[user_registration_my_account]
Capítulo 76 de 110
3 — O Supra-Consciente
Mediunidade · Edgard Armond, espíritos diversos
Um estado de expectativa, de anseios, aspirações e esperanças; de idealizações e de fé em coisas que hão de vir e todas contidas em gérmen nos produtos atuais da Razão, do consciente.
Segundo, pois, a natureza desta análise e resumindo, diremos que, de uma certa forma o sub-consciente é o passado; o consciente é o presente e o supraconsciente é o futuro.
Segundo outro campo de vista e descendo a maior particularização, acrescentamos que as faculdades do Consciente são diversas se bem que para o nosso estudo somente nos interessam as quatro seguintes: a) Atenção: Ato mediante o qual a mente, em estado receptivo e vigilante, volta-se para dado objeto, assunto ou acontecimento, no sentido de receber impressões sobre eles; é uma janela que a mente abre para fora, para saber o que se passa no exterior, utilizando-se dos sentidos físicos que são órgãos de relação com o meio ambiente. Desviada que seja a faculdade, mesmo que por breves momentos, do ponto de interesse, formam-se hiatos, lacunas, soluções de continuidade, que prejudicam o conhecimento mental a ele referente. A Atenção, portanto, é um ato passivo, de recepção de impressões ambientes. b) Concentração: Ao contrário do precedente, a concentração é um ato mental intensamente ativo, mediante o qual focamos a mente sobre dado ponto de interesse, com a idéia deliberada de obter determinado efeito, atingir determinado fim.
Diferentemente da Atenção, a Concentração fecha as portas da mente para o mundo exterior, corta as ligações sensoriais com õambiente externo, passando então a atuar inteiramente na intimidade da zona psíquica. c) Meditação: Ato psíquico segundo o qual a mente, micialmente concentrada em dado ponto de interesse, entra-lhe na intimidade pela sucessão contínua de análises parciais, remontando de efeitos a causas, de antecedentes a consequentes, para afinal obter conclusões gerais, percepções e conhecimentos de caráter integral. A mente segue uma esteira de análises parciais, sem objetivo marcado, numa harmoniosa associação de idéias, atingindo por fim um resultado desconhecido, não previsto ou concebido previamente. d) Êxtase: Finalmente, estado quase sempre seqüente a concentrações ou meditações (conforme a flexibilidade méntal do operador) que leva o espírito a se derramar, fora do seu corpo, em beatitude ou abstração, ligando-se a coisas do mundo etéreo, mediante desprendimento do mundo físico; rapto psíquico que leva muitas vezes o espírito a regiões elevadas do mundo invisível; exteriorização ou desdobramento espiritual que pode durar tempo às vêzes considerável.
Resumindo: a Atenção abre as portas da mente para o mundo físico, enquanto a Concentração as fecha abrindo-as para o psíquico; a Meditação penetra no âmago das coisas pela análise, quase sempre introspectiva, enquanto que o Êxtase desprende o Espírito do mundo material e o arroja no campo do invisível.
E agora, particularizando ainda mais, vamos ver que a Concentração é o procedimento de mais ampla e usual aplicação nas práticas espíritas, motivo por que deve ser analisada mais detalhadamente nesse terreno. Como,
entretanto, não temos espaço nesta obra para tanto, vamos pôr em evidência seu aspecto mais interessante que é o de ser uma das mais acessíveis e poderosas fontes de emissões fluídicas. Uma assistência mais ou menos numerosa e espiritualmente educada, concentrada para obter algo, ou atingir determinado fim, eis realmente um grande potencial de energia psíquica, passível de aplicação imediata. No Espiritismo, usualmente, a faculdade individual de concentração é utilizada no campo do beneficiamento coletivo e exercitada quase sempre em movimentos conjuntos. Não argumentando além dos casos mencionados há pouco, no capítulo anterior, verificamos que quando um diretor de trabalhos práticos pede concentração inicial para sua abertura, ele procura formar um ambiente adequado, obter um padrão vibratório equilibrado, sincronizável com o do plano invisível e compatível com a manifestação das entidades desse plano.
Fechadas as portas do mundo exterior, todas as mentes emitem pensamentos afins, que correspondem às necessidades ou objetivos do momento e isso faz com que entre todas elas se estabeleça uma mais ou menos perfeita sintonia; reciprocamente elas se entrelaçam, formando uma cadeia segura, uniforme, harmoniosa, que prontamente delimita o campo do trabalho neste plano; no movimento seguinte, levantadas as mentes para o Alto, fundem-se, ligam-se, entrelaçam-se as correntes deste plano com aquela, do mesmo teor vibratório, já formada no plano invisível, pelos operadores que de lá se esforçam no mesmo sentido. Quando tal coisa se dá, então é que se pode dizer que está realmente, formado, delimitado, sintonizado e espiritualmente protegido o campo espiritual do trabalho comum. Faz-se, então, a prece de abertura.
Quando, no decorrer dos trabalhos, as atenções se desviam, preocupações de ordem profana ou sentimentos subalternos dominam a uns e outros, sucede infalivelmente que a harmonia se desfaz, a cadeia se rompe e Espíritos malévolos ou violentos penetram no ambiente indefeso, pelas brechas que então se abrem, fazendo com que a confusão suceda ao equilíbrio, o tumulto à ordem, o prejuízo ao benefício. Nestes casos, quando o diretor pede concentração tenta ele restabelecer a ordem, o equilíbrio, a harmonia, fechar as brechas e rechaçar os maus elementos, por meio de emissões poderosas e conjugadas de fluidos benéficos. Quando, na fase assistencial do trabalho, precisando levar socorro ou prestar auxílio espiritual a qualquer necessitado, o diretor pede concentração, visa fazer convergir para esse necessitado uma caudal de força reparadora ou, conforme as circunstâncias, oferecer a agentes invisíveis, dedicados a curas, um suporte, uma fonte de energias curadoras, em que esses agentes se apoiam para realização de suas tarefas.
E quando, finalmente, ao término dos trabalhos, o diretor pede concentração para o encerramento, o ambiente representa uma maravilhosa eclosão de fluidos suaves e de luzes que sobem para o Alto em ação de graças e do Alto recebe, em reciprocidade admirável, bênçãos e espiritualidade para todos. Enfim a cada passo, o trabalhador da seara necessita concentrar-se, para dar como para receber, e por isso deve ele colocar nesse ato de tão elevada
significação e tão comprovada utilidade espiritual, toda força, devoção e pureza de que dispuser.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.