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Capítulo 86 de 110
Ambientes Bons e Maus
Mediunidade · Edgard Armond, espíritos diversos
Como o planeta em que vivemos é de Espíritos retardados, que aqui vêm se submeter a provas as mais variadas, o ambiente geral do mundo ressentese de pureza, harmonia, elevação espiritual; é desagradável e choca profundamente a sensibilidade mais evoluida de uns e outros. Por outro lado, nos dias que vivemos, as calamidades de ordem econômica e social, geradas pelas guerras; as ambições egoísticas que cavam funda separação entre os homens, as nações e as raças; o sofrimento de caráter coletivo não compensado por uma crença espiritual baseada em fatos; a desorientação moral decorrente do fracasso das religiões mundanas; tudo isso criou uma atmosfera saturada de miasmas, envenenada de fluidos maus, de pensamentos negativos, de sentimentos degenerados que se refletem, também, no plano espiritual invisível, criando um “Umbral” pesado e sombrio, cheio de maldade e povoado de monstros. Todo esforço espiritual, pois, deve tender a elevar o indivíduo acima dessa atmosfera pesada e maléfica, oferecendo-lhe oportunidades assíduas de reconforto e repouso, de estímulo e de esperança.
E sendo contra-indicado o isolamento em si mesmo, que gera o egocentrismo, bem como a abstenção, em qualquer de suas modalidades, pois o Espírito em prova só pode realizar sua tarefa e cumprir o seu dever em pleno e permanente contacto com a vida social, segue-se a necessidade de cada um de nós adotar métodos próprios, cuidados especiais, que nos permitam viver a vida em toda sua intensidade, colaborar de todas as formas com o próximo, sentir todas as reações e incorporar todas as experiências, sem contudo nos deixar prender, escravizar, dominar, pelos acontecimentos, pela trama da vida, conservando nossa liberdade individual, nosso livre arbítrio e nossa personalidade; métodos próprios e cuidados especiais para preservar nossos sentimentos de influências perniciosas e defender nossa integridade psíquica. Para os médiuns, principalmente, o problema avulta e é imperiosa a necessidade de bons ambientes, (necessidade quase física), como imperiosa também a de se instruirem na doutrina e de se aperfeiçoarem moralmente, para que haja progresso e eficiência cada vez maiores no trabalho mediúnico, que lhes é tarefa fundamental.
Purificando-se moralmente e instruindo-se, irão obtendo cada vez resultados mais favoráveis e perfeitos no campo mediúnico, porque irão vibrando em planos cada vez mais altos do mundo espiritual e obtendo afinidade com Espíritos cada vez mais elevados na hierarquia. É-lhes essencial, como já vimos, a sanidade da atmosfera moral que respiram, tanto nas sessões como nos próprios lares e locais de trabalho profano porque, como sensitivos que são, as influências ambientes exercem sobre eles forte impressão, afetando-os mais ou menos profundamente, e porque, reciprocamente exercem também eles influência sobre aqueles que os rodeiam, visto serem pólos de aglutinação e radiação de forças espirituais boas ou más, segundo suas próprias condições individuais. Cada um tem seu mundo, seu clima próprio de forças boas ou más e sua própria “entourage” de entidades desencarnadas. Quando entram em contacto com outras pessoas transmitem-lhes radiações desse seu mundo individual e atuam de uma forma correspondente ao grau, qualidade ou natureza dessas
forças e entidades. Por isso é preciso que cada médium conquiste uma “entourage” benéfica, o que só conseguirá quando ele mesmo estiver em condições de atrair bons elementos e de repelir os maus. Vigiando e saneando constantemente o seu próprio mundo individual os médiuns fazem auto-defesa e freqüentando reuniões de caráter elevado se beneficiam das influências ali predominantes que, por serem mais poderosas que as individuais, dominam a estas quando más e as exaltam e estabilizam, quando boas. Contràriamente, descuidando-se de si mesmos e freqüentando ambientes inferiores recebem destes asmás influências predominantes que se vão então somar àquelas que já lhes são próprias e adjudicam ao seu mundo individual entidades negativas, maléficas, vampirizantes, de difícil afastamento.
Estas recomendações também se aplicam aos adeptos em geral, para os quais a conquista de um bom ambiente de vida é, da mesma forma, necessária. A solução do problema espiritual não estando fora do indivíduo, mas nele mesmo, segue-se que o esforço de purificação interna é indispensável, esforço esse que será grandemente beneficiado com à frequência a trabalhos práticos bem conduzidos, porque ali o indivíduo se retempera, se instrui, se satura de forças boas, se alimenta de fluidos reparadores e se estimula para o bem ao contacto das entidades e das forças promanadas dos mundos superiores.
E finalmente, em relação aos centros e grupos de trabalhos práticos, devemos dizer que muito há ainda que melhorar porque se há comunidades onde as práticas são salutares e convenientemente realizadas, em muitas outras predominam a incompreensão, a rotina e a ignorância; incompreensão sobretudo do caráter e da tarefa dos médiuns, cujas faculdades são negligenciadas e mal orientadas; comunidades que trabalham em ambientes por si próprias criados, de fundo sobremaneira materializado, e que nisso permanecem irredutivelmente; obedecendo cegamente, sem o menor exame, a determinações de “guias” muitas vezes suspeitos; estabelecendo para seu uso praxes e ritos obsoletos e desaconselháveis, mesclados de superstição religiosa, que favorecem a manifestação de entidades inferiores, que viciam e perturbam os médiuns ao invés de os aperfeiçoarem; cada grupo se isolando em seus próprios destinos, quase sempre se recusando a atender conselhos e orientação de pessoas mais autorizadas. Há ainda, infelizmente, um grande número de centros e grupos espíritas desviados da verdadeira finalidade e compreensão espirituais e que assim perdem um tempo precioso na realização de coisas muitas vezes banais e fúteis, quando poderiam aproveitá-lo melhor conduzindo francamente os trabalhos num sentido elevado, construtivo, impessoal, que imediatamente viria beneficiar tanto a médiuns como a assistentes. Quando todas as comunidades se instruírem, abandonarem as práticas supersticiosas e passarem a agir num padrão espiritual mais elevado — o
único aliás compatível com suas próprias finalidades e existência — as manifestações mediúnicas ganharão um novo aspecto, o Espiritismo tomará um grande impulso e seus benefícios se farão sentir em escala mais ampla, atingindo horizontes cada vez mais vastos. O que é preciso ter em vista em primeiro lugar, nos centros e grupos espíritas, é que o que mais importa não são as práticas em si mesmas, mas os resultados, as consequências que delas advêm para médiuns e assistentes; por isso deve ser abolido tudo aquilo que não for realmente útil a essa finalidade e, por outro lado, aceito e praticado tudo o que levar a atingi-la. Que cada centro ou grupo conquiste um ambiente espiritualizado, em pleno entendimento com assistentes espirituais de identidade e autoridade moral comprovadas; promovam a instrução doutrinária e exijam a prática evangélica em todos os atos individuais e coletivos. Não se atenham tão-só à doutrinação de sofredores, mas exerçam-na únicamente como cooperação e como oportunidade de ensinamento evangélico.
Sempre houve Espíritos inconscientes e sofredores nos planos etéreos e nem por isso deixaram de ser assistidos, antes que a doutrinação fosse implantada como sistema, após a codificação do Espiritismo; nenhum deles permanece na dependência direta ou exclusiva dos que vivem na carne e somente aqui são trazidos por efeito do intercâmbio que já se estabeleceu entre os dois planos, intercâmbio esse, contudo, que deve ser constantemente melhorado, exalçado, pela elevação moral e pureza dos grupos de trabalho que o realizam. O que importa, pois, acima de tudo, dentro das sessões ou fora delas, é a conduta moral, o esforço pela evolução espiritual de cada um; e esse esforço e essa conduta serão grandemente favorecidos e estimulados quando cada indivíduo houver conquistado para si mesmo um ambiente espiritual pacífico, harmonioso, liberto de más influências. Somente assim poderemos manter a indispensável comunhão espiritual com o Alto, pois, sem essa comunhão, que seria de nós em meio a este mar revolto de maldades, que é a Terra?
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.