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Capítulo 30 de 87

Lao-Tsé, Tao Te Ching – Cânon Do Caminho E Da Virtude

Tempo e Espaço da Entrega da Verdade

As introduções à cultura chinesa e sua história espiritual falam habitualmente das três doutrinas: Ju (confucionismo), Tao (taoísmo) e Fo (budismo), sendo que, particularmente na literatura ocidental, “doutrina” e “religião” são colocadas no mesmo plano. O nome Lao Tsé, velho Mestre, está ligado ao surgimento da filosofia de vida do taoísmo, sendo que o texto-chave é o Tao Te Ching – Cânon do Caminho e da Virtude. A mais antiga nota biográfica sobre Lao Tsé vem de um historiador da corte dos imperadores Tan, em 100 aC. Seu nome era Erh Li, e na maturidade passa a ser Dan. Nasceu em uma aldeia do Estado de Ch’u, extremo sul da China Imperial. De acordo com a tradição, Lao Tzu (Lao Tsé) foi guardião dos Arquivos Imperiais de Loyang (província de Honan) até que, enojado com a hipocrisia e a decadência, foi procurar a virtude em ambiente mais natural. Partiu em direção a uma região que hoje é o Tibet. Ao atravessar a fronteira (em Hank Pass), o guarda Yin Xi lembrou-lhe de que seus ensinamentos perder-se-iam, pois não haviam sido gravados. Pediu-lhe que os registrasse por escrito para a sua preservação para a posteridade. Lao Tzu nada escrevera antes, pois admitia que a observação da natureza era mestre mais confiável que as palavras dos homens, mas atendeu ao pedido do guarda e deixa uma coletânea de 81 parágrafos que não transmitem princípios doutrinários, mas versos que as pessoas adaptam nas diversas situações, dando uma maneira de aplicação prática de se viver em harmonia, dentro do equilíbrio das polaridades da manifestação do TAO. O nome Lao Tsé aparece pela primeira vez nos textos do século III aC. Nos primeiros tempos da dinastia Han (começo do século II aC), sua doutrina deve ter alcançado uma posição de absoluto predomínio.

Quando, em 127 aC, a tradição clássica confucionista foi erigida como única doutrina a ser ministrada na Academia Imperial, ocorreu ao mesmo tempo a degradação das tendências doutrinárias não-confucionistas, como sendo heterodoxas. Com isso, também os ensinamentos de Lao Tsé desapareceram do horizonte oficial. Em consequência, não foi mais possível reconstruir a sua tradição nos séculos seguintes. Na segunda metade do século II, surgiu uma seita que evoluiu para um movimento popular, uma rebelião espalhada pelo país. Com seu líder –Chang Tao Ling- começou uma hierarquia que perdura até hoje. Esse movimento denominou-se taoísmo, Doutrina de Tao, taoísmo religioso. Lao Tsé assou a ser venerado como seu patriarca e foi, inclusive, divinizado. Segundo Wang Pi, temos que na época em que a dinastia Han sucumbia em meio a uma terrível desordem, havia uma divisão em três focos de poder. A síntese arquitetada no século II aC – que associava a Escola confuciana a uma compreensão do universo – perdera a sua força inspiradora original. O mundo chinês estava em crise espiritual... A antiga concepção chinesa do mundo e do homem encontrou aqui as suas primeiras ideias fundamentais (mais tarde decisivas para o desenvolvimento de uma história espiritual) voltando aos antigos escritos taoístas. Gradativamente, o influxo da filosofia budista veio acrescentar-se ao pensamento da elite, de tal sorte que se difundiu o conceito de que “as três doutrinas” eram complementares entre si. Durante mais de um milênio a religião espalhou-se por toda a China e por partes significativas da Ásia. Com o fim da dinastia Ch’ing em 1911, o apoio estatal ao taoísmo terminou, e a China voltou a entrar numa fase de violentos confrontos internos. Com a revolução de 1949, as práticas religiosas também foram esquecidas e só depois de 1982, com a maior tolerância religiosa permitida por Deng Xiao-ping, é que o taoísmo voltou a expandir-se.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.