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Capítulo 50 de 110

As Quedas

Mediunidade · Edgard Armond, espíritos diversos

As quedas são mais comuns nos degraus inferiores da escada evolutiva e tanto mais dolorosas e profundas se tornam quanto maior fôr o cabedal próprio de conhecimentos espirituais adquiridos pelo Espírito. “Estado de evolução” e “estado” de queda” são duas condições de caráter geral, em que se encontram os Espíritos nas fases inferiores da ascese. Essas são as condições que dominam no umbral que, como sabemos, é uma esfera de vida purgatorial, bem como nos planos que lhe são, até um certo ponto, e de um certo modo, imediatamente acima. Quando porém as quedas se acentuam devido a reincidências de transgressões, elas levam os culposos às Trevas, esfera mais profunda, de provas mais acerbas, situada abaixo da Crosta. Entretanto em qualquer tempo ou situação o Espírito culposo pode retomar a evolução, voltando à ascese, desde que reconsidere, arrependa-se e se disponha ao esfôrço reabilitador. A misericórdia divina cobre a multidão dos pecados e dá ao pecador incessantes e renovadas oportunidades de redenção.

A redenção, pois, não é um acontecimento extraordinário, um ato de “juízo final” mas sim a manifestação da misericórdia de Deus em muitas oportunidades, no transcurso do esforço evolutivo. Mas, perguntarão: o fracasso, na tarefa mediúnica, não sendo reincidente, lança o médium primário no estado de queda? Não, desde que êle, no exercício das faculdades próprias, não tenha cometido crimes contra o Espírito. Esse fracasso primário traz ao médium uma parada na ascese evolutiva; fica êle em suspensão, aguardando nova oportunidade, temporàriamente inativo, dependendo de nova tarefa redentora, que lhe será ou não concedida conforme as circunstâncias do fracasso: negligência, vaidade cupidez etc. Mas lançá-lo-á na queda se praticou o mal conscientemente; se permitiu que suas faculdades fôssem utilizadas pelos representantes das fôrças do mal; se orientou seu próximo por maus caminhos, lhe destruiu no espírito a semente redentora da Fé, ou lhe perverteu os sentimentos fazendo-o regredir à animalidade; enfim se deturpou a Verdade e lançou seu próximo ou a si mesmo no caminho do êrro e da iniquidade.

Há uma lei invariável que preside a êste assunto: quando o médium se dedica à tarefa em comunhão com os Espíritos do bem, está em estado de evolução; quando, ao contrário, a despreza ou, por mau procedimento, dá causa ao afastamento dêsses Espíritos, cai então sob a influência dos Espíritos do mal e entra em estado de queda. A êsse respeito diz André Luiz: “No campo da vida espiritual, cada serviço

nobre recebe o salário que lhe diz respeito e cada aventura menos digna tem o preço que lhe corresponde.” E prossegue: “Mediação entre dois planos diferentes sem elevação de nível moral é estagnação na inutilidade”. “O Pensamento é tão significativo na mediunidade, quanto o leito é importante para o rio”. “Ponde águas puras sôbre um leito de lama pútrida e não tereis senão a escura corrente da viciação.” E mais: “Jesus espera a formação de mensageiros humanos capazes de projetar no mundo as maravilhas do seu Reino”.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.