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Capítulo 79 de 110
Psicografia
Mediunidade · Edgard Armond, espíritos diversos
O desenvolvimento mediúnico desta espécie pode ser feito em conjunto com outros trabalhos, colocando-se porém o médium, sempre que possível, em lugar separado, mas dentro da corrente geral. Deve ele acompanhar as concentrações comuns tendo à sua frente, sobre a mesa, papel e lápis. À medida que for sentindo impulsões nos braços ou nas mãos deve ir se utilizando, no correr dos trabalhos, desse material à sua disposição. Esta é uma forma de mediunidade em que o animismo toma muito lugar, bastando que o médium focalize sua atenção sobre a mão ou o braço para que desande logo a rabiscar coisas quase sempre incompreensíveis, confusas e desordenadas. É preciso, portanto, que se guarde de intervir com seu pensamento no trabalho próprio, procurando manter-se alheio a ele, e podendo mesmo fixar sua atenção sobre o que se passa ao seu redor, isto porém de uma forma que não redunde em desligamento pessoal ou desinteresse a respeito de sua própria tarefa.
O braço deve ser entregue passivamente à entidade comunicante e esta se esforçará vez por vez em domesticar, disciplinar, músculo por músculo, nervo por nervo, antes que consiga algum resultado apreciável. Muito tempo pode ser levado a traçar rabiscos desordenados e inexpressivos, para obter domínio sobre tal músculo ou nervo, mas no tempo apropriado os traços se unirão, tomarão forma, formarão letras, palavras, frases, períodos, cada vez mais
legíveis e perfeitos. Esta forma de mediunidade comporta sessões mais amiudadas convindo mesmo que o médium, em sua residência, faça exercícios diários, de vinte minutos a meia hora, para apressar o domínio da entidade sobre o braço e a mão. Para estes exercícios basta que o médium se recolha a um local isolado, silencioso, concentre-se, peça a presença do cooperador invisível e permaneça quieto, em estado de expectativa durante o tempo referido. O braço deve estar livre, desembaraçado, completamente abandonado, devendo ser evitada qualquer tensão muscular, o que se consegue apoiando francamente o cotovelo sobre a mesa. Muitos dizem que são “psicógraf os intuitivos”. Querem com isso dizer que recebem do Espírito comunicante as impressões telepáticas (pensamentos ou idéias) e as escrevem em seguida ao invés de enunciá-las verbalmente.
A nosso ver isto não é psicograf ia porque, como já dissemos, só entendemos como tal a escrita mecânica, isto é: a incorporação parcial mediante a qual o Espírito comunicante se apodera do braço do médium — que fica fora do controle deste — e com sua própria mão escreve diretamente o que deseja transmitir. Por isso é que na divisão de mediunidade que adotamos colocamos a psicografia como “incorporação parcial” e não como “efeito físico”. Esta nossa opinião não representa crítica ou desmerecimento a qualquer outra existente, mas visa unicamente expor uma conclusão de caráter pessoal.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.