[user_registration_my_account]
Capítulo 56 de 110
O Ambiente
Mediunidade · Edgard Armond, espíritos diversos
Referimo-nos tanto ao ambiente individual, à atmosfera digamos assim, em que vive o médium, como ao das reuniões que frequenta. O ambiente individual deve ser criado e mantido pelo próprio interessado tanto quanto possível. Cada um de nós vive dentro de seu próprio mundo, carrega-o consigo e alimenta-o constantemente com seus próprios pensamentos e atos; e o conjunto desses mundos individuais forma o mundo exterior coletivo, que é o palco onde todos se movem e representam os mais variados papéis. Cada um vê, sente e compreende esse mundo exterior de certa forma, segundo sua própria capacidade de ver, sentir e compreender, e segundo o modo por que reage às suas influências. O médium tem de formar para si um mundo individual bem equilibrado e harmônico, bem claro e bem metódico, onde as coisas materiais e espirituais estejam inteligentemente reguladas, cada uma no seu devido lugar, exercendo sua ação no devido tempo, sem atropelo e sem predominâncias arbitrárias.
Por efeito de sua própria mediunidade há nele forte tendência de se deixar empolgar pelas coisas do campo espiritual, com desprêzo do mundo físico; porém, nesse período preparatório, quando se busca antes de mais nada o equilíbrio, é necessário evitar esses arrastamentos, para que possa continuar a cumprir, normalmente, seus deveres e compromissos materiais. Esse equilíbrio ele tem que obtê-lo, tanto no seu íntimo como em sua vida doméstica e social e, por isso, desde o inicio, deve se traçar um programa de ação e se sujeitar a regras judiciosas que correspondam às suas próprias necessidades. E são também indispensáveis, desde logo, a alternância criteriosa de esforço e de ropuso, recreações de ordem elevada e contactos amiudados com a Natureza, que é fonte inesgotável de elementos recuperadores, harmonizadores. Somente quando adquirir harmonia em si mesmo poderá ele vibrar em concordância com as coisas divinas. Percebe-se, pois, do que fica dito, que. deve fugir das coisas que ofendem
a sensibilidade, deprimem e irritam o espírito; das frivolidades que relaxam as energias morais; dos espetáculos onde as paixões inferiores se desencadeiam frenêticamente. Precisa, por outro lado, criar um ambiente doméstico favorável, pacífico fugindo a discussões estéreis e desentendimentos e sofrer as contrariedades inevitáveis com paciência e tolerância evangélicas. Como pai, como irmão ou como filho mas, sobretudo como esposo, deve viver em seu lar como um exemplo vivo de pacificação, de acomodação, de conselho e de boa vontade. Não esqueça que, em sua qualidade de médium de prova, ainda não desenvolvido ou, melhor, educado, representa sempre uma porta aberta a influências perniciosas de caráter inferior que, por seu intermédio, comumente atingem os indivíduos com quem convive. E, quanto à sua vida social, deve exercer seus deveres com rigor e honestidade, guardando-se porém de se deixar contaminar pelas influências malévolas naturais dos meios em que se põem em contacto indivíduos de toda espécie, sem homogeneidade de pensamentos, crenças, educação e sentimentos.
É muito difícil, nos tempos que correm, conservar o equilíbrio, manter a harmonia na vida de relação com os semelhantes, porque o mundo passa por uma transição profunda, em que todos os valores morais estão sendo subvertidos, caindo em degradação; e porque o médium, além das perturbações exteriores, que deve enfrentar, ainda possue as do seu próprio espírito, carente sempre de virtudes sustentadoras. Por isso tem que envidar maior esforço que o comum dos homens para viver com retidão e manter a comunhão com o invisível, porque sem essa comunhão, devidamente selecionada, purificada, não suportará o peso das coisas do mundo, nem superará seus obstáculos. Entretanto, e por isso mesmo, recebem os médiuns maior ajuda; têm maior facilidade e assiduidade nos contactos com o invisível e, em ampla extensão, desce sobre eles a assistência do Alto desde que, bem entendido, se esforcem, orando e vigiando, para cumprir devotadamente seus deveres.
Quanto às reuniões doutrinárias que frequenta deve fugir daquelas onde as práticas e os objetivos demonstram ignorância ou superstição, porque aí encontrará forçosamente forças negativas, que a todo transe convém evitar. Selecione, pois, as reuniões que frequenta e naquela onde sentir-se melhor, mais agasalhado, mais amparado pelo invisível, mais sereno e confiante, mais fortificado nos seus sentimentos bons; onde sentir bem-estar espiritual, durante e após os trabalhos; naquela, principalmente, que tiver caráter evangélico e for isenta de artifícios e de exterioridades grotescas e inúteis, aí permaneça e a considere merecedora do seu concurso. A assistência a boas reuniões é necessária e quando isso não possa ser conseguido seja pelo estado de agitação, descontrole ou relutância do médium, ou seja por inexistência, no local, de tais reuniões — como ocorre às vezes no Interior ou no sertão — organize-se então, no próprio lar doméstico, reuniões
simples e intimas, destinadas a esse fim e dirigidas por aquele que se sentir mais capacitado para fazê-lo. Mesmo que não se dê a essas reuniões caráter de sessão espírita como se o entende, bastará que haja uma concentração e preces, para que o médium, apoiado nesses elementos de proteção e conforto receba desde logo a necessária assistência espiritual, que nunca lhe é negada do Alto. Em todos os casos um bom ambiente de trabalho espiritual éde capital importância.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.