio do mal, Angra Mainyu, - o mau pensamento, a mentira, o mau governo, a doença e a morte, a fim de manter-se puro e merecer a luz eterna. Este dualismo influenciou religiões, produzindo diversas formas do maniqueísmo. O culto do sol é a chave de ouro dos mistérios chamados mágicos. Desde a origem da civilização, os homens conceberam, por trás do fogo sensível, um fogo imaterial, (que identificaram com o princípio masculino, a essência intelectual do universo), e uma luz inteligente (com o princípio feminino, sua alma formadora). Na religião de Zoroastro, o culto de Mitras representa a parte esotérica, o fogo masculino. Mitra é a luz feminina. Diz Zoroastro, formalmente, que o Eterno criou, mediante o Verbo vivo a luz celeste, semente de Ormuz, princípio da luz material e do fogo material. Para o iniciado de Mitras, o sol é apenas o grosseiro reflexo dessa luz. Na sua gruta escura, com a abóbada pintada de estrelas, ele invoca o sol da graça, o fogo do amor, vencedor do mal, reconciliador de Ormuz e Arimã, purificador e mediador, que habita a alma dos santos profetas. Em torno da figura de Zaratustra perpegam-se tantas lendas, a ponto de, entre os gregos, ter sido designado como “Poço de Sabedoria” – veja Platão e outros -, ou mesmo como mestre de Pitágoras. Todos esses predicados demonstram sua personalidade incomum, imprimindo sua marca na história.

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