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Capítulo 49 de 110
Dos Fracassos e das Quedas
Mediunidade · Edgard Armond, espíritos diversos
Os Fracassos
Das cidades, colônias e demais núcleos espirituais do Espaço constantemente partem, com destino à Terra, trabalhadores que pediram ou receberam, como dádivas do Alto, tarefas de serviço ou de resgate, no campo nobilitante da mediunidade. Um complexo e delicado trabalho preparatório é realizado ‘pelos protetores espirituais para oferecer-lhes aqui condições favoráveis à execução das tarefas ajustadas: corpo físico, ambiente doméstico, meio social, recursos materiais etc., e isso além dos exaustivos esforços que envidam para o desenvolvimento regular do processo da encarnação prôpriamente dita: (defesa, formação do feto, etc.). Dado porém o nascimento, transcorrida a infância e a juventude quando, enfim, soam no seu íntimo e ao seu redor, os primeiros chamamentos para o trabalho edificante, eis que, muitas vêzes, ou quase sempre, a trama do mundo já os envolveu de tal forma que se tomam surdos e cegos, rebeldes ao convite, negligentes ao compromisso, negativos para o esfôrço redentor.
Deixam-se dominar pelas tentações da matéria grosseira, aferram-se ao que é transitório e enganoso e, na maioria dos casos, somente ao guante da dor e a poder de insistentes interferências punitivas, volvem seus passos, relutantemente, para o caminho sacrificial do testemunho. Não consideram, desde logo, que ninguém desce a um mundo de expiação como este para usufruir repouso ou bem-estar, mas sim e unicamente para lutar pela própria redenção, vencendo os obstáculos inumeráveis que a cada passo surgem, ‘vindos de muitas direções. Os dirigentes das instituições assistenciais ou educativas do Espaço têm constatado como regra geral que poucos, muito poucos médiuns triunfam nas tarefas e que a maioria fracassa lamentàvelmente, apesar do auxílio e da assistência constantes que recebem dos planos invisíveis; e esclarecem também que a causas gerais dêsses fracassos são: a ausência da noção de responsabilidade própria e a falta de recordação dos compromissos assumidos antes da reencarnação.
Ora, se o esquecimento do passado é uma contingência, porém necessária, da vida encarnada de todos os homens, ela não é, todavia, absoluta, mormente em relação aos médiuns, porque os protetores, constantemente e com desvelada insistência, lhes fazem advertências nesse sentido, relembrando seus deveres; muito antes que o momento do testemunho chegue, já êles estão advertindo por mil modos, desenvolvendo no médium em perspectiva, noções bem claras de sua responsabilidade pessoal e funcional. Por isso, das causas apontadas acima, somente julgamos ponderável a falta de noção de responsabilidade porque, se essa noção existisse, os médiuns desde logo se dedicariam à tarefa, devotadamente. Isso, é lógico, tratando-se de médiuns estudiosos, que se preocupam com a obtenção de conhecimentos doutrinários porque, para os demais, à irresponsabilidade acresce a ignorância e a má vontade. E essa noção de irresponsabilidade é tão ampla que muitos médiuns,
mormente aqueles que o orgulho pessoal ou as ambições do mundo dominam, maldizem a posse das faculdades que possuem, como se fôssem estorvos; e outros, há, menos radicais mas não menos desorientados, que lastimam não serem inconscientes, para poderem então exercê-las à revelia de si mesmos. Quão poucos, os esclarecidos e lúcidos, que se prosternam e, humildemente, clamam: Bendito sejas, ó Senhor, que me haveis concedido tão excelente e poderosa ferramenta de serviço redentor! Graças Senhor, por me haverdes separado para o trabalho da tua vinha.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.