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Capítulo 41 de 52

A Sombra do Sepulcro a Victor Hugo — parte 13 de 15

No Invisível · Léon Denis

"Durante semanas e meses antes da morte de meu irmão, conversávamos acerca da comunhão dos Espíritos, quando certa manhã me pediu ele que lhe desse um pedaço de louça de barro, pena e tinta. Fez duas marcas a tinta num dos lados e uma no outro; quebrando em seguida em dois o fragmento de barro, deu'me um dos pedaços, recomendando'me que o guardasse com cuidado, e pouco tempo depois escondeu o outro num lugar somente dele conhecido, na intenção de me vir, depois de sua morte, revelar onde se achava. Ser'me'ia então possível compará'lo, o que provaria ter ele vindo comunicar'se, sem minha intervenção mental, pois que eu ignoraria completamente o esconderijo do objeto. Depois de sua morte e de várias tentativas, nos sentamos, eu e minha mãe, à mesa, e eis que, pelo alfabeto soletrado, nos foi dito: "O pedaço de louça está no meu escritório, debaixo do tomahawk. ' Benja" (248).

Fui ao seu escritório, que depois de sua morte se conservava fechado, encontrei o fragmento em questão no lugar indicado e, aproximando'o do que havia guardado, vi que os dois se ajustavam perfeitamente e que os sinais com que tinham sido marcados concordavam em absoluto. Mencionarei ainda outro incidente, que tem para mim tanto valor como o pré'citado. Meu irmão escreveu'me uma carta, na mesma ocasião em que me havia dado o fragmento de louça, lacrou' a e me disse que não a lesse, porque me indicaria o seu conteúdo. Foi ainda pelo método alfabético de pancadas com a mesa que vim a saber o conteúdo da carta, que rezava assim: "Júlio'. procede bem e sê feliz! ' Benja". Era exato: as palavras da carta haviam sido essas. Não tenho a mínima hesitação em assinar meu nome, porque só digo a verdade." A fotografia dos Espíritos fornece também seu contingente de provas. "La Revue", de 15 de janeiro de 1909, publica um artigo do mesmo W. T. Stead, intitulado "Como comunicar com o Além?", do qual extraímos o trecho referente à fotografia dos invisíveis e que assim começa:

"Apresso'me a desarmar o leitor céptico, admitindo que nada é mais fácil que adulterar fotografias desse gênero, e acrescentarei que um prestidigitador pode sempre enganar 0 observador desconfiado e vigilante. As chapas de que me sirvo, por mim mesmo reveladas, e que ao demais são marcadas, forneceriam alguma garantia contra as fraudes. Mas, se acredito na autenticidade das fotografias, é porque me firmo em argumentos demonstrativos de outra ordem. A prova de autenticidade da fotografia de um Espírito consiste antes de tudo na execução de um retrato perfeitamente reconhecível da pessoa falecida por um fotógrafo que nada absolutamente saiba da existência dessa pessoa, e em seguida no fato de não ser percebida forma alguma visível pelo operador ou por quem assiste à operação. Tais fotografias foram por mim obtidas, não uma, mais repetidas vezes. Referirei agora unicamente um caso. O fotógrafo, cuja mediunidade permite fotografar o invisível, é um artista já velho e sem instrução é particularidade que o impede mesmo, em dadas circunstáncias, de se ocupar vantajosamente de sua profissão. E clarividente e, como por minha parte o denominarei, clariaudiente.

Durante a última guerra dos Boers, fui pedir'lhe uma sessão, curioso que estava de saber o que se iria passar. Mal me havia sentado em frente do bom velho, disse'me ele: ' Tive outro dia uma turra. Um velho Boer veio à minha oficina; trazia uma carabina e seu olhar feroz causou'me certo medo. "Vai'te embora ' disse'lhe eu; ' não gosto de armas de fogo." Ele se foi; mas voltou e está aí. Entrou com vossemecé; não traz a carabina e o seu olhar já não é tão feroz. Devo consentir que fique? ' Certamente ' respondi. ' Julga que o poderá fotografar? ' Não sei ' disse o velho; ' posso experimentar. Sentei'me diante da objetiva e o operador empunhou o obturador. Eu nada podia ver; antes, porém, da exposição da chapa, interroguei o fotógrafo: ' Pois que noutro dia lhe falou, poderá falar'lhe agora novamente? ' Decerto; ele está sempre atrás de vossemecé. ' Ele lhe responderá, se o interrogar? ' Não sei, vamos a ver. ' Pergunte'lhe o nome. O fotógrafo teve o gesto de fazer uma pergunta mental e esperar a resposta.

E logo: ' Diz ele que se chama Piet Botha. ' Piet Botha? ' objetei num tom de dúvida. ' Conheço um Filipe, um Luís, um Cristiano e não sei quantos outros Botha, mas nunca ouvi falar desse Piet. ' Diz ele que é o seu nome ' replicou, teimoso, o velho. Quando revelou a chapa, vi, de pé, atrás de mim, um rapagão barbado, que tanto poderia ser um boer como um mujick. Não disse uma palavra; mas esperei até o fim da guerra, e, quando chegou a Londres o General Botha, lhe enviei a fotografia por intermédio do Sr. Fischer, atual primeiro'ministro do Estado Livre de Orange. No dia seguinte, o Sr. Wessels, delegado de um outro Estado, me veio procurar. ' Onde obteve o senhor esta fotografia que deu ao Sr. Fischer? Narrei'lhe fielmente como se achava ela em meu poder. Meneou a cabeça: ' Não creio em almas do outro mundo; mas diga'me seriamente de onde lhe veio esse retrato.

Aquele homem jamais conheceu William Stead; nunca pisou a Inglaterra. ' Disse'lhe como o obtive ' insisti eu ' e o senhor pode não me acreditar; mas por que se mostra assim tão admirado? ' Porque aquele homem ' disse ' é um dos meus parentes; tenho em minha casa o seu retrato. ' Deveras! ' exclamei. ' É morto? ' Foi o primeiro comandante boer que morreu no cerco de Kimberley... Petrus Botha ' acrescentou ' mas, para abreviar, o apelidávamos Piet. Conservo essa fotografia em meu poder; foi igualmente identificada por outros delegados dos Estados Livres, que também haviam conhecido Piet Botha. Ora, isso não se explica pela telepatia nem cabe admitir a hipótese de fraude. Foi por mero acaso que pedi ao fotógrafo verificar se o Espírito daria o nome. Ninguém na Inglaterra, tanto quanto pude certificar'me, sabia que existia Piet Botha." Em várias circunstâncias, Espíritos desencarnados contribuem com suas indicações para a regularização de seus negócios terrestres; ajudam a encontrar testamentos ocultos on extraviados.

O Dr. Cyriax, em sua brochura "Die Lehre Von Geist", refere um fato desse gênero em que ele próprio tomou parte: 'Vem rapaz de Baltimore, chamado Robert, havia sido educado por uma de suas tias, rica, celibatária, que, tendo'o adotado, fizera dar'lhe uma instrução completa e o havia casado. Tornara'se ele pai de família, quando sua tia faleceu subitamente. Não se lhe achou testamento algum, e os parentes interessados trataram de excluir da herança o Sr. Robert. Este, extremamente perplexo, foi, por indicação de alguns amigos, consultar a Sra. Morill, médium à test, que evocou a tia falecida. Revelou então esse Espírito que o testamento estava guardado num armário de roupa branca, no andar superior de sua vivenda. Só depois de remexido todo o conteúdo do armário foi que se achou, num pé de meia, o documento, tal qual fora descrito. Ninguém no mundo, e o médium menos que qualquer outra pessoa, podia ter a mínima idéia de tal esconderijo. Só o Espírito da tia estava no caso de fornecer aquela indicação."

Aksakof narra um fato semelhante, extraído dos "Proceedings", vol. XVI, pág. 353. O Príncipe de Sayn'Wittgenstein'Berlesbourg obteve do General Barão de Korff, morto havia alguns meses, uma comunicação espontânea, na qual lhe determinava que revelasse à sua família o lugar em que, por inimizade, haviam escondido seu testamento. Esse documento foi descoberto no lugar indicado pelo Espírito. (249) A esses fatos acrescentaremos dois casos de identidade, publicados por E. Bozzano em "Annales des Sciences Psychiques" de janeiro de 1910, e que consistiram em escritos ou conversações em línguas desconhecidas pelo médium. Foi o primeiro referido por Myers em sua obra sobre a "Consciência subliminal" ("Proceedings of the S.P.R.", vol. IX, pág. 124) e é concernente a um episódio de escrita obtida por intermédio de uma menina de 11 anos, filha do Sr. Hugh Junor Brown, que o publicou em um livro intitulado "The Holy Truth". Myers conheceu pessoalmente o narrador e assegura a sua perfeita sinceridade. Reproduzimos a narrativa deste último:

"Passeando um dia com minha mulher, encontrei um preto que eu não conhecia, mas que logo me pareceu um cafre em razão dos largos orifícios que apresentava nas orelhas, costume peculiar a essa raça. Depois de o ter interrogado em sua língua nativa, o que deveras o surpreendeu, convidei'o a vir a nossa casa e dei'lhe o meu endereço. Apresentou'se ele justamente na ocasião em que fazíamos experiências mediúnicas. Disse ao criado que o fizesse entrar e perguntei se não estariam presentes Espíritos amigos seus. A mão de minha filha escreveu, em resposta, vários nomes cafres, que eu li para o preto ouvir e que ele reconheceu, manifestando grande espanto. Perguntei então se tais amigos tinham alguma coisa a dizer ao preto, e imediatamente foi escrita em língua cafre uma frase em que havia palavras que eu não conhecia. Li'as ao meu visitante, que lhes compreendeu perfeitamente a significação, exceto a de uma única palavra. Tentei fazê'lo entendê'la, pronunciando'a de vários modos, mas em vão.

De repente, a mão de minha filha escreveu: "Dá um estalo com a língua." Recordei'me então de um característico estalo que deve habitualmente acompanhar a letra t, na língua cafre, e pronunciei a palavra conforme o método indicado, conseguindo fazer'me compreender imediatamente. Cumpre'me assinalar que minha filha nenhuma palavra conhece do cafre, tendo nascido anos depois de haver eu deixado aquelas regiões. Perguntei quem era o sujeito que dirigia a mão de minha filha, sendo geralmente a arte de escrever ignorada pelos cafres, e me foi respondido que o ditado fora escrito por um velho amigo meu, H. S., a pedido dos amigos do preto. Ora, H. S., pessoa culta e de elevada posição, falava perfeitamente o cafre, tendo residido longo tempo em Natal. Nesse momento expliquei ao meu visitante que os Espíritos de seus amigos estavam presentes, o que pareceu aterrorizá'lo."

O Ministro Plenipotenciário da Sérvia em Londres, Sr. Chedo Mijatcvich, escreveu o seguinte ao diretor do "Light" (1908, pág. 136)

"Não sou espirita, mas encontro'me precisamente no caminho que conduz a essa crença, e fui atraído graças a uma experiência pessoal, que julgo de meu dever tornar pública. (Ai o refere que vários espíritas húngaras lhe escreveram, pedindo'lhe procurasse em Londres algum médium bem conceituado, a fim de, sendo possível, entrar em relação com um antigo soberano sérvio e consultá'lo sobre determinado assunto.) Há esse tempo exatamente ' continua ele ' minha mulher tinha dito qualquer coisa acerca de um Sr. Vango, dotada ao que se dizia, de notáveis faculdades mediúnicas, e por esse motivo o fui procurar. Nunca o tinha visto, e por seu lado ele também nunca me vira. Nenhuma razão há para supor'se que ele tinha informações a meu respeito, ou que as tivesse adivinhado. A minha pergunta: se me poderia por em relação com o Espírito em que eu pensava, respondeu modestamente que às vezes era bem sucedido, mas nem sempre, e que outras muitas, ao contrário, se manifestavam Espíritos não desejados pelo consulente.

Em seguida se declarou à minha disposição, recomendando'me que concentrasse o pensamento no Espírito que eu desejava. Em pouco adormeceu o Sr. Vango e começou: "Está aqui o Espírito de um moço que parece muito aflito por lhe falar, mas exprime'se numa língua que eu não conheço." O soberano sérvio, em quem havia eu concentrado o pensamento, falecera já maduro em 1850; eu estava, entretanto, curioso de saber quem seria esse jovem Espírito aflito por me falar e pedi ao médium que repetisse ao menos uma palavra pronunciada pela entidade presente, ao que respondeu que o tentaria. Assim dizendo, inclinou o busto para a parede em frente da qual estava sentado, numa atitude de quem se põe a escutar. E logo, com extrema surpresa para mim, começou a pronunciar lentamente em língua sérvia: "Molim vas pipite moyoy materi Nataliyi da ye molim da mi oprostV, cuja tradução é: "Peço' te o favor de escrever a minha mãe Natália, dizendo'lhe que imploro seu perdão." Compreendi naturalmente que se tratava do Espírito do jovem Rei Alexandre.

Pedi então ao Sr. Vango que lhe descrevesse a aparência, e ele prontamente: "Oh! é horrível! Seu corpo está crivado como que de punhaladas!" Se tivesse outra prova sido necessária para me convencer da identidade do Espírito comunicante, bastava a que em seguida me deu o Sr. Vango, acrescentando: "O Espírito lhe deseja dizer que deplora amargamente não ter seguido o seu conselho relativo à ereção de um certo monumento e às medidas policiais a adotar no caso." Referia'se isso a um conselho confidencial que eu havia dado ao Rei Alexandre, dois anos antes do seu assassínio, e que na ocasião ele julgava intempestivo, só podendo a seu ver ser posto em prática no começo de 1904. Devo acrescentar que o Sr. Vango repetiu as palavras sérvias de um modo bem característico, pronunciando'as silaba por sílaba e começando pela última de cada palavra, para voltar à primeira. Como dou publicidade ao fato no interesse da verdade, não hesito em assinar meu nome com a indicação de meu cargo. ' (Assinado) Chedo Mijatovich, Ministro Plenipotenciário da Sérvia na Corte de Saint'James; 3, Redchiffe'gardens, S.W., Londres." O Sr. D. Home, finalmente, em "Life and Mission" (págs. 19 a 22), descreve um conjunto de provas de identidade, obtidas pela mediunidade vidente e auditiva, e que julgamos dever aqui reproduzir (250):

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.