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Capítulo 84 de 110
Uma Prática a Seguir
Mediunidade · Edgard Armond, espíritos diversos
Em trabalhos de desenvolvimento temos feito inumeras experimentações. Começamos com uma sessão comum, mista, em que sofredores eram doutrinados, instruções eram dadas, lidos e interpretados textos de doutrina, e enfermos assistidos. Nessa sessão sucedia o que sempre sucede em sessões dêsse tipo, inclusive cenas pouco edificantes de interferências de Espíritos inferiores, ou provocadas por médiuns descontrolados e viciados na utilização de suas faculdades. Passamos então a compreender que para o desenvolvimento eficiente de faculdades era necessário criar-se um ambiente especial, altamente adequado, resguardado de interferências e fortalecido de influências poderosas, uma sessão em que prevalecessem fatores de capacidade acima de nosso plano material e de nossas possibilidades pessoais. Fomos introduzindo as modificações necessárias com vistas a êsse alvo e por fim resolvemos alterar completamente o regime do trabalho, pedindo, para a parte prática, a presença de um de nossos Guias espirituais que porventura aceitasse a missão, em carater permanente, utilizando-se de um médium de incorporação, especialmente indicado para permanecer longo tempo em transe mediúnico.
Feito o entendimento com os mentores espirituais iniciamos finalmente o trabalho, em sua nova modalidade, e os resultados foram, desde logo, surpreendentes: no campo material surgiram a ordem, o método, o silêncio, o respeito, a disciplina, e no espiritual a expressão doutrinária ganhou majestade e elevação com a orientação vasada rigorosamente no Evangelho. O ambiente espiritual modificou-se e de nosso cenáculo foram se aproximando entidades de hierarquia superior, trazendo cada uma um extenso contingente de benefícios. Cessaram tôdas as possibilidades de mistificação e os casos individuais, de encarnados ou desencarnados, foram sendo considerados e solucionados com perfeita segurança e profundo conhecimento de causa. Cessaram também as interferências, estabeleceu-se harmonia, ganhou-se estabilidade, o campo espiritual desdobrou-se amplamente e, com o aumento dos cooperadores dos dois planos, maior soma de benefícios pôde ser então distribuída.
Muitas alterações foram sendo, todavia, introduzidas à medida que a prática as aconselhava e por fim se estabeleceu que os trabalhos, em linhas gerais, devem ser feitos da seguinte maneira: 1º) todo candidato à sua frequência é submetido prêviamente a um exame espiritual, de caráter mediúnico, e a tratamento espiritual preparatório. 2º) havendo mediunidade em ponto de desenvolvimento o candidato toma assento, fora das mesas, como assistente, durante três ou quatro sessões, para se familiarizar com o ambiente e com o sistema de trabalho adotado e durante êsse tempo, do ponto de vista de manifestações mediúnicas, nada se passa com êle, salvo o trabalho preparatório feito pelos assistentes invisíveis; 3º) passa depois à mesa dos que estão em fase de adaptação psíquica, já então dentro da corrente, período êsse que émais ou menos
prolongado segundo as condições pessoais do candidato, do ponto de vista material e moral e, principalmente, segundo o avanço da gestação mediúnica; 4º) terminado êsse período, durante o qual também vai, concomitantemente, estudando a doutrina e recolhendo o fruto das preleções ouvidas, e quando a aura mediúnica já pode vibrar em condições favoráveis, passa a uma mesa intermediária onde tais condições se devem avolumar a ponto de o candidato manifestar os primeiros sinais da faculdade em eclosão. Tomando como exemplo o caso de incorporação, o candidato permanece nessa mesa até que a influenciação o leve ao impulso incontido de falar; 5º) nesse ponto transfere-se enfim o candidato para a mesa dos médiuns que já recebem e passa então a exercitar sua faculdade segundo o critério dos mentores espirituais do trabalho geral. Nessa situação também permanece durante um tempo mais ou menos longo, conforme os progressos demonstrados e, por fim, quando é julgado em condições, recebe liberdade de ação e pode trabalhar onde quiser.
O médium é julgado em condições quando recebe com segurança, facilidade, naturalidade; quando só recebe durante os trabalhos; quando sabe se controlar, distinguir entidades, selecionar fluidos bons e maus; quando transmite claramente, com lógica, compreensivelmente, sem recalques ou flutuações e sobretudo quando está apto a receber Espíritos de hierarquia mais elevada, alheios a personalismos e cujos característicos são sempre os ensinamentos de expressão evangélica.
Não há, nessas sessões, limitações quanto ao número de médiuns, bastando que estejam separados segundo o grau de adiantamento já alcançado; são também separados os sexos, tanto quanto possível, para se afastar tôda e qualquer possibilidade de preocupação de ordem material. (37)
(37) Na Federação Espírita do Estado criou-se uma Escola de Médiuns contendo 4 cursos: Preparatório, Elementar, Complementar e de Aperfeiçoamento, visando o primeiro a necessária adaptação; os dois seguintes o desenvolvimento prôpriamente dito e o último o aprimoramento das faculdades mediúnicas. A freqüência geral da Escola ascende a alguns milhares de alunos.
Por outro lado, é claro que, para um trabalho dêstes, se requer um médium de incorporação inconsciente, ou semi-consciente de alta capacidade, que ofereça grandes possibilidades mediúnicas, visto que deve permanecer em transe, normalmente, por mais de hora e meia, e que também possua perfeita flexibilidade, porque deve estar apto a incorporar Espíritos diferentes, todos de elevada hierarquia, uns em seguida a outros, segundo as necessidades do próprio trabalho. Bem sabemos que tais médiuns são excepcionais porém o processo deve ser tentado, em centros e grupos familiares, com os recursos e nos limites que forem possíveis, visto que representa um avanço altamente apreciável na
prática espírita.
Como regra geral tenha-se em vista que tanto o desenvolvimento como o aprimoramento mediúnicos devem satisfazer exigencias dos seguintes setores: 1) do aculturamento doutrinário, por meio de estudos individuais ou freqüência a sessões apropriadas. 2) da evangelização, por meio da reforma intima.. 3) do treinamento técnico das faculdades, com freqüência a trabalhos apropriados dirigidos por pessoa competente. O treinamento deve ser feito com base nas seguintes fazes, através das quais o instrutor deve levar os médiuns repetidamente: a) a percepção de fluidos. b) a aproximação. c) o contacto. d) o envolvimento. e) a manifestação do espirito. (38)
(38) Para maior conhecimento do assunto consultem o livro “Curso intensivo de mediunidade prática” — do mesmo Autor, Edição LAKE — São Paulo.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.