Voltar ao livro Tempo e Espaço da Entrega da Verdade

Capítulo 29 de 87

No Egito

Tempo e Espaço da Entrega da Verdade

o Egito..., não o moderno, mas sim o antigo, aquele Egito ungido pela influência dos seus Hierofantes, dos seus grandes místicos, filhos doutrinários da ciência que lhes veio dos extremos orientais, do budismo que também se chama ou chamou vedismo, pois nisso tudo apenas houve ingerência de fatores semânticos. No fundo uma só é a raiz, embora os ramos da Sabedoria Antiga rompam em diferentes matizes direcionais. É assim que vamos encontrar as mesmas chaves em Hermes, em Rama, em Zoroastro, em Apolônio de Tiana, em Orfeu; nos Grandes Filósofos da China, da Grécia, etc.; nos Patriarcas Hebreus e nos incontáveis sábios da Caldéia e da Assíria. Por toda parte se infiltrou a Verdade, conduzida pelos vultos para tanto vindos ao mundo. Seria intérmino um serviço de relacionamento, mormente em vista dos grandes cataclismos que se fizeram presentes, muitas vezes mudando a feição geográfica dos continentes.(de Mensageiro de Kassapa)

É provável que em nenhuma outra civilização as crenças religiosas tenham determinado de forma tão nítida a organização social como no antigo Egito. Para os egípcios, tidos por Heródoto como os mais religiosos dos homens, a vida cotidiana era regida pelos preceitos de sua fé: o conhecimento científico, os textos literários e os majestosos templos enfatizavam a excelsa eternidade dos deuses diante da fragilidade humana. A religião egípcia desenvolveu-se ao longo de cerca de três mil anos, durante os quais só de maneira tardia e tangencial recebeu influências alheias. Seu regime teocrático unia na mesma pessoa o representante dos deuses e o chefe político. Essas circunstâncias bastam para explicar, ao mesmo tempo, por que as transformações advindas com o decorrer do tempo não afetaram as concepções religiosas básicas e a tendência sincretista a unir em harmonia diferentes divindades regionais. A religião tinha caráter marcadamente ritual, o que assegurava para seus praticantes o favor divino e a sobrevivência depois da morte.

Antes da unificação do país, por volta de 3100 a.C., existiam no vale do Nilo numerosos cultos a deuses locais antropomórficos e zoomórficos. Os faraós centralizavam todo o poder e eram tidos como encarnação de Hórus, o grande deus, filho de Osíris, senhor dos mortos, e da deusa Ísis. A missão dos reis divinizados era manter a ordem estabelecida pelos deuses, o maat, cujos preceitos fundamentais eram a verdade, a justiça e a paz social. No Novo Império os reis tebanos da XVIII dinastia, iniciada em 1567 a.C., impuseram seu deus Amon a todo o Egito e identificaram-no com o antigo deus solar Rá. Assim, a divindade passou a ser cultuada como Amon-Rá, "o único criador da vida". Em meados do século XIV a.C., Amenhotep IV adotou o nome de Akenaton, trocou Amon por Aton (o disco solar) e proscreveu as divindades locais. Depois de sua morte, a casta sacerdotal restabeleceu Amon e voltou ao politeísmo oficial. Após a conquista do Egito por Alexandre o Grande, a religião egípcia adotou algumas formas gregas. As pirâmides, os hieróglifos com fórmulas mágicas, os corpos mumificados e, sobretudo, o Livro dos Mortos, que ensinava como enfrentar o julgamento de Osíris e, desde a XVIII dinastia, era enterrado com aqueles que podiam adquiri-lo, dão testemunho da preocupação central da religião egípcia. Numa tumba lê-se: "O importante é que o homem sobrevive depois da morte e seus feitos o acompanham até o final. A existência ali embaixo é para toda a eternidade”. Durante o Antigo Império, só o rei era iniciado para a vida futura. Ao morrer, convertia-se em Osíris e seu filho passava a encarnar o novo Hórus, como administrador da ordem estabelecida pelos deuses. Posteriormente, os ritos funerais foram estendidos aos dignitários reais, enterrados perto do faraó, e a outras pessoas, cujos restos eram sepultados em covas. A vida depois da morte era considerada semelhante à terrena; por esse motivo, enterravam-se com o defunto os elementos de uso cotidiano, inclusive alimentos, e nas tumbas eram feitas pinturas que documentavam seus costumes. Diante da possibilidade de que sobreviessem os mesmos perigos que espreitavam a existência presente, provia-se o falecido dos amuletos e conjuros que o haviam protegido em vida. No que se refere às ideias cosmogônicas, os templos representavam, em pequena escala, a concepção egípcia do mundo. O santuário situava-se em geral no lugar mais alto do templo, como alusão ao monte primordial a partir do qual fora criado todo o universo; os tetos eram decorados com estrelas e as colunas, com motivos de lotos ou de plantas de papiro, como símbolo dos pântanos do caos primordial. Os rituais litúrgicos reproduziam a criação para atrair o rejuvenescimento sobre a cidade. Por falta de uma doutrina teológica elaborada e acessível, a religiosidade popular se caracterizava pela preocupação com o além, por temores e superstições sobre a vida presente e a futura e por uma moral orientada para enfrentar o julgamento que sobreviria à morte.

HERMES TRISMEGISTROS, Tábua de Esmeralda, bíblia dos Egípcios; Livro dos Mortos, também dos Egípcios;

Hermes Trismegisto (em latim: Hermes Trismegistus; em grego Ερμης ο Τρισμεγιστος, "Hermes, o três vezes grande") é o nome dado pelos neoplatônicos, místicos e alquimistas ao deus egípcio Thoth (ou Tehutiy, identificado com o deus grego Hermes. Ambos eram os deuses da escrita e da magia nas respectivas culturas. Hermes também quer dizer Cristo ou Verbo Divino. Foram quatro os Hermes. Thot simbolizava a lógica organizada do universo. Era relacionado aos ciclos lunares, cujas fases expressam a harmonia do universo. Referido nos escritos egípcios como "duas vezes grande", era o deus do verbo e da sabedoria, sendo naturalmente identificado com Hermes. Na atmosfera sincrética do Império Romano, deu-se ao deus grego Hermes o epíteto do deus egípcio Thoth. Hermes foi o Grande Iniciado que mais conseguiu saber sobre a Divina Essência Criadora, Sustentadora e Destinadora de tudo e de todos.(Evangelho Eterno). Muitos escritores cristãos, entre eles Lactâncio, Giordano Bruno, Campanella e Pico della Mirandola consideraram Hermes Trismegistus um sábio profeta pagão que antecedeu o Cristianismo, numa caminhada da “Prisca teologia”, doutrina simples e verdadeira que foi passada por vários outros no passado, incluindo Platão e Zoroastro, e de onde os Cristãos absorveram conceitos herméticos para demonstrar a veracidade desta Teologia. Pode ter sido também considerado três vezes grande por ter sido o maior profeta filósofo e rei. Na Tábua de Esmeralda está que é tido como três vezes grande por conhecer as três partes da sabedoria: a alquimia, a astrologia e a teurgia.

Como "escriba e mensageiro dos deuses", no Egito Helenístico, Hermes era tido como o autor de um conjunto de textos sagrados, ditos "herméticos", contendo ensinamentos sobre artes, ciências e religião e filosofia - o Corpus Hermeticum - cujo propósito seria a deificação da humanidade através do conhecimento de Deus. É pouco provável que todos esses livros tenham sido escritos por uma única pessoa, mas representam o saber acumulado pelos egípcios ao longo do tempo, atribuído ao grande deus da sabedoria. O Corpus Hermeticum, datado provavelmente do século I ao século III A.D., representou a fonte de inspiração do pensamento hermético e neoplatônico renascentista. Na época acreditava-se que o texto remontasse à antiguidade egípcia, anterior a Moisés e que nele estivesse contido também o prenúncio do cristianismo. Segundo Clemente de Alexandria, eram 42 livros subdivididos em seis conjuntos. O primeiro tratava da educação dos sacerdotes; o segundo, dos rituais do templo; o terceiro, de geologia, geografia, botânica e agricultura; o quarto, de astronomia e astrologia, matemática e arquitetura; o quinto continha os hinos em louvor aos deuses e um guia de ação política para os reis; o sexto era um texto médico. Hermes fala, no Livro dos Mortos, à inteligência bruta do homem neófito, para que reconheça em si mesmo, no seu fundamento, uma Centelha Divina. Esta Centelha, avisa o Instrutor, é a mesma de sempre; é aquela que, um dia, por evolução, brilhará como jamais sol algum poderá brilhar. São cerca de 42 os livros sobre ciências ocultas que lhe atribuem a autoria: o Caiballion, o Livro dos Mortos e a Tábua de Esmeralda são exemplos. (Existe uma versão dentro da tentativa do conhecimento do hermetismo que atribui a Hermes apenas a função sacerdotal e ritualística, não sendo uma pessoa, portanto, mas um papel desempenhado por homens). A referência mais antiga à Tábua de Esmeralda data do século VIII (por Dyâbir Ibn Hayyan), mas sabe-se que Alberto Magno já a conhecia em versão latina, mas pelo estilo é datada como sendo anterior ao séc VII, e como o seu conteúdo está em perfeita harmonia com a tradição alquímica (ou hermética), os próprios alquimistas admitem que ela está realmente vinculada à origem daquela tradição. O hermetismo em sentido estrito surgiu no final da época helenística, revivescendo um legado egípcio, compondo-se de um complexo de conhecimentos (astrologia, alquimia, magia) trazidos por Thot, sendo que ali a natureza é sempre encarada como manifestação do espírito. No esoterismo, o hermetismo volta-se à esfera cósmica, por oposição à esfera divina (ou puramente espiritual), aonde ela conduz. Os aspectos espirituais da natureza, cosmos e matéria são considerados pontes que o homem deve atravessar para espiritualizar-se. Seu campo de atuação é duplo: de um lado, busca elevar o homem ao conhecimento do divino por meio do conhecimento das leis naturais em que se expressa sutilmente uma intencionalidade divina. O preceito alquímico lege, lege, relege et invenies ("lê, lê, relê e encontrarás") refere-se menos aos livros do que à natureza mesma, considerada como uma criptografia divina. Decifrar essa criptografia permite "refazer" o homem, tanto na alma como no corpo. De outro lado, a tradição hermética crê que, assim fazendo, não beneficia apenas o homem, mas enobrece a natureza e a própria matéria, espiritualização do cosmos. (a transformação do chumbo em ouro designa esse enobrecimento da matéria e do homem). Em publicações sobre Hermes, temos a seu respeito: “Hermes viu a totalidade das coisas, compreendeu-a e pôde revelá-la”; sempre falando de sua morte como a partida de um Deus. O início da doutrina hermética é-nos dado pela descrição da visão de Hermes: “Um dia, após haver meditado sobre a origem das coisas, Hermes adormeceu. Um pesado torpor apoderou-se-lhe do corpo, mas à medida que aumentava o entorpecimento, o espírito subia nos espaços. Pareceu-lhe então que um ser imenso, sem forma definida, chamava-o pelo seu nome. Atemorizado, pergunta-lhe: “Quem és tu?”, e ouviu a resposta: “Osíris, a Inteligência Soberana. Posso revelar-lhe tudo. O que desejas?”; ao que respondeu: “Contemplar a origem dos seres, ó divino Osíris, e conhecer Deus.“ Foi, então, mostrado em visão tudo o que pedira: luzes, trevas, caos, rumores, o grito da luz, a eternidade. Abriu-se a visão espiritual, o fogo sagrado da palavra criadora e desfilaram diante dele os mundos e humanidades, a origem e o destino das centelhas divinas, e assim Hermes deixa para seus sucessores o legado do conhecimento do céu invisível, da luz de Osíris, do Deus oculto no universo, respirando nos seres, animando os globos, os corpos. Do livro “O Pentecostes”: Hermes Trismegistos, o verdadeiro criador do conceito ocultista, de par com as felizes verdades que proclamou, também truncou o caminho a muitos, se é que dele partiram certas disposições doutrinárias. Vejamos alguns luminosos textos: “Ser-me-á um dia permitido ver a Luz de Osíris? Respondem-lhe: Isso não depende de nós. A Verdade não se dá. Ou nós a encontramos em nós mesmos, ou nunca a encontramos. Nós não podemos fazer

de ti um adepto; é necessário que tu o consigas por ti mesmo. O lótus pousa longo tempo sobre o rio, antes de desabrochar. Não apresses a eclosão da flor divina. Se ela tem de vir, ela virá na hora própria. Trabalha e ora”. Trabalhar e orar é desabrochar a flor divina. É, no dizer do Cristo, acender a Luz interior, fazer brilhar o olho interno, sem o que tudo serão trevas. Não é admissível que Hermes tenha caído em tão vasta contradição. Demais, sabemos muito bem que nenhum espírito será jamais desfeito, como afirma, e sim que todos, mais tarde ou mais cedo, ressarcindo faltas e evolvendo, atingirão a chamada Luz de Osíris — Deus! A irretorquível verdade, essa fica saliente — cada qual deve realizar em si o problema do Reino de Deus, ou da Luz de Osíris. Notemos a grandeza deste texto; é completo em sua infinita simplicidade; é monismo integral: “Não existem verdades interiores nem verdades exteriores, porque tudo é UM. O que está em cima é como o que está em baixo, e vice-versa, porque tudo partiu de só UM”. Vejamos como tratou da lei das reencarnações; por ele fala Ísis ao neófito: “Eu sou a tua irmã invisível, eu sou a tua alma divina e este é o livro da tua vida. Ele encerra as páginas cheias das tuas vidas pretéritas e as páginas brancas das tuas vidas futuras. Desenrolá-las-ei todas, um dia, diante de ti.Ficas-me, entretanto, conhecendo. Chama-me e eu virei”. Em dois simples textos a síntese da mais pura e simples verdade — referência ao Centro Gerador ou Deus, à centelha emanada e ao processo evolutivo através da lei reencarnacionista! Sem segredos, sem mistérios, sem empalhações tolas e presumidas, que a uns fizeram orgulhosos e a outros ignaros e tardos, acima de tudo obrigando a julgamentos temerários, pois para se julgar alguém desmerecedor é preciso qualificá-lo indigno. Segundo Schuré: Na Grécia, somente os templos masculinos e dóricos possuíam o segredo da ordem descendente das encarnações (que é simultânea à ordem ascendente das vidas: a involução produz e explica a evolução). Os templos jônios só a conheciam imperfeitamente. Toda a civilização grega era jônia, ficando tais conhecimentos obnubilados. Os seus grandes iniciados, de Orfeu a Pitágoras, de Pitágoras a Platão, todos pertencentes a essa ordem, reconhecem Hermes por seu mestre.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.