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Capítulo 2 de 33

Os Grandes Iniciados — parte 2 de 9

Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 2

toda a civilização helênica. ( ) bre Diversa é a luz que Orfeu irradia. Ele brilha através dos séculos com o traço pessoal do gênio criador, que vive pelo Eterno-Feminino, palpitando sob tríplice for­ ma na Natureza, na Humanidade, no Céu. A adoração dos santuários, a tradição dos iniciados, o canto dps poetas, a voz dos filósofos, mais do que isso a Grécia orgânica, testemunham eficazmente a sua realidade viva.

( ) Estrabão diz que � poesia era a língua da alegoria. Diniz de Halicamasso confirma, assegurando que um véu encobriu os mistérios da natureza e os conceitos da moral. A antiga poesia denominava-se por metáfora "o idioma dos deuses". A maioria d s lingüistas deriva poesia de To poiein; fazer criar. Etimologia � s!mples, muito natural na aparência, mas em desacordo com a hngua sagra d dos templos. Segundo F ABRE D'OLIVET poiésis a . vem do f nf c10 phone ( boca, voz, linguagem, discurso), e de ish � (ser supenor, Deus). O etrusco Aes ou Aesar, o gálico Aes O es­ . ca d1navo Ase, o copta Os (Senhor), o egípcio Osiris têm a �esma !1 raiz.

Naqueles tempos, a Trãcia v1v1a em luta encarniça­ da e cônstante. Disputavam a supremacia os cultos sola­ res e lunares. A guerra entre os adoradores do sol e os da lua, como se poderia supor, não era uma contenda fútil entre duas superstições. Nesse embate representa­ vam-se duas teologias, duas cosmogonias, duas religiões, duas organizações sociais inteiramente opostas. Os cul­ tos uranianos e solares tinham seus templos, nas alturas, nas montanhas, com· sacerdotes masculinos e leis seve­ ras. Os cultos lunares processavam-se nas florestas, em vales profundos. Tinham sacerdotisas mulheres, ritos vo­ lutuosos, com desregrado exercício da tes ocultas e o s ar gosto da excitação orgiãstica. Havia uma guerra de morte entre os sacerdotes do sol e as sacerdotisas da lua. Era luta de sexos, antiga, inevitãvel, manifesta ou oculta, mas eterna, entre o prin­ cípio masculino e o feminino, entre o homem e a mulher, a preencher a história com as suas alternativas e na qual se consubstancia o segredo dos. mundos. Assim co­ mo a fusão perfeita do masculino e do feminino consti­ tui à própria essência e o mistério da divindade, assim também só o equilíbrio desses dois princípios poderá ptoduzir as grandes civilizações. .- Por toda parte, na Trãcia como na Grécia, os deuses. ( -

masculinos, cosmogônicos, tinham sido relegados para as altas montanhas, em lugares desérticos. O povo dava preferência ao cortejo barulhento das divindades f emini­ nas, evocadoras das paixões perigosas, das forças cegas da natureza. Eram cultos que davam o sexo feminino à divindade suprema. Daí resultaram abusos terríveis. Na Trácia, as sacerdotisas da Lua, da tríplice Hécate, tinham garantido a sua supremacia, apropriando-se do velho cul­ to a Baco, imprimindo-lhe caráte r sangrento e temível. Em sinal da sua vitória, elas tomaram o nome de Bacan­ tes, assim demonstrando o seu domínio, o soberano rei­ nado da mulher e seu domínio sobre o homem. Ao mes­ mo tempo mágicas, sedutoras, sacrificadoras sangrentas de vítimas humanas, tinham os seus santuários em vales selvagens e afastados. Por quê sombrio encanto, por quê ardente curiosidade, homens e mulheres eram atraí­ dos àquelas solidões com vegetação luxuriante e gran- '-- -diosa?

Formas nuas, danças lascivas no recesso de upi... bos­ que, risos, de repente um enorme grito, ·e cem bacantes investiam contra o estrangeiro para derrubá-lo. Este ti­ nha de jurar submissão àqueles ritos ou morrer. Elas domesticava na m pantera leões que eram exibidos ­ s e , quelas festas. À noite, tendo serpentes enroladas nos bra­ ços, elas prosternavam-se diante da tríplice Hécate. De­ pois , frenéticas, volteando em sua dança, elas evocavam o Baco subterrâneo, com dois sexos, e tendo cabeça de

touro. ( ) A.s primitivas Bacantes foram as sacerdotisas druí'." das na Grécia. Muitos chefes trácios permaneceram fiéis aos antigos cultos masculinos. Mas as Bacantes usaram de maneiras insinuantes, influenciando alguns reis, que uniam costumes bárbaros aos refinamentos asiáticos. Elas os tinham seduzido pela volúpia e dominado pelo terror. -: Assim, os deuses tinham dividido a Trácia em dois cam . _ _,, pos inimigos. Naquela época, aparecera · na Trácia um jovem· de raça real, dotado de maravilhosa força de sedução. Di­ ziam-no filho de uma sacerdotisa de Apolo. Sua voz me­ lodiosa tinha um fascínio singular. Falava dos Deuses com ritmo novo. Parecia inspirado. Sua cabeleira loura, orgulh dos dóricos, caia-lhe em madeixas douradas so­ o bre os ombros. A música da sua voz concordava com o suave contorno dos lábios, nos cantos da boca. Os olhos de um azul profundo irradiavam força, magia e doçura. Os trácios selvagens, por inveja, evitavam olhá-lo, mas as mulheres, experientes na arte de encantar, diziam que aqueles olhos misturavam em seu filtro azul as flechas do sol às carícias da lua. As próprias Bacantes, curiosas da beleza do jovem, freqüentemente evoluiam à sua volta como panteras No XXIX hino órfico hã uma referência ao Baco de face (-1) t uma lembrança do antigo culto, que pertence à tradição taurina. de Orfeu. Este transfigurou o Baco popular em Dioniso celeste, símbolo do espírito divino, que evolui através de todos os reinos da natureza. Encontramos o Baco infernal das Bacantes no Satã com face de touro, que as feiticeiras medievais evocavam e ado­ vam em seus sabãs noturnos. t o Bafomé, do qual a Igreja dizia ra que os Templários eram sectários.

amorosas, vaidosas em suas peles mosqueadas, sorrindo às palavras misteriosas do efebo. De repente desapareceu aquele rapaz esbelto, que diziam ser filho de Apolo. Supunham-no morto ou que. descera aos infernos. Fugira secretamente para a Samo­ trâcia, depois para o Egito, onde solicitara asilo aos sa­ cerdotes de Mênfis. Tendo terminado a passagem pelos l\1istérios, depois de vinte anos regressou com um nome iniciático, recebido dos seus mestres como sinal da sua missão .. Chamava-se agora Orfeu ou Arpha, palavra fe­ \ l nícia composta que significa: Aquele que cura pela luz. --/ L O mais antigo santuário de Júpiter erguia-se então sobre o monte Kaukaion. Outrora, os seus hierofantes tinham sido grandes pontífices e do alto daquela monta­ nha, ao abrigo de surpresas e de ataques, haviam go­ vernado a Trácia. Mas agora o templo estava quase abandonado, os adeptos estavam reduzidos em número, desde que se tinha expandido o culto das divindades da planície. , Os padres do monte Kaukaion acolheram o ini­ ciado do Egito como seu salvador. ·Este soube por sua ciência e seu entusiasmo converter a maioria dos trácios, transformando completamente o culto de Baco e domi­ nando as Bacantes. ___,,

Foi el quem consagrou a realeza de Zeus na Trá­ e / eia, e a de Apolo em Delfos, nde lançou as bases do tri­ o bunal dos Anfictiões, responsável pelo estabelecimento · das bases da unidade social grega. E, mediante a criação dos Mistérios, moldou . a alma religiosa da sua pátria, fundindo, no ácume da iniciação, a religião de Z'eus com a de Dionisos, em um pensamento universal. Pelos seus ensinamentos, os iniciados recebiam a pura luz da ver­ s dades sublimes. Essa mesma luz chegava ao povo algo alterada, sob o véu da poesia e das festas encantadoras, mas sem nada perder do seu poder benéfico. Assim tornou-se Orfeu pontífice da Trácia, grão-sa­ cerdote do Zeus Olímpico e, para os iniciados, o revela­ .. do,r do Dionisos celeste.

O templo de Júpiter Nas proximidades das fontes do Ebro, eleva-se o monte Kaukaion. · Rodeado de espessas florestas e com rochedos cicló­ picos no cume, era considerado montanha sagrada, desde milênios. Pelasgos, Celtas, Citas, Getas, sempre inimigos, foram lá adorar deuses diferentes. Mas não será o mes­ mo Deus que os homens buscam, quando sobem tão al­ to? Agora, no centro do recinto sagrado, ergue-se o tem­ plo de Júpiter, inabordável como uma fortaleza. O peris­ tilo de quatro colunas dóricas destaca os fustes enormes sobre um pórtico sombrio.jNo zênite, o céu está sereno. Mas a tempestade ainda ruge sobre as montanhas da Trácia, que se desdobram até longe. É a hora do sacrifício. O sacerdotes, naquele tem­ s plo, só praticam o rito do fogo. Descem os degraus do templo para acender a madeira aromática, depois do quê aparece o pontífice com os símbolos de uma realeza misteriosa. Vestido de linho branco, como os demais, tem na cabeça uma coroa de folhas de mirto e de cipreste. Empunha urn cetro de ébano com cabeça de marfim e usa na cintura uma faixa de ouro e de cristais reluzen­ tes. É Orfeu. Traz pela mão um discípulo, filho de Delfos, pálido, trêmulo, maravilhado, a aguardar as palavras do grande Inspirado. Orfeu compreende a comoção do misto esco­ lhido. Para tranquilizá-lo, abraça-o. Os olhos sorriem e logo flamejam. Enquanto os sacerdotes giram em torno do altar, entoando o hino do fogo, Orfeu, · solenemente, diz ao misto as palavras de iniciação, que penetram no íntimo do seu coração. São estas as palavras que Orfeu diz ao jovem discípulo: -Recolhe-te em ti mesmo, para te elevares ao Prin­ cípi das coisas, à grande Tríada, . flamejante no Éter o imaculado. Consome o teu corpo pelo fogo do teu pen-

-- sarnento. Liberta-te da matéria como a chama se desliga da madeira que ela devora. Então, o teu espírito se ele­ vará ao éter puro das Causas eternas, como a âguia voa ao trono de Júpiter. " Vou revelar-t a alma da e o segredo dos mundos, natureza, a essência de Deus. Primeiro, ouve o grande arcano. Um ser único reina no céu profundo e no abis­ mo da terra, Zeus tonante, Zeus etéreo. Ele é o conse­ lho profundo, o ódio poderoso, o amor delicioso. Reina nas profundezas da terra e nas alturas dos céus estrela­ dos. Sopro das coisas, fogo indômito, macho e fêmea, Rei, Poder, Deus, Grande Senhor." "Júpiter é o esposo e a esposa, ambos divinos, Ho­ mem e Mulher, Pai e Mãe. Do seu matrimônio sagrado, das suas bodas eternas, saem, incessantemente, o Fogo e a Água, a Terra e o Éter, a Noite e o Dia, os altivos Titãs, os deuses imutáveis, a flutuante semente dos ho­ mens." "Os profanos ignoram os amores do Céu e da Ter­ ra. Os mistérios do Esposo e da Esposa somente se re­ velam aos homens divinos. Mas eu quero declarar a verdade. Ainda há pouco, o trovão abalava estes. roche­ dos. O raio caía como. um fogo vivo, chama ondulante. Os ecos das montanhas estrugiam de alegria. Tu, no entanto, tremias por não saberes de onde vem esse fogo, nem onde cai. É o fogo masculino, semente de Zeus, o fogo criador. Ele sai do coração e do cérebro de Júpiter. Move-se em todos os seres. Quando cai o raio, ele brota da sua mão direita. Mas nós, sacerdotes, nós conhecemos a sua e·ssência, nós evitamos e algumas vezes dirigimos as suas flechas." "Agora, contempla o firmamento.· Vê o círculo bri­ lhante das constelações, sobre as quais se estende a leve mantilha da Via Láctea, poeira de sóis e de mundos. Vê ôrion flamejante, os Gêmeos cintilantes, a Lira resplan­ decente. É o corpo da Esposa divina que volteia em lumi­ noso transporte, aos cantos do Esposo. Descerra os olhos do espírito e verás sua cabeça invertida, os braços esten­ didos. Levantarás então o seu véu semeado de estrelas." "Júpiter é o Esposo -e a Esposa divina. Eis o primei­ ro mistério."

as agora para a se­ "M , filho de Delfos, prepara-te gunda Iniciação. Estremece, chora, goza, adora! Teu es­ pírito vai mergulhar na zona ardente, onde o grande De­ miurgo mistura a alma e o corpo· na taça da vida. Be­ bendo nessa taça embriagadora, todos os seres esquecem à divina mansão e descem ao doloroso abismo das ge­ rações". "Zeus é o grande demiurgo! Dionisos é seu filho, seu verbo manifesto. Dionisos; espírito radiante, inteligência viva, resplandecia nas moradas do seu pai, no pa!ácio do Eter imutável. Um dia, debruçado. contemplando os abis­ mos do céu, através das constelações, viu refletida no azul profundo a sua própria imagem, estendendo-lhe os braços. Apaixonado por esse belo fantasma, amoroso do seu duplo, precipitou-se para abraçá-lo.· Mas · a imagem fugia, fugia sempre, atraindo-o para o fundo do vórtice. - Viu se, afinal, num vale umbroso e perfumado, gozando as brisas volutuosas que lhe acariciavam o corpo. N4ma gruta percebeu Perséfona, Maia, a bela tecedeira, que tecia um véu com ondulantes imagens de todos os seres. Diante da virgem divina, ele ·deteve-se mudo de admira­ ção. Nesse momento viram-no os altivos Titãs e as livres Titanidades." "Estes, ciumentos da sua beleza, e!as possuídas por um louco amor, investiram contra ele, como os elemen­ tos furiosos e despedaçaram-no. Depois, distribuindo en­ tre si os membros dele, ferveram-nos em água e enter­ raram o seu coração. Júpiter fulminou os Titãs e Minerva levou para o Éter o coração de Dionisos. Ali tornou-se ele um sol ardente. Da exalação do corpn de Dionisos sairam as almas dos homens, que sobem para o céu. Quando as pálidas sombras atingirem o flamejante cora­ ção do deus, elas s.e iluminarão como chamas e Dionisos inteiro ressuscitará, mais vivo do que nunca, nas alturas Empíreo." do "Eis o mistério da morte de Dionisos. Agora ouve o da sua ressurreição. Os homens são a carne e. o sangue de Dionisos. Os homens desgraçados são os seu mem­ s parsos, que se buscam, torcendo-se no bros es ciúme e no ódio, na dor e no amor. através de milhares de exis­ tências. O calor ígneo da terra, o abismo das forças infc-

riores, atrai-os sempre, cada vez mais, par.a o bárbaro, perdendo-os. Mas nós, os iniciados, que sabemos o que existe no alto e o que existe em baixo, nós somos os salvadores das almas, os Hermes dos homens. Nós os atraimos como ímãs para nós, que somos atraídos por Deus. Assim, por meio de celestes encantamentos, nós reconstituímos o corpo vivo da divindade. Nós fazemos chorar o céu e alegrar-se � terra. Trazemo no coração, s como jóias preciosas, as lágrimas de todos os seres para transformá-las em sorrisos. Deus morre em nós. Deus renasce em nós." Assim falou Orfeu. O discípulo de Delfos ajoelhou-se diante do seu mestre, erguendo os braços em gesto de súplica. E o pontífice de Júpiter, estendendo a mão so­ bre a sua cabeça, pronunciou estas palavras de consa­ gração: "Zeus inefável, Dionisos três vezes revelador, nos infernos, na terra, no céu, sejam propícios à tua mocida­ de. Deus te conceda no coração, a ciência dos deuses." Então, o iniciado deixando o peristilo do templo, foi avfvar com o styrax o fogo do altar, invocando três ve­ zes · Zeus tonante. Enquanto isso, os sacerdotes giravam em torno, cantando um hino. O pontífice-rei mantinha-se pensativo, sob o pórtico, apoiando o braço em uma estela. O discípulo dirigiu-lhe a palavra: -Melodioso Orfeu, filho amado dos Imortais, doce médico das almas, desde o dia em que te ouvi cantar, na festa de Apolo délfico, entoando os hinos dos deuses, ma­ ravilhaste meu coração, e eu segui-te por toda parte. Os teus cantos são como um hino embriagador, as tuas dou­ trinas são como um remédio amargo, alívio do corpo aba­ tido e que infunde nos seus membros uma força nova. E fala Orfeu, que parecia estar respondendo a vozes interiores em vez de ao seu discípulo: -t áspero o carninho que conduz daqui de baixo aos deuses. Uma ver�:·da florida, uma ladeira escarpada. Depois, rochedos ah �jados pelo raio, rodeados do espa­ ço imenso. Eis o destino do Vi e.ente e do Profeta sobre a terra. Meu filho, fica nas veredas floridas da planície. Não procures saber o que existe além. Respondeu-lhe o moço iniciado: -Minha sede aumenta, à medida que tu a desal­ teras. Deste-me a conhecer a essência dos deuses. Diz­ -me, agora, ó grande mestre dos mistérios, inspirado do divino Eros, poderei vê-los, algum dia? Disse o pontífice de Júpiter: -Com os olhos do espírito, não com os do corpo. Ora, por enquanto, sabes ver apenas con1 estes. É neces­ sário um longo esforço e grandes dores para abrir os olhos internos. -Somente tu sabes abri-los, Orfeu! Que poderei re­ cear contigo? -Queres? Ouve então. Na Tessália, no vale encan­ tado de Tempe, ergue-se urn templo místico, fechado pa ­ ra os profanos. Lá, Dionisos manifesta-se aos mistos e aos videntes. No próximo ano, eu te convidarei para as­ sistires à sua festa. Mergulhando-te num sono mágico; eu abrirei teus olhos para o mundo divino. Mas até lá, a tua vida há de ser casta e alva como a tua alma. Deves des­ de logo saber que a luz de Deus àpavora os fracos e mata os profanadores. Mas vem à minha casa. Eu te da­ rei o livro necessário à tua preparação. O mestre voltou a entrar no templo, acompanhado do discípulo dé!fico. Aí conduziu-o à grande cela que lhe estava reservada. A cela estava iluminada por uma lâln­ pada .egípcia, sempre acesa, suspensa pelo braço de um gênio alado, forjado em metal. Aí estavam as arcas de cedro odorífero, em que se guardavam rolos de papiros, coberto de hieróglifos egípcios e de caracteres fenícios, assim como vários livros que Orfeu redigira em idioma grego, em que se encerravam sua ciência .mágica e sua

doutrina secreta. ( ) Mestre e discípulo dialogaram na cela, durante uma parte da noite.

) Entre os muitos livros perdidos, que os escritores ( órfi­ cos da Grécia atribu:am a Orfeu, havia as Argonáuticas, que tra­ tavam da "grande obra" hermética: a Demetreida, poema sobre a mãe dos deuses, ao qual correspondia uma cosmogonia; Os can­ tos sagrados de Baco ou Espírito Puro, tendo por complemento uma teologia; e O véu ou a trama das almas, arte dos mistérios e dos ritos. O livro das mutações qufmica& e alquimia; As cori­ 'bantes ou mistérios terrestres e terremotos; Anemoscopia, ciência da atmosfera. Bottlnica natural e mdgica.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.