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Capítulo 18 de 52
Segunda Parte — parte 2 de 9
No Invisível · Léon Denis
"O Dr. Balme, de Nancy, tinha a seus cuidados a Condessa de L., afetada de dispepsia. Ela o ia procurar em seu consultório, nunca tendo ele, pois, entrado em casa de sua cliente, situada fora da cidade. Três dias depois de uma de suas visitas, a 19 de maio de 1899, entrando em casa e atravessando a ante'sala, ouviu ele distintamente estas palavras: "Como me sinto mal! E ninguém para me socorrer." Depois ouviu o ruído de um corpo que caia em uma espreguiçadeira. A voz era da Sra. de L... Procurou informar'se, mas em casa ninguém tinha visto nem ouvido essa senhora. Foi para seu gabinete de trabalho, concentrou'se e, colocando'se voluntariamente em ligeiro estado de hipnose, transportou'se à casa da condessa e viu'a. Acompanhou todos os seus movimentos e gestos, e os anotou minuciosamente. Quando a Sra. de L. foi novamente consultá'lo, ele lhe comunicou suas impressões, que foram verificadas exatas em todos os pontos e conformes à realidade dos fatos. "Depois de vos terdes recolhido a vosso aposento ' perguntou ele ' que era o que parecíeis procurar em torno de vós?"
"Parecia que alguém me espreitava", respondeu a senhora." (62) A exemplo do Dr. Hilbert e do Sr. Pierre Janet, cujo sensitivo, Léonie, obedecia à sugestão a um quilômetro de distância (63), o Dr. Balme tinha o poder de transmitir mentalmente sua vontade a uma senhorita de Lunéville. Obrigava'a assim a vir ao seu gabinete, em Nancy, reclamar os seus cuidados. Um dia, tendo concentrado e dirigido para ela o pensamento, proferiu estas palavras: "Venha; espero'a no trem do meio'dia." A hora fixada a moça entrava em casa dele, dizendo: "Aqui estou." (64) C. Flammarion, em sua obra "O Desconhecido e os Problemas Psíquicos", cap. VI, cita o caso de um menino que, na idade de cinco anos, resolvia problemas complicadíssimos e repetia palavras e frases que sua mãe lia mentalmente em um livro. A criança não calculava, o que fazia era unicamente ler no pensamento de sua mãe a solução dos problemas propostos. Desde que esta se retirava, ele era incapaz de obter a mínima solução.
Na opinião do Sr. G. Delanne (65), os estados vibratórios individuais devem ser classificados em três tipos que ele denomina visuais, auditivos e motores, e pelos quais se explicaria a variedade das percepções nos sensitivos e nos médiuns. Nos sensitivos pertencentes a esses diversos tipos, as impressões produzidas por uma mesma causa revestirão formas diferentes. A ação psíquica de um vivo, a distância, ou a de um Espírito provocará em uns a percepção visual de uma figura de fantasma; em outros, a audição de sons, de ruídos, de palavras; em um terceiro suscitará movimentos. (66) As impressões podem igualmente variar nos sensitivos pertencentes ao mesmo tipo sensorial. O pensamento inicial será por eles percebido sob formas distintas, posto que o sentido da manifestação seja idêntico no fundo. É o que temos freqüentes vezes verificado em nossas próprias experiências. Diversos médiuns auditivos percebiam o pensamento do Espírito e o traduziam em termos diferentes.
Esse fato nos demonstra que um grande número de fenômenos telepáticos devem ser incluídos na ordem subjetiva, no sentido de que se produzem unicamente no cérebro do percipiente. Posto que internos, não são contudo menos reais. A onda vibratória, emanada de um pensamento estranho, penetra o cérebro do sensitivo e lhe produz a ilusão de um fato exterior que, segundo o seu estado dinâmico, parecerá visual, auditivo ou tátil. Sabemos que as impressões dos sentidos se centralizam todas no cérebro. Este é o verdadeiro receptáculo, que arquiva as sensações e as transmite à consciência. Ora, conforme o seu estado vibratório, somos levados a referir as nossas sensações a um dos três estados sensoriais supra'indicados. Daí a variedade das impressões sugestivas percebidas pelos sensitivos. Eis aqui vários casos inéditos, em que a ação telepática se manifesta por meio de ruídos e visões:
"A Sra. Troussel, cujo sobrenome em solteira era Daudet, parenta do ilustre escritor e residente em Alger, à rua Daguerre, comunica'se telepaticamente, há horas convencionadas, com algumas de suas amigas, cada uma das quais serve a seu turno de transmissor e receptor. Elas estabelecem reciprocamente o processo verbal dos pensamentos emitidos e das impressões recebidas e os comparam em seguida. Perguntas mentais formuladas a distância obtêm respostas precisas: um problema complicado foi resolvido. Na média, sete experiências sobre dez são coroadas de êxito. As vezes, o pensamento projetado com intensidade produz uma ação física sobre os móveis, fazendo'os vibrar fortemente. A Sra. Troussel fez a mesma experiência com uma de suas amigas de Marselha. Deviam pôr'se em comunicação na quinta'feira santa, às 81/2 horas da noite. Não sendo, porém, idêntico o meridiano, e sendo a hora de Marselha adiantada em relação à de Alger, ao subir a Sra. Troussel para o seu quarto em busca. do insulamento, sentiu'se invadida por um sentimento de tristeza.
Um instante depois, tendo'se recolhido, viu aparecer uma jovem de Marselha; junto a ela estava uma criancinha que lhe estendia os braços, sorrindo, e lhe mostrava um raio luminoso que parecia vir do céu. A Sra. Troussel apressou'se em transmitir à sua amiga a narrativa dessa experiência. Suas cartas se cruzaram. A de Marselha continha as seguintes linhas: "Escolhi a quinta'feira santa, querida. amiga, por ser o aniversário da morte de meu idolatrado filhinho. A hora índica. da, viestes consolar'me. Pensei, nesse momento, no pequenino ser querido. Pensastes também nele? Eu vos vi subir do pavimento térreo ao primeiro andar. Trazíeis um vestido que eu não conheço (pormenor exato). Coisa singular: pensando em todas essas coisas, eu via ao mesmo tempo a imensidade do mar; o raio luminoso do farol parecia vir do céu e chegava até junto de mim." Comunicações escritas têm sido transmitidas, a grandes distâncias, por pessoas vivas exteriorizadas. Aksakof refere os seguintes fatos (67) :
"O Sr. Tomás Everitt, de Londres, obteve, pelo punho de sua mulher, uma comunicação de um de seus amigos, médium, em viagem para a América. O eminente juiz Edmonds, de Nova Iorque, refere que dois grupos espíritas, reunidos à mesma hora, em Boston e em Nova Iorque, se correspondiam por seus respectivos médiuns. Assim também dois grupos de experimentadores, reunidos em Madrid e em Barcelona, se comunicavam simultaneamente pelo mesmo processo. Ao fim de cada sessão, redigia cada um por sua parte uma ata, que era posta imediatamente no Correio. As duas mensagens combinavam sempre fielmente." (68)
A "Revue Scientifique et Morale du Spiritisme", em seu número de janeiro de 1908, cita um fato interessante, extraído das "Memórias" da Sra. Adelma de Vay:
"A Sra. de Vay refere que, durante a campanha de 1866, o Conde Wurmbrandt, seu primo, fazia parte do Exército austríaco. No dia 25 de maio, recebeu dele uma extensa comunicação, em que lhe afirmava ser ele próprio, "seu primo Luís Wurmbrandt", acrescentando que "estava passando bem, que seu espírito se achava ao pé dela e o corpo no campo, em companhia dos soldados". A 15 de junho, nova comunicação: "Esperamos uma batalha... meu corpo está completamente adormecido." E afirmava estar nela pensando intensamente. A 4 de julho, ainda uma comunicação: "Não duvide da presença de meu espírito... Acabamos de travar uma grande batalha. Vou passando bem." No dia 5 de julho, o nome de Wurmbrandt figura na lista dos mortos. Entretanto, a 9 do mesmo mês, a Senhora de Vay recebe uma comunicação de seu primo, assegurando ter "felizmente sobrevivido à batalha de Honig Gratz" e que dentro de três dias lho confirmaria por carta. A Sra. de Vay recebeu efetivamente de seu primo uma carta enumerando, com particularidade, as enormes perdas sofridas pelo seu batalhão, o que explica a errônea suposição de sua morte."
Todos esses fatos estabelecem de modo positivo, desde esta vida, a ação mental e recíproca de alma a alma e a possível intervenção dos vivos exteriorizados nos fenômenos psíquicos. Para praticar a telepatia são necessárias duas condições: de um lado, no operador, a concentração e a exteriorização do pensamento. Para agir mentalmente, a distancia, é preciso recolher'se e dirigir com persistência o pensamento ao alvo predeterminado. Provoca'se assim um desprendimento parcial do ser psíquico, e origina'se uma corrente de vibrações que nos põe em relação com o nosso correspondente. ' Neste se requer, por sua parte, um grau suficiente de sensibilidade. Estas condições não se encontram tão freqüentemente como se poderia supor. É preciso criá'las por uma ação demorada da vontade e, em seguida, melhorá'las mediante o exercício cotidiano das faculdades adquiridas. O Dr. Balme observa (69) que, tendo experimentado com uma senhora de sua amizade, nenhum resultado obteve ao começo. Todos os dias, à mesma hora e durante muito tempo, prosseguiram ambos a tentativa. Os pensamentos trocados foram a princípio contraditórios.
Um dia, entretanto, foi percebida uma palavra com perfeita exatidão; depois foram seguidamente transmitidas frases de quatro a cinco palavras. Finalmente, ao cabo de dois anos, conseguiam comunicar' se, a distância, a qualquer hora do dia indiferentemente, começando apenas por bater palmas. Nessas experiências, como se vê, a perseverança é o elemento essencial de todo o êxito. É preciso, antes de tudo, aprender a fixar os pensamentos. Estes são por natureza instáveis, flutuantes; variam muito amiúde de um a outro objeto. Saibamos mantê'los sob a ação da vontade e impor'lhes um determinado objetivo. É dos mais salutares esse exercício, no sentido de habituar'nos a praticar a disciplina mental. Uma vez fixado o pensamento e estabelecida a corrente vibratória, torna'se possível a comunicação. Chegamos a corresponder'nos telepaticamente, não só com os nossos amigos terrestres, mas também com os do Espaço, porque a lei das correspondências é a mesma nos dois casos. Não é mais difícil conversarmos mentalmente com os seres amados cujo invólucro a morte destruiu, que com aqueles que, permanecendo na Terra, foram afastados para longe de nós pelas exigências da vida. O poder da evocação que vai atingir o ser espiritual, através da imensidade, numa região desconhecida do evocador, é a mais evidente demonstração da energia do pensamento.
Às vezes, durante o sono ou na vigília, a alma se exterioriza, se objetiva em sua forma fluídica e aparece, a distância. Daí o fenômeno dos fantasmas dos vivos. Um dos mais notáveis casos é o de Emília Sagée, professora em Volmar, cujo desdobramento pôde ser inúmeras vezes observado pelas quarenta e duas pessoas residentes no internato. (70) A esse se pode acrescentar o caso do reverendo Tr. Benning, citado pela Sra. Hardinge'Britten no 'Manner of Light". Seu duplo se transportou a Troy, onde devia realizar urna conferência no dia seguinte, a fim de dar aviso de que uma indisposição o impedia de cumprir sua promessa. Lá esteve e foi visto e ouvido por três pessoas, em uma das quais deu um empurrão. Durante esse tempo seu corpo não havia deixado Nova Iorque. (71) Uma jovem criada alemã, de Boston (Massachusetts), acometida de febre acompanhada. de delírio, se transportava, em sonho, à casa de sua família, na Europa. Aí, durante quinze noites consecutivas, todos os seus parentes a ouviram bater à porta da casa paterna e viram entrar o seu fantasma.
Todos a acreditaram morta; ela, porém, se restabeleceu. (72) O "Times", em sua edição hebdomadária de 1.0 de janeiro de 1908, consagra um longo artigo a um fato de desdobramento, que teria ocorrido na paróquia de East Rudham. O reverendo Dr. Astley, que aí exercia suas funções, em seguida a um acidente de estrada de ferro, na linha de Biskra, foi conduzido para o hospital dos ingleses, em Alger. Enquanto nele se achava em tratamento, seu fantasma foi repetidas vezes percebido e distintamente reconhecido por três pessoas, particularmente pelo reverendo Brock, vigário encarregado de substituir o Dr. Astley, na paróquia de East Rudham, durante o seu impedimento. Os mais numerosos testemunhos são fornecidos pela Sociedade de Investigações Psíquicas, de Londres. Essa Sociedade, composta de homens eminentes, erigiu um verdadeiro monumento científico coai a publicação do livro "The Phantasms of the Living" (73) e a dos "Proceedings", compilação de narrativas, que formam vinte e dois volumes e abrange um período de vinte anos de estudos.
Essas obras relatam milhares de casos de aparições, observados com todo o rigor que os sábios aplicam ao estudo dos fenômenos, e assinalam as circunstâncias e as provas que dão a cada fato o seu cunho de autenticidade e o apoio de testemunhos severamente esmerilhados. Esses fatos estabelecem de modo incontestável as relações que existem entre a aparição do duplo e a pessoa viva que ele representa. Não seria lícito atribuir a todos esses fenômenos um caráter subjetivo. Em certos casos, como vimos, só o cérebro do percipiente é impressionado pelas vibrações de um pensamento longínquo, as vibrações que se transmitem ao foco visual e aí fazem surgir a imagem do manifestante. Aqui, porém, na maior parte dos casos, os fenômenos observados não se prestam de modo algum a essa interpretação. Sua objetividade fica demonstrada no fato de serem vistos os fantasmas por muitas pessoas ao mesmo tempo, ou ainda sucessivamente quando, por exemplo, o fantasma se transporta aos diversos pavimentos de uma casa.
Os fantasmas dos vivos atuam sobre a matéria; abrem e fecham portas, agitam campainhas (74), fazem ouvir acordes em pianos fechados (75). Impressionam animais domésticos, deixam sinais de mãos e dedos na poeira dos móveis e, às vezes, mesmo comunicações escritas, que permanecem como uma irrecusável prova de sua passagem. (76) Os desdobramentos dos vivos têm sido comprovados em todos os tempos. Deles relata a História numerosos casos, firmados em valiosos testemunhos. Tácito refere (77) que Basilides apareceu a Vespasiano em um templo de Alexandria, achando'se na ocasião retido pela enfermidade a muitas léguas de distância. A mística cristã (78) registra, como fatos miraculosos, casos de bilocação ou bicorporeidade, em que facilmente reconhecemos fenômenos de exteriorização. Santo Afonso de Liguóri foi canonizado por se ter mostrado simultaneamente em dois lugares diferentes. Achando'se adormecido em Arienzo, pôde assistir à morte do papa Clemente XIV, em Roma, e anunciou, ao despertar, que, acabava de ser testemunha desse acontecimento. O caso de Santo Antônio de Pádua é célebre. Estando em Pádua a pregar, interrompeu'se de repente, em meio do sermão, e adormeceu.
Nesse mesmo instante, em Lisboa, seu pai, acusado falsamente de homicídio, era conduzido ao suplício. Santo Antônio aparece, demonstra a inocência de seu pai e faz conhecer o verdadeiro culpado. (79) Encontram'se numerosos fatos análogos na vida dos santos, particularmente nas de Santo Ambrósio, São Francisco Xavier, São José de Cupertino, Santa Maria d'Agreda, Santa Liduína, etc. O ser humano, desprendido dos liames carnais pela prece, pelas elevadas aspirações e por uma vida pura e sóbria, torna'se mais apto a exteriorizar'se. A possibilidade dessas manifestações acha'se igualmente demonstrada pelas experiências dos magnetizadores, como Du Potet, Deleuze, Billot, por Kerner, Perty, D'Assier, etc. Convém notar que esses fenômenos não se produzem somente durante o sono. Uma emoção violenta, certas enfermidades, a agonia, a morte, podem provocar o desprendimento psíquico. O Sr. Camilo Flammarion, em "O Desconhecido e os Problemas Psíquicos", capítulo VII, cita cento e oitenta e seis casos em que moribundos se manifestam, a distância, falando, ou apenas visíveis. (80) Na "Revue des Revues" (resposta a Sannt'Saêns) o ilustre astrônomo relata o seguinte fato:
"Uma jovem, ao fim de sete anos de afetuosas relações, se havia separado do homem que amava. Este se casou e ela nunca mais teve noticias suas. Passaram'se alguns anos, quando, em uma noite de abril de 1893, viu ela entrar em seu quarto uma forma humana, que se aproximou e sobre ela se debruçou. Sentiu então, nos lábios, com terror, o demorado beijo de uma boca gelada.. No dia seguinte, cerca de meio'dia, correndo a vista por um jornal, leu a notícia do falecimento e dos funerais do que fora seu amante."
Publicou o "L'Éclair" de 24 de novembro de 1908: (81)
"O comandante de um navio de guerra inglês fazia um cruzeiro nos mares do Sul. Estava, uma noite, encerrado em seu camarote, a fazer cálculos algébricos a giz, no quadro'negro, e em dado momento sentou'se à mesa para anotar no canhoto os resultados obtidos. Ao voltar'se, para ler no quadro a última, equação, viu de repente aparecer uma mão, com um vago começo de antebraço, tomar a esponja e apagar as fórmulas. Ficou estupefato, imóvel. Uma figura, ao começo nebulosa e indistinta, se tornou visível; era um homem, uniformizado, em quem reconheceu um dos seus antigos companheiros de escola, oficial de Marinha como ele, e que deixara de ver, havia muitos anos. Notou que estava envelhecido. A figura tomou um pedaço de giz, escreveu uma latitude, uma longitude, e desapareceu. O comandante, apenas dissipado o assombro que o tomara, sai rapidamente do camarote, chama os seus oficiais e lhes refere o que acabava de presenciar, mostrando'lhes as indicações inscritas no quadro e fazendo'lhes notar que nunca escrevia, como ali estavam, os algarismos.
Tomaram nota da hora e data e, obedecendo a um mesmo sentimento, fizeram rumo a todo vapor para o ponto do oceano indicado no quadro. Ao fim de cinco dias o alcançaram e durante longas horas cruzaram nas imediações do lugar, situado em pleno mar, a milhares de milhas de toda costa e fora das rotas de navegação. Afinal, na manhã do sexto dia, perceberam ao longe alguma coisa que flutuava, ponto negro no horizonte claro, em que se esgarçavam as névoas matutinas. Ao alcançá'lo, verificaram ser uma jangada, feita de tábuas apenas reunidas, à qual, sem viveres, sem água, à mercê do mais ligeiro vento, se achavam agarrados três agonizantes ' como o referiram quarenta e oito horas mais tarde, quando puderam falar ' únicos sobreviventes do naufrágio de um grande navio que se tinha incendiado e soçobrado em pouco tempo. Era seu comandante o oficial que aparecera diante do quadro'negro. O sinistro havia ocorrido no ponto inscrito pelo fantasma e precisamente à hora em que este se tinha manifestado. O capitão anotou o fato em seu diário de bordo.
Pode sem dúvida acreditar'se que ele próprio escrevera, inconscientemente, os algarismos no quadro'negro. Mas é preciso então admitir que ele agiu sob a influência do Espírito de seu antigo companheiro, que estava a morrer nas chamas e lhe transmitiu a latitude e a longitude do lugar em que se produzia a catástrofe."
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.