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Capítulo 98 de 110

Situação das Religiões Dominantes

Mediunidade · Edgard Armond, espíritos diversos

As atuais religiões em sua maioria mas, principalmente, as que se dizem cristãs, desempenharam seu papel segundo as épocas e as condições que lhes foram próprias mas, atualmente, a compreensão humana evoluiu a um ponto que não mais aceita o arcaismo das concepções que até ontem venerava. Essas religiões, dogmáticas e materializadas, fracassaram tôdas; não foram capazes, porque se entregaram a Mamon, de espiritualizar os homens, e compreenderam, já, que estão se aproximando do fim do seu poderio. E assim como nada construiram de permanente, não permanecerão. Incapazes de se adaptarem ao progresso e acompanhar, evoluindo, a marcha das coisas, agarram-se e continuarão a agarrar-se, obstinadas, a seus dogmas obsoletos e rituais espetaculares, na esperança ilusória de poderem assim sobreviver, como até aqui, dominando as massas com meias verdades. Constatam que dia a dia perdem terreno e aumenta o número de seus vacilantes adeptos que desertam para engrossar as hostes da espiritualidade e nessa situação aúgustiosa estreitam e renovam suas seculares alianças com os poderes materiais do mundo, num conúbio mistificador que visa, como sempre visou, a subjugação das massas possuidoras ainda, em grande parte, de uma lastimavel e incrível ignorância religiosa.

Mas o ariete espiritual bate cada vez mais forte e mais insistente e vai aos poucos derruindo os alicerces dessas construções artificiais, levantadas na areia da transitoriedade. Tudo oscila, estremece e palpita numa compreensão nova, ao sopro dêsse vento que “sopra onde quer”, dessa luz que afasta tôdas as sombras, dessa esperança que renova todos os alentos. E o próprio Oriente, tradicionalmente adormecido em seu eterno sono místico, já agora está despertando, sacudido por fôrças desconhecidas e de incrível poder, para que abandone seu silêncio e seu isôlamento, e ombro a ombro com os demais povos, se prepare para os novos tempos que surgem. E inútil se torna tôda e qualquer resistência, daqueles que não querem receber a nova revelação porque, quando a verdade não pode entrar pela porta larga da inteligência, à claridade do dia, entra pelas frestas da construção, na calada da noite, surpreendendo os espíritos endurecidos nos seus redutos

mais íntimos e mais caros. Esse ariete, quando não é o sofrimento, é a mediunidade, porque ambos são irresistíveis e contra eles não valem os recursos mundanos, a ciência ou os formalismos religiosos, mas sõmente as virtudes que vêm de uma compreensão esclarecida, da humildade do coração e da submissão completa às leis do Criador.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.