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Capítulo 92 de 110

Intercâmbio com Espíritos Superiores

Mediunidade · Edgard Armond, espíritos diversos

Tendo esta legenda como alvo automaticamente colocamos nossos ideais em posição elevada. Que nos podem dar os Espíritos inferiores? Exceto as lições de ordem moral que tiramos de seus casos individuais e da oportunidade que seu intercâmbio nos concede de exercermos a caridade evangélica, pouco mais nos vem deles, que respeite ao progresso do mundo. Por outro lado quase tudo o quanto a eles se refere já édo conhecimento geral, pois que seus casos individuais representam sempre atrazo, ignorância, faltas cometidas e sofrimentos reparadores; como também é sabido o fato de poderem ser muitas vezes auxiliares (mesmo quando inconscientes) dos Espíritos superiores para a realização de suas tarefas, quando por exemplo servem para provocar e manter obsessões e inúmeras outras perturbações de caráter espiritual. Compreendido isto resulta que, mau grado os sentimentos de solidariedade fraternal que devemos dedicar-lhes, pouco nos restará do intercâmbio que com eles mantivermos.

Uma última lição, entretanto, e altamente proveitosa, esse intercâmbio nos dá, e é justamente a convição de que devemos nos voltar para os aspectos superiores da vida espiritual porque é daí que nos virão elementos mais avançados do conhecimento, fôrças mais puras, de que carecemos para apressar nossa evolução. Precisamos oferecer maior campo às entidades dos planos superiores, já que estas mui dificilmente encontram médiuns em condições de servir-lhes de instrumento de manifestação em nosso meio. É preciso aumentar o número de médiuns de excepcional capacidade, para acelerar o progresso do mundo e dilatar a limites mais amplos o campo, ainda tão restrito, dos conhecimentos humanos no setor do espírito porque, quando tal coisa acontecer, a ignorância religiosa será vitoriosamente combatida; a superstição será substituida pelas claridades do pensamento lúcido e as práticas inferiores irão sendo encurraladas nos seus antros e ali exterminadas,

porque os novos horizontes já agora iluminados e transparentes. não mais permitirão a existência de sombras. Não nos detenhamos pois no caminho, a pervagar em sentimentalismos inócuos; nosso alvo está ainda muito além do que hoje se vê ou se sabe e devemos buscá-lo confiadamente, sem olhar para trás. Para os que desejam passar pelo crivo do juizo, do selecionamento espiritual que já está se processando nos planos invisíveis, para a formação do mundo renovado do terceiro milênio, o problema está em atingir os cumes deste ciclo, mergulhando na luz para fugir às trevas. Somente poderemos atingir as esferas mais elevadas do mundo espiritual quando largarmos todas as amarras que nos mantêm presos a este. É preciso que os médiuns, principalmente, encarem suas tarefas com grande elevação de vistas, sobrepondo-se às suas próprias inferioridades e lutando por elevar ao maior grau possível de perfeição suas faculdades mediúnicas.

Não se julguem em posição estacionária, nem permaneçam em situação de doentia passividade, mas se esforcem denodadamente por se tornarem melhores cada dia que passa, porque deles depende em grande escala a marcha da evolução humana em nossos dias. Queremos um Espiritismo de claridades, de realizações mais amplas e, se não o conseguirmos desde logo, pela lentidão da própria evolução, nem por isso nos devemos conformar com a rotina e nos acumpliciar com as forças retardadoras do pensamento; e muito menos com a estagnação das maravilhosas possibilidades espirituais que a doutrina nos outorga para a realização da obra comum de redenção.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.