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Capítulo 62 de 110

Passividade Mediúnica

Mediunidade · Edgard Armond, espíritos diversos

Sabemos que há médiuns extremamente passivos e faculdades que, por si mesmas, obrigam a essa passividade como, por exemplo, a incorporação inconsciente e os efeitos físicos. Estes são os casos em que os médiuns realmente representam. para as forças e entidades do plano invisível, um “aparelho”, um “instrumento” como se costuma dizer, porque então, estão elas inteiramente à disposição dessas entidades e em quase nada intervêm, na ocorrência dos fenômenos. O mesmo porém não se dá com as faculdades de lucidez, que permitem aos médiuns conservar sua consciência, liberdade de ação e personalidade, como também agir segundo a própria vontade, até mesmo deixando de ser “intermediários”, abstendo-se ou recusando-se a transmitir o que vêem ou ouvem, caso o desejem. A passividade funcional, todavia, mesmo nos primeiros casos citados, somente deve ocorrer no período da ação mediúnica voluntária, fora da qual os médiuns devem conservar e utilizar seus atributos psíquicos normais, livres de qualquer influência exterior.

Natural, pois, e mesmo necessário, que haja passividade no ato funcional mediúnico e atividade e consciência plenas fora desse ato, não só para o selecionamento do ambiente do trabalho, como para a escolha de colaboradores, de processos, tudo visando a perfeita realização da tarefa individual. A passividade cega entrega os médiuns à influência de forças e entidades de todas as classes e esferas, indiscriminadamente e isso é altamente nocivo: não só representa um abastardamento do fruto do seu trabalho como traz a possibilidade do desvirtuamento de suas faculdades, que podem ser desviadas

para o mal, quando utilizadas por Espíritos ignorantes, inconscientes ou maldosos. Sem espiritualisação a mediunidade não evolue. Pode haver esforço e trabalho mediúnico, porém, diz André Luiz, “sem acrisolada individualidade não existirá aperfeiçoamento mediúnico.” E quanto aos médiuns de lucidez, se agirem com passividade cega e desconhecerem certos problemas da vida mediúnica, pode ocorrer que penetrem no campo hiperfísico inconscientes do que se passa ao seu redor e por isso não possam compreender ou classificar o que vêem ou ouvem, as entidades que lhes falam e o mais que suceder durante a ação mediúnica, expondo-se a perturbações diversas, mormente as do campo mental. Além disso, como médiuns, intermediários, agentes de ligação entre os dois mundos, que confiança podem merecer se eles próprios ignoram, não só a natureza como o significado do que vêem ou ouvem?

Mas como, mesmo assim, quando estes casos ocorrem, fazem a transmissão — e não são poucos os médiuns passivos e ignorantes — calculese daí a extensão das informações, transmissões errôneas, absurdas e ilusórias que espalham pelo mundo! Nestes casos só haveria um meio de joeirar os erros transmitidos: possuirem os dirigentes de trabalhos, ou pessoas interessadas na transmissão, conhecimentos gerais e adequados dos aspectos e problemas da vida espiritual, eliminando uns e aceitando outros. Isso, porém, como sabemos, muito raramente acontece e, a rigor, tudo quanto o médium diz ou transmite é aceito também cegamente, ou de boa-fé, pelos interessados.

Por aí se vê que esses primeiros trabalhos do desenvolvimento são delicados e difíceis de ser regulados convenientemente porém deles depende em grande parte a futura estruturação da mediunidade em curso. Não basta pois sentar a uma mesa e concentrar-se: é preciso estudo, boa vontade, critério, inteligência e recíproco espírito de cooperação entre médiuns e instrutor. O médium, nestas circunstâncias, é como um aluno que precisa acomodarse às regras, às ordens, à disciplina, ao regimento da classe em que está; confiar e obedecer criteriosamente aos instrutores. Por falta dessa educação inicial é que se vê comumente o nº de médiuns, arbitrariamente influenciados, manifestarem-se antes mesmo que as sessões sejam declaradas abertas, e também casos em que os próprios protetores individuais de médiuns são causadores de irregularidades semelhantes, o que demonstra que ignoram, tanto quanto os próprios médiuns e diretores de trabalhos, as verdadeiras regras espirituais que devem ser seguidas nos trabalhos práticos. Essas irregularidades prejudicam a todos os assistentes mas, sobretudo, aos médiuns em desenvolvimento já que estes, ao seu próprio e natural desgoverno, adicionam ainda o que lhes vem de práticas tão mal conduzidas. Este é um simples exemplo isolado, porém há muitos outros que poderiam ser citados e que em nada recomendam a prática espírita em comunidades onde predomína a ignorância e a falta de compreensão da formação

mediúnica.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.