[user_registration_my_account]
Capítulo 4 de 33
Os Grandes Iniciados — parte 4 de 9
Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 2
U<!ndo vier o meu espos � o_ . celest e, o divino � libert Entã pareceram <:> mulheres � terríveis. Os seus olhos · estavam tnJetados de sangue e as cabeças coroadas de pl ntas ven nosas. � Em redor dos � braços, dos flancos se m1nus, torciam-se serpentes. E diziam com um tom sibilante na voz: · -Al . as, espectro s, larvas! � Não acreditem nas pa _ -lavra s da insensata rainha dos mortos. Nós somos as sacerdotis as da vida tenebrosa, servas dos elemento s e dos m::>nstros de cá de baixo, Bacantes na terra, Fúrias no Tártaro. Somos nós as vossas rainh as eternas ó · al ma infeli es, que não saireis do maldito � � círculo das ge raçoes, pois a ele vos faremos voltar com os nossos chi cotes. Torcei-vo s para sempre nos anéis sibiJantes das nossas serpe ntes nas , garras do desejo, do ódio, do re morso. E desgrenhadas, elas atiravam-se sobre o rebanho das almas desvairadas, que volteavam nos ares, sob as suas chicotadas, como um turbilhão de folhas secas, sol tando altos gemidos. Vendo isso, Perséf ona empalideceu. Parecia apenas um fantasma lunar. E murmurou: -O céu, a luz . . . os deus-es. . . um sonho, sono, sono eterno. Murchou a sua coroa de papoulas. Os seus olhos fedos mortos caiu em angústia e a rainha charam-se pela · Depois tudo desapareceu nas o seu trono. bre letargia so trevas. de Delfos viu-se num O discípulo Mudou a visão. fundo levantava-se o Ao e verdejante. esplêndido vale . negro, adormecida so de um antro Diante Climpo. monte linda Perséfona. Agora, estava a de flores, um leito bre havia em sua cabeça de papoulas, coroa de uma eni vez _ caiam-lhe so tranças negras As narcisas. coroa de uma num prado. Uma dan avam s Ninfas . espádua � as alvas bre ao longe as vo Ouviam-se um templo. em lira ressoava _ no céu abriu-se . De r pente, iniciada � das mulheres � zes r Ohou Pe m deus. � surgiu radiante, � sob forma azul e
t1rso, percom o o seio de leve após tocar-lhe e séfona guntou-lhe: econheces-me? -R · Exclamou Perséfona: -Dionisos! Espírito divino! Luz celeste a resplan decer sob· a forma do homem, cada vez que me desper tas, creio estar vivendo pela primeira vez. O passado e o futuro transformam-se no presente imortal. Sinto em meu coração irradiar o universo! , por cima dos cumes das montanhas, Enquanto isso entre as clareiras abertas nas nuvens, surgiam os deuses. Na terra, homens, mulheres, meninos, apareciam nos va les e embevecidos contemplavam os Imortais. Urria cla ridade rósea estendia-se por toda a paisagem. A rainha , subia aos céus dos mortos, novamente a divina ceifadora nos braços do esposo. Envolveu-os uma nuvem purpú rea e os lábios de Dionisos uniram-se aos de Perséf ona. Ouviu-se então por todo o espaço um grito de amor e emanou do par divino uma fulguração, um furacão de luz estonteante. E tudo desapareceu. Por um momento, o discípulo sentiu-se como absor vido na fonte da vida universal, submerso no . sol do Ser. Mas, mergulhando no seu braseiro incandescente, dele irrompeu com as suas asas celestes e, corno um relâmpa go atravessou os mundos para atingir em suas fronteiras o sono €xtático do Infinito. Quando recobrou os sentidos, viu em torno de si a noite escura. Só uma lira luminosa brilhava nas trevas profundas. E afastava-se, afastava-se, até transformar-se em estrela. Apenas então, o discípulo percebeu que esta va na cripta das evocações e que aquele ponto luminoso era a fenda longínqua da caverna, aberta para o firma mento. Ao seu lado de pé estava e uma grande sombra. Era Orfeu. Ele reconheceu-o pelos cabelos anelados e pelo cetro de cristal flamejant e. Perguntou-lhe o hierofante: -Filho de Delfos, de onde vens? -Mestre dos iniciados, celeste encantador, maravilhoso Orfeu, tive um sonho divino. Seria encanto da ma gia? Seria um dom dos deuses? Que aconteceu? Transfor mou-se o mundo? Onde estou agora? -Conquistaste a coroa da iniciação. Viveste o meu o o s nh : a Grécia imortal. Agora, devemos sair daqui. Para tudo cumprir-se é necessário que eu morra e que tu. vivas.
A morte de Orfeu Nos flancos do monte Kaukaion, a tempestade aba tia-se .sobre as florestas de carvalhos. Os raios estalavam violentos, ferindo as rochas nuas e o ribombar do tro vão atroava até às bases do templo de Júpiter. Na cripta do santuário, os sacerdotes de Zeus estavam sentados em suas poltronas, em semicjrculo. Mais pálido do que nun ca, o olhar calmo iluminado de uma chama profunda, estava Orfeu de pé, no meio daquele semicírculo, como acusado. Falou o mais velho dos sacerdotes. E na sua · faia havia um acento grave como o da voz de um juiz: -Orfeu, dizem que és filho de Apolo. Nós te no meamos pontífice e r_ei, entregando-te o cetro místico dos filhos de Deus. Pela arte sacerdotal e real _ reinas na Trá cia. Nesta região, restauraste os templos de Júpiter e de Apolo, fizeste reluzir o divino sol de Dionisos na noi te dos mistérios. Mas, por acaso, o que nos ameaça? Tu conheces segredos terríveis. Mais de uma vez predisseste o futuro. Falas de longe aos teus discípulos. Tu lhes apa reces em sonho. No entanto, ignoras o que está ocorren do em volta de ti. Durante a tua ausência, no yale de Re cate reuniram-se as Bacantes selvagens, as sacerdotisas , malditas, e sob a direção de Aglaonice, a grande sacer dotisa da tenebrosa Hecate, mil guerreiros trácios estão acampados ao sopé desta montanha e amanhã assaltarão o templo. Excitam-nos as mulheres vestidas de pele de pantera. ávidas do sangue dos homens. Essa Aglaonice é uma mágica tão terrível, implacável, obstinada quanto uma Fúria. Deves conhecê-la. - Que dizes? -Eu sabia já disso tudo - observou Orfeu. Tudo isso devia acontecer. -Então por que não agiste em nossa defesa? Aglaonice jurou degolar-nos sobre os nossos altares, em face do céu vivo que adoramos. Que será feito deste
templo, dos seus tesouros e sua ciência? E o própri'J Zeus? Que será dele, se o abandonas? E replicou mansamente Orfeu: -Não estou convosco? Observou o ancião: - Sim, vieste, m muito tarde. Aglaonice dirige as as Bacantes e as Bacantes conduzem os Trácios. Vais repe li-los com o raio de Júpiter e com as flechas de Apolo? Por que não convocaste os chefes trácios fiéis a Zeus, para virem ta? até aqui, a fim de debelar a revol · e sim pe - Os Deuses não se defendem com armas la palavra. Os chefes não devem ser combatidqs. As ba cantes, estas sim, devem ser atacadas. Eu vou sozinho. Ficai tranquilos, nenhum profano transporá este recinto. Amanhã terminará o reinado das sacerdotisas sanguiná rias. E sabei vós, medrosos ante a horda de Hecate. que os deuses ce!estes e solares vencerão. Quanto a ti, ancião, que duvidavas de mim, deixo-te o cetro de pontífice e a coroa de hierofante. E receioso perguntou o velho: -Que vais fazer? Respondeu-lhe Orfeu: Vou reunir-me aos Deuses. A vó todos, até logo. - s Orfeu saiu, deixando os sacerdotes mudos, em suas poltronas. Ainda no templo, encnntrou o discípulo de Del fos e apertando-lhe a mão disse: -Vou ao campo dos Trácios. Segue-me! Caminharam algum tempo ent rP. os carvalhos. A tro voada estava longe. As estrelas brilhavam, entre as ra s. magen entã Orfeu: Falou-lhe o hora suprema para mim. Outros com Chegau a _ __..... - preenderam-me. Tu me amaste. Dizem os iniciados: Eros é o mais antigo dos Deuses. Dele dependem todos os se res. Conduzi-te ao fundo dos Mistérios, os Deuses fala ram-te, tu os viste. Agora, fastado dos homens, sazinho, a na hora da sua morte. Orfeu deve deixar ao seu discípulo amado· a palavra do seu destino, a herança imortal, o �ume puro da sua alma. Disse-lhe o discípulo de Delfos: - Mestre! Ouço e obedeço. e � Continuemos por .ste atalho. Aproxima�se a hora.
acom me Enquanto meus inimigos.· os surpreender Quero a esqueç S, d e não te dize que estou ouve o ? panhas,. !1 . segredo como em teu intimo, minhas palavras guardando . go, em de f em letras essa impr s � -Elas ficarão . jamais. as desfarão séculos não ração, e os meu co sua Viste a do céu. é filha que a alma · -Jâ sabes à desce ela preendes. Quando e com origem, o seu fim fra embora do alto, o influxo inua recebendo carne cont nos ve ·primeiro mães que É de nossas � camente. através pri na sufocante Mas, angustiado aquele poderoso sopro. . lma. Minha da a , nosso ente aHmenta-se são corporal o sagra um bosque sacerdotisa de Apolo. Lembro mãe era em seus er acolhendo-me do, um templo solene, uma mulh humanas infun terrenas, a fisionomia braços. As coisas s s minha mãe, diam-me muito medo. Mas, se nos braços de o meu olhar via o dela, ·então eu me lembrava do céu. receu. Morreu e o seu olhar Um dia, minha mãe desapa debaixo da ter.ra. órfão do seu olhar, das suas desfez-se carícias, eu tive medo da minha solidão. Algum tempo de pois, vi derramar-se sangue num templo. Senti repulsa àquele lugar e fugi. "As Bacantes constituíram uma surpresa para a mi nha juventude. Aglaonice reinava sobre aqu elas mulh e res volutuosas e cruéis. Temiam-na todos, homens e mu lheres. Essa tessaliana infundia nos ou tros um sombrio desejo e ao mesmo tempo aterro rizava, exercendo un1a ã atraç o fatal sobre todos quantos se aproximava m dela. Atraia donze!a as s, instruindo-as no seu culto. Conhec eu Eurídice por quem sentiu um amor furi�so, maléfico, e ao mesmo tempo uma inveja perversa. Queria arras tá-la ao culto das bacantes, dominá-la, entregá-la ao s gênios infernais, depois de conspurcar a sua pureza. Fazia -lhe promessas , sedutora s, em sua s cerimônias noturn as·., "Atraído o vale de empe por um· ! estranh . � o press en timento. um dia, eu caminhava entre - arbustns, num prado coberto de ervas· venenosas. Em torno, sentia-s e O ar envenenado dos osques sombrios � freque.ntados pelas ba- . .. cante s. Pouco adiante, Vl um a mulher, Eurídice que, _ sem - - me ver, a ro i ava-se de � um antro � � ,· como que fascinada por alg o 1nv1sivel. De quando em quando , . ouvia -se um
riso leve ou um estranho suspiro. Fremente, indecisa, de tinha-se Eurídice, e logo em seguida" prosseguia nos seus passos, como que atraída por um poder mágico. E en quanto ela andava, os cabelos cor de ouro voejavam so bre as espáduas, os olhos cor de narciso tinham uma va ga expressão. Mas, no seu olhar, eu vira o céu adorme cido. · mãos, exclamei:· - "Eurí E tomando-lhe uma das dice, aonde vais?" "Parecendo despertar de· um sonho, soltou um grito de horror e ao mesmo tempo de. libertação, caindo sobre o meu seio. Fomos então dominados pelo divino Eros e com um olhar, Eurídice e· . Orfeu foram para sempre esposos." "Eurídice aterrorizada, enlaçando-me, indicou-me com um gesto da mão a gruta. Aproximei-me. Estava sentada lá uma mulher. Era Aglaonice. Perto achava-se uma estátua de cera, pintada de vermelho, branco e ne gro segurando um chicote. A mulher murmurava pala vras mágicas, fazendo girar uma roda enfeitiçada. Os olhos fixos em um. ponto no espaço pareciam estar devo- . r�ndo sua presa. Quebrei a roda, arrebentei a estátua, e ferindo-a com meu olhar gritei-lhe: "Por Júpiter! Sob pena de morte, estás proibida de pensar ainda em Eurí dice! Sabe. desde já, que os filhos de Apolo não têm medo de ti!" "Estupefata, aturdida ante meu ato, Aglaonice re torceu-se como serpente e, desaparecendo no fundo da caverna, atirou-me um olhar de ódio mortal." "Conduzi Eurídice aos arredores do meu templo. Co roadas de jacinto, as virgens do Ebro cantaram em roda " de nós: "Himeneu! Himeneu!" E eu conheci a felicidade. "Não tinham decorrido três luas, quando recebendo ordens da tessaliana, uma bacante apresentou a Eurídice uma taça de vinho. Segundo essa bacante, Eurídice fica ria conhecendo .a ciência dos filtros e das ervas mágicas, se bebesse aquele vinho. Curiosa, Eurídice bebeu e caiu nada. A taça continha veneno mortal." fulmi "Quando vi a fogueira consumir Eurídice e sua s cin zas se depositarem num túmulo, quando se desfez a últl ma lembrança da sua forma viva, eu gritei: "Onde está a sua alma?" Parti desesperado. Errei por toda a Grécia.
Supliquei em vão aos sacerdotes de .Samotrácia que al evocassem. Fui procurá-la nas entranhas da terra, no cabo Ténaro. Afinal, cheguei ao antro de Trofônio. Lá, alguns sacerdotes conduzem os visitantes temerários por uma fenda, até os lagos d� fogo, que fervem no interior da terra, proporcionando-lhes a visão do que há lá por baixo. Durante o caminho, o visitante entra em êxtase e toma-se vidente. Sua respiração torna-se opressa, a voz sumida na garganta, e apenas consegue fazer-se enten der por meio de sinais: Alguns recuam, outros continuam andando e morrem asfixiados. Poucos conseguem sair vi vos e ainda assim loucos. Depois de ter visto o que ne nhuma boca deve repetir, regressei à gruta e cai em pro funda letargia. Durante esse _ sono de morte, aparéceu� -me Eurídice. Flutuando em um nimbo, pálida como um raio de luar, disse-me ela: "Pór mim, depois de 1ne teres procurado entre ôs mortos, afrontaste o inferno. Aqui , estou. atendendo ao teu apelo. Eu não estou no interion' da terra e sim no Érebo, o cone sombrio entre a Lua a Terra. Estou no limbo, girando, chorando como tu -Se / queres libertar-me, . salva a Grécia, concedendo-lhe a luz Então eu, readquirindo minhas asas, subirei para os ás tros. Tu me encontrarás na luz dos deuses. Até isso acon tecer, é meu destino estar errante na esfera turva e do lorosa". Três vezes, eu quis abraçá-la. Três vezes, ela dissipou-se em meus braços, como sombra. Ouvi então uma voz tênue, triste como um beijo de adeus, murmu rar: "Orfeu!" "Ao som dessa voz, eu despertei. Ao ouvir o meu nome nos lábios de uma alrna. transformou-se o meu ser. Senti o estremecimento sagrado de um intenso desejo, o poderio de um an:ior sobrehumano. Se estivesse viva Eurídice, eu gózaria da embriaguez da felicidade. Mas· estava morta e assim rne fez encontrar a Verdade. � Foi por amor que vesti o hábito · de linho, entreguei -me à \ grande iniciação, à vida ascética. Foi por amor que conheci a magia e busquei a ciência divina. Foi Q.Q.L.IDDOr ;. que atravessei as cavernas da Samotrácia, os poços das/ Pirâmides, os túmulos do· Egito. Sondei a morte em busca da vida, vendo além da vida os limbos, as almas, as esferas transparentes, o Éter dos Deuses. A terra abriu -me os seus abismos, o céu os seus templos flamejantes.
sa erdote s is e de Osíris revelaram-me os meus Os c s de l segredos. Eles possuíam somente esses Deuses e eu tinha Eros. Por ele falei, cantei, venci. Por ele soletrei o ver bo de Hermes e o de Zoroastro, pronunciei os nomes de Júpiter e de Apolo." "Mas veio a hora de confirmar pela morte a minha missão. Ainda uma vez tenho de descer aos infernos para subir aos céus. Ouve, querido filho do meu verbo: t� levarás minha doutrina ao templo de Delfos, minha lei ao tribunal dos Anfictiões. Dionisos é o sol dos inicia dos, Apolo será a luz da Grécia e os Anfictiões os guar- � da sua justiça." · O hierofante e seu discípulo tinham chegado . funao do do vale. Ao fundo da floresta, havia fogueiras quase ;. ,pagadas e viam se archotes vacilantes. Orfeu passava tranqüi!o entre os trácios · adormecidos, fatigados talvez de alguma orgia noturna. Mas, uma sentinela ainda des perta, perguntou-lhe o nome, respondendo Orfeu: -Sou um mensageiro de Júpiter. Chama os teus chefes. -Um sacerdote do templo! - foi o grito do sen tinela, um sinal de alarma que ecoou por tod () o acam pamento. Os chefes surpreendidos acorrem e desembai nhando os gládios, perguntàm: -Qu·em és tu? Que vens fazer? -Enviado do templo, venho dizer-vos, reis, chefes, guerreiros da Trácia, que deveis renunciar à luta com os filhos da luz! Deveis reconhecer a divindade de Júpiter e de Apolo. Os deuses do Alto estão falando pela minha boca. Se me escutais, venho como amigo. Se recusais ou vir-me, sou um juiz. -Fala! - disseram os chefes. De pé, sob· um grande olmo, Orfeu falou. Falou das graças divinas, da luz celestial, da vida pura, em com panhia dos irmãos iniciados, sob o olhar d() grande Ura no, · da verdade que ele queria transmitir a todos os ho m·ens. Prometeu que as discórdias seriam apaziguadas, os doentes curados, as sementes produziriam os mais be los frutos da terra, da alegria, do am()r, da beleza. E o tom grave da sua voz impressionava, penetrando fundo nos corações dos trácios. ·
Do fundo dos bosques, as bacantes acorreram atraí das por aquela voz. Empunhavam archotes, vestiam sim'" plesmente a pele das p_anteras, mostrando os seios mo renos, os flancos soberbos. A voz de Orfeu acalmava-as e elas rodeavam-no como se fossem feras domadas, for µiando um círculo em torno .. Algumas baixavam o 9lha�,· outras ouviam-no embevecidas. Pareciam feras domadas, Comovidos, os holl)ens s�gredavam: "Estâ falando uni deus. É o próprio Apolo que fascina as bacantes." No fundo do bosque, Aglaonice espreitava. Os ho mens imóveis, as bacantes dominadas por uma magia mais forte do que a dela, percebeu que o seu poderio iria afundar-se nas trevas · de onde . viera. Rugindo colé rica, atirou-se com um .esforço violento à frente de Or feu, interpelando-o:· -Um Deus? Dizeis: um Deus? E · eu digo que é Orfeu, um homem como vós, ·um mago que vos engana, um tirano que atribui a si mesmo o ·direito a uma coroa. Um Deus, o filho de Apolo? Ele, o sacerdote, o pontífice orgulhoso? Atacai-o. Se é deus, defenda-se. Se eu estiver mentindo; despedacem-me.· Aglaonice estava acorriparihada de alguns chefes ex:.. citados pelos seus malefícios, estimulados pelo seu ódio. Investiram contra o hierofante. Orfeu soltou um grande grito e caiu traspassado pelas espadas daqueles homens. Estendeu a mão ao discípulo,· dizendo: "Eu ·morro, mas os deuses vivem!" E expirou. A mágica da Tessália olhava para eTe: Sua fisionomia parecia com a de Tisífona. Estava aten: ta para extrair um oráculo do 'último suspiro do moribun do. Mas apavorou-se ao ver, sob . o clarão indeciso do archote, aque!a cabeça cadavérica animar-se. Os olhos do morto reabriram-se enormes e olhavam-na com uma . · expressão profunda, terrível, enquanto que . uma voz es tranha - a voz de Orfeu � modulava quatro sílabas . vingadoras, apesar de melodiosas: Eu - ri - di - ce! . . Vendo aquele olhar, ouvindo aquela voz, a mãgica recuou, gritando: . -Ele não estâ morto! Ele vai perseguir�me para sempre! Orfeu,. Eurídice! ·
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.