[user_registration_my_account]
Capítulo 37 de 87
Platão, Os Diálogos
Tempo e Espaço da Entrega da Verdade
Sócrates e Platão foram iniciados órficos; e da VERDADE falaram apenas o que lhes permitia o sigilo esotérico”. (“Lei, Graça e Verdade”) Platão, cujo verdadeiro nome era Aristócles, nasceu em Atenas, Grécia, em 428 ou 427 a.C., de pais aristocráticos e abastados, de antiga e nobre prosápia, e lá morreu em 347 a.C. Platão é um nome que, segundo alguns, derivou de seu vigor físico e da largueza de seus ombros (platos significa largueza).Buscando o belo, em todas as suas modalidades, cultivou a poesia, a pintura e a música. Diz Timóteo de Atenas, em Biografias, que Platão tinha voz penetrante. Aos vinte e sete anos já tinha composto várias tragédias e escrevera numerosas poesias. Aos vinte anos, Platão travou relação com Sócrates - mais velho do que ele quarenta anos - e gozou por oito anos do ensinamento e da amizade do mestre. Sócrates era um homem muito simples, mas grande original. Filho de um escultor, chegou a esculpir um grupo das três Graças, quando adolescente. Deu preferência a esculpir almas e, desde então, consagrou-se à pesquisa da sabedoria. Tinha o costume de apresentar seu saber, sua filosofia, aproximando-se das pessoas (dos sofistas em particular) e, de pergunta em pergunta, fazer com que elas mesmas expusessem a própria ignorância, ou mesmo dessem as respostas às perguntas que foram feitas por eles próprios. No final, sorridente, agradecia por terem lhe ensinado com as respostas. A este método dera o nome de maiêutica. Quando discípulo de Sócrates, e ainda depois, Platão estudou também os maiores pré-socráticos. Depois da morte do mestre, Platão retirou-se com outros socráticos para junto de Euclides, em Mégara. Foi Sócrates que lhe demonstrou a inferioridade da beleza e da glória, tais como Platão as concebera até então. A Beleza irradiante, eterna, que é o esplendor do Verdadeiro, ocupará agora a alma de Platão. Platão, ao contrário de Sócrates, interessou-se vivamente pela política e pela filosofia política. Foi assim que o filósofo, após a morte de Dionísio o Antigo, voltou duas vezes - em 366 e em 361 - à Dion, esperando poder experimentar o seu ideal político e realizar a sua política utopista. Estas duas viagens políticas a Siracusa, porém, não tiveram melhor êxito do que a precedente: a primeira viagem terminou com desterro de Dion; na segunda, Platão foi preso por Dionísio, e foi libertado por Arquitas e pelos seus amigos, estando, então, Arquistas no governo do poderoso estado de Tarento. O sistema metafísico de Platão centraliza-se e culmina no mundo divino das ideias; e a estas se contrapõe à matéria obscura e incriada. Entre as ideias e a matéria estão o Demiurgo e as almas, através de que desce das ideias à matéria aquilo de racionalidade que nesta matéria aparece. O divino platônico é representado pelo mundo das ideias e especialmente pela ideia do Bem, que está no vértice. A existência desse mundo ideal seria provada pela necessidade de estabelecer uma base ontológica, um objeto adequado ao conhecimento conceptual. Esse conhecimento, aliás, se impõe ao lado e acima do conhecimento sensível, para poder explicar verdadeiramente o conhecimento humano na sua efetiva realidade. E, em geral, o mundo ideal é provado pela necessidade de justificar os valores, o dever ser, de que este nosso mundo imperfeito participa e a que aspira. Nada mais fácil do que encontrar as diferentes partes da doutrina esotérica em Platão e também descobrir as fontes. A doutrina das ideias típicas das coisas, no Fedro, é um corolário da doutrina dos números
de Pitágoras. Há no Timeu a exposição – embrulhada – da cosmogonia esotérica. Quanto à doutrina da alma, das suas migrações, da sua evolução, ela atravessa toda a obra de Platão, mas em nenhuma parte transparece tão claramente como no Banquete e na Legenda de Er. Platão substituiu a doutrina dos três mundos, exposta em Pitágoras, por três conceitos que se relacionam com o mundo humano e com o mundo divino. Platão colocou na mesma linha as ideias do Verdadeiro, do Bom e do Bem, explicando que são raios que partem do mesmo centro, e que se reúnem neste mesmo centro, ou seja, Deus. A alma purifica-se na busca do Bem, do Justo, preparando-se para conhecer a verdade, primeira e indispensável condição do seu progresso. O Idealismo é afirmação ousada pela alma das verdades divinas, é a penetração dessas verdades pela experiência da alma, pela visão direta do espírito, pela ressurreição interior. No grau supremo, é a comunicação da alma com o mundo divino. Isso explica a imensa popularidade e a força irradiante das ideias platônicas. Essa força está no seu fundamento esotérico; por isso a Academia durou séculos, prolongando-se na grande escola de Alexandria.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.