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Capítulo 94 de 110
Falsos Profetas
Mediunidade · Edgard Armond, espíritos diversos
Tanto mais necessário se torna que os médiuns sejam conscientes de suas próprias possibilidades quanto é certo que é pela porta larga da mediunidade que os falsos profetas dos planos invisíveis intervêm no cenário da vida humana. O Divino Mestre, no seu tempo entre nós, assim recomendava: “Guardai-vos dos falsos profetas que vêm a vós vestidos de ovelhas e são por dentro lobos roubadores. Por seus frutos os conhecereis... “E muitos me dirão naquele dia: Senhor! Senhor! Não éassim que profetisamos em teu nome e em teu nome expelimos demônios e em teu nome obramos prodigios? E então eu lhes direi: pois eu nunca vos conheci; apartaivos de mim vós que obrais a iniquidade”. E noutro ponto: “Falsos cristos e falsos profetas surgirão e farão grandes maravilhas e operarão prodígios tais que, se fôra possível, enganariam até os escolhidos”.
O ensino verdadeiro pode ser reconhecido pelo que contém daquilo que o Mestre recomendou quando esteve entre nós e também pelo que contiver daquilo que nos tem sido e vem sendo revelado, nos nossos tempos, pelos seus enviados, com os quais mantemos intercâmbio. Os profetas verdadeiros são, portanto, não os que somente pregam mas os que, cumprindo os preceitos da doutrina, ao mesmo tempo exemplificam suas palavras. Os Evangelhos também se referem aos dias da vinda do Mestre que, segundo os anúncios que temos, rapidamente se aproximam; por isso, mais que nunca, devemos nos colocar em condições de conhecer os falsos pregoeiros para neutralizarmos sua propaganda, nos afastarmos do erro e não comprometermos nosso futuro espiritual. Em nosso mundo material e em sentido geral, falsos profetas não são somente os que anunciam acontecimentos futuros, quase sempre indevassáveis aos olhares humanos, mas todos os que, sem a devida autoridade espiritual, abusivamente se fazem intérpretes de verdades transcendentes, veiculando conhecimentos misteriosos e confusos, quase sempre oriundos de sua própria imaginação exaltada, ou de faculdades mediúnicas descontroladas e por eles próprios muitas vezes renegadas.
Os que tudo fundamentam na supremacia da inteligência, substimando o sentimento e a fé, sem compreender que estes dois atributos do espirito, quando solidários, são as duas asas com auxílio das quais se ascende às esferas da perfetibilidade, afastando assim o homem da humildade evangélica e mergulhando-o na mais nefasta egolatria. Os que, no campo mesmo da doutrina, tendo dela conhecimentos superficiais ou por presunção, aceitam umas coisas e renegam outras, substituindo-as por ideias próprias, não concordantes com as realidades da vida espiritual. Os que lhe enxertam concepções obsoletas e ritos de credos e filosofias puramente humanos, produzindo assim desorientação e confusão até mesmo entre os mais cultos. E ainda, sob outro ponto de vista, os que se acobertam à sua sombra, visando interesses pessoais, mercadejando com os dons do espírito, ou
promovendo desarmonia e separação nas hostes dos obreiros. E no plano invisível (quando o problema ainda mais avulta por ser um campo de ação mais dilatado, indefinível, que melhor escapa ao nosso restrito poder de análise), êsses falsos profetas são de duas categorias: Primeira — a daqueles que conservam suas próprias idéias e superstições religiosas e continuam de lá a combater por elas; escritores, oradores, cientistas e filósofos de tôda casta que, pelo seu próprio valor intelectual conseguem impressionar os encarnados, nem sempre pregando o erro pelo amor do êrro, mas por estarem dêle capacitados como sendo verdades. Segunda — a daqueles que, escravos ainda do mal, agrupam-se entre si formando associações tenebrosas, correntes e legiões disciplinadas que interferem em tôdas as oportunidades, valendo-se das imensas afinidades que sempre encontram por efeito do atual atraso espiritual do mundo. Esses Espíritos malévolos aproveitam-se da mediunidade para suas realizações e muitas vêzes conseguem dominar comunidades humanas inteiras, mormente as de fundo religioso, quando estas não possuem os indispensáveis conhecimentos de salvaguarda.
Nas comunidades espíritas êles agem, segundo o caso, com sutileza, ardilosamente, ou com fingida humildade, outras vêzes com arrogância e autoridade, mas sempre apelando para as paixões humanas do interesse, da vaidade ou do egoísmo; e assim insinuando-se, dando provas materiais de poder, prometendo coisas e fingindo-se bons, vão aos poucos dominando o ambiente e as consciências e se não forem, em tempo oportuno, reconhecidos e desmascarados, arrastarão a muitos por caminhos tortuosos, tornando-os impermeáveis à assistência dos Espíritos do bem. Infelizes dos que, por ignorância ou fanatismo, se deixam enredar nesses laços: seus espíritos se conturbam, mergulham nas trevas e perdem contacto com as luzes que vêm do Alto. Não é fácil evitá-los, mormente em certos meios, e muito menos identificálos; porém tal tem que ser feito, principalmente pelos médiuns, para que não sejam mistificados e por sua vez se tornem mistificadores, mesmo quando inconscientes. Obedecendo a recomendação do Mestre atentemos sempre para os frutos se quisermos conhecer a árvore.
Os primeiros, de fato, se revelam pelo cunho materializado das concepções, pelo fanatismo, pela intolerância, pelo fantasioso das idéias, pela falta de lógica, pelo excesso de mentalismo; quase sempre querem impor, dogmàticamente suas idéias mesmo quando elas são incompatíveis com a razão esclarecida. Colocam, como já dissemos, o intelecto acima do sentimento evangélico, acima da fé e da humildade e em contraposição à simplicidade — que é espelho da verdade — pregam coisas complexas, perturbadoras, que jamais edificam para o amor. Os segundos, os agentes conscientes do mal, pelas contradições que revelam em relação ao que sabemos que é o bem, pelos desvios que sugerem em relação à moral, pela duplicidade do pensamento, pela intolerância em face da fraqueza, pelos maus conselhos em face à conduta social, pelo apêlo transparente às paixões humanas e aos interesses materiais. Nas sessões podem ser também identificados pela vidência porque, como atrasados que são, não possuem luz própria, são fluidicamente pesados e sua
aura constantemente reflete seus maus pensamentos. Por outro lado não passam despercebidos a qualquer um que possua certo grau de sensibilidade, porque promovem uma sensação de mal-estar e de repulsa; roubam energia espiritual e transmitem fluidos negativos. Por último podem ser também identificados pela nossa própria intuição que de pronto nos adverte de sua presença.
Em regra geral tenha-se sempre presente o seguinte: é falso tudo o que contradisser a doutrina evangélica; condenável tudo o que conduzir para a alimentação de paixões e de interesses puramente humanos; suspeito tudo o que produzir discórdia, separação; tudo o que for artificioso, incoerente, contraditório e complexo. Em guarda, pois, contra os falsos profetas — os eternos inimigos da verdade. Como diz a parábola: eles podem operar prodígios, impressionar as massas, confundir ou fascinar as inteligências, mas tudo será passageiro e nada construirão de definitivo no caminho da evolução humana. Podem arrastar uns e outros, momentaneamente, para direções perdidas mas o edifício da Verdade permanecerá de pé porque é indestrutível; e se estivermos atentos aos verdadeiros Guias e mantivermos nossa vigilância e nossa fé, recuaremos sempre a tempo e terminaremos por conhecer a luz e permanecer nela.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.