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Capítulo 69 de 87
Francisco De Assis
Tempo e Espaço da Entrega da Verdade
Nasceu em Assis, setembro de 1182. Deus falou-lhe em sonhos, desta vez com maior clareza, de modo que ele reconheceu a voz divina que lhe perguntava: "A quem queres servir: ao Servo ou ao Senhor?" Francisco respondeu prontamente: "Ao Senhor, é claro!" A voz tornou a lhe falar: "Por que insistes, então, em servir ao servo? Se queres servir ao Senhor, retorna a Assis. Lá te será dito o que deves fazer!" Em Assis, na casa paterna, entregando-se ainda mais à oração e ao silêncio, suas revelações não parariam por aí. Ali, em Assis, dedicou-se ao serviço de doentes e pobres. Num dia do outono de 1205, enquanto rezava na igrejinha de São Damião, ouviu a imagem de Cristo lhe dizer: "Francisco, restaura minha casa decadente". O chamado foi tomado no sentido literal: vendeu as mercadorias da loja do pai para restaurar a igrejinha. Como resultado, o pai deserdou-o. Ao final de 1206, Pedro Bernardone, convencido de que nem as razões nem a força podiam torcer o ânimo de Francisco, decidiu recorrer ao Bispo, instaurando-se um julgamento como nunca aconteceu na história de outro santo. O palco do julgamento foi a própria Praça Comunal de Assis, bem à vista de todos. Bernardone exigiu que seu filho lhe devolvesse tudo quanto recebera dele. Francisco, sem vacilar um momento, despojou-se de tudo até ficar nu. Jogou os trajes e o dinheiro aos pés de seu pai, e exclamou: "Até agora chamei de pai a Pedro Bernardone. Doravante não terei outro pai, senão o Pai Celeste". O Bispo, então, o acolheu, envolvendo-o com seu manto. Iniciando-se a Ordem dos Franciscanos, formaram um grupo de mendigos voluntários (daí o adjetivo de Ordem Mendicante dado à Ordem Franciscana), que trabalhavam e rezavam, cantavam e pregavam, maravilhando o povo com a novidade do Evangelho sendo vivido diante de seus próprios olhos. Contentavamse só com uma túnica, uma corda e um par de calções, e não queriam mais”, dirá mais tarde Francisco em seu Testamento. Os novos apóstolos reuniram-se em torno da pequena igreja da Porciúncula, ou Santa Maria dos Anjos, que passou a ser o berço da Ordem. A regra predominante é a da alegria de servir a Deus e ao semelhante, além de fazer a exortação ao apostolado: a observação prática, vivida, do exemplo de Jesus. Até o Papa reconheceu que era o próprio Deus quem inspirava Francisco a viver radicalmente o Evangelho, trazendo vida nova a toda a Igreja, naquele tempo tão distanciada dos ensinamentos de Cristo! Por isso deu ao
modo deles viverem o Evangelho a aprovação oficial da Igreja. Autorizou Francisco e seus seguidores a pregarem o Evangelho nas igrejas e fora delas, e despediu-se deles dando sua bênção. Certa noite, os frades viram um carro de fogo de um esplendor maravilhoso, com um globo brilhante, parecido com o sol, entrar pelo aposento em que estavam, dando três voltas no recinto. Compreenderam que Deus quisera mostrar-lhes, por aquela figura, “que seu pai Francisco viera ‘no espírito e na força de Elias’. Desde então [Francisco] penetrava os segredos de seus corações, predizia o futuro e realizava milagres. Estava patente para todos que o espírito de Elias era presente com tal plenitude, que o mais seguro para todos era seguir sua vida e ensinamentos”. Francisco manifestava seu amor a Deus por uma alegria imensa, que se expressava muitas vezes em cânticos ardorosos. A quem lhe perguntava qual a razão de tal alegria, respondia que “ela deriva da pureza do coração e da constância na oração”. O trabalho foi tão bem realizado que, por toda Itália, os irmãos chamavam o povo à fé e à penitência. Francisco de Assis, veja-se o exemplo, nunca foi sacerdote. Apesar de pregar sobretudo aos pobres e com eles identificar-se, Francisco tinha o hábito de alertar seus discípulos, exortando-os a não condenar e não desprezar ‘aqueles que viviam na opulência e se vestiam com luxo’. Dizia que ‘também esses têm a Deus por senhor, e que Deus pode, quando quer, chamá-los, como aos outros, e torná-los justos e santos”. Um desses nobres deu ao Poverello (o Pobrezinho) o Monte Alverne, onde ele receberia a maior graça de sua vida. Em 1217, indo a Roma, Francisco encontrou-se com outro luminar da Igreja da época, Domingos de Gusmão, que também havia fundado uma Ordem religiosa para combater a decadência dos costumes. Os dois santos se abraçaram, estabelecendo uma amizade solidificada pelo amor de Deus. Pouco depois Francisco recebia em sua Ordem um dos que seriam sua maior glória e se tornaria um dos santos mais populares do mundo, Frei Antônio de Lisboa, ou Antônio de Pádua” Não era incomum que houvesse manifestações mediúnicas no meio dos que seguiam tais ideais. Há registros de que falavam “eloquentes discursos, que a todos encantavam, inspirados pelo Espírito Santo”. São várias as passagens em suas várias biografias dispostas em bibliotecas que atestam visões e profecias, num cultivo normal dos dons. Jesus aparecia-lhes “revelando tesouros de divina sabedoria”. O dom da cura era amplamente empregado junto aos necessitados que acorriam em busca de amparo. Por uma narrativa de frei Leão sabemos que certa noite observou Francisco conversando com uma deslumbrante chama, da qual saía uma voz de suavíssimo tom. Mais tarde recebeu a explicação com estas palavras: “Sabe, irmão, ovelhinha de Jesus Cristo, que naquela flama que viste estava Deus, o qual me falava como antigamente havia falado a Moisés...” Quanto aos animais, foi comum o diálogo com pássaros e outros animais, que conviviam muito de perto com os franciscanos. Francisco cantava em dueto com os rouxinóis; libertando lebrezinhas presas em armadilhas, elas corriam para seu colo; desviava no caminho para não pisar em vermes ou formigas; soltava pássaros que logo voltavam ao seu ombro; peixes rodeavam seu barco; algumas aves que vinham em busca de seu calor, recusavam-se a deixar o “ninho” de suas mãos. Conversou com um lobo que assombrava a cidade, e que se tornou manso, andando por um tempo ao seu lado pela cidade, mediante a promessa de que teria comida. Este animal viveu mais dois anos, portando-se sempre com mansidão. Segundo Boaventura: “Francisco chegara a uma tal pureza, que a carne estava submetida ao espírito e o espírito submetido a Deus, num admirável concerto; e assim, pela vontade do Senhor, a criatura, obedecendo ao Autor, submetia-se maravilhosamente à vontade e ao comando de seu servo”. Ele queria que todos os homens tivessem a imagem concreta de Deus, pois assim se lhe afigurava que maior seria o seu amor por Ele. Estabelecia diálogo com todos os elementos da natureza. Através da água, das flores, das estrelas, dos animais, conversava com Deus.
ANTÔNIO DE PÁDUA, vida de nosso Diretor Planetário, João Evangelista Fernando Martins nasceu em 1195, Lisboa. Ultrapassava seus professores em conhecimentos porque, dotado de memória prodigiosa, grava à primeira vista tudo o que lê, a ponto de saber as Sagradas Escrituras de cor. O Papa Gregório IX nominou-o, mais tarde, a Arca do Testamento. Parte para o Mosteiro de Santa Cruz, Coimbra, o maior centro cultural de Portugal, com a mais completa biblioteca e onde ensinavam famosos professores nacionais e estrangeiros. Só retornaria a Lisboa em espírito, em fenômeno de bilocação, para salvar seu pai de um crime que não cometera. Logo se torna um dos mais famosos professores de direito canônico, filosofia, ciências naturais, hebraico e caldeu, línguas que falava com a mesma fluência com que falava o português. Magoado com a atitude de desprezo pela humildade dos franciscanos da parte dos padres de onde estava, e assombrado pela diferença entre a riqueza da Santa Cruz, onde vivia, e a pobreza de Santo Antão (convento de frades menores de São Francisco), despe a sobrepeliz de Cônego regrante e enverga o
burel cor de terra e a corda simbólica de Frade Menor de São Francisco, internando-se no Convento de Santo Antão dos Olivais, mudando o nome, de Fernando para Antônio. Cinco franciscanos haviam sido torturados em Marrocos pelos muçulmanos, e Antônio parte para a África a fim de substituí-los. Lá chegando, acomete-o uma peste que por lá grassava, ficando longo tempo de cama. Tenta voltar, mas uma violenta tempestade muda o rumo de sua embarcação que é jogada à costa siciliana. Antônio revelou-se um apóstolo, um missionário repleto de qualidades excepcionais, únicas, passa a ser o mais importante membro da Ordem Franciscana, depois de Francisco de Assis, e inicia a missão de apostolado pela Itália e pela França. Francisco de Assis pede-lhe para visitar as cidades onde reina a heresia e, onde houver conventos da Ordem, ensinar teologia a seus irmãos. Seus sermões, em grandes praças públicas, às vezes reúnem mais de 30 mil pessoas, fazendo silenciar toda a gente com sua voz poderosa e vibrante. Os sermões de António não poderiam obter total aprovação de Francisco de Assis, pois eram fulgurantes, majestosos, eloquentes ao condenarem o mal; já os irmãos franciscanos sempre se inspiravam na serenidade, humildade e perdão. Padre Antônio Vieira disse dele: “As palavras de Santo Antônio são doces como mel, e parece que sua boca está cheia de favos”.... Nada havia na cultura do século XIII que o grande Taumaturgo não soubesse, e desse saber enriquecia os seus sermões, tornando-os eloquentes e sábios: a teologia, a filosofia, a matemática, a embriologia, a obstetrícia, a fisiologia, a botânica, a astronomia, a terapêutica e até a psicopatia eram brinquedos de criança para Antônio porque, com a sua genial inteligência, a todas abarcava profundamente. Certa vez, em Rimini, onde havia muitos hereges, pregava ele na principal praça a uma grande multidão, quando começaram a se afastar sem o quererem ouvir. Acompanhado pelos assistentes, dirige-se à embocadura do rio Marecchia e começa pregar aos peixes: “Peixes do mar e do rio, atendei vós à palavra de Deus, visto que os infiéis e os hereges recusam ouvi-la!” A esta exclamação, as águas estremeceram e cardumes de grandes e pequenos peixes formaram um matizado de cores como jamais visto, e o apóstolo conclui seu sermão. Cada assistente tornou-se um arauto de Antônio, proclamando-o enviado de Deus. Os hereges, levados por este conhecimento, começam a assistir os sermões. Em outra ocasião foi desafiado pelo chefe da heresia de Tolosa, França. Disse-lhe ele: “Tenho um cavalo. Vou deixá-lo três dias sem comer e, em praça pública, lançarei alimento forte a ele, e tu lhe mostrarás a tua Eucaristia, e vamos ver o que ele preferirá”. Apesar de solto bem na frente do alimento, o cavalo voltou-se para Antônio e abaixou-se o que pôde, numa atitude de respeito, deixando a assistência espantada. Os fiéis presentes louvaram a Deus pela manifestação ali testemunhada e o desafiante se arrependeu, como em outros lugares aconteceu. Seu último sermão em Burges, na principal praça, estava ameaçado por grossas nuvens e a multidão olhava aflita. Disse Antônio: “Ficai tranquilos. Ouvi a palavra de Deus, porque nem uma só gota de água cairá sobre as vossas cabeças”. Ventos e trovões cessaram, o dia clareou e não caiu uma só gota. Quando da trasladação dos restos mortais para uma nova basílica, ao se abrir o túmulo, emoção e assombro: tudo é pó e ossos, salvo a língua, intacta e vermelha, como se nela ainda a vida palpitasse.
TEREZINHA DE LISIEUX, o exemplo da Grande Mãe Notaram em Teresa grande inclinação à oração mental. A menina meditava de fato, sem contudo dar conta de tal e chamava a isto pensar. O ideal de ser religiosa Carmelita desenhava-se cada vez mais nítido, em sua alma. “Vai em paz, querida filhinha, - disse-lhe o pai, abraçando-a paternalmente – és uma florzinha privilegiada, que o Senhor quer para si e a isto não me hei de opor”. O dia 9 de abril de 1888 trouxe-lhe afinal a ventura da entrada no Carmelo, sendo tomado o nome religioso de "Teresinha do Menino Jesus " . Ela serviu por um tempo como noviça serviçal de uma irmã que tinha tuberculoses até a mesma morrer e da qual contraiu a moléstia. Por ordem de madre superiora, Madre Agnes (sua irmã) Teresinha começou a escrever as sua experiências místicas. O resultado de seus esforços é um livro chamado a "Historia de uma Alma", uma das biografias mais lida no mundo moderno. Teresinha é uma das mais populares santas da atualidade e seu encanto e simplicidade é adorado por todos aqueles que lêem a sua obra, que retrata seu tempo no convento com alegria e simplicidade de uma criança, isto numa época onde as irmãs viviam enclausuradas. Desde o começo da vida religiosa no claustro, pode Teresa experimentar as provações com que Nosso Senhor costuma mimosear seus prediletos. Uma aridez espiritual parecia ser-lhe o pão quotidiano, e a Madre Superiora introduziu-a logo nas práticas costumeiras do Carmelo, tratando-a sempre com extraordinária severidade, não lhe perdoando a mínima falta que cometesse. Destarte, Teresa bem cedo se habituou a
considerar na Superiora não a criatura, mas a pessoa de Nosso Senhor, ficando assim preservada de afeições humanas no claustro, que sempre que as houver, são uma verdadeira calamidade. Extraordinária e mui significativa é a declaração que Teresa fez, no exame do canônico que lhe precedeu a profissão, dizendo: “Vim para salvar as almas e especialmente para rezar pelos sacerdotes” . Fiel a este propósito ofereceu-se a Jesus como vítima, convencida que só pelo sofrimento poderia fazer algum bem às almas. Durante cinco anos realizou esta prática, sem que pessoa alguma soubesse. O tempo do noviciado passou célebre, entre as práticas de piedade, de virtude e mortificação, sem que houvesse ocorrido fato de maior relevância. Se procurarmos saber que meios Santa Teresa empregou para chegar a tão alto grau de perfeição, que a igreja e com esta todos os fiéis lhe admiram, descobriremos três: - a oração, a vida unida a Nosso Senhor, a mortificação e o amor a Deus. O espírito de sacrifício era-lhe universal. Tudo quanto havia de mais penoso e menos agradável, por isso mesmo o procurava com sofreguidão. Tudo o que Deus lhe pedia, dava-lho sem reserva. O que mais a martirizou fisicamente, como confessa, foi a privação do fogo durante o inverno. “O frio tem sido para mim um tormento de morte”. São dos últimos dias de sua existência estas memoráveis palavras: “Nunca dei a Deus senão amor e com amor também me há de recompensar. Depois da minha morte farei cair uma chuva de rosas. Sinto que está chegando a hora de desempenhar a minha missão a de fazer amar a Nosso Senhor como o amo... de dar a conhecer a minha veredazinha às almas. Quero passar o meu céu empenhada em fazer bem na terra”. Muitas coisas edificantes disse ainda Santa Teresa às Irmãs, nos últimos dias de doença. Entretanto, a dor aumentava de dia para dia. A fraqueza chegou a tais extremos, que a doente sem auxílio não podia fazer o mais leve movimento. Causava-lhe aflição horrível falar perto de si. A febre martirizava-a de tal maneira, que só com grande esforço podia pronunciar uma palavra. Mas no meio de todo este sofrimento, um leve sorriso lhe aflorava aos lábios. Chegou, afinal, o dia 30 de setembro. Estreitando o crucifixo nas mãos, parecia absorta em profunda meditação. E olhando para o crucifixo, disse: Oh!... Amo-o!... Meus Deus, eu vos... amo! Foram estas suas últimas palavras; pronunciando-as deixou-se cair sobre o leito, numa atitude semelhante à de algumas virgens mártires, que se dispunham a receber o último golpe. De repente, se ergueu, como se fosse para atender a uma voz misteriosa, abriu os olhos, e fitou-os com uma expressão de jubilo indizível, um pouco acima da imagem de Nossa Senhora. Isso durou mais ou menos a recitação de um “credo” e sua alma voou para os páramos celestes. Logo depois da morte de Teresinha, começaram a dar-se na comunidade fatos extraordinários. Verificouse a profecia da Santa, que disse: Depois da minha morte farei cair uma chuva de rosas. O mundo católico encheu-se de admiração pela santidade da humilde carmelita de Lisieux. Treze anos depois da morte, procedeu-se-lhe à exumação do corpo e nesta ocasião foi encontrada intacta e verde a palma que as religiosas lhe tinham posto na mão, logo após a morte.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.