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Capítulo 46 de 87

Povos Mesopotâmios: Babilônios, Assírios, Caldeus

Tempo e Espaço da Entrega da Verdade

Conjunto das crenças e práticas religiosas dos povos sumério, assírio e acadiano que habitavam a Mesopotâmia até pouco antes da era cristã. A partir do culto às forças da natureza, as concepções religiosas dos antigos povos mesopotâmicos desenvolveram um complexo de crenças sobre a criação, a imortalidade e o papel do homem na Terra. Em vista do caráter teocrático das sociedades da região, tais crenças exerceram papel relevante na determinação da arte, da sociedade, da política, das leis e da economia. A religiosidade mesopotâmica influenciou também as crenças de outros povos do Oriente Médio, tais como elamitas, hititas, arameus e israelitas. As informações sobre as religiões mesopotâmicas foram obtidas nas tábulas de argila encontradas nas ruínas da Babilônia, Nippur e Ur, da grande biblioteca reunida por Assurbanipal em Nínive (no século VII a.C.) e nos restos arqueológicos de templos, zigurates, vasos pintados e baixos-relevos. Por volta de 4000 a.C. praticava-se o culto às forças da natureza, com frequência representadas sob formas não-humanas e consideradas divindades da fertilidade por habitantes dos pântanos, pastores e agricultores. Um segundo período começou por volta de 3000 a.C. com o culto a deuses de aparência humana e organizados na forma de uma democracia primitiva. Suas atribuições e funções se distinguiam claramente, sem que nenhum deles se sobrepusesse aos outros. No terceiro período, a partir do ano 2000 a.C., a religião passou a ter caráter mais individual e a envolver conceitos como pecado e perdão. A antiga sociedade divina democrática transformou-se numa estrutura monárquica absolutista dominada por um dos deuses. A escrita e a literatura surgiram muito cedo na Mesopotâmia (no fim do quarto milênio a.C.) e reuniram grande número de mitos sobre a origem dos deuses, do mundo, dos homens, dos heróis e das cidades. Entre os mais famosos, estão o poema Enuma elish, que narra a ascensão do deus arcadiano Marduk à liderança dos deuses, e o Gilgamesh, poema sobre o herói que tentou alcançar a imortalidade. No panteão sumério, a posição mais alta era ocupada por An (Anu, para os acadianos), deus do céu, que governava as estações e o calendário. Abaixo dele estava Enlil, deus dos ventos e da agricultura, inventor da enxada e executor das decisões da assembléia dos deuses. No mesmo nível de Enlil achava-se Ninhursag, deusa das montanhas rochosas e dos nascimentos. Enki (Ea) era o deus que presidia sobre a doce dos rios e pântanos, o criador dos homens e inventor da civilização, pai de Marduk e divindade da sabedoria e da magia. Ereshkigal e seu esposo, Nergal, reinavam no mundo subterrâneo. Acreditava-se também na existência de demônios, espíritos malignos causadores de doenças e desgraças e que deviam ser conjurados por meio de rituais de magia. A literatura babilônica foi impressa em argila, com letras em forma de cunha, denominadas cuneiformes. Parte dessa literatura tem relação com a Bíblia Hebraica. Os escritos babilônicos podem ser classificados em cinco tipos: 1) História da criação e dilúvio, como Enuma Elish e Gilgamesh; 2) Hinos e preces; 3) Textos rituais; 4) Código legislativo; 5) Presságios (BRADEN, 1955, p. 50-65). O Enuma Elish é um poema épico da antiga Babilônia sobre o mito da criação, escrito em sete tábuas de argila descobertas no séc. XIX, nas ruínas da biblioteca de Assurbanipal, em Nínive, próximo da atual cidade de Mossul, no Iraque e data, provavelmente, do séc. XII a.C., podendo refletir ideias anteriores, provenientes da civilização sumeriana. Era recitado no quarto dia do festival de ano novo da Babilônia. O nome Enuma Elish foi retirado das primeiras palavras do poema e significa Quando no alto. Apesar do estado de degradação, de grande parte da 5ª tábua nunca ter sido recuperada e de divergências na tradução e interpretação, o texto está quase totalmente disponível. Dadas as suas enormes semelhanças com a narração bíblica do Gênesis, várias discussões têm surgido sobre qual das histórias é a original e qual é uma adaptação à religião em causa. Para a cultura babilônica, o Enuma Elish explica a origem do poder real, a sua natureza, a permanência da instituição e a sua legitimidade. A realeza humana e terrena tem a sua origem na realeza divina. A divindade continuará a ser o verdadeiro rei e também o modelo a imitar pelo rei terreno. A existência de um modelo divino impõe limites à realeza humana. O Enuma Elish verdadeiro é o Sumério (4000 a.C.), onde o Deus Criador é o planeta Nibiru, são sete plaquetas em cuneiforme que falam sobre o acontecimento astronômico ocorrido na formação do sistema solar, onde Nibiru choca-se com Tiamat, que parte-se ao meio originando a Terra e o Cinturão de Asteróides

entre Marte e Júpiter. Na numerologia Bíblica Deus é o 7, o 7 é Nibiru, ele é o 7º astro do sistema solar de dentro para fora. O deus Marduk da Babilônia tentando insinuar o Monoteísmo em 2000 a.C. chamou para si os atos criacionistas de Nibiru, passando a chamar o planeta de Marduk. Mais tarde os israelitas atribuíram a Javé os mesmos atos de Marduk. O Enuma Elish consiste na superiorização de Marduk, Deus protetor da cidade da Babilônia, sobre os restantes deuses da Mesopotâmia, mais particularmente sobre Tiamat. O texto é também uma alusão à constante luta entre a Ordem e o Caos, sendo que Marduk representa a luz e a ordem, e Tiamat representa a obscuridade e o caos. São várias as similaridades entre a história da criação no Enuma Elish e a história da criação no Livro do Gênesis. O Gênesis descreve seis dias de criação, seguido de um dia de descanso, enquanto que o Enuma Elish descreve a criação de seis deuses e um dia de descanso. Em ambos a criação é feita pela mesma ordem, começando na Luz e acabando no Homem. A deusa Tiamat é comparável ao Oceano no Gênesis, sendo que a palavra hebraica para oceano tem a mesma raiz etimológica que Tiamat. Estas semelhanças levaram a que muitos estudiosos tivessem chegado à conclusão que ou ambos os relatos partilham a mesma origem, ou então uma delas é uma versão transformada da outra. Para os mesopotâmicos, a natureza humana era ao mesmo tempo terrena e divina. O espírito do homem sobrevivia à morte e tinha uma existência sombria no reino dos mortos. O destino do homem era servir aos deuses e seus templos, para que, livres de todo trabalho manual, os deuses pudessem viver como uma classe governante. Assim, o homem não era visto como um fim em si mesmo, mas sim como um meio para a vida das divindades. Na época das cidades-estados, os templos eram o centro da vida econômica, política e cultural. O governante encarregava-se do templo do deus da cidade, enquanto sua mulher cuidava do templo da deusa local. O papel do soberano adquiria especial importância nas festas do ano novo, na primavera e quando se celebravam o triunfo do deus sobre as forças do caos e a renovação do reino.

Nabucodonosor II (em acadiano Nabu-cudurri-utsur) (c. 632 a.C.- 562 a.C.) governou durante 43 anos o Império Neo-babilônico, entre 604 a.C. a 562 a.C. Ficou famoso pela conquista do Reino de Judá e pela destruição de Jerusalém e seu Templo em 587 a.C., além de suas monumentais construções na cidade da Babilónia, entre elas os Jardins Suspensos da Babilônia. Tomou Jerusalém e levou em cativeiro um grande número de seus habitantes, episódio conhecido como a primeira Diáspora Judaica ou o "cativeiro babilónico". (vide II Reis cap. 25 e Daniel cap. 1). Jeoiaquim, Rei de Judá, torna-se seu vassalo em 604 a.C., mas pouco depois se rebela. Em 598 a.C., os exércitos babilônicos cercam a cidade. Jeoiaquim morre, sendo sucedido pelo seu filho, Joaquim ou Jeconias, como Rei de Judá. Joaquim rende-se voluntariamente e parte para o Exílio em Babilónia. Seu tio Zedequias, é nomeado Rei de Judá. Mas Zedequias, com apoio de sua corte, preferiu rebelar-se contra Nabucodonosor II e confiar na ajuda do Egito. Onze anos depois, em 587 a.C., o exército de Nabucodonosor II invade o Reino de Judá, tomando as cidades fortificadas de Azecá e Laquis. Depois, inicia o cerco final de 18 meses a Jerusalém. A cidade de Jerusalém e seu Templo são destruídos, restando apenas ruínas fumegantes. Um dia, ele foi humilhado por três judeus fiéis, quando mandou que se curvassem diante de uma imagem de 27 metros, para adorá-la. Quando ouviu dizer que três homens tinham desobedecido frontalmente sua ordem, enfureceu-se. Ele lhes deu uma segunda oportunidade, mas eles ainda não se curvaram à imagem. Quando Nabucodonosor se enfureceu, eles calmamente replicaram que, quer Deus os salvasse, quer não, eles não serviriam ao falso deus. O rei desafiou a sua fé: "E quem é o deus que vos poderá livrar das minhas mãos?" (Daniel 3:15). Deus revidou ao desafio de Nabucodonosor com uma demonstração inesquecível do poder Divino que humilhou o poderoso rei da Babilônia. Soldados atiraram os três judeus desobedientes numa fornalha que estava tão quente que esses soldados morreram quando se aproximaram do fogo. Mas, quando Nabucodonosor olhou na fornalha, viu quatro homens: os três que tinha condenado e um enviado por Deus para proteger estes servos fiéis. Quando Sadraque, Mesaque e Abede-Nego saíram da fornalha, Nabucodonosor percebeu que Deus tinha respondido ao seu desafio. Ele ordenou que o nome de Jeová fosse respeitado em seu reino, e percebeu que Deus tinha respondido a sua pergunta: ". . . porque não há outro Deus que possa livrar como este" (Daniel 3:29).(Daniel é uma vida de João Evangelista)

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