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Capítulo 20 de 52

Segunda Parte — parte 4 de 9

No Invisível · Léon Denis

Nos casos importantes, quando o cérebro vibra com demasiada lentidão para que possa registrar as impressões intensas ou sutis percebidas pelo Espírito, e este quer conservar, ao despertar, a lembrança das instruções que recebeu, cria então, pela ação da vontade, quadros, cenas figurativas das imagens fluídicas, adaptadas à capacidade vibratória do cérebro material, sobre o qual, por um efeito sugestivo, as projeta energicamente. E, conforme a necessidade, se é inábil para isso, recorrerá ao auxílio dos Espíritos mais adiantados, e assim revestirá o sonho uma forma alegórica. Entre os deste gênero, há alguns célebres, como, por exemplo, o sonho do Faraó, interpretado por José. (88) Muitas pessoas têm sonhos alegóricos, os quais nem sempre traduzem as impressões recebidas diretamente pelo Espírito do indivíduo adormecido, mas, na maior parte das vezes, revelações provenientes das almas, que todos temos, prepostas a nossa guarda. Achando'me gravemente enfermo e quase desenganado, obtive, sob significação figurada, o aviso de minha própria cura.

No sonho, eu percorria com muita dificuldade um caminho coberto de escombros; à medida que me adiantava, os obstáculos se me acumulavam sob os pés. Súbito, um riacho largo e profundo surge à minha vista, e sou obrigado a interromper a marcha. Sento'me, cheio de angústia, à beira dágua; mas da outra margem mão invisível estende'me uma prancha, cuja extremidade se inclina a meus pés. Não tenho mais que me firmar nela e, por esse meio, consigo transpor o curso da água. Do lado oposto o caminho é livre e desembaraçado, e eu sigo com o passo mais firme, em meio de aprazível planície. Eis aqui o sentido desse sonho: Informado, algum tempo depois, por uma mulher imersa em sono magnético, da causa de minha enfermidade, causa assaz vulgar, com que nenhum médico havia podido atinar, nem com os remédios aplicáveis, readquiri pouco a pouco a saúde e pude recomeçar os meus trabalhos. Nos sonhos são, com freqüência, registrados fenômenos de premonição, isto é, comprova'se a faculdade que possuem certos sensitivos de perceber, durante o sono, as coisas futuras.

São abundantes os exemplos históricos: Plutarco ("Vida de Júlio César") faz menção do sonho premonitório de Calpúrnia, mulher de César. Ela presenciou durante a noite a conjuração de Brutus e Cassius e o assassínio de César, e fez todo o possível por impedir este de ir ao Senado. Pode'se também ver em Cícero ("De Divinatione", I, 27) o sonho de Simônides; em Valério Máximo (VII, par. I, 8), o sonho premonitório de Atério Rufo e (VII, par. I, 4) o do rei Creso, anunciando'lhe a morte de seu filho Athys. Em seus "Comentários", refere Montlue que assistiu, em sonho, na véspera do acontecimento, à morte do rei Henrique II, traspassado por um golpe de lança, que num torneio lhe vibrou Montgommery. Sully, em suas "Memórias" (VII, 383), afirma que Henrique IV tinha o pressentimento de que seria assassinado em uma carruagem.

Fatos mais recentes, registrados em grande número, podem ser comprobatoriamente mencionados: Abraão Lincoln sonhou que se achava em uma calma silenciosa, como de morte, unicamente perturbada por soluços; levantou'se, percorreu várias salas e viu, finalmente, ao centro de uma delas, um catafalco em que jazia um corpo vestido de preto, guardado por soldados e rodeado de uma multidão em pranto. "Quem morreu na Casa Branca?" ' perguntou Lincoln. "O presidente; ' respondeu um soldado ' foi assassinado!" Nesse momento uma prolongada aclamação do povo o despertou. Pouco tempo depois morria ele assassinado. (89) Em seu livro "O Desconhecido e os Problemas Psíquicos", C. Flammarion cita 76 sonhos premonitórios, dois dos quais por sua mãe (cap. IX). Na maior parte os revestem o caráter da mais absoluta autenticidade. Um dos mais notáveis é o caso do Sr. Berard, antigo magistrado e deputado (cap. IX).

Obrigado pelo cansaço, durante uma viagem, a pernoitar em péssima estalagem, situada entre montanhas selváticas, ele presenciou, em sonho, todos os detalhes de um assassínio que havia de ser cometido, três anos mais tarde, no quarto que ocupava, e de que foi vítima o advogado Vitor Arnaud. Graças à lembrança desse sonho é que o Sr. Berard fez descobrir os assassinos. Esse fato é igualmente referido pelo Sr. Goron, Chefe de Policia, em suas "Memórias" (t. II, pág. 338). Pode'se também citar: O sonho da mulher de um mineiro, que vê cortarem a corda do cesto que servia para descerem os operários aos poços de extração. Logo no dia seguinte o fato se verificou, e muitos mineiros deveram a vida a esse sonho (cap. IX). Uma jovem irmã de caridade (Nièvre) viu em sonho o rapaz, para ela então desconhecido, com quem depois haveria de casar'se. Graças a esse sonho ela se tornou Mme. de ia Bédollière (cap. IX). Conscritos vêem em sonho os números que tiraram no dia seguinte ou dias depois (cap. IX).

Muitas pessoas vêem em sonho cidades, sítios, paisagens, que realmente visitaram mais tarde (cap. IX). O Sr. Henri Horet, professor de Música em Estrasburgo, viu certa noite, em sonho, saírem cinco féretros de sua casa. Pouco depois se deu aí um escapamento de gás e cinco pessoas morreram asfixiadas (cap. IX). Aos sonhos etéreos pode'se juntar o fenômeno de êxtase ou arroubo. Considerado por certos sábios, pouco competentes em matéria de Psiquismo, como estado mórbido, o êxtase é em verdade um dos mais belos apanágios da alma afetuosa e crente, que, na exaltação de sua fé, reúne todas as suas energias, se desembaraça momentaneamente dos empecilhos carnais e se transporta às regiões em que o Belo se ostenta em suas infinitas manifestações. No êxtase, o corpo se torna insensível; a alma, libertada de sua prisão, tem concentradas toda a sua energia vital e toda a sua faculdade de visão em um ponto único. Ela não é mais deste mundo, mas participa já da vida celeste.

A felicidade dos extáticos, o júbilo que experimentam, contemplando as magnificências do Além, seriam só por si suficientes para nos demonstrar a extensão dos gozos que nos reservam as esferas espirituais, se as nossas grosseiras concepções nos não impedissem muitíssimas vezes de os compreender e pressentir.

A clarividência ou adivinhação é essa faculdade, que possui a alma, de perceber no estado de vigília os acontecimentos passados e futuros, no mundo intelectual como no domínio físico. Esse dom se exerce através do tempo e da distância, independentemente de todas as causas humanas de informação. A adivinhação foi praticada em todos os tempos. Seu papel na antiguidade era considerável, e, qualquer que seja a parte de alucinação, de erro ou fraude que se lhe deva atribuir, já não é possível, depois das recentes comprovações da psicologia transcendental, rejeitar em massa os fatos dessa ordem atribuídos aos profetas, aos oráculos e às sibilas. Essas estranhas manifestações reaparecem na Idade Média: João Huss anuncia, do alto da fogueira, a vinda de Lutero. Joana d'Arc havia predito, desde Domrémy, o livramento de Orleães e a sagração de Carlos VII. Anuncia também que será ferida defronte de Orleães.

Uma carta escrita pelo encarregado de negócios de Brabant, a 22 de abril de 1429, quinze dias antes do acontecimento e conservada nos arquivos de Bruxelas, contém esta passagem: "Ela predisse que será ferida por uma seta durante o assalto, mas que não morrerá; que o rei será sagrado em Reims, no próximo verão" (90). Profetiza seu encarceramento e morte. Junto aos fossos de Melun, suas "vozes" a haviam advertido de que seria entregue aos ingleses antes do dia de São João (91). Durante o processo, anuncia a completa expulsão dos ingleses, antes de sete anos. Sucedem'se depois, em toda essa vida maravilhosa, profecias de ordem secundária: em Chinon, a morte de um soldado que a escarnecia, o qual, na mesma noite, se afogou no riacho de Vienne; em Orleães, a morte do capitão Glasdale; o livramento de Compiègne antes de Saint'Martin'd'Hiver, etc. Os casos de clarividência são numerosos em nossa época. Citaremos alguns deles.

Os "Annales des Sciences Psychiques" (1896, página 205) refere que Lady A., tendo sido vítima de um roubo em Paris, conseguiu descobrir, por intermédio de uma vidente, o autor do delito, que ela estava longe de suspeitar, com todas as particularidades complicadíssimas do fato. O culpado não era outro senão Marchandon, um de seus criados que, por suas boas maneiras, havia captado a inteira confiança de sua patroa, e que veio a ser mais tarde o assassino da Sra. Cornet. O pressentimento é a vaga e confusa intuição do que vai acontecer. J. de Maistre fez notar que "o homem é informado naturalmente de todas as verdades úteis". Soldados e oficiais têm, na manhã do dia em que se vai travar uma batalha, o nítido sentimento de sua morte próxima. Por uma averiguação procedida em tal sentido, ficou provado que uma religiosa de S. Vicente de Paulo, na véspera do incêndio do Bazar de Caridade, havia predito que aí morreria queimada. Essa faculdade se encontra com freqüência em certos países, como, por exemplo, nas regiões altas da Escócia, na Bretanha, na Alemanha, na Itália.

Um pouco, porém, por toda a parte, em torno de nós, podemos coligir fatos de pressentimentos, baseados em testemunhos inequívocos. São tão numerosos que julgamos supérfluo insistir nisso. Citemos apenas os três seguintes casos:

"O Coronel Collet, no Bulletin de Ia Société d'Etudes Psychiques de Nancy (fevereiro de 1902, pág. 6), refere que seu sogro, o Sr. Vigneron, emérito caçador e pescador, saia quase todos os dias para se entregar a seus prazeres favoritos, sem que por esse motivo sua mulher de modo algum se inquietasse. Um dia, entretanto, ela o quis impedir de ir à pesca, tendo o pressentimento de que ele se afogaria. O marido, porém, não fez caso, e, ao regressar à noite, pôs'se a gracejar da puerilidade dos seus temores. No dia seguinte confessava em particular a seu genro que, tendo o seu barco soçobrado, ele conseguira sair da água e do lodo, em que se ia afundando, graças a um ramo de salgueiro a que se agarrara a tempo. Havia posto as roupas a secar e as limpara antes de entrar em casa."

O Dr. Max Simon, no "Monde des Rêves", narra um fato da mesma natureza:

"Um jovem doutor alemão, voltando de uma visita a seus pais, encontrou dois oficiais e com eles combinou tomarem um carro. No momento de subir ao veiculo, sentiu'se tolhido por uma estranha influência, que o fez recusar'se terminantemente a partir, apesar das instâncias dos oficiais. Mal se haviam os posto a caminho, a influência dissipou'se. O jovem doutor aproveitou então a primeira ocasião para continuar a viagem. Ao chegar às margens do Elba, notou um ajuntamento: ' Os dois oficiais se haviam afogado no rio, onde tombara a carruagem."

Pode, finalmente, ver'se nos "Annales des Sciences Psychiques", de agosto de 1905, a narrativa de um caso descrito pelo "Messagero", de Roma:

"Um certo Marino Tonelli, de 27 anos de idade, residente em Rancidello (República de San Marino), regressava a casa, em seu cabriolé, na noite de 13 de junho. Adormecera e, ao passar por um lugar perigoso da estrada, conhecido sob a denominação de Coste di Borgo, de repente sentiu'se violentamente sacudido e despertou. Achou'se estendido num campo, ao fundo de pequena ribanceira, por onde acabava de rolar com o cavalo e o cabriolé. Felizmente não estava ferido, e começara, com o auxílio de algumas pessoas que o haviam acudido, a pôr a salvo sua pequena equipagem, quando viu aparecer, com grande espanto, sua mãe. A pobre senhora, chorando de comoção, o abraçou, perguntando'lhe se não se machucara e acrescentou: ' "Eu te vi, sabes? Não conseguia dormir. Tua mulher e os teus dois pequeninos já estavam dormindo há algum tempo; mas eu sentia uma inquietação, um mal'estar extraordinário, desconhecido, que não podia explicar. De repente vi aparecer diante de mim este caminho, exatamente este lugar, com a ribanceira ao lado; vi o cabriolé virar e seres precipitado neste campo; tu me chamavas em teu socorro.

Senti, por último, a necessidade irresistível de aqui vir e, sem despertar pessoa alguma, resistindo ao pavor da solidão, da obscuridade e da tempestade ameaçadora, aqui estou, depois de uma caminhada de quatro quilômetros." O correspondente do Messagero termina dizendo: "Aí está o fato, ai a narrativa exata que colhi dos lábios, ainda trêmulos de comoção, dessa honrada gente." De acordo com uma indagação a que procedeu ao Senhor Francesco, a inquietação da mãe do rapaz precedeu de algumas horas a visão do acidente, e este ocorreu três quartos de hora depois da visão, isto é; o tempo necessário para percorrer a pé a distância que separa a casa dos Tonelli do lugar do acidente."

A premonição e os pressentimentos são difíceis de analisar'se no ponto de vista científico. Não são explicáveis, senão em certos casos, quando o acontecimento pressentido tem precedentes, subjetivos ou objetivos. Na maioria dos casos, porém, os fatos anunciados nada oferecem que se preste à idéia de sucessão ou encadeamento. Donde vem o poder de certas almas, de lerem no futuro? Questão profunda e obscura, que causa vertigem como o abismo, e que não propomos sem uma certa perturbação, porque a sentimos quase insolúvel para a nossa mesquinha ciência. Do mesmo modo que, girando no espaço, cada mundo se comunica, através da noite, com a grande família dos astros pelas leis do magnetismo universal, assim também a alma humana, centelha emanada do Divino Foco, se pode comunicar com a grande Alma eterna e dela receber instruções, inspirações, lampejos instantâneos. Desta explicação podem sorrir os cépticos. Não é, porém, de nossa elevação para Deus que derivam as forças vivas, os socorros espirituais, tudo o que nos engrandece e faz melhores?

Cada um de nós possui, nas profundezas de seu ser, como que uma fresta rasgada sobre o infinito. No estado de desprendimento psíquico ' sonho, êxtase, transe ', o círculo de nossas percepções se pode dilatar em proporções incalculáveis; entramos em contacto com a imensa hierarquia das almas e dos poderes celestes. Gradual e sucessivamente, pode o espírito remontar até à Causa das causas, à Inteligência divina, para quem o passado, o presente e o futuro se confundem num todo único, e que do conjunto dos fatos conhecidos sabe deduzir todas as conseqüências que comportam.

XIV ' Visão e audição psíquicas no estado de vigília

A visão e audição psíquicas em estado de vigília estão ligadas aos fenômenos de exteriorização, neste sentido: necessitam de um começo de desprendimento no percipiente. Não se trata mais de fatos fisiológicos ou de manifestações do ser vivo, a distância, e sim de uma das formas de mediunidade. Na visão espírita, a alma do sensitivo já se acha parcialmente exteriorizada, isto é, fora do organismo material. Sua faculdade própria de visão se vem acrescentar ao sentido físico da vista. As vezes a substituição deste pelo sentido psíquico é completa. Demonstra'o o fato de, em certos casos, o médium ver com os olhos fechados. Fui muitas vezes testemunha desse fenômeno. Convém ter o cuidado de distinguir a clarividência da visão mediúnica. Acontece que sonâmbulos muito lúcidos, no que se refere aos seres e às coisas deste mundo, são inteiramente cegos a respeito de tudo o que concerne ao mundo dos Espíritos.

Prende'se isso à natureza das irradiações fluídicas de seu invólucro exteriorizado e ao modo peculiar de adestramento a que os submete o magnetizador. É o que distingue o estado de simples lucidez do de mediunidade. Neste último caso, já não é o magnetismo humano que intervém. O vidente se acha sob a influência do Espírito que sobre ele opera, visando produzir determinada manifestação. Provocando o estado de semidesprendimento, faculta ao sensitivo a visão espiritual. O sentido psíquico, como vimos, é muito mais sutil que o sentido físico; pode distinguir formas, radiações, combinações da matéria que a vista normal não seria capaz de perceber. Para tornar mais distinta sua aparição, o Espírito muitas vezes recorre a um começo de materialização. Objetiva'se mediante as forças hauridas nos assistentes. Nessas condições, sua forma fluídica penetra no campo visual do médium e pode mesmo, em certos casos, impressionar a placa fotográfica. Os videntes descrevem os Espíritos com particularidades que são outros tantos elementos de comprovação.

Depois vem a fotografia confirmar, ao mesmo tempo, a fidelidade da descrição e a identidade dos Espíritos que se manifestam. Estes são muitas vezes desconhecidos dos médiuns. No grupo de estudos psíquicos de Tours (92), de 1897 a 1900, possuíamos três médiuns videntes, auditivos e de incorporação. Antes de adormecerem, feita a obscuridade, eles divisavam, ao pé de cada um dos assistentes, Espíritos de parentes ou de amigos que nomeavam quando os conheciam, ou que descreviam minuciosamente quando os viam pela primeira vez. Nesse caso, a descrição era tal que, conforme a atitude ou o vestuário, os assistentes reconheciam facilmente a personalidade do manifestante. Além disso, os médiuns ouviam e transmitiam a linguagem dos Espíritos e os desejos que estes formulavam. A impressão produzida nos videntes variava de modo muito sensível, conforme o desenvolvimento das faculdades mediúnicas ou o adiantamento dos Espíritos. Onde uns só distinguiam um ponto brilhante, uma chama, outro via uma forma radiosa. O mesmo acontecia com a audição, que variava de intensidade e precisão conforme os sensitivos.

Quando um não percebia mais que um vago som, uma simples vibração, outro escutava uma harmonia doce e penetrante que o comovia até às lágrimas. O estado de adiantamento do Espírito, como o sabemos, se revela, à primeira vista, no Espaço, pelo brilho ou obscuridade do seu invólucro. Em nossas experiências, já os videntes reconheciam o grau de elevação das almas pela intensidade de suas irradiações. Muitas vezes fizemos este reparo: médium acordado, com os olhos abertos, percebia um certo número de Espíritos de todas as ordens. Fechados os olhos, distinguia somente alguns deles, os mais adiantados, aqueles cujas irradiações sutis ' a exemplo dos raios X em relação às placas fotográficas ' podiam, através das pálpebras cerradas, influenciar o sentido visual. (93)

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.