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Capítulo 16 de 52

Primeira Parte — parte 12 de 12

No Invisível · Léon Denis

O novo Espiritualismo já vincula entre si adeptos de todas as classes e de todos os países; um dia ligará todas as religiões, todas as sociedades humanas. Até agora a diversidade das raças e das crenças tinha sido um elemento essencial do desenvolvimento da Humanidade. As oposições e divergências eram necessárias para criar a magnífica variedade das formas e dos grupamentos. Cada indivíduo, como cada povo, teve que antes de tudo isolar'se para tornar'se ele mesmo, para constituir o seu "eu" distinto e adquirir sua consciência e livre autonomia. Na sucessão dos tempos, o princípio de individualidade devia, em suas aplicações, preceder a vida coletiva e solidária, sem o que todos os elementos vitais se teriam confundido, neutralizado. Pouco a pouco se foi dilatando o círculo da vida coletiva; constituíram'se grupamentos, que entraram em conflito. Sucederam' se as guerras. Através de lutas perpétuas, lutas de raças, de religiões e de idéias, é que se efetua a dolorosa peregrinação e a consciência da Humanidade se desperta.

Cada religião, cada sociedade, cada nacionalidade contribui com seu contingente de idéias; dá origem a formas especiais, a manifestações particulares da arte e do pensamento. No seu grande concerto da História, cada povo fornece sua nota pessoal, a colaboração de seu gênio. Da luta, da concorrência vital nasce a evolução; surgem obras sólidas dos conflitos e reencontros. E agora uma grande idéia se vai delineando. Pouco a pouco, da penumbra dos séculos se destaca uma outra concepção da vida universal. Em meio da aparente confusão, do caos dos acontecimentos, outras formas sociais e religiosas se elaboram. Do estado de diversidade e de separação, encaminhamo'nos para a harmonia e a solidariedade. Mau grado aos ódios e às paixões, as barreiras se vão abatendo entre os povos; as relações se multiplicam, tornando'se mais fáceis; permutam'se as idéias, as civilizações se penetram e fecundam. A noção de humanidade una se edifica: sonha'se, fala,'se em paz, língua, religião universais.

Mas para satisfazer a essas aspirações ainda vagas, para transformar o sonho em realidade, para fazer das diversas crenças uma fé comum, era necessário que uma poderosa revelação viesse iluminar as inteligências, aproximar os corações, fazer convergir todas as forças vivas da alma humana para um mesmo objetivo, para uma mesma concepção da vida e do destino. O novo Espiritualismo, apoiado na Ciência, é o portador dessa concepção, dessa revelação em que se fundem e revivem, sob formas mais simples e elevadas, as grandes concepções do passado, os ensinos dos messias enviados pelo Céu à Terra. E aí estará um novo elemento de vida e regeneração para todas as religiões do Globo. Toda crença deve ser baseada em fatos. As manifestações das almas libertadas da carne, e não a textos obscuros e envelhecidos, é que se deve pedir a revelação das leis que regem a vida futura e a ascensão dos seres. As religiões do futuro terão por fundamento a comunhão dos vivos e dos mortos, o ensino mútuo de duas humanidades.

Apesar das dificuldades que ainda apresenta a comunicação com o invisível ' e que é provável se aplainem com o tempo e a experiência ' pode' se desde já verificar que há uma base, muito mais ampla que todas, sobre que se apóia a idéia religiosa. Será um dos mais assinalados méritos do Espiritismo tê'la proporcionado ao mundo, por esse modo preparando, facilitando a unidade moral e religiosa. A solidariedade que vincula os vivos da Terra aos do Céu se estenderá pouco a pouco a todos os habitantes do nosso globo, e todos comungarão um dia em um mesmo ideal realizado. A alma humana aprenderá a conhecer'se em sua natureza imortal, em seu futuro eterno. Espíritos, de passagem por esta Terra, compreenderemos que o nosso destino é viver e progredir incessantemente, através do infinito dos espaços e do tempo, a fim de nos iniciarmos sempre e cada vez mais nas maravilhas do Universo, para cooperarmos sempre mais intimamente na obra divina. Compenetrados destas verdades, saberemos desprender'nos das coisas materiais e elevar bem alto as nossas aspirações.

Sentir'nos' emos ligados aos nossos companheiros de jornada, na grande romaria eterna, ligados a todas as almas pela cadeia de atração e de amor que a Deus se prende e a todos nos mantém na unidade da vida universal. Então as mesquinhas rivalidades, os odiosos preconceitos terão cessado para sempre. Todas as reformas, todas as obras de solidariedade receberão vigoroso impulso. Acima das pequenas pátrias terrestres veremos desdobrar'se a grande pátria comum: o céu iluminado. De lá nos estendem os braços os Espíritos superiores. E todos, através das provas e das lágrimas, subimos das obscuras regiões às culminâncias da divina luz. O carreiro da misericórdia e do perdão está sempre franqueado aos culpados. Os mais decaídos podem'se reabilitar, pelo trabalho e pelo arrependimento, porque Deus é justiça, Deus é amor. Assim a revelação dos Espíritos dissipa as brumas do ódio, as incertezas e os erros que ainda nos envolvem. Faz resplandecer sobre o mundo o grande sol da bondade, da concórdia e da verdade!...

Notas de Rodapé

(1) Veja'se a obra de Monsenhor Choliet, bispo de Verdun, "Contribuição do ocultismo à antropologia". Lethielleux, editor, Paris (sem data). (2) Veja'se o prefácio de G. Le Bon no livro de Lombroso "Hipnotismo", tradução francesa. (3) "Espíritos e Médiuns", pág. 230, Paris, Fischbacher, editor, 1911. (4) Idem, Ibidem, pág. 226. (5) Ver "Revue cies Etudes Psychiques", junho de 1904. (6) "Espíritos e Médiuns", pág. 204, Paris, Flschbacher, editor, 1911. (7) Ob. cit., pág. 543. (8) Ver De Rochas, "Extériorisation de Ia sensibilité" e "Extériorisation de Ia motricité", passim. (9) Ver Dr. Baraduc, "A alma humana, seus movimentos, suas luminosidades", passim. (10) "Proceedings of the Society Psychlcal Research", 1882 a 1902. (11) Ver W. Crookes, "Investigações sobre os fenômenos do Espiritualismo", págs. 159 e seguintes; A. Russel Wallace, "Os Milagres e o Moderno Espiritualismo", págs. 325 e seguintes; Aksakof, "Animismo e Espiritismo", cap. I. (12) Ver W. Crookes, ob. cit.; E. d'Espérance, "No Pais das Sombras", cap. XVIII; Aksakof, ob. cit. (13) Ver Aksakof, "Animismo e Espiritismo", cap. I, B. (14) "Proceedings Psychical R.S.Pf, tomo XV. Ver também M. Sage, "Outra Vida?" ("Mrs.

Piper"), paasim. (15) "Proceedíngs", 1897. (16) Relatório do professor Hyslop, "Proceedinga"; G. Delanne, "Investigações sobre a mediunidade", pág. 355. (17) Ver a "Resenha das sessões do IV Congresso Internacional de Psicologia", págs. 113 a 121, reproduzida pela "Revoe Scientifique et Morale du Spirítisme", outubro de 1900, pág. 213; setembro de 1902, pág. 158. (18) Ver a "Resenha do Congresso Espirita e Espiritualista", de 1900, págs. 241 e seguintes. (19) A História igualmente nos atesta que não são desconhecidos, como afirma o professor Richet, os fenômenos de aparição e de materialização. (20) Traduzida pelo Dr. Sankelevitch e publicada em francês com o titulo "La Personnalité Humaine" ("A Personalidade Humana'% reduzida a um só volume. A edição inglesa é em dois, In 89, F. Alcan, editor, 1905. (21) "Human Personality", tomo 11, pág. 287. (22) Ver "Boletim do Instituto Geral Psicológico", de dezembro de 1908, e a obra de César Lombroso, "Hipnotismo e Espiritismo". (23) César Lombroso, ' "Hipnotismo e Espiritismo", tradução Rossigneux, prefácio. (24) Ver a "Resenha do Congresso Espírita e Espiritualista", de 1900, Leymarie, editor. (25) Foi o caso de W. Crookes, de Russel Wallace, Lodge.

Akaakof, Myers, Hodgam e outros muitos. (26) "Proceedings of the Society Psychical Research", volume II. 27) Ver Gabriel Delanne, "A Alma é Imortal", 1• Parte (ed. FEB); "A Evolução Anímica" (ed. FEB); "Les Fantómes dez Vivants". (28) Ver Aksakof, "Animismo e Espiritismo", capa I, A. (29) O perispirito, ou corpo sutil, era conhecido dos antigos. Os padres da Igreja afirmam a sua existência. Ver L. Denis, "Cristianismo e Espiritismo", Nota complementar n 9. (30) Ver H. Durville, "O Fantasma dos vivos", 19 volume. Livraria do Magnetismo, 1910. Ver também "Annales des Sciences Psychiques", abril de 1908. (31) Ver "Dez Indes ã Ia planète Mars", por Th. Flournoy. professor de Psicologia na Universidade de Genebra, ,assim. (32) Ver a "Resenha do Congresso Espirita", de 1900, página 349. (33) Ver Leon Denis, "O Problema do Ser, do Destino e da Dor", cap. XIV. (34) O grande físico W. Crookes organizou uma classificação, segundo a qual as vibrações sonoras se acham distribuídas do 5 ao 15 graus, conforme a intensidade e a tonalidade. A eletricidade e a imantação do 20 ao 35 graus. Do 45 ao 50 encontram'se o calor e a luz. Além do 58 grau, manifestam'se as ondulações catódicas.

Nos intervalos, porém, extensas regiões de energias permanecem inexploradas, inacessíveis aos nossos sentidos. (35) Ver l Parte, cap. X, os processos a empregar para tornar'se médium. (36) Tácito, "Hist."; Suetônio, "Augusto"; Plínio o Jovem, "Cartas", livro VIII; Cícero, "De Divinatione", 2; Apúleo, "De Gen. Socrat."; Ammien Marcelin, "Hist.", 1, 20 cap. 6, pág. 267. (37) Comentários sobre "A República", de Platão. (38) Leon Denis ' "Cristianismo e Espiritismo", cap. V. (39) Ver Michelet, "A Feiticeira", passim; Joseph Fabre, "Processo de condenação de Joana d'Arc", Delagrave, editor. "A Sra. Piper", diz: "A derradeira vitima dos processos de feitiçaria foi Ana Gaeldi, supliciada em Glaris (Suíça), a 7 de junho de 1874. Durante catorze séculos foram executados mais de meio milhão de homens e mulheres, sob pretexto de feitiçaria." (40) O Concilio de Mãcon (585) discutiu "se a mulher tem ou não tem alma". (41) Ver 1* Parte, cap. IV ' "A mediunidade". (42) Professor Ch.

Drawbarn ' "The Science of the Communication". (43) Ver as experiências do Sr. Flournoy, professor de Psicologia na Universidade de Genebra, e a judiciosa critica que delas fez o Sr. Dr. Metzger ' "Autour des Indes à Ia planète", Leymarie, editor. (44) Ver 2• Parte, caps. XVII a XXI. (45) Ver 14 Parte, cap. VIII ' "As leis da comunicação espirita". (46) Russel Wallace '' "Os Milagres e o Moderno Espiritualismo", pág. 205. (47) Ver R. Dale Oweri, "Região em Litígio", passim; Altsakof, "Animismo e Espiritismo", cap. IV, C. Muitos outros exemplos poderiam ser mencionados. O Doutor Cyriox, diretor da "Spiritualistiche Blaetter", de Berlim, não obteve a escrita mecânica senão na 21% sessão (L. Gardy, "Cherchons", pág. 164). Vários membros do nosso grupo tiveram que aplicar'se a exercícios preparatórios, traçar sinais e caracteres informes durante muitos meses, antes de obter ditados legíveis (48) Ver 2+ Parte, cap. XVIII. (49) Ver 24 Parte, cap. XIX. (50) Ver Aksakof ' "Animismo e Espiritismo", cap. I, C, e mais adiante, cap. XX. (51) Ver 2s Parte, cap. XXI ' "Identidade dos Espíritos". (52) Moedinha do valor da vigésima parte do franco. ' (Nota do Tradutor) (53) Na Federação Espírita. Brasileira são usados os livros da série "Pão Nosso". ' (Nota da Editora) (53'A) Assim o designávamos, porque os nossos médiuns o viam envolto num véu azul.

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