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Capítulo 61 de 87

Quetzalcóatl, Na Mesoamérica

Tempo e Espaço da Entrega da Verdade

Quetzalcóatl é uma divindade das culturas de Mesoamérica, em especial da cultura asteca, também venerada pelos toltecas e maias. É considerada por alguns pesquisadores como a principal dentro do panteão desta cultura pré-hispânica. Os astecas incorporaram esta deidade em sua chegada ao vale do México, no entanto modificaram seu culto, eliminando algumas partes, como a proibição dos sacrifícios humanos. Especula-se que a origem desta deidade provém da cultura olmeca, no entanto sua primeira aparição inequívoca ocorreu em Teotihuacan. A cultura teotihuacana dominou durante séculos o planalto mexicano. Os maias retomaram a Quetzalcóatl como Kukulkán. Posteriormente, passou a ser cultuado como deus representante do planeta Vênus, simultaneamente Estrela da Manhã e Estrela da noite, correspondendo, com o seu gêmeo Xolotl, à noção de morte e ressurreição. Deus do Vento e Senhor da Luz, era, por excelência, o deus dos sacerdotes. Segundo fontes

incertas e tradições orais, uma das representações deste deus é um homem branco, barbado e de olhos claros. Esta representação seria uma das justificativas da teoria de que os povos indígenas, durante a conquista da Nova Espanha (Mesoamérica), acreditaram que Hernán Cortez era Quetzalcóatl, sendo essa uma das razões pela qual os espanhóis dominaram tão facilmente a América Central. O cacau, fruto tipicamente americano, era usado durante os rituais ao deus como uma bebida quente, o xocóatl, bebida que deu origem ao chocolate tão apreciado atualmente. Um mito pré-colombiano recolhido no México por Juan de Torquemada, historiador espanhol do século XVI, por exemplo, afirmava que Quetzalcoatl era "um homem louro e corado, com uma longa barba". Ele condenou os sacrifícios, exceto de flores e frutos, e era conhecido como o deus da paz... De acordo com uma tradição particularmente notável da América Central, esse "sábio instrutor" veio do outro lado do mar em um barco que se movia por si mesmo, sem remos. Todas as lendas diziam inequivocamente que Quetzalcoatl/ Kukulkan/ Gucumatz/ Votan/ Izamana chegara à América Central procedente de algum lugar muito distante (do outro lado do "Mar Oriental") e que, em meio a grande tristeza, ele viajara novamente na direção de onde viera. Por que Quetzalcoatl teria ido embora? Qual foi o problema? As lendas mexicanas forneceriam respostas a essas perguntas? Diziam elas que o esclarecido e benevolente governo da Serpente Emplumada foi encerrado por Tezcatilpoca, cujo nome significava "Espelho Esfumaçado" e cujo culto exigia sacrifícios humanos. Parece que uma guerra quase cósmica entre as forças da luz e das trevas ocorreu no México antigo e que estas últimas triunfaram... Segundo Bernal Dias [historiador espanhol], os nativos davam a essa pedra o nome de 'Tezcat'. Com ela eram feitos também espelhos com finalidades divinatórias, usados por feiticeiros." Representando as forças das trevas e da maldade rapace, Tezcatilpoca, segundo as lendas, esteve envolvido em conflitos com Quetzalcoatl que se prolongaram durante um número imenso de anos. Às vezes, um parecia estar vencendo a luta e, em certas ocasiões, o outro. Finalmente, a guerra cósmica chegou ao fim na ocasião em que o bem foi derrotado pelo mal, com o resultado de que Quetzalcoatl foi expulso de Tollan. Daí em diante, sob a influência do culto aterrador de Tezcatilpoca, os sacrifícios humanos reapareceram na América Central. Em “Christvs”, história das Religiões, lemos que, pelas alturas do século X, apareceu no rio Panuco um grupo de homens brancos, de barba, vestidos de túnicas compridas, animados de intenções pacíficas, sendo bem acolhidos. Penetraram ao interior e estabeleceram-se no reino de Tola. Seu chefe chamava-se Quetzalcoatl. Casto, amante da paz e da justiça, prudente e sábio, ensinou aos Toltecas a arte de trabalhar metais e outras indústrias desconhecidas. Pregava uma nova religião e incitava o amor ao próximo, à penitência e à prática de todas as virtudes. Partiu para o país de Yucatã, onde é conhecido com o nome de Cuculcã. Lá exerceu a missão de civilizador e pontífice e profeta de uma nova religião. Avisou-lhes que homens brancos de barba viriam e destruiriam sua religião e raça, o que foi transmitido de geração em geração, cumprindo-se com a chegada dos espanhóis.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.