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Capítulo 6 de 33
Os Grandes Iniciados — parte 6 de 9
Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 2
coercível, a responder aos grilhões da terra ·e aos esplendores do céu, pelo grito: Liberdade! Quem tinha· razão? Os sábios, os sacerdotes, os lou cos, os infelizes, ou ele mesmo? Todos falavam a verda de, cada um em sua esfera, mas · nenhum revelava a sua razão de ser. Os três mundos ,existem, imutáveis como o seio de Demeter, como a luz dos astros, como o cora ção humano. Mas só um verdadeiro sábio encontraria a concordância entre tudo, a lei do equilíbrio. Esse possui ria a ciência divina e poderia auxiliar os homens. O o segredo do c smos está na síntese dos três mun�os! Ao pronunciar essa frase, · que lhe viera à mente, naquele instante, Pitágora levantou-se. O olhar fascin s � do fixou-se na fachada dórica do templo. O s-evero edi fício parecia transfigurado, sob os castos raios de Diana. Ele supôs perceber aí a imagem ideal do mundo e a so lução que ele procurava para o prob!ema. A base, as colunas, a arquitrave, o frontão triangular, representa vam-lhe a tríplice natureza do homem e· do univen::o, do microcosmo e do macrocosmo. coroada pela unidade di vina que ela mesma é uma unidade. O cosmos dominado, penetrado . por Deus formava A Tétrada sagrada, imenso e puro símbolo, Fonte da Natureza, modelo dos Deuses Sim, a chave do universo estava oculta naquelas li nhas geométricas, a ciência dos números, a lei ternária, que rege a constituição dos seres, a do setenário que pre side a sua evolução. Pitágoras viu os mundos moverem -se, segundo o ritmo e a harmonia dos números sagrados. Viu o equilíbrio do céu e da terra, expresso na liberda de humana, os três mundos complementando-se -· 0 mundo natural, o humano. o divino - no duplo movi mento ascendente-descendente. Teve a intuição das es feras do mundo invisível envolvendo e animando inces- · santemente o mundo visível. Concebeu a purificação . e lib�rtação do homem, já nesta terra, mediante a tríplice iniciação. Viu tudo isso, sua vida, sua obra, com a cer teza irrefragável do espírito em face da Verdade. Foi um relâmpago. Competia-lhe agora provar pela Razão o que sua pura Inteligência apreendera no Absoluto, P r a a a 4.J isso seria necessário· um trabalho de Hércules, uma exis tência inteira. O espírito de Pitágoras, que logo criara asas, entrou no passado, no nascimento envolto em véus, no misterio so amor da sua mãe. Lembrava-se de que esta o levara ao templo de Adonai, num vale do Líbano, quando ele tinha um ano. Sua mãe estava de pé, no terraço, à som bra de grandes cedros. A sua frente, um sacerdote majes toso, de barbas brancas, sorria, enquanto pronunciava palavras grav-es incompreensíveis. Sua mãe de quando em quando lhe lembrava as palavras daquele hierofante: "ó mulher da Jônia, teu filho será grande pela sabedo ria. Os gregos já possuem a ciência dos deuses, mas a ciência de Deus só se encontra no Egito." Sua mãe ti nha-o animado a executar aquela missão. Resolvera por tanto viajar ao Egito, a fim de obter lá sua iniciação. a Polícrates gabava-se de proteger filósofos e poetas. Entregou a Pitágoras un1a carta de recomendação para o faraó Amasis, que o recomendou aos padres de Mênfis. Estes só o receberam depois de relutâncias. Os sábios egípcios desconfiavam dos gregos, que eles consideravam levianos. Fizeram tudo para desanimar o jovem de Samos. Mas o noviço submeteu-se com paciência e coragem in quebrantáveis às demoras e às provas que lhe foram im postas. Sabia qe antemão que só alcançaria o conheci mento mediante o inteiro domínio da vontade sobre to do o seu ser. Sua iniciação prolongou-se por vinte e dois anos, sob o pontificado do grande sacerdote Sonquis. No livro de Hermes, já mencionamos as provas, as tentações, os ter rores, os êxtases do iniciado de Isis, até a· morte aparen te e catalética do adepto. Pitágoras atravessou todas as · fases que permitiam realizar a doutrina do Verbo-Luz ou da Palavra Universal, a da evolução humana através dos sete ciclos planetários. Quando os sacerdotes egípcios vi ram nele uma extraordinária força de alma, uma paixão impessoal pela sabedoria, o que é a coisa mais rara no mundo, abriram-lhe os tesouros da sua experiência. "A ciência dos números e a arte da vontade são as duas chaves da magia," diziam os padres de Mênfis. Pitágoras adquirira aquela visão sintética da essência da vida e das formas, compreendendo a involução do espírito na maté-
mediante a criação universal e a sua evolução ou - ria, ascensão, rumo à unidade pela criação individual, que se chama o desenvolvimento de uma· consciência. Pitágoras atingira o ápice no sacerdócio egípcio e talvez pensasse em voltar à Grécia, quando sobreveio a guerra, na bacia do Nilo. Os déspotas da Ásia,· durante séculos, tinham investido contra o Egito. Afinal, o ven cedor de Babilônia, Cambises, atacara a pátria de Her mes. Comandava grandes exércitos com uma soldades ca faminta. Pitágoras viu Cambises invadir o Egito, sa-· quear os destruir o de templos de Mênfis e de Tebas e Amon. Viu o faraó Psamético, acorrentado sobre um ter reiro, rodeado de sacerdotes, das principais famílias e da corte real. Viu a princesa, filha do faraó, coberta de an drajos, acompanhada de todas suas damas de honra, nos mesmos trajos e mais dois mil rapazes amordaçados, en cabrestados, antes de serem todos decapitados. O faraó Psamético reprimia os soluços, ante o horror daquela cena. Sentado em seu trono, Cambises sentia-se satisfei- · to com o sofrimento do seu adversário aniquilado. Ali estava Hermes r�cebendo uma terrível lição, a da História d(ls Nações, depois de ter recebido as lições da ciência. No decurso da sua iniciação, Pitágoras arris cara-se, na aprendizagem do manejo de forças ocultas. Mas, com'o todos os grandes homens, ele tinha confiança em sua estrela. Agora, ele presenciava a ação da natureza animal desenfreada na criatura humana. Cambises ordenou que uma parte do sacerdócio egípcio fosse levado a Babilô nia e Pitágoras seguiu também na companhia c;los dester rados. Babilônia era uma cidade colossal. Aristóteles compara-a a um país rodeado de muralhas. Era aliás, um imenso campo de observação. Depois da conquista per sa, a antiga Babel, a grande prostituta segundo os pro fetas hebreus, era um pandemônio de povos, de línguas, de cultos. de religiões. E no centro disso, o despotismo asiático levantava a sua torre. De acordo com as tradições persas, fora fundada pela legendária Semíramis, que ordenara a construção das suas muralhas com a extensão de oitenta e cinco quilômetros de perímetro.· Essas muralhas denominavam-
-se o Imgum-Bel ,e no seu cimo podiam correr duas car ruagens emparelhadas. Era a cidade dos · jardins super. postos , dos palácios maciços com relevos policrômicos, os templos sustentados por elefantes de pedra e encima dos por dragões multicores. Lá tinha havido a sucessão dos déspotas que escravizaram . a Ca!déia, a Assíria, a Pérsia, uma parte da· Tartária, a Judéia, a Síria e a Asia Menor. Para lá, Nabudonosor, o assassino dos magos, ar rastara em cativeiro o povo judeu, que continuava a pra ticar o seu culto em algum recanto daquela urbe onde Londres caberia quatro vezes. Os judeus tinham forne cido ao grande rei um ministro poderoso, que fora o pro feta Daniel. Reinando Baltasar, filho de. Nabucodonosor, as muralhas da velha Babel abateram-se sob os golpes vingadores de Ciro. Babilônia ficou vários séculos sob o domínio persa . . Em decorrência desses acontecimentos anteriores, havia em Babilônia três religiões diferentes, com os seus sacerdotes, quando Pitágoras foi levado para lá em com panhia dos egípcios. Assim, foi-lhe possível aprofundar -se nos conhecimentos dos magos, herdeiros de Zoroas tro. Os padres egípcios possuiam as chaves universais das · ciências sagradas, mas os magos persas tinham a r·eputação de haver levado mais adiante a prática de al gumas artes. Eles gabavam-se de manejar potências ocul tas da natureza, chamadas o fogo pantomorfo e a luz as tral. Dizia-se que em seus te1nplos as trevas surgiam €m pleno dia, as lâmpadas acendiam-se s por i me�mas, viam -se os deuses brilharem, o raio troar. Os magos denomina vam leão celeste esse fogo incorpóreo, gerador da ele tricidade. que eles sabiam condensar ou dissipar à von tade. Chamavam de serpentes as corrente s elétricas da atmosfera magnética da terra, que eles pretendia m diri gir como flechas sobre os homens. Também tinham feito · estudo especial do· :um poder sugestivo, atrativ o e cria do da palavra humana. r ara a evocação � dos espíritos , . . utiliza -se vam de formul:ínos graduados, redigido s com apoio nos mais antigos idiomas. Justificava m-s e com a s�guinte �egação: a "Não se deve alterar nada nos vocâr . ulos bárbaros da evocação. b São os nomes pante sticos de Deus. stão magnetizado E s pelas adoraçõ es da multi dão e a sµa potência é inefável .'' Essas evocações , prati-
cadas entre purificações e preces, eram, propriamente f a lando, aquilo que mais tarde se denominou magia branca. Entrando na Babilônia, Pitágoras penetrou nos arca nos da antiga magia. Ao mesmo tempo, naquele antro do despotismo, viu u1n grande espetáculo: sobre os escom bros das religiões que desmoronavam, acima do sacerdó cio dizimqdo e degenerado, havia um grupo de iniciados intrepidos, unidos, defensores da sua ciência, da sua fé e tanto quanto possível, também da justiça. Como Da niel na fossa dos leões, eles enfrentavam os déspotas, fascinavam, domavam a fera do poder absoluto pelo seu poder intelectual, disputando-lhe o terreno passo a passo. Depois da iniciação egípcia e caldaica, o rapaz de Sarnas sabia mais do que os seus mestres e do que qual quer Grego em seu tempo, fosse sacerdote ou leigo. A natureza lhe descerrara os seus abismos, os véus da ma téria tinham sido dilacerados e ele vira as maravilhosas esferas da natureza e da humanidade espiritualizada. No templo de Neite-Isis em Mênfis, no de Bel erri Babilônia, ele adquirira conhecimento a respeito do passado das s religiões. da história dos continentes e das raças. Fizera uma comparação do monoteísmo judaico com o politeís mo grego, examinando as vantagens e inconvenientes res pectivos, examinando também o trinitarismo hindu e o dualismo persa. Sabia que as religiões eram diversos raios de uma mesma verdade, de acordo com os graus da in teligência e dos estados sociais. Ele possuia a· síntese de todas essas doutrinas na ciência esotérica. O seu olhar percebia o passado, o presente, o futuro com singular lucidez. Sua experiência mostrava-lhe a humanidade ameaçada por grandes flagelos, pela ignorância dos pa dres, o materialismo dos cientistas, a indisciplina das de mocracias. No meio do descalabro universal, ele via cres cendo o despotismo asiático. E daquela nuvem negra iria desabar um ciclone formidável sobre a Europa indefesa. Era tempo de voltar à Grécia. Pitágoras estivera in ternado em Babilônia doze anos. Para sair de lã, seria indispensável uma ordem do rei dos Persas. Um compa triota, Demócedes, médico do monarca, intercedeu em favor dele e obteve a liberdade do filósofo. Depois de trinta e quatro anos de ausência, voltou à sua pátria, então esmagada sob o domínio de um sã- 4'1 apa do rei. Tinham-se fechado as escolas e os templos, tr os poetas e Pitágoras, teve cientista s estavam foragidos. pelo menos o consolo de receber o último suspiro de seu primeiro mestre, Hermodamos, e. de encontrar ainda viva sua mãe que jamais duvidara do seu regresso, pois toda a. gente supunha joalheiro morto o filho áventureiro do de Samos. Mas ela jamais duvidara do oráculo de. Apolo. p Com reendia que sob as vestes · brancas de sacerdote g pcio, seU filho preparava-se para uma alta missão. Ela. e í sabia que do templo de Neite-Isis sairia o mestre ben- . feitor, o profeta luminoso, que havia sonhado no bosque sagrado de Delfos e que o hierofante ·de Adonai lhe pro metera sob os cedros do Líbano. Agora, um barco veloz levava sobre as águas azula das das Cíclades a mãe e o filho, rumo a um novo exílio. Levando consigo os seus haveres fugiam de Sam os opri-. mida. Corriam para a Grécia. Não eram os .Iauréis de poeta e as coroas olímpicas que atraiam o filho. de Partê nis. Sua obra era mais vasta, mais misteriosa: despertar a alma adormecida dos deuses nos santuários; restituir sua força e seu prestígio no templo de Apolo. Depois, em qualquer parte. fundar uma escola de ciência e de vida, da qual sairiam nem políticos, nem sofistas, mas homens e mulheres iniciados, verdadeiras mães, puros heróis.
O templo de Delfos. A ciência apolínea. Da planície da Fócida, o viajante subiria aos pr� dos que se estendem às margens do Plístios, entrando depois num vale tortuoso entre altas montanhas. O vale ia estreitando-se, enquanto a paisagem tornava-se mais grandiosa e mais desolada. Atingiria afinal um círculo de montanhas abrutas, encimadas de penedos selvagens, ver dadeiro funil carregado de eletricidade, onde eram fre qüentes as tempestades. No fundo da garganta, apare cia a cidade de Delfos, como ninho de águia num ro chedo, rodeado de precipícios e dominado pelos dois ci mos do Parnasso. Ao longe, viam-se cintilar· ao sol os . cavalos de bronze, as estátuas das Vitórias, inúmeras . imagens feitas de ouro, ú!lla teoria de heróis e de Deu ses, até o. templo dórico de Proibos Apolo. Em toda a Grécia, era aquele o local mais santo. Lá profetizava a. Pítia; reuniam-se os Anfictiões, erguiam-se capelas cheias de oferendas trazidas por todos os povos da Gréci�. Para lá dirigiam-se homens, mulheres e me ninos· para saudarem o Deus da · luz. Desde tempos ime. moriais, fora o templo de Delfos consagrado à veneração dos povos. Na caverna atrás do templo, abria-se uma fenda de onde saiam vapores frios, os quais provocavam a inspfração e o êxtase, segundo dizia-se. Narra Plutar .co · que, em tempos muito remotos, um pastor sentou-se perto daquela fenda e começou a profetizar. Nó princípio, supuseram-no louco. Mas as profecias realizavam-se e então deram atenção ao fato. Os sacerdotes intervieram e consagraram o local à divindade. Daí a instituição da Pítia·,. sentada sobre um tripé colocado acima da fen4a. Os vapores provocavam-lhe convulsões com a chamada segunda vista, que se nota nos sonâmbulos notáveis. Ésquilo, filho de um sacerdote de Eleusis, ele mesmo iniciado, informa em As Eumênidas, pela boca da Pítia, depois a Têm que Delfos fora consagrado à Terra, is ( a Justiça), depois a Febe (é;l lua medianeira), afinal a Apo-
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