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Capítulo 17 de 87

Popol Vuh, Dos Atlantes, Ou Mãe Das Bíblias

Tempo e Espaço da Entrega da Verdade

O Popol Vuh ou Livro do Conselho é o livro sagrado dos quichés, da Guatemala. Foi transcrito por missionários espanhóis a partir de um original desconhecido, em pedra. Seu conteúdo é comparável ao Gênesis e também ao livro dos Reis. A primeira parte relata a origem do mundo e a criação dos humanos, a segunda apresenta os efeitos e as lutas dos heróis míticos do povo quiché (Popol Vuh,1994). É um dos poucos livros que restaram da civilização Maia. Trata-se de uma compilação de diversas lendas provenientes de diversos grupos étnicos da atual Guatemala ao sul da península de Iucatã. Mais que um registro histórico, o livro revela a cultura maia pelo aspecto religioso porquanto as lendas que nos traz referem-se às explicações das origens daquele povo e dos fenômenos naturais que os cercavam. Livro da criação, mas também do grande percurso cumprido pelos quichés, até que descobrissem o milho e dessem início à prática da agricultura. É também livro das artes mágicas de um povo. É interessante notar que a criação do mundo pelo Popol Vuh relata que o Grande Pai e a Grande Mãe criaram os homens com a intenção de serem adorados por suas criaturas, e o fizeram pelo método da tentativa e erro, grosseiramente assemelhada à teoria da evolução. Conta que, primeiro, os deuses criaram a Terra, depois os animais e finalmente os homens. Tepeu e Gucumatz levam a cabo uma conferência e decidem que, para preservar sua herança, devem criar uma raça de seres que possam adorá-los. Huracán realiza o processo de criação enquanto que Tepeu e Gucumatz dirigem o processo. A Terra é criada, junto com os animais. O homem é criado primeiro de lama, mas este se desfaz. Convocam a outros deuses e constroem o homem a partir da madeira, mas este não possui nenhuma alma, tornando-se altivos, vaidosos e frívolos, levando o Grande Pai a aniquilá-los por meio de um dilúvio. Finalmente o homem é criado a partir do milho por uma quantidade maior de deuses e seu trabalho é completo. A última tentativa foi quando criaram quatro homens a partir de grãos de milho moídos e a partir de seus corpos criaram quatro mulheres que se multiplicaram e constituíram várias outras famílias. Prevendo esta multiplicação, os deuses ficaram temerosos que suas criaturas pudessem ter a ideia de suplantá-los em sua sabedoria e diminuíram a inteligência dos oito. Ao escrever sobre os astecas, disse Hernâni Donato que ali se percebe que “a Humanidade tem dois criadores a lutarem constantemente entre si”, ou seja, o dualismo asteca, por mais que complexo em outro sentido, baseia-se em um conflito binário, o que chega a explicar as conquistas violentas e a religião tirânica que definem essa civilização. Por sua vez, os maias foram um povo pacífico e nos legaram uma arte sofisticada e elegante. A presença igualmente dual de um Coração do Céu e um Coração da Terra, por exemplo, jamais foi interpretada como sinal de conquista sangrenta, e mesmo a cota ritual de sacrifícios, somente verificada no segundo império, jamais assumiu uma conotação alarmante. A civilização maia se localiza ali por volta do ano 292 da era cristã. O primeiro império vai até 987. Recordemos com Donato que o mesmo “desapareceu misteriosamente. As cidades daquele tempo foram encontradas intatas, mas abandonadas. Não há sinais de destruição, de violência. Como se um povo, dono de um império, simplesmente sumisse da face de seu território.” Já o segundo império, surgido ao final do século IX, apresenta conotações políticas e religiosas bem distintas.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.