[user_registration_my_account]
Capítulo 27 de 87
Era Axial
Tempo e Espaço da Entrega da Verdade
(trechos de “O Iluminado”, de Caco de Paula) Há 3 000 anos começaram a se formar as principais filosofias e religiões que organizaram as visões de mundo do homem contemporâneo. Alguns filósofos, como o alemão Karl Jaspers, dão a essa época o nome de Era Axial. Axial diz respeito a eixo. Foi, portanto, quando o homem começou a buscar seu eixo ou, segundo Jaspers, quando passamos a prestar atenção em nós mesmos. A era Axial estende-se entre os séculos VIII e II a. C. Os historiadores ainda não sabem o que causou esse despertar para a religião e para a filosofia, nem por que ele se concentrou na China, no Mediterrâneo Oriental, na Índia e no Irã. Acredita-se que com as sociedades agrícolas, mais estáveis, o homem ganhou tempo extra para dedicar-se à contemplação. O certo é que todos os sábios desse período parecem seguir um caminho comum quando conclamaram seus contemporâneos a radicais mudanças em suas vidas. Do século VIII ao VI a.C., os profetas de Israel reformaram o antigo paganismo hebreu. Na China dos séculos VI e V a.C., Confúcio e Lao-Tsé chacoalhavam as velhas tradições religiosas. Na Pérsia, o monoteísmo desenvolvido por Zoroastro expandiu-se e influenciou outras religiões. No século V a.C., Sócrates e Platão encorajavam os gregos a questionar até mesmo as verdades que pareciam mais evidentes. Tudo acontecendo mais ou menos junto. E é bem no meio desta era, no séc. VI a. C., que surge o criador do budismo, uma das mais influentes religiões do mundo. No caldo da primeva Era Axial, a Índia também passou por grandes transformações. Sua cultura foi dominada pelos arianos, antigos povos nômades que teriam migrado da Ásia Central 4 000 anos antes. A sociedade ariana era dividida em castas (...) sendo a hereditariedade o que determina a inclusão nelas. Para os brâmanes, a essência do universo está em Braman, deus primordial que se expressa em uma infinidade de outras deidades. Sua rígida espiritualidade é expressa nas escrituras sagradas conhecidas como Vedas. Na Índia desta época, os sacerdotes tinham uma espécie de reserva de mercado. E assim, como acontecia em outras regiões, surgiu uma revolta contra esses sacerdotes e seus rituais (que incluíam sangrentos sacrifícios de animais). Mas novos movimentos reinterpretavam as antigas tradições, procurando afastar-se desses rituais, buscando o sacrifício interno, de renúncia aos bens mundanos, àquela atenção a si mesmo descrita por Jaspers. Nesta época nasce Sidarta Gautama, o Buda. Apesar do grande florescimento que teve em sua terra natal, o Budismo foi varrido da Índia em decorrência das invasões dos hunos (séc. V d.C.) e dos islâmicos (XII e XIII d.C.). Seu maior desenvolvimento foi na China, onde chegou no séc. I d.C. e só penetraria no Ocidente a partir do séc. XIX.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.