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Capítulo 101 de 110
Apóstolos de Ontem e de Hoje
Mediunidade · Edgard Armond, espíritos diversos
Nos tempos apostólicos os discípulos eram enviados a espalhar os ensinos do Mestre por todos os caminhos do mundo então conhecido. Atinham-se ao que Jesus ensinara e cumpriam suas missões com devotamento e fé, porque estavam empolgados pelas realidades que presenciavam e sabiam que aqueles ensinos eram de salvação. Sentiam-se gloriosos de serem artífices dessa transformação do mundo e deslumbrados pela compreensão da missão redentora do Messias. Mas agiam na certeza de uma conquista imediata do reino dos céus, com a volta do Cristo para breves dias e não lhes ocorria nem cogitavam de que são necessários milênios para que a humanidade, nas suas primeiras etapas evolutivas, avance um milímetro. Não compreendiam que o Cristo voltaria, não nas nuvens do céu, nem no rumor do trovão, nem nas coisas exteriores, mas
no coração de cada um, na intimidade de cada alma, no silêncio e na angústia de cada sofrimento, após séculos de luta tremenda contra suas próprias ímperfeições. E o Mestre lhes recomendava: “Grande na verdade é a messe e poucos os trabalhadores. Olhai que eu vos mando como cordeiros entre os lobos. Em qualquer casa onde entrardes dizei primeiro que tudo: paz seja nesta casa. Curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: está a chegar a vós o reino de Deus. Mas se não vos receberem sacudi sôbre ela até o pó de vossas sandálias; porque o que a vós despreza a mim despreza e despreza Aquele que me enviou. E quando os discípulos se admiravam de poderem até mesmo sujeitar espíritos malignos, com a só pronúncia do nome do Mestre, este lhes acrescentava: “— de sujeitarem os espíritos malignos não é o de que vos deveis alegrar, mas sim de que os vossos nomes estão escritos nos céus».
Pois a situação do mundo tão pouco mudou, que o que o Mestre disse, há dois mil anos, está hoje, da mesma forma, de pé e deve soar aos ouvidos dos médiuns como advertências que a êles também se aplicam; pois que são os continuadores da mesma obra lançados, agora como então, em meio dos lobos, apóstolos modernos armados de semelhantes poderes espirituais, que caminham pelo mundo na mesma semeadura. Ouçam, pois, essas vozes que soam de longe, tomem seu bordão e sigam para diante: onde quer que detenham seus passos, acendam aí suas lâmpadas e iluminem tudo em volta, com as claridades da mesma chama. Discípulos do Cristo! Para que as ovelhas possam ser tôdas recolhidas ao aprisco antes que a noite chegue, com suas trevas e seus terrores.
Acendam as suas lâmpadas e ofereçam a todos a sua paz; curem os enfermos nos seus corpos e nas suas almas mas digam-lhes: chegou o tempo em que devemos glorificar o Pai no Filho e no Espírito; o tempo de apresentar o testemunho de nosso esfôrço passado; prestarmos contas de nossos atos e nos prepararmos para o julgamento. Levantem suas lâmpadas bem alto para que a claridade inunde campos e cidades e a todos os que vierem a crer por sua interferência digam: somos todos náufragos perdidos neste pélago; esforcemo-nos por socorrer os que se debatem conosco nas ondas; porque nossa lei é a fraternidade. Levantem suas lâmpadas e proclamem a verdade espiritual com destemor e humildade, porque estamos nos aproximando da hora em que tôda hesitação, tôda dúvida, anularão as possibilidades de um decisivo impulso para cima.
Mas, se não forem atendidos e suas palavras forem desprezadas, obedecendo ao que o Mestre recomendou, digam então: ai de vós que recusais o chamamento benévolo; as trevas exteriores serão vossa morada e os esplendores dos céus não serão agora por vós partilhados: pois que as lâmpadas foram acesas e fugistes às suas claridades; palavras de boa vontade foram ditas e vossos ouvidos ficaram surdos; sentimentos de amor foram externados e vossos corações ficaram frios. Ai de vós, para quem a oportunidade passou!
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.