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Capítulo 12 de 33

Segundo Grau — parte 2 de 17

Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 2

Bastaria esta explicação para demonstrar a aplica­ ção do Tetraedro no plano das idéias. Daí o e . ntusiasmo de Lisis nos Versos Áureos e compreende-se porque os pitagóricos juravam por este gr�nde símbolo: Juro por aquele que gravou em nossos corações A Tétrada sagrada, · imensa puro símbolo, , Fonte da Natureza, modelo dos deuses. Pitágoras levava muito além o ensino dos números. m cada uma E um deles, o mestre definia um princípio, lei, uma força ativa do universo. Dizia que os princípios essenciais e�tão contidos nos quatro prin1eiros números. Adicionando-os, multiplicando-os, encontram-se todos- os outros. A infinita variedade dos seres no universo é pro­ duzida pelas combinações das três forças primordiais (matéria, alma, espírito) sob o impulso criador da uni­ dade divina. Como os principais mestres da ciência eso­ térica, Pitágoras dava muita importância ao número sete e ao número dez. Sendo sete o composto de três e de quatro, significa a união do homem e da divindade. É o algarismo dos adeptos, dos grandes iniciados, e exprime a realização completa em qualquer coisa por sete graus: ele repre­ senta a lei da evolução. O número dez, f armado pela adição dos quatro primeiros, contendo o precedente, é o número perfeito por excelência. Representa todos os prin­ cípios da divindade evoluídos e reunidos em nova uni­ dade. Terminando o ensino da sua teogonia, Pitágoras mostrava aos discípulos as nove Musas, personificando as ciências. agrupadas por três, presidindo ao tríplice ter­ nário evoluído em nove rnundos, formando com Hestia . a Ciência divina, guardiã do Fogo primordial - a Déca.:. da sagrada. TERCEIRO GRAU. Perfeição (teleiotês) Cosmogonia e Psicologia. A Evolução da Alma. O discípulo ecebera do mestre princípios da ciên­ r os cia. Cairam então dos seus olhos as escamas da maté- &O ria. Abrindo o véu da mitologia, e]e afastara-a do mun­ do visível para levá-la aos espaços sem fronteiras, ilumi­ nando-a com o sol da Inteligência, de onde a Verdade irradia sobre os três mundos. A ciência dos números era apenas o preâmbulo da grande iniciação. Com aqueles princípios, ia-se descer das aJturas do Absoluto para as profundezas da natureza, para apreender aí o pensamen­ to divino, na formação das coisas, na evolução da alma, através dos mundos. A cosmogonia e a psicologia eso­ téricas referiam-se aos maiores mistérios da vida, aos perigosos segredos, ciosamente ocultos, nas ciênéias e artes secretas. Por isso, Pitágoras gostava de dar essas lições, afastado do bulício prof ano, à noite, à margem do mar, nos terraços do templo de Ceres. As mulheres. iniciadas participavam de tais reuniões noturnas. Algu­ mas vezes, sacerdotes e sacerdotisas, provindos de Del­ fos ou de Eleusis, vinham confirmar o ensino do mestre, pela narrativa das suas experiências ou pela palavra lúcida do sono de clarividente. A evolução material e a espiritual do mundo são dois movimentos inversos, apesar de paralelos e concordan­ tes. Um expJica-se pelo outro. Ambos explicam o mun­ do Mediante a evolução material, Deus manifesta-se na . matéria pela ahria do mundo que a elabora. A evolução espiritual representa a elaboração da consciência nas mô­ nadas irfdividuais, suas tentativas de alcançar o espírito divino de quem elas emanam, através dos ciclos da vida. Do ponto de vista terrestre, a explicação racional do mundo deve começar pela evolução material. Vendo o trabalho do Espírito universal na matéria, prosseguindo o desenvolvimento das mônadas individuais, · essa expli­ cação conduz ao ponto de vista espiritual, fazendo-nos passar do lado de fora para o lado de dentro das coisas, do avesso do mundo para o direito. Assim procedia Pitágoras. A segunda.. parte do seu ensino começava portanto pel� cosmogonia., Segundo os fragmentos da teoria esotérica dos pitagóricos, a sua as­ tronomia seria semelhante à de Ptolomeu, geocêntrica. No centro do seu universo, Pitágoras colocava o Fog , o do qual o sol é apenas um reflexo. No esoterismo de todo o Oriente, o Fogo é signo do Espírito, da Consciência divina, universal. Os nossos filósofos acham que a física

de Pitágoras e de Platão é uma descrição imaginosa da sua filosofia secreta, luminosa para os iniciados, impe­ netrável para. o vulgar, pois faziam-na passar por uma simples física. Mas, devemos entendê-la como uma es­ pécie de cosmografia da vida das almas. A região sublu­ nar designa a esfera da atração terrestre, chamada o círculo das gerações. Para os iniciados, a terra é a região dã .. vida corporal. Aí ocorrem as operações de encarna­ ção e desencarnação das almas. A esfera dos seis pla­ etas ascendentes dos n é do sol corresponde às categorias espíritos. O Olimpo é o céu dos eleitos, sendo assimilado . à esfera das almas perfeitas. Essa astronomia infantil en­ cerra uma concepção do Universo ,espiritual. Os antigos e Pitágoras tinham noções justas a res­ peito · do universo físico. Aristóteles diz que os pitagó­ ricos acreditavam no movimento da terra em torno do sol. COPÉRNICO afirma que a idéia da rotação da ter­ ra em torno do seu eixo lhe fora sugerida lendo em CtCERO que um certo HICET AS de Siracusa falara do movimento diurno da terra. Aos seus discípulos do ter­ ceiro grau, Pitágoras ensinava o duplo movimento da terra. Sem dispor das medidas exatas da ciência moder­ na, ele sabia como os padres de Mênfi que os planetas s nascidos do sol giram em torno desse astro. Sabia que as estrelas são sistemas solares, submetidas às mesmas leis que o nosso, que cada mundo solar forma um pe­ queno universo com a sua correspondência no mundo espiritual. Essas noções teriam subvertido a mitologia

. popular: enJm reveladas sob juramento de segredo. ( ) (º} Certas definições estranhas, transmitidas sob forma de metáforas, provenientes do ensino secreto do mestre, deixam trans­ parecer em seu sentido oculto a grandiosa concepção pitagórica do Cosmo. Falando das constelações, ele chamava a grande e a pe­ quena Ursa as mãos de Rea-Cibele. Rea-Cibele significa esoterica­ mente a luz astral, móvel, a divina esposa do fogo universal ou do Espírito Criador. Este, concentrando-se nos sistemas solares, atrai as essências imateriais dos seres, agarra-as, fazendo que elas entrem no turbilhão das vidas. Também ele chamava os planetas os cães de Proserpina. Esta expressão só tem sentido esoterica­ mente. Proserpiha, a deusa das almas, presidia a sua encarnação na matéria. Pitágoras chamava os planetas cães de Proserpina por­ que eles guardam e retêm as almas encarnadas como o Cerbero mitológico guarda as almas no inferno.

Segundo Pitágoras, o céu com todas as estrelas é apenas forma transitória da alma do mundo, da grande Maià, que concentra a mà.téria esparsa nos espaços infi­ nitos, dissolvendo-a depois, dispersando-a sob forma de fluido cósmico imponderável. Cada turbilhão solar pos� sui uma parcela dessa alma universal, evoluindo e1n seu seio, durante milhões de séculos, com força de impulsão e medida especiais. Quanto às potências, aos reinos, às espécies, às almas vivas, aparecendo sucessivamente nos astros desses pequenos mundos, elas vêm de Deus, elas descendem do Pai. Quer isso dizer que elas emanam de uma ordem espfritual, imutável, superior, assim como de uma evolução material anterior, ou seja, de um sistema solar extinto. Essas potências invisíveis, algumas absolu­ tamente imortais, dirigem a fonnação deste mundo. As Õutras aguardam sua eclosão no sono cósmico, ou no sonho divino, para entrarem nas gerações visíveis se­ gundo sua posição, segundo a lei eterna. Enquanto isso, a alma solar e seu fogo central, movidos diretamente pela grande Mónada, manipulam a matéria em fusão. Os planetas são filhos do sol. Cada um está dotado de alma s�mi-consciente, nascida da alma solar, tem seu caráter distinto, sua função particular na evolução. Sendo cada planeta expressão diversa do pensamento de Deus, exer­ cendo função especial na cadeia planetária, os antigos sábios identificara1n os nomes dos planetas com os dos em ação no unive-rso. , \ Os quatro elementos I de que se formam os astros e todos ·. os seres -designam quatro estados gradàtivos da matéria. O primeiro é o mais denso, o mais grosseiro, o mais refratário ao espírito. O último, o mais sutil, de­ monstra grande afinidade com o espírito. A terra repre­ senta o estado sólido. A água, o estado líquido. O ar, o estado gasoso. O fogo, o estado imponderável. O quin­ to, o elemento etérico, representa um estado da matéria de tal maneira sutil que não é mais atômico, sendo dota­ do de penetração universal. Pitágoras falava também aos discípulos da Asia e do Egito. Ele sabia que a terra em fusão estava primitivamente. rodeada de uma atmosfera gasosa que, liqüefeita por esfriamento sucessivo, tinha formado os mares. Segundo o seu hábito, ele falava me-

taforicamente, dizendo que os mares eram produzidos pelas lágrimas de Saturno ( . o tempo cósmico) Mas, eis os reinos aparecendo,· os germes invisíveis flutuando no aura etéreo da terra, turbilhonando no invó­ lucro gasoso, depois atraídos ao seio profundo dos mares e aos primeiros continentes imersos. Os reinos vegetal e animal, ainda confundidos, aparecem quase ao mesmo tempo. A doutrina esotérica admite a transformação das espécies animais, não somente segundo a lei secundária da seleção como também segundo a lei primária da per­ cussão da terra pelas potências celestes, e de todos os seres vivos por princípios inteligentes e forças invisíveis. Quando uma espécie nova aparece no globo é porque un1a raça de almas de tipo superior encarna-se, en1 dada épo­ ca, nos descendentes da ,espécie antiga, para fazê-la su­ bir um degrau, remodelando e transformando-a segundo sua imagem. Do ponto· de vista da evolução terrestre, o homem é o último ramo e o coroamento de todas as espécies an­ teriores. Mas isso não basta para explicar sua entrada em cena. Todas as criações sucessivas supõem a per­ cussão da terra pelas potências invisíveis criadoras da vida. A do homem supõe o reino anterior de uma huma­ nidade celeste, presidindo a eclosão da humanidade ter­ restre, enviando como ondas de uma maré formidável novas torrentes de almas, que se encarnam, fazendo bri­ lhar os primeiros raios de uma luz divina, no ser satura­ do de animalidade, forçado a viver para lutar contra todas as potências da natureza. Pitágoras informa que os templos do Egito tinha no­ ções precisas sobre as grandes revoluções do globo. As doutrinas da índia e do Egito sabiam da ,existência do antigo continente austral, de onde viera a raça verme­ lha com a poderosa civilização chamada dos Atlantes, pelos Gregos. Atribuia a imersão e submersão dos conti­ nentes à oscilação dos polos, admitindo que já houves­ sem ocorrido dez dilúvios. Cada período antediluviano coincide com a predominância de uma grande raça hu­ mana. Nascem e morrem as raças, surgem e desaparecem continentes. Passam os povos e as civilizações. E qual é

o grande mistério? O grande problema é nosso, estâ .­ o dentro de nós, é o problema da alma. A alma vê nela mesma um abismo de treva e de luz, vê-se a si mesma com enlevo e terror, afirmando: "Não sou deste mundo. Ele não basta para explicar-me. Não venho da terra, vou para um mundo além. Onde?" Esse é o mistério de Psi­ qué, no qual se encerram todos os outros. Dizia Pitágoras que a cosmogonia do mundo visível leva-nos à história da terra. A história da terra conduz­ -nos ao mistério da alma humana. Aí tocamos no santo dos santos, no arcano dos arcanos. Uma vez desperta a sua consciência, a alma transforma-se no mais admirável espetáculo para ela mesma. Mas esta consciência é apenas a superfície iluminada do seu ser, onde ela pres­ sente abismos obscuros e insondáveis. "Conhecendo-te . a-·!<' ti mesmo, co11.hecerás o universo e os deuses". Eis o' segredo dos sábios iniciados. Para passarmos por essa · porta estreita, entrando no imenso universo invisível, despertemos em nós a vida direta da alma purificada, empunhemos o facho da Inteligência, da ciência dos prin­ cípios e dos Números sagrados. Assim, Pitágoras passava da cosmogonia física à cosmogonia espiritual. D-epois da evolução da terra, fa­ lava da evolução . da alma através dos mundos. Era essa a doutrina da transmigração das almas. Essa doutrina tem sido desentendida. Platão foi o filósofo que mais contribui para divulgá-la, mas apresentou uma interpre­ tação mutilada e inexata. A doutrina da vida ascensional das almas, através de várias existências, é o traço co­ mum das tradições esotéricas e o coroam-ento da teoso­ fia. Acrescento que ela tem para nós uma importância capital. Atualmente, o homem rejeita com igual desprezo a imortalidade abstrata e vaga da filosofia e o céu infantil da religião primária. Também sente horror ao materia­ lismo seco, vazio. Aspira à consciência de uma imorta­ lidade orgânica, que atenda às exigências da razão e às indestrutíveis necessidades da sua alma. Essas verdades, mantidas em segredo pelos iniciados das antigas reli­ giões, eram transmitidas por Pitágoras aos seus discípu­ los, homens e mulheres, que se ágrupavam em torno do

mestre, numa parte subterrânea do templo de Ceres, chamada cripta de Proserpina, onde ouviam com emoção a história celeste de Psiqué. Que é a alma hun1ana? Uma parcela da grande alma dó mundo, uma fagulha do espírito divino, mônada imor­ tal. O seu possível futuro abre-se aos esplendores inson­ dáveis da consciência divina e sua misteriosa eclosão remonta às origens da matéria orgânica. Para tornar-se o que é na humanidade atual, ela atravessou todos os rei­ nos da natureza, toda a escala dos seres, desenvolvendo­ -se graduahnente em u1na série de. inumeráveis existên- .. das. Elaborando os n1undos, condensando a matéria cós­ mica em massas enormes, o espírito manifesta-se com intensidade diversa e sen1pre se condensa mais nos rei­ nos sucessivos da natureza. Força cega e indistinta no mineral, individualizada na planta, polarizada na sensi­ bilidade e no instinto dos animais, ela tende à mônada consciente, nessa lenta elaboração. E a mônada elemen­ tar é visível no mais inferior animal. O elemento anímico e espiritual existe pois e1n todos os reinos, embora so­ mente en1 quantidade infinitesimal nos reinos inferiores. As almas existentes como germes nos reinos inferio­ res aí estão sem sair, durante imensos períodos. Somen­ te. depois de grandes revoluções cósmicas, elas passam para .um reino superior, mudando de planeta. Tudo o que elas podem fazer, durante o período de vida de um pla­ neta, é subir algumas espécies. Onde começa a mônada? Seria o mesmo que perguntar onde se f armou uma ne­ bulosa ou um sol brilhou pela primeira vez. De qual­ quer modo, o que constitui a essência de um homem teve de evoluir, durante milhões de anos, através de uma , cadeia de planetas e reinos inferiores conservando no decurso dessas existências um princípio individual que a acompanha sempre, em toda parte. Essa individualidade obscura, indestrutível, constitui o selo divino da môna­ da, na qual Deus quer manifestar-se , pela consciência. Quanto mais ascende, na série de organismos, mais a monada desenvolve os seus princípios latentes. A for­ ça polarizada torna-se sensível, a sensibilidade trans­ forma-se em instinto, o instinto muda-se em inteligência. A medida que se acende o facho vacilante da consciên-

eia, a alma torna-se mais independente do corpo, mais capaz de levar uma existência livre. A alma fluida e não polarizada dos minerais e dos vegetais está ligada aos elementos terrestres. A dos ani­ mais, atraída pelo fogo terrestre, permanece nele por al­ gum tempo, depois vem à superfície do globo para reen­ carnar-se em sua espécie, sem jamais poder deixar as baixas camadas do ar. Estas estão povoadas de elemen­ tais ou de desempenham ·sua função lmas animais, que � na vida atm0lfêrica _.,,e/' exercem influência oculta sobre o homem. Somenre----a-alma humana vem do céu e volta para lã, depois da morte. Mas em que época da sua longa existência cósmica, a alma elemental tornou-se alma humana? Em que ca­ dinho incandescente esteve aquela chama etérea, a fim de haver essa transformação? A transformação só foi pos­ sível, durante um período interplanetar, pelo encontro de almas humanas, jâ plenamente formadas, que de_sen­ volveram na alma elemental o seu princípio espiritual e imprimiram o seu divino protótjpo como um selo de fogo na substância plástica. Mas, quantas viagens, quantas encarnações, quan­ tos ciclo planetários ainda a atravessar, para que a al­ s ma humana, assim formada, torne-se o homem que co­ nhecemos! Segundo as tradições esotéricas da índia e do Egito, os indivíduos da humanidade atual teriam come­ çado sua existência humana em outros planetas, onde a matéria é menos densa do que a da terra. O corpo hu­ mano era quase vaporoso. Suas encarnações eram rápi­ das e fáceis. Nessa primeira fase humana, a perc,epção espiritual direta era mais forte. Ao contrário, eram em­ brionárias a· razão e a inteligência. Nessa situação semi­ -corporal, semi-espiritual, o homem via os espíritos, tudo era musical, encantador,· esplendoroso, para os seus sen­ tidos. Não pensava, não refletia, apenas queria. Bebia os sons, as formas, a luz, flutuando como em um sonho, da vida para a morte, da morte para a vida. ·Eis o que os órficos chamavam o céu de Saturno. Só pela e�carnação em planetas cada vez mais den­ sos, segundo a doutrina de Herm,es, foi que o homem se materializou. Encarnando-se em matéria mais densa, a

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