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Capítulo 7 de 110
Teorias sobre Mediunidade
Mediunidade · Edgard Armond, espíritos diversos
Há muitas teorias e explicações sobre mediunidade e vamos passar-lhes
aqui uma ligeira revista sem contudo nos determos em analisá-las. 1) A da mistificação. Tudo é resultado de arranjos, habilidades mecânicas, truques. 2) A da ilusão. Nada, há de real; há somente ilusionismo. Os realizadores e assistentes de trabalhos espíritas ficam alucinados, sugestionados e por isso vêm, sentem e ouvem coisas que não existem. 3) A demoníaca. Tudo é obra de demônios, porque nenhuma entidade “celeste” pode andar pelo espaço em liberdade, falar com os vivos ou fazer-se passar por almas de mortos. Somente o diabo o pode, por ser rebelde às leis divinas. 4) A dos elementais. Os elementos da natureza, sêres não humanos, como gnomos, silfos, fadas e gênios, formas inconscientes e inferiores da vida, atuam sôbre os homens em certas circunstâncias, produzindo manifestações e fenômenos insólitos. 5) A dos cascões astrais.
As almas dos mortos verdadeiramente não influem sobre os homens a não ser em casos muito raros; mas seus cascões astrais, que são envoltórios semi-materializados e destinados à decomposição, após a morte, como sucede também com o corpo físico, atuam sôbre os sensitivos e produzem fenômenos. Esta é a teoria predileta dos teósof os. 6) A da loucura. Os médiuns são indivíduos anormais, loucos mais ou menos pacíficos e tudo o que dizem e fazem é resultado de sua própria perturbação mental. 7) A da emoção. Segundo os swedenborguianos, o mundo espiritual nos rodeia e, sob a ação de uma emoção forte, os sentidos podem adquirir um desenvolvimento anormal que permite ligações com o mundo dos Espíritos. 8) A do automatismo psicológico. Tôda idéia tende a realizar-se e todas as manifestações ditas mediúnicas são simples fenômenos do sub-consciente individual. 9) A da força psíquica. Há indivíduos que possuem uma fôrça especial e definida, magnetismo, fluído nervoso ou o que quer que seja, que produz os fenômenos. 10) A de S. Martinho.
Pode-se chegar pela graça dos próprios méritos a estabelecer ligações com a divindade. 11) A do dom. A mediunidade é um dom que será derramado sobre uns e outros segundo a vontade de Deus. 12) A do batismo do Espírito Santo. A mediunidade é uma virtude que baixará sôbre todos aqueles que forem beneficiados pelo Espírito Santo. 13) A do personalismo. O sub-consciente dos sensitivos tem a tendência de apropriar-se do nome e do caráter de personalidades estranhas, reproduzindo-os em seguida. Esta teoria confunde-se com a do automatismo psicológico. 14) A do animismo, O sensitivo sofre um desdobramento de consciência que se coloca fora do corpo físico, formando um centro de fôrça que produz fenômenos não só psíquicos como também físicos e plásticos. Esta teoria se confunde com a da “fôrça psíquica 15) A teoria espírita — segundo a qual indivíduos denominados médiuns possuem uma aptidão especial para servirem de intermediários entre os mundos físico e espiritual. Esta é a teoria predominante, que hoje em dia domina as atenções, explica a maioria dos fatos e é plenamente confirmada pelas realidades. Não nega que haja fenômenos de psiquismo individual, de
animismo como se costuma dizer; êstes são também fenômenos de mediunismo, que reforçam a teoria espírita e em nada lhe afetam a autenticidade científica.
A lista como se vê, é grande, podendo ainda ser aumentada, e não cabendo aqui analisar, como dissemos, cada uma destas concepções de per si, nos limitamos a apresentar mais para diante nosso ponto de vista e defendê-lo à luz de conhecimentos gerais do campo espiritualista. No que respeita, porém, a ser a mediunidade um fenômeno orgânico, desde já divergimos, em parte, para dizer que a mediunidade normal, natural, é uma circunstância tôda pessoal que decorre do grau de evolução de cada um de nós. Evoluindo conquista o indivíduo crescente percepção espiritual que lhe vai permitindo cada vez maiores contactos com a criação divina, conquanto possa também, em certos casos, obter tais percepções como dádiva, como graça, conforme veremos mais tarde (2).
(2) Trata-se da forma corrente de mediunidade, a mais generalizada, que denominamos — de prova.
Mas quanto à faculdade em si mesma julgamo-la tôda espiritual, não orgânica, e todos nós a possuimos e a estamos exercendo, nos limites de nossas possibilidades próprias. Cada Espírito possui sua “tonalidade” própria, como sua “luz” própria, seu “diapasão” próprio de vibrações e por fôrça dêssses valores intrínsecos se manifesta e interfere nos ambientes em que vive, que lhes sejam correspondentes ou, melhor dito, afins. É tudo uma questão de grau que faz com que os fenômenos naturais e a coisas espirituais sejam mais ou menos aparentes, perceptíveis, compreensíveis a uns e outros. Se as próprias Escrituras dão a mediunidade como uma herança do homem, desde que se edifique no campo da vida moral, compreende-se que a mediunidade natural não é previlégio de alguns, mas patrimônio comum de todos, quando atingidos estiverem degraus mais altos da escada da evolução.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.