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Capítulo 102 de 110

O que Separa e o que Une

Mediunidade · Edgard Armond, espíritos diversos

Os apóstolos antigos agiam em uma sociedade em organização, ao passo

que os de hoje o fazem em uma sociedade em desagregação; sociedade que ontem buscava apoios para se estabilizar e definir, quando hoje os procura, aterrorizada, para sobreviver. É profunda a separação entre seus membros não só quanto ao conhecimento intelectual, como ao sentimento e, principalmente, ao caráter moral. O giro dos séculos não levou para a homogeneidade mas, muito ao contrário, dia por dia aumentou a divisão e esta é a prova mais evidente e segura de que o homem se afastou de Deus, porque somente em tôrno de Deus se pode conseguir unidade. Não se pode e nunca se pôde obter essa homogeneidade também porque, não havendo, como nunca houve, um ideal religioso que ligasse os homens entre si, a própria desigualdade de posição individual, na escala evolutiva, criava a separação. Aliás o que se passa aqui deve ocorrer igualmente em muitas das habitações planetárias de natureza inferior pois, somente em mundos superiores, habitados por Espíritos já selecionados e libertos de paixões animais, poderá existir êsse equilíbrio tão desejado, de sentimentos e inteligência.

Mas, a despeito dessa heterogenidade, há pontos comuns que nivelam os homens, dentre os quais sobrelevam: a inquietação pela vida além túmulo, a atração pelo sobrenatural, o temor ao desconhecido e o anseio indefinível por êsse amanhã misterioso que mal se se esboça e tanto se dilui nas agitações, nas incertezas e nas amarguras desta vida encarnada. Em virtude dêsses estados d’alma correm os homens ansiosamente perseguindo sombras evanescentes; curvam-se perante ídolos enganadores; desiludem-se a todo instante ante miragens religiosas engalanadas de cores brilhantes que por efeito de seu próprio atraso, ainda permanecem vivas no deserto torturado, como frutos maninhos de uma vegetação degenerada; alimentam-se de superstições grosseiras, na falta de verdades puras, mau grado o repúdio da faculdade da razão; vacilam, por fim, desamparados, num solo que flutua e estremece sob seus pés, sentindo que o arcabouço dos dogmas e das crenças herdadas de um passado morto, já não lhes é, como admitiam que fôsse, ponto de apoio, manancial permanente e farto de compreensão, de esperança e de fé.

Mas intuitivamente percebem que é no espírito e pelo espírito; que é rasgando o véu das exterioridades e das convenções caducas renegando o passado e afrontando o preconceito que encontrarão, finalmente, o caminho da segurança, da serenidade e da paz; as sendas verdadeiras que conduzem, segundo as promessas do Cristo, às moradas eternas, onde a verdade resplende sob o olhar misericordioso do Senhor. No momento que vivemos o número dos que se voltam avidamente para os fatos e os problemas da vida espiritual é muito grande. As barreiras religiosas, opostas há séculos, à marcha do pensamento, estão se derruindo em seus fundamentos, aos golpes arrasantes das manifestações do espírito. Ninguém e nada poderá impedir essa mudança de direção e tôdas as mistificações e falsas verdades irão sendo desmascaradas, como desprezados aqueles que as pregam. Verdades novas, que são velhas, estão agora tomando conta do

firmamento, brilhando como sóis e resplandecem na Terra, no espelho vivo da mediunidade, pelas alavancas poderosas das faculdades do espírito. Somente por meio dessas faculdades poderão os homens sofredores devassar os arcanos dos mundos invisíveis antecipando um conhecimento que somente lhes viria, e em condições lastimáveis, após a morte.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.