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Capítulo 45 de 110

II — Desdobramentos Conscientes

Mediunidade · Edgard Armond, espíritos diversos

Ou também chamados “voluntários” são os provocados pelos próprios interessados, no exercício de práticas de auto-realização psíquica. Sugerimos as seguintes regras fundamentais: 1º) Esforçar-se por conservar a consciência própria em todo Ô transcurso do processo e estar sempre animado da convicção dc que realiza suas práticas com objetivos nobres e elevados. Esta regra assegura proteção espiritual em todas as circunstâncias. 2º) Apelar previamente para o protetor espiritual, sem cujo auxílio não deve o operador se aventurar neste campo, porque enquanto dura o desdobramento, qualquer violência ou golpe desferido sobre o perispírito pode refletir no corpo denso. 3º) De início assumir consigo mesmo o compromisso de não se deslocar para longe do corpo físico e do aposento em que faz o exercício e antes que tenha conseguido plena consciência fora do corpo, contacto com o protetor espiritual e ausência de temor. 4º) Certeza de que o corpo físico repousa em segurança em lugar adequado, podendo a ele voltar, sem impedimento, assim que o deseje.

Tomadas estas disposições e consideradas estas diversas circunstâncias, inicie-se então a prática, fazendo tentativas não demoradas (máximo de 30 minutos) e de preferência à meia madrugada, após um sono reparador de algumas horas. Observe os primeiros resultados: o modo por que sai do corpo (pela cabeça, pelos flancos, pelos pés, etc.); a posição em que se encontra após a exteriorização; a impressão que lhe causa o corpo físico adormecido, e o ambiente em que se desdobrou, etc., tudo com o fito de conservar a consciência desperta. Em momento oportuno, mais tarde, o protetor individual se mostrará e então tudo pode ser ampliado e terá o médium boa e segura companhia para se aventurar no exterior.

Nos primeiros tempos, enquanto não se dá o desdobramento, haverá desagradável tensão nervosa, pela interferêncià da vontade no processo natural do desprendimento, porém, conseguido que seja o primeiro sucesso, a tensão desaparecerá e haverá sempre bem-estar após os exercícios que, nem por isso, todavia, devem ser amiudados. Estes são os primeiros passos e as principais recomendações a fazer para o desenvolvimento desta utilíssima capacidade psíquica sendo que tudo o mais, daí para diante, deve ser realizado em pleno entendimento com o protetor individual.

2) Bilocação

Fenômeno mediante o qual se constata a presença de um mesmo Espírito encarnado em dois lugares, aparentemente ao mesmo tempo. Aparentemente, porque os Espíritos, conquanto possam irradiar seus pensamentos para muitos lugares ao mesmo tempo — os superiores, bem entendido — não possuem realmente o dom de ubiqüidade. A bilocação não é uma faculdade mediúnica mas um fato que se verifica em determinadas circunstâncias e que decorre do desdobramento, porque para encarnados não se pode dar bilocação sem exteriorização do Espírito. Um exemplo clássico: Apolônio de Tiana estando em Efeso, falando em uma reunião calou-se repentinamente e logo em seguida passou a anunciar o assassinato do imperador, que nesse mesmo momento estava presenciando em Roma e no qual intervinha gritando: morte ao tirano! Portanto, o fenômeno, do ponto de vista mediúnico, é sempre passageiro e tem dois aspectos consecutivos e complementares: desdobramento no primeiro e incorporação, vidência ou materialização, no segundo. Incorporação quando o Espírito, abandonando seu corpo carnal no local onde se encontra, dá uma comunicação, falada ou escrita, em local diferente; vidência quando, exteriorizado do corpo em dado local, se manifesta astralmente em outro; e, finalmente, materialização quando, desdobrado num local, condensa-se de forma a poder ser visto em outro, por uma ou mais pessoas, mesmo não dotadas da capacidade de vidência.

3) Bicorporeidade

É fenômeno da mesma natureza que bilocação, com a diferença que esta mostra o acontecimento em seu aspecto de local de manifestação enquanto que a bicorporeidade o mostra em relação ao veículo de manifestação; bilocação significando dois lugares e bicorporeidade significando dois corpos. Mas o fenômeno, em si mesmo, é semelhante: o Espírito exterioriza-se no local onde está e mostra-se no local para onde se locomoveu. Há todavia, modalidades diferentes do fenômeno, fato este que, justamente, motivou a série de classificações e explicações complicadas e confusas formuladas por alguns escritores espiritualistas. Uma destas modalidades é o caso dos “doublés”; indivíduos que deparam com um corpo físico duplo do seu, dotado ainda mais, em algumas vezes, da faculdade de falar. Não negamos estes fatos, dos quais há inúmeras referências na literatura espiritualista e, segundo sabemos, a duplicata tanto pode ser uma projeção

ideoplástica do indivíduo-base, criada consciente ou inconscientemente (caso em que ela seria muda), ou se trataria de uma caracterização, uma simulação feita por um Espírito desencarnado, manifestando-se em aspecto físico, indumentária, etc., semelhantemente ao indivíduo-base, caso em que, então, o doublé poderia falar. Em se tratando, porém, de Espíritos desencarnados, de certo grau hierarquico, estes podem fazer-se visíveis em lugares diferentes, como já dissemos; essa forma visível, nestes casos é animada e possui o aspecto e os característicos que o Espírito atuante deseja imprimir-lhe. Estes casos, entretanto, não devem ser considerados fenômenos de bilocação ou bicorporeidade, do setor mediúnico, visto que representam o exercício normal de um poder inerente a esses Espíritos.

Não é possível a um mesmo Espírito animar ao mesmo tempo a dois corpos, quando mais não seja pela simples razão de que se a personalidade é variável, a individualidade é indivisível. Para tal seria necessário que o Espírito se bipartisse o que, fundamentalmente, não é possível, porque as ligações perispirituais da encarnação só se dão com um corpo material determinado e são tão profundas e especificamente individualizadas que somente com a morte se rompem. De tudo se conclui, como regra geral, que em todos esses casos, mutatis mutandis, o Espírito se exterioriza do seu corpo carnal no local onde se encontra e assim desdobrado manifesta-se em outros lugares em variadíssimas condições e circunstâncias, mas nunca ao mesmo tempo e jamais em dupla individualidade.

4) Dupla personalidade

Há, por último, os casos de dupla personalidade, que consistem em um mesmo indivíduo apresentar profundas alterações de sua personalidade comum ou costumeira, no temperamento, no caráter, na cultura, na educação, na voz, nos hábitos, etc.; alternando as diferentes personalidades às vezes durante meses e anos, como se tem de há muito tempo verificado. Citam-se mesmo casos de tripla e quadrupla personalidade, alternando-se sucessivamente meses e anos, no mesmo indivíduo. Aqui não se trata de desdobramento que, como vimos, é a base comum dos fenômenos anteriormente citados. Na dupla personalidade, se ficar provado que não se trata de incorporações de entidades estranhas, (caso em que o fenômeno não teria originalidade pois já o estudamos no capítulo das incorporações) e se for demonstrado que tudo se passa no campo íntimo do médium, a explicação do fenômeno, segundo pensamos, pode ser a seguinte: Por motivos diversos, internos ou externos, que não é necessário enumerar, dilata-se para o médium o campo da mente menor (a usualmente utilizada) e o indivíduo passa a viver, temporariamente, com uma consciência diferente, que corresponde a um setor diferente da mente maior no qual, pelos motivos diversos a que nos referimos, temporàriamente se integrou. E como êsse diferente setor consciencional corresponde a fatos relacionados a uma outra encarnação, o indivíduo, dessa encarnação,

manifesta uma personalidade diferente da pertencente ao mesmo indivíduo na presente encarnação, porque, como já dissemos, a personalidade é variável enquanto que a individualidade é indivisível. André Luiz cita um caso que pode ser considerado de puro animismo: o de uma mulher que, a aproximação de um desafeto desencarnado que a persegue, deixa-se dominar por reflexos da vida anterior, quando foi apunhalada por ele, revive em si mesmo os antigos sofrimentos e representa a personalidade do passado. É um caso interessante na forma curiosa a confundir-se com a dupla personalidade, vão por reingressão na mente maior, mas por reativações momentâneas das reminiscências guardadas no sub consciente e que perduram mesmo através o desencarne e o renascimento. Ela supõe encarnar uma personalidade diferente mas na realidade somente exteriorisa o mundo de si mesma. Um caso forte de animismo, pois. E assim como o médium pode manifestar personalidade dupla vivendo em dois setores da mente maior, pela mesma razão e pelas mesmas leis poderá aparentar personalidade tripla ou quádrupla, se bem que, isto agora, só se possa dar em circunstâncias mais raras o mais difíceis. Mas, em todos os casos, como a mente total é uma só, (conquanto possa entrar em atividade parcelada), e igualmente como sucede nas exteriorizações, nunca se dá divisão do Eu, que é sempre uno, indivisível, integral.

Vejamos agora a última manifestação de efeitos físicos, nesta série que estamos enumerando.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.