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Capítulo 19 de 33

Segundo Grau — parte 9 de 17

Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 2

pios muito alvo, os braços nus, coroadas de narcisos. Fa­ lavam gesticulando: -Aspirantes dos Mistérios, estais no átrio de Pro­ serpina. Ficareis surpresos. Sabereis que vossa vida atual é um_ tecido de sonhos mentirosos e confusos. Estais dor­ n1indo zona de trevas. Vossos sonhos e vossos em uma · dias passam como névoas, que logo se desfazem� Além, estende-se uma região de luz eterna. Proserpina vos se­ ja propícia, ensinando-vos a passar o rio das trevas e· ir até Demeter celeste. Depois a profântida ou profetisa, que dirigia o coro, descia três degraus da escadaria e proferia esta maldi­ ção com um tom de voz solene .e um olhar terrível: -,Desgraça para quem vier profanar os Mistérios! A deusa perseguirá esses corações perversos, durante toda a sua existência, e, também no reino das sombras ela não deixará sua presa! Passavam-se os dias em abluções, jejuns, preces, ins­ truções. Na tarde do último dia, os neófitos reuniam-se no interior do bosque sagrado para assistir ao rapto de Perséfona. As sacerdotisas repres,entavam a cena ao ar livre. Era um antigo costume e no tempo de Platão já se tinha modificado a severidade hierática na representa­ ção. Orientados pelo hierofante, os poetas anônimos de Eleusis tinham elaborado a cena, como a descrevemos. Os neófitos, dois a dois, chegam a uma clareira. No fundo vêem-se uma gruta, rochedos, um · bosque de mir­ to, alguns álamos. A frente, um prado onde estão ninfas deitadas em torno de uma fonte. No fundo da gruta, Per­ séfona está sentada em uma cadeira. Nua até a cintura, como Psiqué, o busto esbelto emergindo casto de um pa­ no enrolado como névoa azul, em torno dos flancos. Pa­ rece feliz, inconsciente da sua beleza,· bordando um lon- · gó · véu de fios multicores. Demeter, sua mãe, está ao seu lado, com um cálatos na cabeça e segurando um cetro. HERMES . ( arauto dos Mistérios aos presentes) : -Demeter dá-nos excelentes presentes: os frutos, para não vivermos como os animais e a iniciação, que

transmite uma esperança mais doce aos que participam dela, como também para o fim desta vida, para toda a eternidade. Prestai atenção às palavras que ides ouvir e às coisas que ides ver. DEMETER (com voz grave):· -Filha amada dos deuses, fica nesta gruta até eu voltar, e borda meu véu. Tua pãtria é o céu. O universo pertence-te. Vês os deuses. Eles· atendem ao teu apelo. Não escuta a voz de Eros, o astuto, de olhos suaves, de conselhos pérfidos. Cuidado, quando saires da gruta. Não colhas as flores sedutoras da terra. O seu perfume, per-· turbador e funesto, te faria perder e esquecer a luz do céu. Tece o meu véu e fica feliz em companhia das ninfas, tuas companheiras. Depois, no meu carro de fogo, puxado por serpentes, eu te levarei aos esplendores do Éter, acima da via-lãctea. PERSÉFONA: -Sim, mãe augusta e temível. Por esta luz que te rodeia, e que eu amo, prometo-te. Os deuses me casti­ guem · se eu não cumprir o meu juramento. (Demeter sai) . O CORO DAS NINFAS: Perséfona virgem! Noiva casta do céu! Bordas as efígies dos deuses em teu véu. Jamais conheças as vãs ilusões e os inúmeros males da terra. A eterna Verdade te sorri! Empíreo, o teu esposo celeste, Dionisos, estâ à tua espera. As vezes, ele te aparece sob a forma de um. sol longínqüo. Os seus raios te acariciam. Ele respira o teu hãlito. Tu bebes a sua luz. De antemão, já possuis um ao outro. Virgem, quem é mais feliz do que 'tu? PERSÉFONA: -. Neste véu azul de dobras sem fim, estou bordan­ do com a minha agulha de marfim as inumeráveis figu­ ras dos seres e de todas as coisas. Acabei a história dos deuses. Bordei· o Caos terrível com cem cabeças e mil braços. Daí devem sair todos os mortais. Quem os fez nascer? O Pai dos Deuses disse-me que foi Eros. Mas, eu jamais o vi, ignoro sua forma. Quem desenhará sua face para mim?

AS NINFAS: -Não penses nisso! Por que fazes essa pergunta vã? PERSÉFONA (levanta-se e repele o véu): -Eros! O mais antigo e o mais jovem dos deuses. Fonte inesgotável de alegrias e de lágrimas. Foi isso o que me referiram de ti. Deus terrível, único desconhe­ cido, . único invisível entre todos os Imortais. único de­ sejável, misterioso Eros! Sinto-me perturbada ao pro­ nunciar o teu nome! O CORO: -Não procures saber mais. As perguntas perigo­ sas têm infelicitado homens e até mesmo deuses. PERSÉFONA (fixando no ·vazio o olhar espantado): -É uma recordação? Um pressentimento horroro­ so? O Caos... os homens, o· abismo das gerações, o grito dos partos, os clamores . furiosos do ódio e da guerra, o abismo da morte! Ouço, vejo tudo isso! Esse abismo me atrai, chama-me. É necessário que eu desça até o seu fundo. Eros impele-me com seu facho incendiário. Ah! Vou morrer ... Para longe esse sonho horrível. (Ela cobre o rosto com as mãos e soluça). O CORO: -Virgem divina, isso não passa ainda de um so­ nho. Mas pode corporificar-se, tornando-se realidade ine­ lutável. Nesse caso, teu céu desapareceria como um o sonho vão, se cedesses ao teu desejo culposo. Atende a esta advertência salutar, toma a tua agulha, tece o teu véu. Esquece o astucioso, o imprudente, o criminoso Eros. PERSÉFONA: (Tira as mãos da face, que mudou de expressão. Sorri através das lágrimas). -Sois loucas! Como eu era insensata! Lembro-me, agora, jâ ouvi dizer nos mistérios olímpicos: Eros é o mais belo dos deuses. Em seu carro de asas, ele. preside às evoluções dos Imortais, à mistura das primeiras essên­ cias. Dirige os homens ousados, os heróis, desde o fundo do Caos até as alturas do Éter. Sabe de tudo. Como o Fogo-Princípio, ele atravessa todos os mundos, tem nas mãos as chaves da terra e do céu. Eu quero vê-lo!

O CORO: -Detém-te, infeliz. EROS: (sai do bosque, .sob a forma de um adole� cente de asas) . -Estás me chamando, Perséfona? Estou aqui. PERSÉFONA (Senta-se): -Dizem que és astucioso e no entanto o teu rosto ê a próp todo-poderoso e pa­ ria inocência. Dizem que és reces um menino frágil. Dizem que és traidor e quanto mais vejo o teu olhar, mais se expande o meu coração, mais confio em ti, belo menino jovial. Dizem que és sá­ bio e hábil. Queres ajudar-n1e a bordar este véu? EROS: -Com muito prazer. Estou perto de ti, ao teu lado. Que véu maravilhoso! Parece ter sido tinto no azul dos teus olhos. Que figuras admiráveis foram bordadas por tuas mãos! No entanto essa divina bordadeira jamais se viu em um espelho. (Sorri maliciosamente ). PERSÉFONA: -Ver-me a mim mesma? Seria possível? (Enrubes­ ce) Mas reconheces estas figuras? EROS: -Se as conheço! A história dos deuses ... Mas por que te deténs no Caos? Aí começa a luta. Não irias tecer a guerra dos Titãs, o nascimento dos homens, seus amores? PERSÉFONA: -O meu saber não vai além daqui. Não . me lem­ bro. Poderias ajudar-me a bordar o resto? EROS (dirigindo-lhe um olhar inflamado) : ona, mas com uma Sim, Perséf condição. · - Vem pricolher comigo uma flor no prado, a mais meiro bela de todas. PERSJ!FONA (séria): -Minha mãe augusta e sábia proibiu-me. Disse-me: não ouças a voz de Eros, não colhas as flores do prado, senão serás a mais ipiserâvel entre os Imort.ais!

EROS: -Compreendo. Tua mãe não quer que tu conheças os segredos do céu e dos infernos. Se respirasses as. flo­ res do prado, esses segredos te seriam revelados. PERSJ!FONA: -Tu conhece-os? EROS : o o s e o . -:- d . ·E como vês sou apenas o mais jovem ! _ -mais ágil. Filha dos deuses, há nos abismos terrores e emoções que o céu ignora. Mas quem nã atravessou .a o terra e os infernos não compreende o céu. PERSÉFONA: -E podes f az-er que eu os conheça? : EROS -Sim ... Olha! (Toc no solo com a ponta do seu arco e surge um a . grande narciso) PERSÉFONA: -ô! A flor admirável! Ela me faz estremecer e sur- . gir em meu coração uma divina recordação. Algumas ve­ zes, adormecida no alto do meu astro amado, que doura um eterno crepúsculo, via na púrpura do horizonte, flu­ tuar uma estrela de prata, no seio nacarado do céu ver­ de-pálido. Parecia-me o facho do esposo imortal, promes­ sa dos deuses do divino Dionisos. Mas a estrela descia, descia. E o facho apagava-se ao longe. Esta flor maravi­ lhosa parece aquela estrela. EROS: armo e renovo tudo, . que faço do -Eu que transf pequeno a imagem do grande, da profundeza o espelho do céu, que misturo o céu e o inferno na terra, que ela­ boro todas as formas no profundo oceano, faço renas­ cer tua estrela do abismo sob a forma de uma flor, a fim de que tu possas tocá-la, colhendo-a e cheirando-a. CORO: -Cuidado. Que essa magia não seja uma arma­ dilha.

PERSÊFONA: -Como chamas essa flor? EROS: -Os homens chamam-na Narciso. Eu chamo-a De­ sejo. Vê como ela te olha, como se volta para ti. Suas pétalas brancas estremecem como se estivessem vivas. Do seu coração de ouro evola-se um perfume volutuoso, que se exp por toda a atmosfera. Quando aproxima­ ande res esta flor mágica da tua face, verás num quadro imen­ so e maravilhoso, os monstros do abismo, a terra pro­ funda e o coração dos homens. Nada te será ocultado. PERSÉFONA: -ô flor maravilhosa de perfume embriagador. Ao pegarem em ti, meus dedos · parecem de fogo, o meu os coração fica palpitante. Quero cheirar-te, tocar-te com meus lábios, colocar-te sobre o meu coração. Ainda que eu tivesse de morrer. Ao lado dela a terra abre-se. Da fenda enorme e es­ cura surge lentamente, até à cintura, Plutão, em um car­ ro puxado por dóis cavalos negros. Ele agarra Perséfona no momento em que ela colhe a flor e puxa-a violenta­ mente para junto dele. Esta debate-se inutilmente em seus braço s e solta um grande grito. Logo o carro desa­ parece. O ruído das suas rodas perde-se ao longe como um trovão subterrâneo. Dispersam-se as ninfas gemendo no bosque. Eros foge soltando uma risada) . A VOZ DE PERSÉFONA (sob a terra): -Minha mãe! Socorro! Minha mãe! HERMES: ô aspirantes aos Mistérios, cuja existência ainda - está escurecida pelas neblinas da vida má, esta é a vossa história. Meditai sobre estas palavras de Empédocles: "A geração é uma destruição terrível que transform o vi­ a s vos em mortos. Outrora, vivestes a vida verdadeira. De­ pois atraídos por um encantamento, caistes no abismo terrestre, subjugados pelo corpo. Vosso presente é um h son o fatal apenas. Só o passado e o futuro existem, real­ mente. Aprendei a recordar, aprendei a prever."

Caíra a noite. As tochas fúnebres acendiam-se entre os negros ciprestes, junto do pequeno templo. Os especta­ dores afastavam-se acompanhados pelos cantos lacrimo­ , sos das hierofântidas que gritavam: "Perséfona! Persé­ fona!" Estavam terminados os pequenos mistérios. Os neófitos tornaram-se mistos, quer dizer cobertos de um véu. Iam voltar às suas ocupações habituais. Mas o gran­ de véu dos mistérios abrira-se sobre eles. Elevara-se uma nuvem entre eles e o mundo. Ao mesmo tempo abrira-se em seu espírito um olho interno, pelo qual percebiam vagamente um outro mundo, cheio de formas atraentes, que se moviam em abismos ora esplêndidos, ora tene­ brosos. Os grandes mistérios, subseqüentes aos pequenos, chamados Orgias sagradas somente se celebravam de cinco em cinco anos, no mês de setembro em Eleusis. Essas festas eram todas simbólicas e duravam nove dias. No oitavo, distribuíam-se aos mistos as insígnias da iniciação: o tiro e uma corbélia, chamada kiste, entrela­ çada de ramos de hera. Esta continha os objetos miste­ riosos, -cujo segredo a inteligência revelaria. Só era per­ mitido abri-la no fim da iniciação e na presença do hie­ rofante. a uma alegria exultante, agi­ entregavam-se Depois de mão em mão e solta­ que passavam tavam os fachos dia, um cortejo levava de alegria. Naquele gritos de vam D chamado laco. de ionisos, a estátua a Eleusis Atenas grande renasci o mento. Eleusis anunciava vinda a Sua que penetra tudo, o espírito divino, o Ele representava entre a terra e o céu. o mediador almas, r das regenerado porta mística, a fim de templo pela no ntravam Então e iniciaçã noite da o. santa, a a noite lá dentro passar situado no átrio ex­ pórtico, em um vasto Entravam : ameaças, gritava com terríveis Lá o arauto terno. As ­ anos!" - ve fora os prof "� Para Eskato Bebeloil no meio dos mistos. O alguns intrusos entravam zes, a jurarem que nada divulga­ arauto obrigava-os então, riam do que vissem lá. E acrescentava: 1-47 - Os senhores estão no átrio subterrâneo de Per­ séf presente, ona. Para· a compreensão da vida futura. e da é necessário arrostar as trevas, para gozar da luz. Em seguida, vestiam a pele de corça, imagem da la­ ceração e do dilaceramento da alma mergulhada na vida corporal. Depois extinguiam os fachos e lâmpadas, e en­ travam no labirinto subterrâneo. Os mistos tateavam nas trevas. Em seguida, ou­ viam se ruídos, gemidos, vozes temíveis. Riscavam as - trevas relâmpagos acompanhados de trovões e visões as­ sustadoras: um monstro, uma quimera, um dragão, um homem lacerado sob os pés de uma esfinge, uma larva humana. Eram tão rápidas essas aparições que não havia tempo para distinguir o artifício que as produzia. A com­ pleta obscuridade que lhes sucedia redobrava o horror. Plutarco comparava o terror produzido por essas visões ao estado de um homem no leito da morte. A cena mais estranha, que não deixava de ser magia verdadeira, passava-se em uma cripta. Aí, um sacerdote frígio, vestido de túnica asiática, com listas verticais, vermelhas e pretas, estava de pé, diante de um braseiro de cobre, que vagamente iluminava a sala. Com um gesto que não admitia réplica, ele forçava os assistentes a sen­ tarem-se na entrada e atirava no braseiro punhados de um perfume narcotizante. A sala enchia se de espessos - turbilhões de fumo. Viam-se então formas mutáveis, ani­ mais e humanas. Algumas vezes eram enormes serpen­ tes, que se transformavam em sereias; surgiam bustos de ninfas em atitudes volutuosas, com os braços esten­ didos e mudavam-se em morcegos. Encantadoras cabe­ ças de adolescentes transformavam-se em focinhos de· _cachorro. Algumas vezes, o padre de Cibele estendia sua varinha curta no meio da fumaça e o eflúvio da sua vontade parecia imprimir um movimento giratório àquela fantasmagoria. E dizia o Frígio: "Passem!" Os mistos levantavam-se e então alguns sentiam-se como que toca­ dos por mãos invisíveis, empurrados para cairem ao solo. Uns recuavam aterrorizados e voltavam por onde

---- tinham entrado no recinto. Só os mais corajosos pross e­

guiam. ( ) Chegava m então a uma grande sala circular, pouco iluminada . No centro havia uma coluna uma única e árvore de bronze com a folhagem estendendometálica se r todo P? o forro. (ª) V iam-se í quimeras, s, har a gorgona ­ pias, mochos , esfinges , imagens falantes de todos os ma­ les terrestres , de todos os homens contra o que investem homem. Debaix o da árvore, um trono magnífico qual , no estava sentado Plutão-:Aidoneu com um manto de Púr· pura. A viseira carregada, a mão segurando tridente. o Ao lado do rei dos Infernos, que jamais sorri, sua esposa, a grande e esbelta Perséfona. Os mistos reconhecem-na sob as feições da hierofântida; que representara a deu· já sa nos pequenos mistérios. Sempre tal· bela, mais bela vez em sua melancolia. Mas como está mudada sua em veste de luto com lágrimas de prata incrustadas e seu diadema de ouro! Ela acolhe os mistos com um olhar de compaixão. Estes ajoelham-se e depõem aos seus pés as coroas de narcisas. Então reluz nos seus olhos uma chama pálida, esperança perdida, longínqüa recordação do céu.

( ) Nesses fatos, a ciência contemporânea veria apenas ­ alu cinações ou sugestões. A antiga ciência esotérica atribuia-lhes va­ lor subjetivo e objetivo. Ela acreditava na existência de espíritos elementares, sem alma individualizada, sem raciocínio, semi-cons· cientes, que enchem a atmosfera terrestre e de algum modo são as almas dos elementos. A magia, que é a vontade em ação, no manejo das forças ocultas algumas vezes torna-os visíveis. Referindo-se a eles, diz HERACLITO: "Em toda parte,. a na• tureza está cheia de demônios". PLATÃO chama-os "demônios ., dos elementos". PARACELSO denomina-os "elementais '. Segundo esse médico teósofo, no sec. XVI, eles são atraídos pela atmosfera magnética do homem, eletrizam-se e podem assumir todas as for­ mas. Quanto mais o homem se entrega às paixões, mais se torna presa deles. Somente o mago domina-os. Eles constituem uma at­ mosfera decepcionante, suscitando ilusões e loucuras, que se de­ v�m, dominar, quando se entra no mundo oculto. No romance Zanoni, BULWER LYTION, chama-os de "guardiães do umbral".

· ( ) :t a Árvore dos sonhos, mencionada por VIRGILIO na descida de Enéias ao Inferno. Eneida, livro VI.

De repenté, no fim de uma galeria que sobe, brilham fachos e clama uma voz, estridente como o som de uma trombeta: � Vinde, mistos! Iaco voltou! Demeter espera sua filha! Evoé! · No subterrâneo ecoam os gritos. Perséfona levanta­ -se no tron sobressalto de um o, parecendo acordada em longo sono e com um pensamento fulgurante: -A luz! Minha mãe! laco! Ela quer avançar. Mas Aidoneu segura-a por um pano da sua veste. Ela recai sobre o trono como morta. Então as luminárias extinguem-se rapidamente e uma voz grita: "Morrer é renascer!" Os mistos dirigem-se apressados para a porta da galeria dos heróis e semi­ -deuses. Lá esperam-nos Hermes e o porta-brandão. Ti­ ram-lhes a pele de corça, purificam-nos com água lus­ tral, revestem-nos de linho fresco e finalmente, condu­ zem-nos ao templo profusamente iluminado, onde são re­ cebidos pelo hierof ante, grão-sacerdote · de Eleusis, um velho majestoso, vestido de púrpura. Agora deixemos falar Porfírio. Assim ele narra a iniciação suprema de Eleusis: ·. "Coroados de mirto, .entramos com os outros inicia­ dos, no vestíbulo do templo, cegos ainda. O hierofante, ainda no interior, vai brevemente abrir-nos os olhos. Antes, nada se deve fazer com precipitação, nós nos la­ vamos na água sagrada. Com às mãos puras, com o co­ ração puro, somos convidados a entrar no recinto sagra­ do. Levamos ao hierofante, ele nos lê, em um livro de pedra, coisas que não devemos divulgar, sob pena de morte. Digamos apenas que elas concordam com o local e a circunstância. Se as ouvíssemos fora do Templo, tal­ vez ríssemo�. Mas aqui, ouvindo as palavras do velho, não há vontade disso. É sempre o velho que fala, olhan­

do os símbolos. ( ) E não há motivo para rir, quando

( ) São os seguintes objetos: a pinha, símbolo da fecundi­ dade e da geração; a serpente em espiral, evolução universal da alma (queda na matéria e redenção pelo espírito); o ovo, lembran­ do a esfera, a perfeição divina e a finalidade do homem.

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