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Capítulo 25 de 87
Rama E O Ramayana
Tempo e Espaço da Entrega da Verdade
Segundo Edouard Schouré: “Quando, um dia, os gênios opostos eram unidos em inocência primitiva, na época ariana primitiva, surgiram os hinos védicos, onde transparecem o sentimento do divino, na unidade que penetra o todo. Como nasceu tal civilização?... A primeira concentração do núcleo ariano, no Irã, fez-se por meio de uma seleção no seio da raça branca, sob a direção de um conquistador legislador, que deu ao seu povo uma religião e uma lei conformes ao gênio da raça branca”.
Já Zoroastro menciona seu legislador: Yima. Na epopéia hindu, Ramayana, ele aparece com o nome de Rama. Segundo as tradições egípcias, tal época é o reinado de Osíris. Orfeu denominou-o Dionisos, na Grécia. Rama, sábio jovem druida, com sua dupla tiara de conquistador e iniciado, tendo na mão o fogo místico iluminador das raças, foi conhecedor das virtudes das plantas, astrônomo, profeta. A autoridade emana dele sobre os druidas mais velhos da antiga Cítia. Curou com visco (depois de aconselhado através de uma visão de um Gênio) seu povo castigado pela peste, por causa das práticas de sacrifícios humanos*, colocando o carneiro como estandarte de seus partidários. Em outra visão esplendorosa, recebe deste Gênio a Inteligência Divina, a incumbência de espalhar seu fulgor pela terra, orientado para o Oriente, liderando a raça boreal. Transformou a mulher em sacerdotisa do lar, desenvolveu e organizou os superiores de sua raça. Promove festas que uniam os dois planos da vida em saudações recíprocas. A seu comando, a raça branca estabeleceu-se no Irã, às portas do Himalaia, mas deveria entrar na Índia, centro principal da raça dos Negros (feito que consta do Zend-Avesta). Toda esta epopéia é recheada de fenômenos e manifestações divinas (fontes de água no deserto, alimentos, curas), até a chegada ao Ceilão, sua meta final. Depois de nova e fulgurante visão, renuncia a todos os bens mundanos e afasta-se dos seus, ensinando seus discípulos, que levam ao Egito o símbolo da unidade das coisas, o fogo sagrado. Até o desencarne, o patriarca dos iniciados dedica-se a ensinar, e deixa o calendário dos Árias, que deu origem aos signos do zodíaco através dos emblemas secretos dos graus de iniciação. *[origem de Esculápio, gênio da medicina que empunha a vareta sob a forma de caduceu. Em Números, 21, está: “Então o Senhor mandou entre o povo serpentes abrasadoras, que mordiam o povo; e morreram muitos do povo de Israel. Veio o povo a Moisés e disse: havemos pecado, porque temos falado contra o Senhor e contra ti”].
“Ao mesmo tempo, o templo alarga-se; as suas colunas sobem até ao céu; a sua abóbada perde-se no firmamento. Então, Rama, arrebatado pelo seu sonho, viu-se transportado ao cimo de uma montanha, sob o céu todo estrelado. De pé, junto a si, o seu Gênio explicava-lhe as constelações e fazia-o ler, nos sinais acesos do Zodíaco, os destinos da humanidade.” - G. I. Rama foi o fundador da Astrologia. Seja qual for o grau de influência do magnetismo cósmico sobre as criaturas, o certo, que temos obrigação de respeitar, é que todas as grandes verdades de caráter espiritualista, que foram transmitidas aos homens comuns, vieram por meio de alguns homens excepcionais. Neste caso temos, uma vez mais, o fenômeno mediúnico ou espírita a servir de alicerce. Rama fora arrebatado em espírito e instruído pelo seu Guia ou Gênio.(A Bíblia dos Espíritas) “Na sua guerra contra os povos e os reis djambus, como então se chamavam, Ram, ou Rama segundo os orientais, emprega meios aparentemente miraculosos, porque estão fora do alcance das faculdades ordinárias da humanidade, mas que os grandes iniciados devem ao conhecimento e aperfeiçoamento das forças ocultas na natureza.” - G. I.
VIASA VEDA, O LIVRO DOS PRINCÍPIOS,
Através da vedanta aprende-se que o Veda já é existente, sendo que cada um o atingirá pelo Conhecimento. Ex: Tu és aquilo! (não se diz: Tu te tornarás aquilo). O mestre de vedanta é o que elimina a ignorância que impede alguém de conhecer a si mesmo. A raiz da palavra Upanishade significa “sentar-se próximo”, diante do mestre que passará os capítulos que são, cada um deles, completos em si mesmos: um êxtase instantâneo da Realidade transcendental. Os Puranas são histórias que ilustram a Verdade, histórias da criação e das vidas dos deuses. As verdades são eternas, a identidade dos que teceram as palavras é irrelevante. No séc VI e VII dC, influenciado pelo budismo, o vedanta tornou-se elaborado como filosofia de salvação, mas a escritura tem mais de 5000 anos. O Código de Manu dá a visão bramânica do mundo e sua aplicação à vida; foi elaborado em forma escrita entre os anos de 200 aC e 200 dC.
Com a decadência da antiga religião védica, inicia-se a segunda fase do hinduísmo, onde Brahma (da tríade Brahma, Vishnu e Shiva) torna-se o deus principal, sendo a manifestação antropomórfica do brahman, “a alma universal”. Cresce o cerimonialismo, os sacerdotes instituem cerimônias mágicas. O sistema de castas converte-se na principal instituição da sociedade indiana (a brâmane é a mais elevada).
A Vedanta "Antes (dos Vedas) tudo eram verdades bisonhas, medíocres, isentas de caráter universal, sem o mais leve resquício de organização doutrinária." (fonte: LEI, GRAÇA E VERDADE) "Depois de vários milhões de anos de evolução lentíssima, quando algumas parcelas da Humanidade já podiam compreender a importância do sentido MORAL da vida, através dos escalões direcionais, enviou Deus, ou Princípio Sagrado, missionários encarregados de ensinamentos iniciáticos. E aí tendes participando das gloriosas páginas iniciáticas, Rama, os Budas, os Vedas, os Patriarcas de antes e pós Dilúvio, Hermes, Zoroastro, Orfeu, Moisés, os Profetas, Crisna, Pitágoras, etc." (fonte: VÓS SOIS DEUSES)
Quando se lê cada shakha dos Vedas, primeiro vem o Samhita, então o Brahmana e, por último, o Aranyaka. Os Upanishads vêm na porção final do Aranyaka. Considerando que os Upanishads acontecem ao término dos Vedas, são chamados de Vedanta, o que literalmente quer dizer 'o final dos Vedas'. A última meta dos Vedas está contida nos Upanishads. Também por serem o produto final dos Vedas, são chamados Vedanta adequadamente. A parte de um Veda onde haja modos de rituais e sacrifícios é o Karmakanda, e a parte onde se trata do conhecimento supremo do Vedanta é o Jnanakanda. Os estudantes ocidentais pesquisam mais nos Vedas que os estudantes da Índia. Eles tentaram estabelecer a época em que foram escritos os Vedas e os Upanishads. A estimativa varia entre 1500 A.C. e 3000 A.C. De acordo com Bal Gangadhar Tilak, os Vedas vieram ao redor em existência 6000 A.C. Porém, de acordo com uma escola védica tradicional, os Vedas são considerados anadi, ou sem começo. Declara-se no Vedas que eles são vastos e infinitos (ananta vai Vedah). Eles também não têm autoria humana (apaurusheya). O que nós temos é uma porção pequena daquilo que Deus criou como os Vedas. Uma parte do que foi revelado aos Rishis está disponível a nós, hoje em dia. Então, um Rishi que escreveu um Upanishad - ou um shakha - de um Veda, não é seu criador - ou karta - mas é seu profeta, vidente - ou drishta. Foi o sábio Vyas (Vyasa) que organizou os Vedas e escreveu o Bhagvadgita e o Brahmasutra, o que os tornou acessíveis aos estudiosos, para saberem o quão profunda é a filosofia dos Upanishads. No Bhagvadgita, Vyas pôs a essência dos Upanishads na forma de uma conversação entre Arjuna, o discípulo, e Deus Krishna, o professor. Quando o conhecimento Védico esteve em perigo de extinção, Adi Shankaracharya (788-8 D.C.) veio como professor daquela era (yuga pravartaka). Ele escreveu comentários ao Bhagvadgita, Brahmasutra e alguns dos principais Upanishads. Só então o conhecimento místico do Vedanta ficou mais fácil de ser compreendido pelos outros. Vyasa era um grande autor voraz. Ele tinha uma grande visão da cultura da Índia. Tinha poderes sobrenaturais extraordinários. Os Vedas originalmente eram misturados e pareciam uma única unidade. Era um trabalho tenaz para qualquer um estudá-los. Então, Vyasa tomou a si a grande tarefa de dividi-los e coordená-los. Deu-lhes, então, a forma presente de quatro Vedas. Ele também foi o autor de dezoito Puranas, os grandes BrahmaSutras surpreendentes e muitos outros. Diz-se que no total escreveu vinte quatro lakhs de slokas; um trabalho estupendo jamais realizado antes. Veda Vyasa é uma alma poderosa que revelou o conhecimento Védico ao mundo, sua sabedoria e história, em uma forma escrita. Porém, o mero estudo dos Upanishads não é o bastante para se sondar a profundidade da filosofia ou alcançar o conhecimento supremo, que é o seu tema principal. No Chhandogya Upanishad há uma história de Narada, que chegou a Sanatkumara e disse-lhe que tinha estudado todas as escrituras e todas as ciências e artes. Ele apenas sabia os mantras, mas não tinha nenhum conhecimento do Atman (Mantravideva asmi na atmavid). Os Upanishads têm que ser estudados aos pés de um professor Brahmajnani (um professor que alcançou Brahma). Por isso é que são chamados de Upanishads, o que literalmente quer dizer 'sentar próximo (com devoção)' [Também significa 'ensinos secretos’]. Quando um aluno estuda em um Gurukul, o conhecimento místico penetra na sua mente de maneira sutil, enquanto o professor explica o assunto, apenas observando o seu sadhana diário e o seu modo de vida. O professor só dá o conhecimento secreto de Brahma aos estudantes que estejam espiritualmente prontos. É por isso que o Katha Upanishad diz, "Muitos ouvem
falar, entretanto não entendem. Maravilhoso é o que fala disto. Abençoado é aquele que, ensinado por um professor bom, pôde compreender tudo isto". Os Upanishads mencionam que a meditação em 'Om' é a meditação sobre o Atman ou o Brahma que reside no homem. O Upanishad Chhandogya diz que todos os sacrifícios prescritos no Vedas não podem trazer salvação. É a meditação em Om que conduz, passo por passo, ao objetivo mais alto do Upanishads, isto é, a infusão em Brahma. Os Upanishads formam o Jnanakanda, ou a porção que lida com o conhecimento supremo, do Vedas. Eles contêm as últimas mensagens dos Vedas. Eles nos falam que um ser humano não é só composto de um corpo que está sujeito à velhice, decadência e morte, mas também de Atman dentro dele, o qual é divino, eterno e feliz. Uma pessoa pode perceber o Atman ao meditar em Om, o símbolo do Deus Supremo, e tornarse imortal e feliz nesta mesma vida. Vyasa é o autor do Mahâbhârata, épico famoso, as Puranas e os Brahmasutras. Credita-se a ele também a divisão dos hinos védicos na forma presente de quatro Vedas. Vedavyasa é o codificador e preservador da memória humana e do conhecimento na forma de escritos imortais e, consequentemente, temos a sua identificação com Deus Vishnu. Ved Vyasa geralmente é descrito como um vidente, com cabelo nodoso, esbelto em sua forma e bem moreno na aparência, na companhia dos quatro discípulos dele, isto é, Jaimini, Paila, Vaisampayana e Sumantu.
KRISHNA E O BAGAVAD GITA, O SUPREMO LIVRO DA ANTIGUIDADE;
A história da civilização milenar que floresceu originalmente na Índia divide-se em ciclos cronológicos de quatro grandes eras: Era dourada (Satya-yuga), Era de prata (Treta-yuga), Era de bronze (Dvapara-yuga) e a Era do ferro (Kali-yuga). Devido ao fator tempo, à medida que essas eras se sucedem, a virtude, a sabedoria e a espiritualidade são suplantadas pelo vício, pela ignorância e pelo ateísmo – três atributos negativos que se destacam na sociedade humana na era de Kali (palavra que também significa desavença, hipocrisia, cegueira espiritual). Embora tenha transmitido o conhecimento do Bhagavad-gita pela primeira vez na era dourada, o Senhor Krishna viu a necessidade de voltar a transmiti-lo na aurora da era de ferro, cinco mil anos atrás, uma hora antes de começar a Guerra de Kuruksetra. Conhecido como Deus encarnado, o chefe do clã Yâdava viveu na Índia há aproximadamente 5000 anos, e deixou-nos o “Sublime Cântico da Imortalidade”, o Bhagavad Gita (episódio dentro da grande e antiga epopéia hindu, Mahâbhârata, essência dos Upanishades). Desde esse tempo vem sendo trazida a nós o conhecer da Sagrada Finalidade de tudo e todos: “... a unificação com Deus, que é a etapa suprema da realização”. (Gita, XVIII, 50). Os épicos de Mahabharata e as populares Puranas relatam tal época opulenta e heróica, onde os árias deparam-se com as raças amarela, vermelha e negra, mescladas, e mesmo assim, suas ideias sobrepujaram todas. A história religiosa da Índia tem, por um lado, o gênio da raça branca com seu senso moral e aspirações metafísicas e, de outro, a energia passional da raça negra, com sua força dissolvente. Surgem na linguagem simbólica, as dinastias do sol e da lua. O deus do universo, no culto solar, é masculino. Aparece o fogo sagrado, a prece, a realeza eletiva e patriarcal. É o contraste do que se vê no culto lunar, feminino, tendendo para a magia negra e a idolatria, entre poligâmicos e tirânicos. Na epopéia de Mahabharata (250000 versos) está a luta entre esses dois polos, recheada de combates violentos e aventuras. Na metade desta epopéia, os vencedores são os Curavas (lunares) sobre os Pandavas (solares), os quais se ocultam com os anacoretas dentro das florestas. Tais ascetas eram considerados os reis espirituais da Índia, com seus poderes transcendentes. O Bhagavad Gita é uma conversação em campo de batalha entre o Senhor Sri-Krsna e Arjuna, Seu amigo íntimo e devoto, a quem ele instrui na ciência da autorealização. Este livro é apenas uma parte da biblioteca sagrada hindu. O homem que traz a vitória do poder espiritual sobre o temporal, do anacoreta sobre o rei, conciliando o solar e o lunar, o branco e o negro, esse é Krishna, divindade encarnada. Krishna nasceu numa prisão, simbolizando que nascemos na prisão do “eu”. Escapa dali para enfrentar forças malignas e as vence, - o poder da Verdade vence sempre. Andava triste porque o povo não compreendia que Ele viera em forma humana: “Aqueles que estão iludidos Me desprezam porque Me apresento como um corpo humano,
desconhecendo Minha natureza divina como Senhor de toda a existência”. (Gita IX, 11). Krishna chamava a todos para Si mesmo, para Sua Paz: “Abandona todos os teus deveres, busca-Me para teu abrigo, não te preocupes, pois Eu te livrarei de todos os males”. (Gita, XVIII, 66). “Sempre que houver declínio da retidão e a injustiça triunfar, ó Barta, então Eu Me manifestarei para proteger o Bem, destruir o Mal e para restabelecer a Justiça. Eu Me manifesto de tempos em tempos.” (Gita, IV, 7) Muita gente pensa, lendo ao pé da letra, que Krishna foi um matador de gentes e de feras. Tudo ali é simbólico, é figurado, tendo sido ele um matador de vícios e de erros... ...o Excelso Espírito que soube e pôde repetir o Sermão da Montanha, de modos diferentes. Sempre, porém, com o mesmo celestial sentido de Renúncia.(Bíblia dos Espíritas) “Compreender Crisna é começar a conhecer Jesus-Cristo.” - Um historiador. Diremos nós: sem conhecer os Grandes Iniciados, as Grandes Revelações anteriores, difícil se torna penetrar a Excelsa Doutrina, vivida e plasmada com o Sangue inocente de Jesus. Porque Jesus resumiu tudo em Sua Vida, em Sua Obra, ao executar a Lei de Deus, ao Batizar em Revelação e ao não escrever.
Do livro “O Pentecoste” (Osvaldo Polidoro): Grande lição exala da sentença de Crisna: “entretanto, ide, ide pregar ao povo a via salvadora” Tal como Jesus Cristo, tal como todos os Grandes Mestres. E qual era a Doutrina de Crisna? Notai bem, dizemos de Crisna, mas Ele e os Seus discípulos sabiam que através Dele falava Mahadeva, que quer dizer Deus. Neste caso, tendes a comprovante de que, se Jesus Cristo não veio muitas vezes ao plano carnal, e é isto o que não quero discutir agora, embora o pudesse e muito bem, dado os saberes de que me fiz senhor, pelo menos podeis deduzir de quem falava através de Crisna. É interessante estudar estes textos; eles exalam monismo e verdades simples, não paganismo, não clerezias exploradoras e mentirosas, não teologismos errados e corruptores; eles falam de Verdades Fundamentais, eles dizem respeito às virtudes que se acham na intimidade da criatura, onde como FUNDAMENTO está Deus. Ouçamo-lo:
“Para se chegar à perfeição, é mister conquistar a ciência da unidade, que está acima da sabedoria; é mister elevarmo-nos até o Ser Divino, que está acima da alma, mais alto mesmo que a inteligência. Ora, esse Ser Divino, esse Amigo Sublime, existe em nós próprios, está dentro de cada um de nós. Porque Deus reside no interior de cada homem, mas poucas pessoas sabem encontrá-Lo. Ora, eis aí o verdadeiro caminho da salvação. Uma vez que hajas te apercebido do Ser Supremo, que está acima do mundo e que está em ti mesmo, decide-te a abandonar o inimigo que se disfarça sob a forma do desejo. Dominai as vossas paixões. Os gozos que os sentidos procuram são como que a fonte dos desgostos futuros. Não basta fazer simplesmente o bem; é preciso ser bom etc.”
Veja-se, em poucas linhas, toda a síntese deísta e toda a regra evolutiva. A Origem, a Natureza e o Programa. A chave capaz de abrir todas as portas, porque suficiente para mostrar ao espírito que todos os valores lhe estão no íntimo e que apenas devem ser desdobrados. Tudo quanto Krishna fez, tudo o que disse, nessas palavras se resume, inclusive a lei reencarnacionista, à qual tantos foros endereçou, e tão magistralmente considerou, por ser a válvula redentora e evolutiva das criaturas. Apesar de seu Evangelho ser apelidado o Livro das Sete Interpretações, é simples e alegórico, nada mais. Afinal, todas as verdades estão no âmago de cada centelha, e convém saber isto — os conceitos misteriosos fizeram o grande número de recalcados, de traumáticos, de cismáticos que peregrinam pelos aranzéis do religiosismo universal. Tais conceitos fazem os caracteres presumidos, que arrastam os complexos de superioridade, muito piores do que os de inferioridade. Geram orgulhos mal disfarçados, vaidades, apegos a graus e a títulos que se não sustentam em face da Justiça Divina. É conveniente dar término ao culto dos chamados segredos iniciáticos, dos mistérios, para que tenham fim falsos apanágios, enganosas ou aparentes virtudes. Essas concepções custaram muito caro à Humanidade, porque engendraram orgulhos nefastos para poucos e cegueiras embrutecedoras para milhões ou bilhões. Concebamos, de uma vez por todas, que não há mistério algum, nem em Deus nem em Seus filhos; tudo é simples, por mais profundo e divino que seja.
Além dos Vedas codificados por Vyasa, há os Códigos da Lei (Smirtis), codificadas por Manu. Os Smirti (o corpo) mudam, são flexíveis, pois regulam as necessidades do gênero humano. O Sruti (a alma), não, está além do tempo.
O Veda popular contém histórias e lendas que ilustram os princípios da Vedanta: Ramayana (de Valmiki, escrito entre 200 aC e 200 dC, conta a história de Rama) e Mahabharata (de Vyasa, escrito em torno de 500 aC, com 200 mil versos, relata as guerras das tribos da região do Ganges – contém o Bhagavad Gita, poema sobre o diálogo entre o Eu divino (Krishna), e o ego humano (Arjuna). Quem, dentre as gerações que se estenderam pelos milhões de anos, ensinou o mais certo, sobre o Princípio ou Deus? Quantos foram os Grandes Iniciados, Patriarcas, Profetas, Mestres ou Cristos, que realmente falaram a LINGUAGEM DA VERDADE? Os cinco maiores foram Hermes, Crisna, Moisés, Pitágoras e Jesus, pois em todos eles fulgurou a consciência da Unidade, o Princípio único, o divino monismo, uma única causa determinante como chave de todos os efeitos, conhecidos ou por conhecer. Falaram da verdade essencial, das leis eternas, perfeitas e imutáveis, e, portanto, convém ressaltar, eles não têm idade, não passam, não mudam naquilo que representaram, o Princípio Único e Suas leis regentes ou fundamentais.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.