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Capítulo 23 de 87
Enoque, No Pré – Dilúvio
Tempo e Espaço da Entrega da Verdade
Pelas escrituras, no pré-dilúvio, sendo ele a sétima geração depois de Adão (Gen, 5, 23), Enoque teve um filho aos 65 anos, Matusalém, e andou com Deus durante mais 300 anos. Ouviu de Adão a narrativa da triste queda (Adão = raça primitiva advinda a este planeta, expulsa de outra constelação). Ao ver-se pai, compreendeu as obrigações de um filho de Deus e meditou profundamente sobre o infinito amor de Deus. Foi dentro da família, como esposo, pai, amigo e cidadão que se mostrou servo inabalável do Senhor. De extenso saber, fazia revelações de Deus, seu estado de comunhão era perene. Angustiado pela crescente iniquidade dos ímpios, temendo que a deslealdade deles pudesse diminuir sua reverência para com Deus, apartava-se, ficando em meditação e oração. Através de anjos, foi-lhe revelado que Deus tinha o propósito de um dilúvio e um plano de redenção. Pela Profecia, as gerações que viveriam após o dilúvio conheceram-no. Enoque foi pregador da justiça, sendo procurado por todos os que temiam a Deus para que partilhasse os conhecimentos. Seus labores não se restringiam aos setitas. Na terra em que Caim procurara fugir da presença divina, Enoque tornou conhecidas as maravilhosas cenas (nos dias de hoje, podemos lê-lo nos manuscritos do Mar Morto) que passavam diante de sua visão: “Eis”, declara, “que é vindo o Senhor com milhares de Seus santos, para fazer juízo contra todos, e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade”, (Jud 14 e 15). O poder de Deus fazia-se sentir. Muitos atendiam às advertências, outros zombavam. Enoque instruía e advertia o povo durante um período, depois passava tempos em solidão, em sua comunhão com Deus e, quando destes períodos saía, mesmo os ímpios contemplavam com admiração a impressão celestial em seu rosto. Batalhou fielmente contra o mal prevalecente até que Deus o removeu do mundo. Enoque “foi trasladado para não ver a morte,... visto como antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus”. (Heb 11, 5). Esta foi uma das vidas em que o Pai Divino, Osvaldo Polidoro, não deixou corpo.
“A Raiz do Profetismo está nos Vedas, pois foi lá que o foi buscar Henoch, o Grande Patriarca de antes do dilúvio, antes do desaparecimento da Atlântida. O que chamavam de poderes ocultos e transcendentais, nada mais era do que o Mediunismo ou culto das faculdades mediúnicas. Ainda que fosse por mero respeito às nossas mesmas encarnações remotíssimas, muitos dos que ora se julgam espíritas, pelo simples fato de conhecerem quatro ou cinco sentenças de última hora, deviam lembrar o Profetismo Histórico, e deixar na mente atacanhada um lugarzinho para esse preito de gratidão.”(Bíblia dos Espíritas) O Livro de Enoch foi retirado do corpus bíblico por ser apócrifo, e isto comporta duas acepções, tanto a de oculto, quanto a de ser pouco confiável. É preciso lembrar que os sucessivos concílios mudaram muito a estrutura dos textos que figuram na Bíblia, e que inclusive cerca de três mil alterações foram introduzidas quando da publicação da Vulgata. Embora este livro tenha sido retirado da oficialidade canônica, não deixa de ser citado muitas vezes (Lucas 3, 37; Hebreus 11, 5; Eclesiástico 44, 16 e em 49, 14). Foi no século XVIII que um viajante inglês reencontrou esse Livro, numa versão etíope de boa qualidade. Quanto à redação original, os exegetas estão de acordo quanto à possibilidade de ter ocorrido por volta do século III antes de Cristo.
Na linhagem dos vultos ressalta o trabalho feito por Henoch, aquele que, viajando pelas mais distantes terras, encontrou os melhores conhecimentos e os trasladou para bandas ocidentais. A esse grande espírito se devem grandes serviços prestados à obra de espiritualização do mundo. Ele organizou a Ordem dos Essênios, a Escola Profética Hebréia, em cujo seio repontou gloriosa a secção nazirena, aquele agrupamento de votados ao Senhor, de escolhidos para o ministério das faculdades mediúnicas. O patriarcado entregou o conhecimento às gerações futuras, que de sua parte foram produzindo vultos de estofo, como o foram Moisés, Josué, Samuel, Davi, Salomão, e toda aquela pleiade iluminada, que, começando em Elias e Eliseu, forneceu a cadeia de arrebatados profetas, de luminares da Verdade, no seio trêfego das convulsões e das sanhas clérigoimperialistas. Foram, como afirmou Jesus, massacrados por aqueles aos quais serviram com as luzes da Verdade; mas o seu testemunho ficou, frutificou na obra imensa dos séculos, acima de tudo na época imortal do Calvário.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.